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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Un jour à Antwerpen

Un jour à Antwerpen

Antuérpia não é a Bélgica. Na verdade, é. Mas não sei bem o que é a Bélgica - e tenho para mim que eles também não. Um dia conheci Bruxelas. A suposta capital da Europa, como a maior parte das capitais não é exemplo de um país. Depois, Leuven e pensei que era muito diferente da capital. A seguir aquele cantinho especial que é Ghent onde se fala mais neerlandês do que francês, no qual fiz mal figura expressando-me em francês para me responderem em Inglês. Por momentos enfiei-me num buraco pensando que a minha pronúncia seria para lá de má. Nunca tal me tinha acontecido em França. Mas há sempre uma primeira vez para nos meterem no lugar a que cada língua pertence, pensei. Ainda os achei arrogantes e insisti na prática, para depois perceber que falam melhor inglês do que francês e que o francês é uma coisa pouco praticada por aqui. Agora, em Antuérpia, confirmei o que já devia saber. Deixar o francês no bolso e sacar do meu melhor inglês, que todos falam e entendem. Porque neerlandês ainda não explorei. Não entendo e o que leio parece sempre algo que na realidade não é. Talvez um dia.

Neste dia em Antuérpia não vi muito mas gostei. Voltarei, certamente, porque é daqueles locais que nos acolhe sussurrando que devemos voltar para conhecer melhor. Não sou a melhor pessoa para o habitual sightseeing e já perdi a paciência para correr os pontos turísticos, tirar fotografias para as quais só voltarei a olhar quando arrumar pastas de fotografias (que nunca acontece, certo?) e selfies sem selfiestick que nos mostram em ponto grande, escondendo o cenário. Por isso, há muito que adoptei duas opções: guardar na memória o que vejo e ser romana em cada local que visito. Actuar e agir como os locais, percorrendo os seus percursos, frequentando os seus locais e as suas lojas é o melhor que podemos fazer. Naturalmente que nem sempre é possível mas, as partilhas na rede, as recomendações e os sites que contam os segredos das cidades são uma grande ajuda. Talvez por isso vá encontrando muitos (alguns) turistas em alguns locais supostamente "locals only" em Lisboa. É o preço a pagar. Eu pago.

Contam alguns belgas que Antuérpia é para compras. Venho convencida. Lojas maravilhosas,  algumas, de cadeias internacionais, só supostamente são iguais às nossas: escolheram imóveis históricos e mantiveram a traça original. O que lhes dá um toque muito especial, porque entramos para ver duas coisas, a arquitectura e as futilidades que têm para vender. Há bons saldos e variedade, apesar da afluência. Novamente, o preço a pagar. Há que partilhar, mesmo que alguns entrem naquela loucura dos saldos e invadam lojas como se o mundo fosse acabar e precisassem mesmo daquele par de sapatos. Não precisam. Mas o mundo pensa que sim.

Gosto sobretudo da descontracção destes países. Quanto mais a norte melhor. Menos presunção e mais individualismo, menos água benta e mais variedade. Comer na rua não tem a sombra do fantasma da ASAE - era mais perigoso e menos saudável, mas éramos um bocadinho, nem que fosse só um bocadinho, mais felizes antes desta agência tentar tornar as nossas vidas totalmente assépticas, não éramos? Eu acho que eles são. As waffles que se vendem na rua são maravilhosas e nos cafés, patisseries ou boulangeries, não sinto aquela pressão que existe sobre nós das regras e higienização. Para além de que em qualquer lugar podemos optar por "emporter" e acompanhar o nosso passeio de um saboroso cappuccino. Quente. Para aquecer as mãos.

Não é tudo bom e há muitas coisas que funcionam de forma diferente. Não necessariamente mal, mas diferente dos hábitos nacionais que não serão todos criticáveis. Seja como for... Antuérpia é local para estar muito mais do que um dia. Dos museus aos locais históricos, há muito para ver e pontos maravilhos para parar e comer. Não serei foodie, mas tenho uma veia de teller que me faria contar muitas estórias de comida. Porque aquilo que encontramos fora de portas é sempre diferente e digno de registo. Amanhã, estórias de fazer crescer água na boca, com sabor belga.

The many looks... of love

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Poderosas

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