olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

uberlicious

A Uber, dizem, é tecnologia. E a tecnologia transporta pessoas.

Há décadas…

Foi assim com a rádio, consolidando-se na era da televisão. Como McLuhan explicou, os satélites de comunicação criaram a aldeia global. A tecnologia liga o planeta reduzindo-o à dimensão de uma aldeia. McLuhan não conheceu esta nossa aldeia, porque só mais tarde a Uber apareceu para nos transportar, numa lógica feliz de mobilidade global. Igual aqui e onde quer que o serviço esteja disponível.

Táxi? Isso é outra coisa.

Uso o serviço de uns e de outros com muita frequência. Quando, às cinco da manhã, tenho de sair em direcção ao aeroporto, banho tomado, arranjada e a tentar chegar ao destino com ar de quem não acordou a meio da noite, tudo o que quero é entrar num carro recente, limpo e ser conduzida em silêncio às partidas. Não raras vezes entro num Mercedes com mais de um milhão de quilómetros, o cinto de segurança está coçado e com uma mistura de cheiros indescritível.  Perguntam-me qual o percurso que quero fazer e escolho sempre o mais rápido e com menos semáforos. Nunca fui verdadeiramente mal servida, mas o serviço poderia ser muito melhor.

No regresso, escolho sempre um táxi nas partidas e nunca nas chegadas. Fui devidamente instruída que são mais sérios e menos disponíveis para dar a volta à cidade. Com efeito, nunca me recusaram a viagem por ser curta ou tentaram escolher o caminho mais longo. Não dou hipóteses, não faço perguntas e evito as respostas.

Lá fora, nem pestanejo. Uber numa mão e porta do carro na outra, porque é sempre um instante entre o precisar e o entrar no veículo. Com excepção do UberX (veículos mais pequenos e, como a Uber os caracteriza, do dia-a-dia), um Uber está sempre muito limpo. Playlist Spotify a tocar e a certeza do valor a pagar. Sem transações nem dinheiro na mão, dúvidas sobre o trajecto ou comentários que acabam em “inho” ou “inha”. Como às vezes se diz, “é muito à frente”. De facto é, porque não foi concebido com base nas pessoas, mas antes na tecnologia, que se serve das pessoas para poder conduzir outras. Porque isto da tecnologia é para nos transportar. Para outros mundos como no cinema, para surfar, como na web ou, simplesmente circular, como num Uber.

foto: João Porfírio/Lusa

foto: João Porfírio/Lusa


Flower Power. Or simply Power?...

Flower Power. Or simply Power?...

Kicking off