olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

#fortiesrock. You bet!

Já aqui escrevi sobre os quarenta, a sociedade e cenas e não sei o quê [ler]. Mas acho que não escrevi sobre o meus quarenta. Aquele dia em que passaram a chamar-me quarentona e achei graça. Aquele momento em que não senti diferença nenhuma entre o antes e o depois.

Quando passei a barreira para os vinte senti-me a maior. Finalmente. Quando dei por mim eram trinta e essa década demorou a passar. Aconteceram tantas coisas que me parecia que jamais chegaria aos quarenta. Não que tivesse pressa ou os quisesse retardar mas, confesso, cheguei aos quarenta cansada, com vontade de parar. Ou fazer rewind. Em qualquer um dos casos, não é possível. O marido, o filhos, o trabalho, o cão, o gato... sei lá mais o quê. Responsabilidades, dizem. Parar até seria possível mas depois cansar-me-ia de estar parada. Saberia estar parada? E rewind? Seria justo andar para trás sabendo tudo o que sei? Não é a vida uma infindável supresa e essa surpresa o melhor que levamos dessa mesma vida? Seria justo - até para nós - sabermos o que aconteceria quando temos de escolher entre várias opções?

Não. A resposta é simplesmente não. Não seria justo. Ou seria, mas muito enfadonho. Porque a vida é feita de avanços e recuos, certezas e incertezas. Saber sempre como será o dia de amanhã destrói tudo isso. Não tenho medo da mudança. Menos ainda de mudar.  De não saber o que, ou como vai ser. Gosto apenas de um bocadinho de rotina para saber a que horas vou buscar a Rita à escola ou quando posso treinar mas, tirando isso...

Talvez por essa razão a idade não me assuste. Assusta-me o que a idade pode trazer - que dispenso - e, por isso, já comecei o processo de retrocesso. Pela saúde. Mobilidade. Bem estar. Rugas? Fazem parte. Quem não gostar, não olhe.

Foi uma festa bonita. 

Descobri um local novo, a estrear e que, com a senha certa, abriu as portas a quarenta ladrões.

Encontrá-lo é quase como procurar uma Agulha no Palheiro(*) porque é difícil encontrar sítios assim, que nos recebam como se estivéssemos em casa, que sirvam como se tivéssemos sido nós a preparar, que estejam atentos aos detalhes como a governanta perfeita, que não deixem copos vazios ou espalhados, que reponham tudo e nos surpreendam a cada prato, que circulem sem notarmos a sua presença, que se integrem como se fizessem parte da festa. Porque sem eles, também não havia festa. 

Tive a sorte de conhecer estas pessoas no momento certo e de poder contar-vos esta aventura de celebrar quarenta anos aqui, neste espaço que já não é só meu e que é, cada vez mais, daqueles o acompanham.Que cobram quando não escrevo, quando não envio o Friday Digest, quando lhes parece que não estou lá. Mas estou. Mesmo quando dou folga à super-máquina-fotográfica-disfarçada-de-telefone e deixo a tarefa de registar o que se vê, e o que fica por contar, entregue à minha grande amiga e excelente fotógrafa Gi (Georgina Noronha).

Nasci no mesmo dia da minha Mãe e isso, torna este dia sempre muito importante. Este ano tive (tivemos) direito a uma tarde muito especial, especialmente para mim, que há muitos anos não me metia numa destas. Recheada de abraços e sorrisos rasgados, sentindo que há pessoas de quem gosto muito que me retribuem de forma igual. E mesmo aqueles que não estiveram porque estão longe - e são cada vez mais mais - também lá estavam. Porque a amizade não se mede ou se perde na distância.

(*) Agulha no Palheiro é o nome de um novo spot em Lisboa. Que vocês não vão querer perder. Conto tudo quando abrir...

a plus size, anyway!

O glamour desconhecido da mudança