olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Nem sempre a música é apenas música...

Nem sempre a música é apenas música...

Que gosto de música, já se percebeu. Que adoro concertos e festivais, também.

Contudo, mais do que a música, cada vez gosto mais de olhar, ao longe, os detalhes, sentir o pulso ao espaço, às pessoas, andar nos bastidores e perceber tudo o que faz parte de um evento destes.

O melhor, para quem não sabe, está atrás do palco. Quando o artista é bom, à frente do palco é que se está bem mas, garanto, passam-se grandes dias lá atrás. Mesmo com pó. Com o sol que torra e o calor de Agosto. Todos os grandes festivais de música têm as suas características e pormenores. Em todos, são as pessoas que os definem. Porque, afinal, um festival de Verão é feito por pessoas. Para outras pessoas. Não é assim, também, na rádio? É. Talvez por isso, estejam estes eventos em directa relação com a rádio. Os maiores são organizados por aqueles que, decididamente, são da rádio. O que faz toda a diferença. Só quem é da rádio, pode perceber.

O Nos Alive é, para mim, o melhor festival urbano que conheço. Mas a vibe do MEO Sudoeste, essa, ninguém lhe tira. O facto de ser no Alentejo, de nos obrigar à deslocação, de nos retirar da nossa zona de conforto, já faz deste evento algo especial. Porque só vamos se quisermos mesmo ir. Não está "já ali", com transportes à porta e a conveniência que nos permite sair do emprego e ter uma noite recheada de boa música. Amigos. Loucura. Muita. E da boa.

Estive em pleno Alentejo para sentir a diferença. Andei pelo recinto, vi pessoas a chegar, malas, sacos, mochilas, tendas. A montarem o seu espaço. A curtirem a ideia de estarem acampadas, em comunhão com a natureza e os mergulhos no canal, água fresca e limpa, o sol a escaldar. Almocei com aqueles que são fundamentais para que tudo esteja no sítio e corra bem. Comi como uma princesa, no meio do nada. Terminei o dia a bordo de um autocarro para ver um pôr do sol, como só o Atlântico pode engolir, com música, álcool e a tribo Sudoeste aos gritos, a cantar de alegria e a contagiar todos os que passavam. Deixei-me contagiar e ouvi o meu nome em ovação. Por vezes, basta darmos um bocadinho de nós para transformar, mesmo que por breves minutos, o mundo de alguém. Conheci a M, a quem prometi ajudar. Porque não faço promessas que não posso cumprir. Porque a sua história me tocou. Porque a abracei de forma genuína, quando todos cantavam, gritavam. Dançavam. Sem noção de que, mesmo num momento tão bom, que partilhávamos, há coisas que merecem ser contadas, conversadas e desabafadas. Acho que recebi mais do que dei, pelo pouco que aprendi. Só por isso, aquele abraço foi uma promessa. Porque as mulheres são tantas vezes tão más umas para as outras que, quando se abraçam, isso não pode ser menosprezado. Não foi.

Para mim já acabou e volto a Lisboa cansada, mas feliz.

 

#summertimebyurbanista #meosudoeste #sunset

Embaixadora. And proud to be

Embaixadora. And proud to be

Rádio. 80 anos?...

Rádio. 80 anos?...