olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

O glamour desconhecido da mudança

Há todo um glamour associado à mudança de casa que, na realidade, não existe.

O que existe é a ideia do glamour da mudança. A possibilidade estimulante de um admirável mundo novo. A motivação para fazer diferente e melhor. Mesmo que seja apenas para mudar a casa e, por consequência, colocar os móveis em locais diferentes.

A casa - a nossa casa - é muito importante. Numa sociedade tão individualista, o cocooning passou de tendência a modo de vida afastando-se, contudo, daquele fechamento que lhe deu origem, algures em mil novecentos e qualquer coisa. A casa hoje abre-se ao mundo, mantendo-se como o local ao qual sempre voltamos, reflectindo da nossa personalidade. Combinamos a languidão que nos sabe bem com o trabalho e os amigos. A nossa casa serve para tudo: estar, viver, conviver e trabalhar. Salas de estar e trabalhar, zonas multimédia, espaços de refeição e varandas ou terraços são fundamentais. Bem como uma cozinha quadrada para cozinhar e receber, e um quarto para dormir com uma janela que deixa ver o mar.

Se há coisa que eu gosto de fazer nesta vida é ver casas. Perco-me nos sites, fico ali horas a analisar cozinhas, metros quadrados e outros que tais. Ainda não encontrei a casa ideal - se é que existe - e temo que a minha casa ideal, só mesmo desenhando. No mercado há muita coisa absolutamente pavorosa, aquelas assim-assim, algumas (poucas) coisas boas a preços decentes.

Uma é boa mas não tem terraço. Outra é boa mas não tem elevador (e, meus amigos, não volto a mudar-me para uma casa sem elevador). Outra é gira mas pequena. Outra é grande mas só tem uma casa-de-banho. Outra tem três casas-de-banho mas depois tem uma sala minúscula. Outra é óptima mas fica numa zona esquisita...

Depois, embarcamos naquela história que nunca é como contam os filmes: encaixotar. Transportar. Arrumar caixotes num canto. Desencaixotar. Tentar encontrar aquelas coisas que todos temos que não encaixam em nenhuma categoria, que nunca vão para os caixotes e que, tal como antes, andam pela casa como se tivessem vontade própria. Tão bom...

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Nos filmes elas estão muitas vezes de jardineiras e há sempre um escadote. Ou de saltos altos, sentadas junto a caixotes visivelmente vazios.

Não sei se já mudaram de casa, sequer como eram os vossos caixotes, mas sei que os meus foram reaproveitados e tinham fita adesiva castanha. O que lhes dá toda uma especial beleza...

Nos filmes nunca há pó. Quando mudamos, há pó que não acaba. O que limpamos ao que estava guardado, o que apareceu durante o transporte, o que resulta dos caixotes. Só coisas boas, portanto. Com ou sem jardineiras, lá vamos andando, tshirt amachucada, cabelos presos em desalinho e um pano húmido para limpar a maior parte das coisas. Um mimo...

Agora sim, começa a parte glamourosa: de loja em loja a escolher tecidos, almofadas, candeeiros, tapetes e tudo aquilo que faz de uma casa, a nossa casa. Única. Mesmo que os móveis sejam Ikea e iguais aos do catálogo que está em todas as caixas de correio!...

 

 

 

 

#fortiesrock. You bet!

dos intes aos intas e, destes, aos entas...

dos intes aos intas e, destes, aos entas...