olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

#beachbody? Dream on...

#beachbody? Dream on...

Há coisas que posso entender mas não quer entender. Em primeiro lugar, a maldade. Em segundo lugar  a interferência. Em terceiro lugar as lentes com que nos observam.

Não tenho peso a mais. Nunca tive. Nem a menos. Mas não sou geneticamente abençoada. Não posso comer tudo o que me apeteça. Longe vão os tempos em que o fazia. Porque o metabolismo queimava. Porque me mexia o dia todo. Depois, tudo mudou. Não engordei a ponto dos outros perceberem, mas as calças não fechavam. Passei meses com calças largas, na altura em que se usavam as calças cargo. Era Inverno. Exercitava muito. Comia mais. Hidratos que se instalaram. Quando, um dia, peguei nas calças de Verão para as vestir, percebi que estava a fazer algo errado. Não fazia sentido. E descobri o erro. Corrigi-o.

Mesmo assim, não conheço esta sensação de ouvir os outros murmurarem gorda... cheinha... barriguda... e outras palavras que cortam a alma como facas. Os olhares de reprovação. Nunca o senti, espero nunca o ter feito a ninguém, mesmo que inconscientemente. A minha maneira de ser não me permite interferir na vida de ninguém. E mesmo quando perguntam, tenho sempre dúvidas sobre o que responder. Raramente respondo afirmando, apenas questionando ou sugerindo. Não sou melhor do que ninguém mas sei que jamais me sentaria ao computador para escrever um comentário destes a quem quer que fosse.

Esta mulher não é gorda. Magra não é, mas está muito longe de estar a caminho da obesidade. Por isso, não entendo a razão do bullying cibernético. Se a Taryn está em forma? Não está. Se está flácida? Sim, está. Se tem um perímetro abdominal a caminho do perigo? Provavelmente sim.  So what? Não li um único comentário que se preocupasse verdadeiramente com a sua saúde, mas antes com a estética que lhe diz respeito. Eu corro. Eu pratico exercícios de tonificação. Alongamentos. Dança. E, mesmo assim, não tenho uma flat tummy ou um butt do qual me orgulhe. A Taryn Brumfitt (curiosamente tem a palavra FIT no seu apelido) é um exemplo. Porque quando quis, atingiu o chamado corpo de sonho. Esbelto, digno de medalhas. E percebeu que o problema não está no espelho, mas em nós. Por mais musculado, livre de celulite, sem pelos ou outro detalhe que a sociedade em que vivemos tenha decidido que é horrível, se não gostarmos do nosso corpo, nada vale a pena.

A pressão social sempre existiu mas, recentemente, piorou. Porque passámos a comer pior, a viver pior, a abdicar de todos os hábitos saudáveis que, inconscientemente, as gerações anteriores defendiam. E praticavam. Não temos tempo, não temos dinheiro e estamos sempre cansados. Sem paciência. Há dias coloquei uma imagem de legumes biológicos no Instagram. Para uma sopa. Está maravilhosa. Mas perdi o dobro do tempo, gastei o dobro do dinheiro e tive o dobro do trabalho. Também tenho o dobro do prazer e das vitaminas. Era mais fácil ter entrado no supermercado na porta ao lado de casa, ter comprado um saco de legumes congelados e feito a sopa. Ou ter subido a rua até ao restaurante-que-também-vende-comida-para-fora para comprar sopa. Uma dose de 4 sopas custa um euro e meio. Eu compreendo as opções das pessoas. A sopa biológica está longe, muito longe, deste valor...

Mas, por isso, rapidamente começámos a ter mais celulite, mais gordura abdominal. Mais pilosidade corporal, acne fora do tempo. Derrames nas pernas, rugas e cabelos brancos. Mais colesterol, tensão arterial alta, diabetes. Este é o verdadeiro problema. E não se resolve com actividade física porque somos, definitivamente, o que comemos. E se comemos mal e não nos mexemos, instala-se o caos. Na vida. Na saúde. Os outros olham e comentam. Há sempre algo que podemos mudar ou melhorar. Por esta altura, somos bombardeados com informações contraditórias sobre o #beachbody que aspiramos e não temos - mas podemos ter se... - e o #bodytopraise, que é o que temos e que não vai mudar de hoje para amanhã, quando decidirmos ir à praia. Porque a vida são dois dias e o Verão menos de dois meses. Valerá a pena o esforço? Vale, a bem da saúde. Se começarmos hoje, os resultados aparecem no próximo Verão.  

Para os que têm barriguinha, barriga ou simplesmente, ventre dilatado; celulite espalhada, flacidez, estrias e outros detalhes que fazem os outros apontar o dedo, live with it. Conheço gordos - que sabem que são gordos - maravilhosos e magros ressabiados, de mal com a vida. Para os que apontam o dedo... só espero que não tenham telhados de vidro e que pensem que todo o bem (ou mal) que fazemos volta em dobro.

Não sei como começou esta epidemia em torno do corpo e da vergonha daquilo que é o nosso corpo. Sei que piorou bastante com os sites de redes sociais. Facebook, principalmente.

Mais ou menos esbelto, mais alto ou baixo, mais ou menos rechonchudo...

Qual o padrão e quem o definiu?

Depois da maternidade muitas ficam na mesma. A maior parte não. As mamas mudam - e não é para melhor. As ancas alargam - e nem sempre voltam ao lugar. A barriga perde o seu tónus muscular - muitas vezes não há nada a fazer porque os músculos abdominais se separaram. Chama-se diástase abdominal e não, não é desleixo, é mesmo um processo que pode resultar da gravidez e que, inclusivamente prejudica a coluna. Outras - e outros, porque eles também sofrem com isto - engordam só de respirar e, para corresponderem aos padrões, têm de fazer uma dieta alimentar restritiva, de tal forma regrada que acabam infelizes. Por isso, antes de apontarem o dedo, olhem para o vosso corpo, procurem nos detalhes e pensem que podem ser (apenas) um bocadinho mais humildes. Tirem as lentes da perfeição e pensem que pode haver uma razão para o que estão a criticar...

Não havendo, o que têm vocês a ver com isso? Pediram-vos opinião?

POST POSTING: acabei de escrever. Gravei o artigo para o publicar amanhã. Entrei no Facebook para responder a uma mensagem. Deparei-me com esta publicação. Alguém que eu não acho, de todo, gorda. Uma miúda gira com um sorriso fantástico, tinha acabado de escrever este desabafo...  

O peso das perspectivas distantes e descontextualizadas

 #ihaveembraced #bodyimagemovement #beachbody

#lookingalive

#ThePowerofMakeUp

#ThePowerofMakeUp