olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

#soundsalive. Sounds accidentally happy.

Gosto de música. Correcção: gosto muito (mesmo muito) de música. Mas estou longe de me sentir especialista ou, sequer, capaz de produzir crítica musical. Embora, por acidente, por vezes aconteça. Fico genuinamente contente quando antecipo os hits e, melhor, quando estou a curtir um concerto, a pensar naquilo que está a acontecer para, depois, perceber que a minha crítica seria igual às dos que se especializam na crítica musical. Great!!

Nisto de concertos e festivais há, para mim, duas posturas: aquela mais comum e descontraída, de quem vai para passar um bom bocado, ouvir a música de que gosta, tocada e cantada por um artista que aprecia; e a outra, menos frequente, de quem vai para apreciar criticamente, ouvir com atenção e desfrutar. Não são exactamente a mesma coisa. 

Por defeito de profissão ou simples awarkdness, não me lembro da última vez que fui descontraidamente a um concerto. Mas também não me lembro de ter ido a um festival para apreciar criticamente. Devo ser, por isso, o público mais difícil de contentar. Porque quero, simultaneamente, surpreender-me e ser surpreendida, apreciar, dançar e cantar a plenos pulmões. Curtir. Por isso entendo, mas enquanto lá estou, não consigo entender que os artistas apresentem álbuns em festivais. Que os explorem e nos deixem, até à última música, à espera do seu maior hit. Que deixem o público amolecer, dispersar e conversar, enquanto cantam, mesmo que aguerridamente, os seus futuros êxitos. Porque ninguém gosta do que não conhece. Só os que, com a sua awkwardness, lá estão com apurado sentido crítico. Ou a trabalhar. Os outros, entre the booze e outras coisas, querem apenas saltar e dançar, cantar (ou tentar), fazer os chorus quando o artista pede. Numa palavra, querem divertir-se. E isso não acontece quando não sabemos, de cor, a canção. Mas eu percebo. O que não quer dizer que seja uma cena cool...

Para saberem como foram os concertos, leiam. Não faltam artigos e notícias. Eu limito-me a dizer o que penso sobre o que vi, ou ouvi, com atenção. Porque não estou em todos ao mesmo tempo. Nem quero. E sei que os HMB lhe deram bem, com um público pronto para aquecer, ou que Crows encheram o coração de um público mais revivalista, a ponto - e não acredito e coincidências - de uma avioneta passar pelo recinto, na zona do palco principal, enquanto ouvíamos accidentally in love.

Que a Symoney e quem lhe enviou a mensagem sejam accidentally happy 💙

Passei pelos Dead Combo no momento da Lisboa Mulata e deixei-me render. Ao contrário do dia anterior, não parei no Clubbing (se calhar devia) e concentrei-me no palco principal para comprovar que o upgrade não poderia ter sido mais acertado: Sam Smith encheu o recinto e conquistou mesmo aqueles que o poderão achar demasiado pop. Ou lamechas. Abre o coração para contar a sua vida. As pessoas gostam disso. Na verdade, tem uma voz única, canta bem e brinca com as canções.

O cair da noite repetiu Chet Faker que esteve no Coliseu na passada semana. Pena Stromae ter cancelado, embora Chet tenha dado bem conta do recado na transição do dia para a noite. De volta ao Heineken, para ver, do início ao fim, Azaelia Banks. Há duas músicas que me prendem, que me fazem dançar e cantar como se o amanhã não existisse. Já a vi em outras ocasiões e, muito embora tenha dominado o palco, com a sua suave agressividade (talvez a postura feminina, o sorriso e as palavras carinhosas sejam o que basta para quebrar alguma violência nos gestos, nas palavras e no seu rap radiante, mas sonoro), nem sempre agarrou o público que, com a proximidade da hora dos Disclosure foi abandonando a área. Ainda bem. Prefiro estar entre os que gostam verdadeiramente. Não estranham os gritos, os chorus, os saltos e o movimento. Pelo contrário, acompanham!

Finalmente, Disclosure (outro upgrade de palco) numa abordagem que oscilou entre o quase- rave, diferente de outros sets que já conhecia e que estão em todos os suportes em modo repeat, e o tomem-lá-o-que-estavam-à-espera. Ou eu estava cansada, ou já me faltavam as pernas ou não consegui acompanhar uns Disclosure frenéticos. O espectáculo visual e a participação do Kwabs, contudo, encheram-me o coração....

Recovery to feel alive (again)

Recovery to feel alive (again)

#nosestamosalive