olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

o elogio do nada

Dolce fare niente...

Dolce fare niente...

Raramente se fala desse estranho prazer que é não fazer nada. Simplesmente nada. Desfrutar do tempo para, simplesmente, nada. Ficar entediado por nada fazer. Hoje é Quinta-feira e estava a pensar no que iria escrever... Apercebi-me que, por esta altura, a maior parte já estará à procura de ideias, soluções, eventos, companhia para o fim de semana... Andamos todos estranhamente ansiosos com esta necessidade de fazer coisas quando, em boa verdade, o que às vezes apetece é simplesmente… Nada. Fazer nada. Essa atividade tão interessante que nos entediava até mais não, durante boa parte da nossa juventude, nos períodos em que não tínhamos nada para fazer. 

Hoje em dia, os miúdos têm muito para fazer. Têm uma agenda tão ou mais preenchida que a dos seus pais. E, por consequência, os pais também têm essa agenda bastante preenchida. Ao fim de semana, combinar coisas com adultos que têm filhos pequenos é mais complicado do que marcar reuniões entre presidentes de empresas porque, simplesmente, além da agenda familiar, há toda uma outra agenda, a dos pequenos, que saltitam entre a natação e a dança e os aniversários e os compromissos com a família. Não é que seja necessariamente mau, só é cansativo. Especialmente para quem quer desfrutar da companhia de pessoas de quem gosta. Voltando aos adultos e ao que fazer, andamos todos à procura de algo para, na Segunda-feira seguinte, pensar que o tempo não foi perdido, que não foi em vão. Para nos abstrairmos da semana extenuante. Na maior parte das vezes, o melhor tempo é aquele que se aproveita para nós, para fazer algo tão retemperador como, simplesmente, ficar sentado no sofá a olhar para o vazio. Há quanto tempo não se sentam no sofá a olhar para o vazio? Em cima da cama, a olhar para o tecto?

Eu sei que não o faço há muito tempo... Demasiado tempo...

Dizem que aqueles que amam o que fazem não trabalham um único dia da sua vida. É verdade. Também é verdade que quem corre por gosto não cansa. Pois sim. Mas cansa. Mesmo aqueles que fazem o que realmente gostam, que vivem aquilo que é a sua profissão, também se cansam. E há um momento em que apetece mesmo não fazer nada. Não ter compromissos. Não ter agenda. Não ter ninguém à nossa espera. Não ter de ir a um evento, a um concerto, não ter de tomar um café e colocar a foto no Instagram, para que o nosso perfil no Instagram, no Facebook ou no Twitter esteja recheado de coisas muito giras, aquelas a fazer inveja. Vivemos para isso?

E não fazer nada?… Não será também essa, uma forma de provocar inveja? Só sabe não fazer nada quem tem uma vida preenchida. E só pode dar valor a esse nada quem todos os dias tem muito para fazer. Não devia ter tempo para isto mas, sentei-me, preparei umas torradas e estou a comê-las tranquilamente. Olho para o relógio. Já deveria estar a fazer outra coisa. Por vezes, não apetece fazer mesmo nada...

#TimeOff #GoodVibes #Fun

Brunch

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o bom, o mau e o vilão

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