olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

sunday lazy sunday

Começo pelo disclaimer: não gosto de Domingos. Contra natura? Provavelmente. Mas não gosto. São dias estranhos. Passados na cama e perdidos para todo o sempre. Em arrumações, leituras e outras tarefas dentro de casa. Na rua, entre os restantes milhares que não talvez não possam sair nos outros dias da semana.

Assim é, no que toca, também, ao desporto. Actividade física.

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Corro por prazer. Por desporto? Na verdade, o meu verdadeiro desporto é outro mas, desde que comecei a correr, gosto de manter esta rotina de calçar os ténis, sair, escolher a playlist e, simplesmente, correr. É libertador. Como o urbanista começou no Dia Mundial da Liberdade, achei que este seria, também, um bom ponto de partida.

Correr à noite (ao fim do dia) é muito diferente de correr de manhã, e entenda-se o conceito de manhã, como uma manhã lenta e prolongada de Domingo que começa por volta das 11h00. Normalmente, corro ao fim do dia. No Verão, ao pôr do sol, quando já só há uma linha no horizonte. No Inverno, antes do jantar, quando o breu se instala e só correm os que não têm medo. Do frio. Um dos aspectos que me limita a corrida é o calor. A luz do sol impede-me de atingir o nível máximo. Isso irrita-me. Não sabia que este Domingo seria assim. Não imaginei que o dia acordasse com um sol tão brilhante e que, algures a meio da manhã já estivéssemos acima dos 15 graus. Ainda me irritam mais os corredores de Domingo. Têm muito em comum com os condutores de Domingo: são lentos, dispensam o bom senso e desconhecem as regras básicas de circulação (porque também existem umas regras tácitas de circulação entre corredores). Estão ali para arejar, aproveitando para manter a boa forma física. Bullshit. Acreditam mesmo que o coração vai funcionar melhor porque o esforçam uma vez por semana? Não, não é melhor do que nada, perante semanas sedentárias, alimentação descuidada e outros hábitos que um dia de corrida (ou caminhada rápida, em boa verdade) possam resolver.

Vejo demasiadas resoluções de ano novo de meia idade e um perímetro abdominal perigosamente acima da média. Outras, demasiado perfumadas para alguém que faz desporto regularmente. Também há os que olham quanto sentem a nossa aproximação, com um ar atemorizado sem saber se ficam onde estão, se devem desviar-se para a direita ou esquerda e, então, fazem aqueles movimentos de semi-oscilação corporal. Deixem-se estar quietos. Nós passamos de qualquer forma. Antes de decidirem o que fazer, já passámos. Depois, há os que têm equipamento novo. Tão novo e a condizer que, não sendo uma resolução de ano novo, são uma resolução qualquer. Ou uma resolução de outro ano qualquer. Há ainda os que me dão vontade de abrandar e explicar como se corre. Porque correr não é simplesmente largar em passo rápido. Há uma postura corporal que ajuda ao treino. Percebi isso sozinha, através das dores que sentia no corpo e do rendimento - maior ou menor - que conseguia obter. O corpo, como em qualquer actividade desportiva, não pode estar rígido. Os paus não correm.

Não sou especialista, mas há pormenores óbvios.

Os pés não estão para dentro, nem para fora. Devem estar direitos, apontando em frente. As pernas têm de estar relaxadas, os joelhos com uma flexão mínima, praticamente imperceptível, que vai ajudar ao impulso e a minimizar o impacto da passada. As ancas acompanham as pernas e o corpo. Se nos viramos, a anca acompanha. Não viramos só os ombros ou as pernas. E sim, podemos correr de costas. Mas não o fazemos. Convém ver para onde vamos. Os braços têm utilidade e devem estar mais ou menos a 90 graus, acompanhando a passada. Ajudam a impulsionar o corpo, marcam o ritmo, se preciso for. As mãos não estão fechadas. Nem esticadas. Ou caídas. Estão numa posição natural, na continuidade do braço. Os ombros estão relaxados, para baixo. Não se encolham, isso provoca dores. A coluna não está rígida e direita. Está ligeiramente inclinada para a frente. Novamente como nos joelhos, é quase imperceptível. É simplesmente para não provocar resistência na zona lombar, ajudar à suposta flexão das pernas e ao impacto da corrida. Finalmente, por estranho que pareça, mantenham os músculos das costas contraídos e os abdominais duros como um pau. São estes músculos que vos garantem uma boa postura, que o esforço se mantém constante e que não terminam a corrida quase deitados. E, para os que não notam, os glúteos ficam naturalmente contraídos. Sim, acontece quando se corre.

De todos aqueles com quem me cruzo e que não correm, embora façam que correm, apenas uma pequena percentagem dirá, um dia, que corre. Até lá, ocupam espaço nos trilhos e ensinam-me que, para correr a sério, tenho de sair ao fim do dia.

#lazy #jogging #run

animal print

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