olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Foi Natal

Dizem que o Natal é o tempo da família. De partilha, de amor e generosidade. Acho que esse é - será (ou talvez seria) - o tempo de todos os dias. Mas não é isso que vejo. Nem nos dias, menos ainda no Natal, dominado por um consumismo exacerbado em que dar significa dar algo e não dar de nós. Dar atenção, carinho, amor. Dar algo a alguém que precisa ou dar algo que alguém precisa passou, há muito, ao dar porque "tenho de lhe dar alguma coisa", com sabonetes, velas ou meias à mistura que ninguém quer comprar e menos, ainda, receber.

Não é isto, o Natal. Nem pode ser apenas isto, o Natal. Mas também não pode ser o Natal que agora vi, com lojas de pronto a vestir abertas até à uma da manhã, em noite de consoada, e um mar de gente nas ruas, enchendo a praça mais movimentada que alguma vez conheci, tornando impossível a circulação.

Times Square na noite de Natal estava repleta de turistas e outros que não sei quem eram. Às oito da noite os teatros encheram, antes disso o movimento nos restaurantes estava imparável e, depois, não faltavam pessoas a circular entre os vários pontos da Broadway. Os carros circulavam com (extrema) dificuldade. As pessoas também. Os odores, intensos, dos hot dogs, pretzels, pipocas, amendoins doces, halal food e outras especialidades que desconheço mas cujo cheiro é inconfundível, misturavam-se com a babel de sons, misturando línguas e sotaques como numa antes ouvi. Aqui, é difícil perceber quem são os locais porque a maioria não é daqui e, por isso, o global assumiu-se local, mesmo não o sendo. Há de tudo e a qualquer momento, porque a cidade não dorme. Descansa, algures na madrugada, sem cair à cama, para, pela manhã fresca, acelerar com todas as suas forças pelo Central Park, correndo, patinando ou circulando de bicicleta.

Outro dia começou, continuava a ser Natal e continuou a vida em modo "Natal turístico", com o comércio de porta entreaberta, restaurantes e afins repletos de clientes cheios de vontade de um Brunch ou uma refeição gordurosa, que misture as tradições europeias com as ideias da cozinha norte-americana. A maior parte das lojas preparava aquele que é conhecido como "second Black Friday", a 26 de Dezembro, dia em que as lojas, todas, reabrem portas para vender o que sobrou do Natal, com preços que chegam a descer 60%. É o mercado capitalista a funcionar, com o consumo estimulado não sei de que forma, garantindo um Starbucks em cada esquina e lojas multimarca que apresentam tanta - ou maior - variedade do que as inúmeras ruas repletas de comércio de toda a natureza.

São mais de 10 milhões numa área menor do que Portugal, com o mesmo número de habitantes. Isto quer dizer muitas coisas e quer, sobretudo, mostrar que ser grande não quer dizer que se seja grande coisa que é, exactamente, o espírito actual do Natal.

NYC é grande em todos os sentidos, mesmo o da coisa. Com (algumas) qualidades e (poucas) virtudes, NYC não dorme nem deixa dormir, expande-se em altura, luz e movimento a cada vez que a visitamos. Não é sempre Natal em Nova Iorque mas, não fossem as luzes exuberantes, as montras de produção sofisticada e os pinheiros preparados para serem fotografados e nem parecia Natal...

Still NYC (always) New York.

Still NYC (always) New York.

Philly, you got me.

Philly, you got me.