olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Philly, you got me.

Philly, you got me.

Não é difícil apaixonar-me por uma cidade. Grande em dimensão e expressão, dinâmica e movimentada, exuberante e com requintes de rebeldia? Gosto. Polvilhada de cultura, gentes, sons, cheiros, sabores, cores e diferenças em relação ao de todos os dias? Adoro.

Philly não é exactamente assim, mas é um bocadinho assim. Antiga, com história, parte da história e berço da história dos Estados Unidos há muito que queria espreitar as ruas e sentir-lhe o pulso. Oscilando entre o novo e o velho, o passado e o presente, Philadelphia não é um must see, mas é um worth going to. O tempo foi curto para tudo, merecia mais horas para explorar os detalhes do que ficou por ver e fazer.  Encaixada entre um rio e outro, a cidade é tanto virada para dentro e para fora, ou seja, para o rio e para si própria, concentrada no centro social, cultural e artístico. Junto a um rio corremos e remamos. No outro, aproveitamos o ar e o espaço, as pessoas e o tempo.

No centro há tudo à distância que os pés alcançam. Crianças num ringue de patinagem e adultos que se encantam com mercados de Natal dominados por árvores nórdicas, iluminadas ao pormenor. Ruas cheias de gente com mais ou menos estilo, tantas no estereótipo norte americano quanto as que estão no extremo oposto. Ruas com lojas iguais a tantas outras e outras tantas diferentes, próprias do local, provando que o global nos invadiu sem, contudo, matar o local. Porque verdadeiramente local são os cheesesteaks, únicos até nos Estados Unidos. Provei dois. O mesmo sabor, ainda que um deles tenha revelado maior cuidado na confecção e, portanto, maior qualidade. Melhor sabor.

Estas são umas macro sandwiches cheias de carne de vaca cortada em tiras muito fininhas, grelhada ao ponto e com um molho cujo sabor não sei descrever, mas que é daqueles de lamber os dedos. Chegam embrulhadas num papel, comem-se à mão, lambuzam-nos e lambuzamo-nos enquanto acompanhamos com batatas fritas e limonada. Único. Para comer uma vez. E recordar para sempre como a mais awkward sandwich ever.

No quarteirão da Avenue des Artistes para além da arte e da música há lojas, restaurantes e bares, uma movida pouco parecida com a nossa, em Lisboa ou Madrid, mas que tem, também, a sua piada. Lá mais em baixo na Passyunk Av. encontramos o mundo à mesa, com uma oferta gourmet apenas equivalente em cidades como Londres. Mas é também lá mais abaixo, na mesma cidade que a Little Italy se enche de cor com cannolis e outras especialidades italianas, lojas de queijos com fila muito além da porta, venda de café que cheira mesmo a café, talhos centenários e outras tantas lojas agora dominadas por latinos e chineses. Uma torre de babel, portanto, como são, em boa verdade, os Estados Unidos da América.

Foi Natal

O mar

O mar