olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Brooke Cagle 

Brooke Cagle 

Parece tudo menos aquilo que realmente é: isso. Esse reduto da liberdade feminina. Esse prazer único que, só quem as tem, sabe o que significa. Sem sutiã. Sem aros. Almofadas. Algodões. Sintéticos. Presilhas. Alças. Só pele e roupa em cima. Liberdade total. Mesmo que abanem. Mesmo que tal signifique algum desconforto, não há prazer maior do que aquele movimento tão nosso, de despir as mangas da camisola, colocar uma mão atrás das costas, voltar a vestir as mangas e, com a outra mão, puxar o sutiã que sai pela lateral da camisola como se fosse um intruso. Segue-se um suspiro em silêncio ou aquele movimento que também só nós sabemos fazer: ajeitar o sutiã. Na sua ausência, celebrar o momento de libertação, movendo ombros e omoplatas de forma muita rápida e em sincronia, como se estivéssemos a dançar.

Não é, mas o sutiã pode ser entendido como uma grilheta e a sua ausência a libertação final da mulher. Quantas vezes olhamos para um homem adivinhando-lhe os mamilos? Outras tantas pensando, em surdina, que bem precisaria de um sutiã. E nada acontece. Nem ouvem comentários lascivos nem estão a pôr-se "a jeito". Para quem não sabe ou prefere ignorar, o corpo é, todo ele, uma zona erógena. Os mamilos masculinos também.

Não foi à toa que (supostamente) as mulheres queimaram sutiãs. A luta das mulheres pelos seus direitos é longa e agudizou-se por altura da Segunda Guerra Mundial quando foram chamadas a substituir os homens, transformando a luta pela liberdade numa bandeira que ainda hoje, embora de forma mais discreta, persiste. O icónico momento em que decidiram queimar sutiãs foi mais simbólico do que pirómano, quando em 1968 as activistas do Women's Liberation Movement nos Estados Unidos sairam à rua para expor a opressão contra as mulheres, bem como a exploração da beleza feminina. Cansadas das conotações que lhes estavam (estão?) associadas, decidiram que era tempo de mostrar que poderiam ser mais do que donas de casa e mães de família, da mesma forma que toda a parafernália que destaca a beleza feminina (sutiãs, saltos altos, cintas, rolos de cabelo, pinças e afins) foi deitada à rua para deitar por terra os estereótipos. Não chegou, e hoje, continuamos a depender de uma série de artimanhas para realçar a (natural) beleza feminina. 

Muitas não queimaram sutiã nenhum, mas decidiram sair à sua sem sutiã o que, para a altura, terá sido mais do que uma acção simbólica para apoiar este movimento pelos direitos das mulheres. Terá sido uma provocação como ainda hoje é tantas vezes considerada. Uma mulher sem sutiã está a provocar, está a dar nas vistas, foge à normalidade que é tapar as maminhas. Muito embora às vezes apeteça mesmo sentir a liberdade de não ter nada que as segure. Mesmo que estejam tapadas. E o Inverno, lembra a Mashable, tem essa vantagem: as sobreposições escondem o que muitos consideram semi-obsceno e que é, simplesmente, o corpo da mulher.

 

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dos dias quentes e outros prazeres

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