olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Sugar rush

Sugar rush

Tenho comido muito. E bem. Sabores intensos, misturas improváveis e o eterno cheiro do mar. Carne que de derrete temperada com alho e limão. Muito alho. E muito limão. Pão que parece bolo sem se afastar do sabor mais tradicional do pão cozido a lenha, com manteiga a derreter. Manteiga e alho, numa combinação única, impossível de reproduzir. Bolo do caco. Bolo levedo, um pão redondo que combina farinha, açúcar, ovos, manteiga, leite, fermento e sal e que, tal como o bolo do caco, se tornou trendy. O bolo do caco, feito com farinha, batata doce, fermento, água e sal é ainda mais conhecido, embora ambos sejam uma moda importada dos Açores e da Madeira para os hamburguers, pregos e sandes do continente. 

Poderia - talvez devesse - continuar a escrever sobre os arquipélagos e a sua gastronomia. Mas vou (quase) mudar o tema. Quando me cruzei com esta entrevista de Jamie Oliver Paris estava demasiado presente. Talvez mesmo urgente. Sentada numa qualquer cadeira de um qualquer aeroporto, esperava um vôo que deveria ter ido para Paris e acabou num outro destino. Mas isso, vocês já sabem |ler|. Hoje, quando retomei o tema da alimentação, poderia ignorar e avançar em direcção à comida e ao açúcar. Afinal, Dezembro é todo ele tempo de frio e comida que nos aquece a alma. Com muita farinha e açúcar. Mas não devemos retroceder e ignorar que este estado de alerta e emergência que não é mais do que um atentado ao nosso modo de vida, uma tentativa de nos subjugar ao medo, paralisando-nos.

Também poderia - talvez devesse - continuar a escrever sobre tudo o que nos afasta da humanidade, tudo o que atenta contra aquilo que no fundo somos. Seremos? Não deixo de reflectir sobre isto. Há muito que a sociedade se tornou egoísta a ponto de se preocupar mais consigo do que os outros sem, contudo, perder de vista o rumo, unindo-se por causas como esta. O problema, parece-me é existirem causas demais por termos criado demasiados problemas, fruto da ganância e incapacidade para antecipar as consequências das nossas acções. Temos um passado de luta pela sobrevivência e não perdemos todos os resquícios desse tempo em que dependíamos da força e tenacidade para sobreviver. Em defesa da liberdade ou simplesmente no que à alimentação diz respeito.

Contava o Oliver que tinha feito 40 anos, este ano. Eu também. Foi mais uma razão para ler esta entrevista. Tal como o Jamie, tenho vivido um período fascinante. E porque os 40 são o tal número redondo de que também Jamie Oliver fala, olhei para trás e projetei-me para a frente, porque não sou de ficar parada no presente. Ou em qualquer outro tempo. Dizia ele que tinha começado a escrever um livro, quando o meu estava já na editora para revisão. Acrescentava que tinha percebido que as vidas mais longas e mais felizes nada tinham a ver com "o que a cultura ocidental nos faz pensar que precisamos". Pois...

Há 40 anos não tínhamos nos supermercados 20 metros de cada lado de prateleiras cheias de cereais merdosos. Tínhamos uma série de pequenos-almoços simples que eram bastante equilibrados. Isso mudou.
— Jamie Oliver

Adiantei-me ao Jamie e fiz isto (pensar sobre) antes de celebrar os 40 para os começar já com a perspectiva de que me estaria a ser dada uma segunda oportunidade. De viver e pensar. Vivemos os 20 muito intensamente e os 30 na urgência de afastar os 40. Quando estes se aproximam, ou os ignoramos, como fomos ignorando quase tudo até aí, ou paramos para pensar no que andamos por aqui a fazer. Fiz isso, sem aquela subserviência ao nosso propósito de vida ou qualquer outra tendência de transcendência, esoterismo ou excentricidade. Com o pragmatismo que me caracteriza sentei-me e pensei. Caminhei e pensei. Viajei e pensei. Corri e pensei. Dancei e (tentei) pensar. Fiz tudo o que sempre fiz, mas reflecti. Separei o trigo do joio. Tornei-me mais exigente, tolerante e, no entanto, intolerante comigo e os outros. Sobretudo com a minha opinião sobre as coisas e as pessoas, perdendo em influência o que ganhei em auto-consciência. Quando sabemos o que gostamos e o que queremos, sabemos melhor o que rejeitar ou aceitar. Se estivermos bem com a nossa consciência, tudo nos parece mais simples, consequente. Coerente. 

Os hidratos de carbono não são maus, o problema é que a maior parte das pessoas não percebe que uma lata de Coca-Cola é um hidrato de carbono. Não percebem que as bebidas açucaradas são hidratos de carbono, e a maior fonte de hidratos de carbono na nossa dieta vem dos refrigerantes. Pensam que é da massa e do pão
— Jamie Oliver

Há muito que embarquei na jornada das #healthychoices porque estas me permitem alguns #guiltypleasures. Não sou, nem conseguirei ser, obsessiva em relação à alimentação (ou ao que quer que seja) mas há coisas que simplesmente... Não. Já não. Independente do que os que me rodeiam possam dizer ou pensar. Coerência. Informação. Acção. Como o Jamie.

Método. Moderno. Com resultados à antiga...

Método. Moderno. Com resultados à antiga...

Nasceste para isso. Não queiras mais...