olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Demora. Mas aprendemos

Tal e qual como nos namoros: sedução, encantamento, projecção, realização, consciencialização, contestação, abandono ou dependência.

Não há meio termo. Depois de cedermos à paixão, depois de limarmos arestas, ou é para sempre ou acaba. No caso dos media sociais, o namoro é ainda curto, mas muito intenso. E muito provavelmente, vai acabar mal. A tomada de consciência vai-se fazendo com os detractores a afirmarem, em regojizo "eu não te disse", tal como nos dizem sobre aquela pessoa que não valia a pena mas na qual insistimos. Alguns cedem ao "tens razão". Outros  moderam as expectativas, aprendem a viver assim e, outros, simplesmente desistem. Afastam-se, intoxicados, e passam a fazer parte do grupo dos "eu bem te avisei". 

Nos media sociais não é tudo mau, mas quase. A Essena O'Neil percebeu isso e, subitamente, mudou por completo a sua perspectiva. Mais do que as lições e ilações teóricas que daqui possamos retirar, importa perceber o movimento que se vem criando em torno de um certo retrocesso sem que tal signifique, verdadeiramente, um regresso ao passado. A Kate Winslet, mãe de 3 filhos, apela ao uso do monopólio. Também eu acho que os dispositivos digitais podem ser excelentes ferramentas de aprendizagem, mas não podem subsitituir-nos e substituir a criatividade da infância, que lhes permite brincar ao faz de conta e subir às árvores como quem sobre ao Empire State Building. 

É a mesma Kate Winslet que se arriscou sem maquilhagem numa selfie que correu mundo para combater esta tendência de #bodyhating que por aí anda. A Essena, ao pé de mim e da Kate é uma miúda e é de louvar a sua tomada de consciência. Passou horas da sua juventude em frente ao espelho, reflectindo-o nos ecrãs para projectar uma vida perfeita quando todos sabemos que a vida não é assim. Mas, como nos filmes, deixamo-nos enganar. A diferença é que um filme dura aproximadamente 90 minutos e estas vidas desfiadas no instagram podem durar décadas. No mínimo.

A Essena apela agora, no website que criou para o efeito, a uma tomada de consciência em relação aos efeitos negativos dos media sociais (way to go girl!). Acima de tudo, critica a excessiva edição de imagem para provar o nosso valor ao mundo e sermos definidos pelos números que esse "mundo" regista. A maquilhagem, as tendências, o corpo esbelto, o cabelo louro... estereótipos que se acumulam e espelham aquilo que apenas uma tiny bit consegue. Há muitas louras, muitos cabelos compridos, muitas esbeltas, muitas com as últimas tendências, muitas maquilhadas. Tudo junto, numa só? Há poucas. E essas, alimentam ideias artificiais sobre aquilo que cada um deve ser. Acima de tudo, sobre a fantasia da vida online. Como explica, e bem, "when you stop comparing and viewing yourself against others, you start to see your own spark and individuality. Everyone has love, kindness, creativity, passion and purpose. Don't let anyone sell you something different". É isto. E aplica-se a todos nós.

 

#bodyloving #bodyimagemovent #consciousness

Afinal... Havia outra...

Afinal... Havia outra...

Homens: quadrados e azuis.

Homens: quadrados e azuis.