olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Mamas. Este post é sobre mamas.

Não sei o que é, ou como é. Prefiro continuar sem descobrir. Mas nisto de mamas e cancro... estamos perante uma espécie de roleta russa. Cancro é uma palavra que evitamos dizer. Foi, durante muito tempo, uma sentença de morte. Os que resistiam ficavam para sempre com o estigma da doença oncológica. Ficarão, ainda?

O estigma persiste, mesmo que saibamos que não é contagioso. Ninguém quer doenças, muito menos esta, que se dissemina como se de um vírus se tratasse. Sabemos que a genética, o estilo de vida, alimentação e outros hábitos podem contribuir para nos fragilizar e expor mas, como em tudo na vida, preferimos pensar que só acontece aos outros. Depois, há os casos que surgem do nada. São todos maus (os tipos de...) e não se aproveita nenhum mas, por ser mulher, o cancro da mama assusta-me mais. Porque é cada vez mais comum, surge cada vez mais cedo e, simultaneamente, cada vez menos se morre por perder uma mama. Ou as mamas. Mas deve morrer-se um bocadinho por dentro se olharmos ao espelho e o reflexo for uma cicatriz, se rebolarmos na cama e a mama não incomodar, se já não ficar esmagada, se nos tocarem e o espaço estiver vazio. Não sei. Não quero saber. Nem eu, nem ninguém que goste de sentir as suas mamas. Mesmo quando as está a esmagar contra o colchão. Ou a areia na praia. 

Contudo, não adianta ignorar. Ignorarmos o potencial do cancro é também ignorarmos as mulheres que sofrem com o preconceito e a falta de estruturas de apoio para mastectomizadas. Uma palavra muito grande e muito feia. Mulheres a quem tiraram a mama. Ou as mamas. Mas que continuam a ser mulheres, mesmo que a sociedade as trate como mulheres diferentes, qualquer coisa que foi e já não vai voltar a ser, ou mulheres menos femininas do que as outras. Não é assim. Não pode ser assim. A história que hoje li conta aventuras em busca do sutiã perfeito para uma mulher com uma mama a sério e outra de substituição. De facto, não imagino a sensação que será olhar para roupa interior asséptica, sem cor ou graça. Porque isto de feminilidade tem muito que se lhe diga e não se resume a rendinhas ou babadinhos. Rosas inocentes, branco puro ou preto fatal. O único paralelo que encontro é o da roupa interior para praticar desportos de alta intensidade, reforçados em todos os lados, com costuras reforçadas e ausentes de graça. Mas não tem comparação...

Não faltam lojas de roupa interior. Marcas e cadeias internacionais que se dedicam a cuecas e sutiãs. Um não acabar de opões. Mas, ainda, sem opções para casos de uma mama só.

É urgente mudar.

#cancro #bodypositive #women

Tropeçar não é o mesmo que cair

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