olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Catwitter

Estiveram por todo o lado. O seu ar blazé, de indiferença e independência. Não poderiam ter escolhido melhor animal para um momento de bloqueio. Uma espécie de jamming moderno, que misturou comunicações na rede para confundir o outro lado. Sem rádio mas com gatos. Modernices. 

A semana ainda mal começou e tenho para mim que aprendi mais na semana que passou do que em muitos anos de vida. Só aprendemos a valorizar o que perdemos, quando o perdemos, e achamos sempre que tudo está garantido. Até ao momento em que percebemos que não está. 

Se eu perdi, alguém ganhou. Não tenho mau perder mas detesto jogo sujo. De limpa, esta batalha não tem nada. Numa semana redefini prioridades, mudei planos e preocupei-me mais do que normalmente acontece. Sou daquelas pessoas que acredita, sempre, que tudo está, ou vai ficar bem. Optimismo levado ao extremo, mesmo sabendo que nem sempre acontece só aos outros. Desta vez está ainda a acontecer-lhes, com reflexo directo em cada um de nós. Porque estamos, devagarinho, a perder a nossa liberdade. Até de expressão, porque também já ouvi rumores relativos às intenções de perseguição de quem se expressa nos media sociais. Uma vez na rede, para sempre na rede. Pois que fiquem a saber...

O maior atentado é aquele que conseguem perpetrar contra todos nós, aterrorizando-nos. Limitando-nos a acção, porque as barreiras se vão levantando aqui e ali. Mesmo que queiramos permanecer naquele estado latente de resiliência contra o que aí vem, a dada altura deixamos de o conseguir.  

O pior que me podem fazer é tentarem prender-me porque encontrarei sempre forma de escapar. Mas temo que, neste caso, não exista saída. Porque não é a mim que quer limitar, mas antes a uma sociedade e a um certo modo de vida. Desde que comecei a viajar mais, conclui pelas suspeitas iniciais: não dependo de um passaporte para me definir. Sempre fui daquelas que tanto é daqui como dali, desenraizada o suficiente para me sentir bem onde não tenho a minha almofada. Nunca fui pessoa de viajar com a almofada atrás e acredito que se me obrigassem a sair, amanhã, apenas com uma mala de cabine, seria capaz de recolher o essencial. Porque o que é importante nunca está - ou cabe - numa mala de viagem. Sim, sou despegada e desapegada. Talvez por isso, quando sinto, sinto a valer. Quando dou, entrego sem reservas. Quando mudo, limito-me ao essencial. Pode até ser uma palavra. E será sempre, liberdade.

#Liberdade #BrusselsLockdown #BrusselsAlert

Mamas. Este post é sobre mamas.

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