olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Adoptar o Amor

O que é o amor?

Não sei. 

Mas sei que existem demasiadas convenções para um sentimento tão complexo que possa ser descrito apenas em palavras, intricado a ponto de ser tudo, e não ser nada.  

Decidiu-se que o amor deveria corresponder a paradigmas definidos socialmente, e que o amor de um pai pelos seus filhos seria incontestável. Mas também se terá definido que esse amor tem de obedecer a regras e a um modelo que a sociedade confortavelmente inventou para si, estabelecendo regras onde elas não existem. Porque para amar só é preciso o amor. O amor não depende do que queremos, apenas do que sentimos. E se somos capazes de amar alguém que não nasceu de nós, que diferença faz essa criança ter mais ou menos referências masculinas e femininas, desde que as tenha e, sobretudo, que seja amada, protegida, educada e acompanhada?

Não sei. Mas sei que uma instituição não tem como distribuir o amor que dois homens ou duas mulheres conseguem dar, mesmo que isso represente o contrário da parentalidade supostamente suposta, com a qual nos habituámos a conviver. Acredito mesmo que estas serão crianças mais conscientes de que o mundo não depende de um conjunto de convenções, mais tolerantes à diferença e, principalmente, respeitadoras do espaço individual de cada um. Porque orientações sexuais (ou serão antes amorosas?) são isso mesmo: orientações e, portanto, individuais. 

O mundo muda e nós, queiramos ou não, mudamos com ele. Quando não o fazemos, o mundo encarrega-se de nos mostrar como estávamos errados.  Aquilo que durante gerações se pensou ser doença não é. O que se escondia com receio do ostracismo começa, finalmente, a ser aceite. Longe vai a idade do armário. Em todos os sentidos da expressão.

Mudar custa, mas é bom. Portugal tem uma tendência inata para o conservadorismo, desafiado aqui e ali por padrões de modernidade. A decisão desta Sexta-feira, de adopção de crianças por casais gay, é disso um bom exemplo. 

A quantas crianças  se dará, agora (finalmente...), a oportunidade do amor?

 

#love #adopção #kids

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