olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Já não é Paris. Mas continua a ser

Já não é Paris. Mas continua a ser

Poderia - talvez devesse - continuar a escrever sobre Paris e o que aconteceu na Sexta-feira. Ou tudo aquilo que se sucedeu a uma acção que não é mais do que um atentado ao nosso modo de vida, uma tentativa de nos subjugar ao medo, paralisando-nos. Deveria ter entrado num avião em direcção a Paris. Teria ido, independentemente da situação, mas mudaram-me o destino e acabei numa outra cidade, cruzando os céus da Europa.

Poderia - talvez devesse - continuar a escrever sobre tudo o que nos afasta da humanidade, tudo o que atenta contra aquilo que no fundo somos. Seremos? Não páro de pensar nisto. Há muito que a sociedade se tornou egoista a ponto de se preocupar mais consigo do que os outros sem, contudo, perder de vista o rumo, unindo-se por causas como esta. Paradoxal. O problema, parece-me, é existirem causas demais, por termos criado inúmeros problemas, fruto da ganância e incapacidade para antecipar as consequências das nossas acções. Temos um passado de luta pela sobrevivência e não perdemos todos os resquícios desse tempo em que dependíamos da força e tenacidade para sobreviver.

Fomos capazes de ir à Lua, há quem já planeie viagens a Marte sem, contudo, resolvermos problemas cuja dimensão pode parecer pequena, mas que nos afecta a todos. Mesmo que indiretamente. Porque a fome ali produz guerra aqui e os desentendimentos do outro lado acarretam mortes deste.

O mundo é demasiado grande - em dimensão -, pequeno - nas suas semelhanças - e complexo para Paris se explicar em meia dúzia de frases. Não quero explicá-lo mas também não consigo ignorá-lo, escrevendo sobre o lado bom da vida, como se este tema não estivesse, ainda, tão urgente entre nós. O problema já não é questionar o que se passou, mas a antecipar o que aí vem. Não sei exactamente o que é  (saberá alguém?), mas sei que nada voltará a ser igual.

Por isso, para além das notícias e dos vídeos e relatos e comentários, nada mais me parece fazer sentido. É nestes momentos que revemos a matéria. No duche, aproveitei para gozar os segundos em que tudo me ocorreu, para registar ideias que nos ficam para sempre.

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Quando começou, o urbanista era todo ele estilo e vida. Os critérios de lifestyle e as hashtags mais populares no Instagram presidiam às escolhas, gradualmente abandonadas em função daquilo que era, de facto, relevante num determinado momento sem, contudo, debater a política ou a economia. Tornou-se, rapidamente, num espaço de opinião e estórias, com tempo para pensar e um ângulo alternativo.

Let's call it opinionated about life and love.

Na verdade, é isto o urbanista: pode ser lifestyle, mas não deixa de ser um reflexo, muitas vezes crítico, da sociedade em que vivemos. Do preconceito e das ideias preconcebidas, dos estereótipos e padrões de comportamento, num cruzamento entre aquilo que é, e o que poderia ser. Sempre em construção.

Porque não há dois dias iguais....

 #parisattacks #life #love

Disruption. You are.

Disruption. You are.

Paris