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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Londoner

Londoner

As regras dizem que não se começam as estórias pelo fim mas, no caso, poderá fazer sentido. Aquilo que acontece durante um dia em Londres pode encher páginas por uma semana. A cidade é intensa, vibrante. Entre todas as boas razões para gostar de Londres - ou de outras cidades com igual dimensão e dinamismo  - estão as compras. Já lá vamos...

Lisboa é confortavelmente confortável. Acolhedora. Sentimo-nos sempre em casa, mesmo não estando. Londres, juntamente com outras cidades europeias, é agreste. Faz-se difícil, como se não quisesse receber-nos quando, na verdade, está ansiosamente à nossa espera. São duas mulheres, com a diferença que uma é muito gaja, derrete-se à nossa passagem, brilha com os elogios, sorri para as fotografias e chora com a nossa indiferença. A outra mostra-se fria e distante, indiferente à nossa presença, como se fossemos apenas mais um. Não somos. Toda ela é coração quando perdemos tempo para observar e ver além do que nos mostra. Tem medo de se apaixonar naquele vai e vem constante de gente que passa sem parar e, por isso, fecha-se sobre si própria quando se queixam da sua (pouca) luz.

A relação perfeita não existe. Como também não existem cidades assim. Tudo depende dos dois elementos da equação, mesmo quando um deles é ausente de um rosto, porque o rosto de Londres são todos os pequenos detalhes de uma cidade que, não sendo a cidade-luz, toda ela é energia.

Gosto de Londres. Como gosto de Paris e Amesterdão, Nova Iorque ou Toronto. Ou Marraquexe. Poderia dizer que gosto de todos os lugares mas não é exactamente assim, embora goste de muitas cidades para além de Lisboa. Todas por razões diferentes e nenhuma com traços comuns. Porque tal como cada relação que vamos acumulando ao longo da vida tem as suas idiossincrasias, também nos apaixonamos por cada cidade por motivos e em momentos diferentes. Mas Londres... É sempre o lugar ao qual me apetece voltar, aquele onde me perco mesmo sabendo a direcção, porque prefiro descobrir uma nova rua, um pequeno detalhe, escapando-me ao óbvio das artérias principais, para descobrir uma Londres diferente daquela que a maior parte das pessoas afirma conhecer. 

Um dos meus momentos preferidos em Londres acontece pela manhã, nos dias felizes em que o ar está fresco, o céu nublado sem neblina ou ameaça de chuva. Não é uma cidade fácil e, por isso mesmo, aprendemos a apreciar cada instante em que podemos caminhar na rua ou no jardim sem chuva ou neve. Jogging em Hyde Park é uma experiência a que todos deveríamos ter direito. Uma vez que fosse. Mesmo que não sejamos amantes da corrida. 

Em Lisboa tomamos o sol e o bom tempo por adquiridos, menosprezando as vantagens de uma caminhada ou corrida que atravessa o jardim, para nos encaixarmos em automóveis cada vez mais inteligentes e automáticos, que nos deixam percorrer sites de redes sociais em cada fila ou semáforo.

Estar longe de um contexto que é o nosso faz maravilhas a quem somos e como somos, reaprendendo detalhes que talvez possamos levar connosco e aplicar a partir daí. Esta cidade perde com as nuvens o que ganha em caminhos sem qualquer inclinação. Poderia ser perfeita se fosse sempre assim, com temperaturas a meio da tabela, sol que espreita entre nuvens, pouca humidade e uma brisa que afasta a poluição. Mas não é. Talvez por isso mesmo vibre no que ainda falta a outros locais, caracterizando-se pela sua ausência de definições ou características, mesmo quando lhe reconhecemos aquele pormenor very british. Não é o caldeirão de culturas que se imagina, mas também é. Cidade aparentemente cinzenta, toda ela brilha com os brancos que lhe impõem e as cores que importa ou a densidade extrema por metro quadrado.  Sumos naturais de fruta, waffles, castanhas assadas de uma forma diferente da nossa, fatias de pizza em cada esquina. Demasiados cappuccinos e chocolate-quente on the go. To go. Porque não paramos. 

Caótica, desarrumada, repleta de tons, padrões, linguagens, maneirismos, tradições, cheiros e sabores que se misturam sem, contudo, formarem um só. Poderia ser suficiente para se tornar descaracterizada mas é isto que a torna tão rica e interessante, aquele local onde nunca somos apenas mais um, mas no qual podemos ser absolutamente diferentes sem sermos notados.

Há preconceito ali, como aqui (ou em qualquer lado), mas há uma indiferença à excentricidade diferente que amplia a diversidade e faz com que olhares se cruzem sem o requinte de observar aquilo que foge ao padrão. Porque o padrão é mesmo a ausência dele e isso também se nota em cada loja. Para além das promoções que acontecem entre os saldos, cada loja tem pormenores de estilo que nos permitem encontrar a distinção entre aquilo que é aparentemente igual e o que se vende em qualquer lado...

#london #traveling #love

Paris

Eu redefino. Tu redefines. NÓS REDEFINIMOS.

Eu redefino. Tu redefines. NÓS REDEFINIMOS.