olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Eu juro que...

Eu juro que...

... não quero transformar o urbanista num projecto feminista, mas não dá para ignorar...

Independentemente de qualquer convicção política, há que tirar o chapéu a estas duas mulheres. Aguerridas, têm-nos no sítio (mais do que muitos homens), com poder de argumentação e lucidez para encontrar a novidade nas velhas fórmulas. Algum lirismo, certamente. Contudo, tal não  as impediu de fazer conquistar muitos votos em todo o país.

Não sou de expor as minhas ideologias políticas, comentar ou entrar em discussões desta natureza. Como  na religião ou futebol,  raramente as opiniões coincidem, supostamente sabemos sempre mais do que o outro e a nossa opinião é sempre melhor. Pelo menos, pensamos que sim. Isto interessa-me porque a semana tem sido rica em discussões políticas e pobre no que respeita ao papel da mulher na política. Quotas à parte, que as acho assim a atirar para a tolice, o alarme despertou com a fotografia que a @luvazf, lá na Suécia, publicou:

@luvazf

@luvazf

Sempre fui feminista e demorei quarenta anos a perceber. Na verdade, sempre me debati pela igualdade de género. Se ele pode, eu também posso, pensava. Nunca percebi - ou nunca quis perceber - a razão pela qual eles - os meninos - podiam fazer tantas coisas que nós - as meninas - não podíamos. Porque assim e porque assado... E nunca me convenceram. Não me lembro de ter sido uma Maria rapaz, mas sempre brinquei com eles. Com elas, também, embora já na infância elas sejam mais matreiras e fiteiras do que eles. E eles, quando se apresentavam assim, tinham três hipóteses: ou se emendavam, levavam porrada ou eram postos de parte. Para brincarem com elas. Nada a opor. Mas não me obriguem a ter paciência.

Portanto, não subia às árvores nem jogava futebol - sempre fui muito feminina para aventuras dessas - mas corria mais do que alguns deles; jogava às guerras e nunca morria;  era destemida num jogo parvo e violento a pedalar nas bicicletas. Tratava-se de algo tão estúpido quanto isto: circularmos o mais próximo possível uns dos outros, tocar com as rodas da bicicleta, empurrar e assustar para ver quem era o primeiro a colocar os pés no chão. Putos...

Depois desta fase chegou a outra, do politicamente correcto e do socialmente aceite para elas e para eles, seguida da revolta em torno da célebre ideia do garanhão que come todas e da ordinária que vai com todos. Os preconceitos e o moralismo tão portuguesinho que nos confinam a categorias ou definem limites cuja origem nunca descobrimos. 

A seguir comecei a degladiar-me perante as afirmações que me reservavam um papel com o qual nunca me identifiquei completamente, e que me atribui responsabilidade acrescidas em casa. Porque fomos educadas para saber tomar conta do lar, dos filhos e do marido. Mas não. E mesmo sabendo como se faz, tal não significa que o faça. Mesmo que o queira fazer e que acredite que o deva fazer. Quando um assume o trabalho de dois há desequilíbrio e o funcionamento da estrutura pode colapsar. É assim nas empresas, porque haveria de ser diferente no lar?

Também não sei porque continuamos - todas - a pactuar com atitudes machistas que reservam à mulher o papel exclusivo na maternidade. Foram dois que fizeram a criança, não pode a licença de maternidade ser partilhada sem que haja aquela atitude negativa em relação ao homem, que passa a ser considerado um choninhas dominado pela mulher?

Na rádio, há muitas mulheres. Na comunicação social, também. Na rádio, muitas são locutoras e jornalistas. Outras tantas gravitam em torno do pivot, essa palavra igualmente masculina. E directoras? E dinheiro?

Não deveria preocupar-me porque, afinal, há cada vez mais mulheres em lugares de destaque, elas e eles misturam-se em profissões que antes eram claramente destinadas a um género em específico.

Continua a existir preconceito e discriminação. Todos sabemos isso. É isso, não é bom. mesmo que elas sejam  um terço no Parlamento.

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#feminismo #igualdade #mulheres

The Time(rs) is now

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Baby Bod. So what?...

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