olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

As mulheres. E eles.

As mulheres. E eles.

Feminismos e outros "ismos" à parte, a verdade está aqui. Toda. Sem demagogia e cheia de pequenos detalhes que marcam a diferença. As mulheres poderão não ter sido feitas para pensar, mas aprenderam a fazê-lo. Isso é que os lixa. E às que teimam em não aprender, também.

Isto é um país de homens. E um país onde as mulheres não são muito solidárias com as mulheres. Pondo de lado a política correta sobre estas coisas, as mulheres neste país estão tramadas. Uma mulher raramente é levada a sério, e, se é, arranja dez vezes mais inimigos do que um homem.
— Clara Ferreira Alves (Our Boys, Expresso 2.10.15)

Eu não era assim, mas refinei-me. Tornei-me mais acutilante à medida que fui percebendo que, de facto, tinha de lutar para fazer valer os meus direitos a todos os níveis. A sociedade está de tal forma minada por este pensamento paternalista, misógino e machista em relação às mulheres que até em sala de aula sou obrigada a criticar alunas quando, do alto da inocência dos vinte, fazem afirmações das quais, mais tarde, se irão arrepender. Corrijo as mães que nos criaram para sermos mães e mulheres de alguém, afirmando, simultaneamente que deveríamos prosseguir os nossos sonhos, ter uma carreira e sermos independentes. Não é incompatível, é simplesmente muito difícil, duro e cansativo. Implica uma luta diária, tantas vezes contra tudo e todos, para agirmos em consciência. A nossa. A que despreza o que os outros acham que devemos fazer, aquelas que são, supostamente, as nossas obrigações, para nos focarmos naquilo que fomos interiorizando, muito devagar: tu és forte; tu consegues; ignora-os porque és tu quem está certa; direitos e deveres iguais; não tens a responsabilidade de carregar o mundo e a família às costas; os filhos precisam de ti até ao ponto em que se tornam independentes para cuidarem de si; esses filhos têm um pai com igual responsabilidade na matéria; o supermercado não é a sala de estar das mulheres e a cozinha o seu escritório; não és pior mãe por deixares os filhos na escola até mais tarde por uma reunião, se o pai os puder is buscar; não és má pessoa se cuidares de ti e não apenas dos outros; sim, tens o direito a dedicar-te a uma carreira intelectualmente mais estimulante do que a do teu parceiro e não, não estás impedida, pela genética, de fazeres o que bem te apetecer.

A culpa é nossa. A desunião e a incapacidade de atacar enleiam as mulheres em Portugal. Não se trata de sermos discriminadas, trata-se de consentirmos em ser discriminadas e concordarmos com a discriminação. No fundo, achamos que não somos capazes, não seremos capazes, não merecemos ser capazes. Consentimos em desaparecer.
— Clara ferreira Alves (Our Boys, Expresso 2.10.15)

São tantas as frases que temos de decorar, interiorizar e repescar a cada vez que nos querem menorizar que, muitas vezes, nos deixamos ir na corrente por ser menos cansativo. Por exaustão. Mas, depois, tropeçamos em artigos destes. Saltamos da cama e reclamamos aquilo que é nosso, por direito: liberdade e autonomia.

Nunca consegui nada com base na quota e não acredito que as mulheres precisem de quotas. Agustina, Sophia, Maria Barroso e Natália Correia nunca precisaram de quotas. As mulheres precisam de autoconfiança e tempo livre, precisam de uma vida intelectual, que a maternidade, a dependência financeira e a vida doméstica não autorizam.
— Clara Ferreira Alves (Our Boys, Expresso 2.10.15)

Preconceito, aqui não falta, e os ataques são em barda: das mulheres à religião, destas às opções sexuais, passando pelos idosos e deficientes, é escolher. Nós, mulheres, somos apenas mais um divertido alvo...

As correntes sociais e os seus entusiastas emocionais respiram este ar venenoso. As mulheres são a maioria da população universitária e a minoria no poder político, económico, financeiro e social. E não vejo por aí uma mulher política disposta a mudar o estado das coisas.
— Clara Ferreira Alves (Our Boys, Expresso 2.10.15)

Independentemente de tudo, concordamos no repúdio da mediocridade. 


Baby Bod. So what?...

Baby Bod. So what?...

Tão, mas tão isto...

Tão, mas tão isto...