olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

we'll always have a cliché

Paris. 

The kind of cliché you can't miss. Because Paris is just... Paris. And we all love it. 

Antes de aterrar achamos sempre que é ali que nos vamos apaixonar. Apaixono-me sempre que estou em Paris. Porque a paixão não tem de envolver uma pessoa, as minhas paixões têm sempre algo de parisiense. Porque aqui tenho muitas ideias. Porque posso dar-me a esse luxo que é caminhar junto ao Sena, num jardim ou nas inúmeras ruas repletas de montras sem correr contra o tempo. O tempo é o meu maior aliado em Paris porque o tempo aqui, não sendo mais lento tem, para mim, uma duração diferente. Lisboa é linda, mas gosto de fugir para Paris quando me sinto encurralada. Tenho a sorte de precisarem de mim em diferentes cidades e Paris ser, repetidamente, uma delas. 

Tenho uma espécie de lugar reservado no segundo piso da Torre Eiffel, esse lugar acessível aos corajosos que sobem os dois pisos a pé, cobardes que não conseguem enfrentar o céu no topo da torre ou os impacientes que não aceitam esperar nas filas intermináveis por esse prazer que é sentarmo-nos no ar, ver o mundo mais pequeno, partilhá-lo com também com o mundo que se cruza neste lugar. São tantas as pessoas que por aqui circulam que parece impossível estarmos sozinhos. Mas não é. Depois da praia do Guincho com o mar a trepar as rochas e a roubar a areia, Paris. No segundo piso da Torre Eiffel. Cliché? Se não fosse, não seria Paris, essa cidade das baguettes e dos croissants, dos pains au chocolat e dos parfaits, perfeitos em cada vitrine.  

O maior cliché  é a própria ideia de Paris. Do seu romantismo exacerbado. Não há um pedido de casamento em cada ponte, embora continuemos a pensar que sim. Também não há enamoramento e amor em casa esquina e o clássico beijo de Henri Cartier Bresson é apenas uma fotografia que faz parte do nosso imaginário. Mas elas usam sabrinas e muitos flats, porque a mulher em Paris tem um perfil tão próprio, tão dependente da sua personalidade e noção de estilo que estão sempre bem. Na verdade, este é o maior dos clichés porque me atreveria a dizer que "há com cada matrona em Paris que só visto". No entanto, o mundo é igual em todos os lados, está cheio de mulheres bonitas desde que as queiramos ver. E, em Paris, uma coisa é certa, as mulheres não se incomodam com o que vêem ao espelho porque não se preocupam com o que os outros estão a... ou possam ver, apenas com a imagem que cada uma reflecte de si. Chama-se auto confiança, amor próprio, auto estima. Acima de tudo, a atitude blasé de quem não se importa com o que pensam os outros. Como em Londres. Ou Estocolmo. Ou tantos outros locais do mundo com mais mundo. Hail to that.

Como se não existissem tantas razões para gostarmos de Paris, há uma promoção em cada loja, cada vez que me apresento à cidade. Acabo sempre por comprar, fora de época, com preço de saldos os indispensáveis em qualquer guarda roupa, sempre a precisar de renovação. Porque o mercado é muito maior, a mesma loja está em diversos pontos da cidade. Em cada arrondissement, portanto. Ou quase. Não estou a falar de marcas Inditex porque essas, até neste mercado de esquina têm uma loja em cada cruzamento de ruas. Marcas que ainda não estão implantadas em Portugal - porque o mercado é pequeno, porque ninguém ainda se lembrou de as trazer para cá ou porque o investimento e retorno poderão não compensar - estão em diversos pontos da cidade, enfiando-me olhos dentro as palavras promoção ou desconto especial, aos quais não posso resistir. São t-shirts, malhas e algodões ao preço das Primark que nos invadiram (talvez não ao mesmo preço, mas quase) com superior a qualidade e design. Este não é um cliché. É um segredo de Paris. Se procurarmos bem, a diferença no nível de vida desce vertiginosamente e podemos voltar com um guarda roupa que não se renova, mas que se alegra com peças a estrear.

Este é o lado consumista de Pais do qual pouco se fala. Sim. Paris é a cidade Luz, a cidade da semana da Moda, a cidade dos grandes lançamentos e apresentações de marcas de estilo e design. Mas eu estou a falar da moda da rua, das roupas que usamos todos os dias e que estão muito distantes destas abordagens mais conceptuais à ideia de vestir uma peça. 

Embora Lisboa esteja muito diferente, há muito que sinto um prazer especial em fazer a mala. Porque guardo combinações altamente improváveis que se transformam em outfits inesperados que, aqui, raramente uso. Por tudo e por nada. Mas especialmente porque o nosso Outono é tudo menos frio e o Inverno é, na maior parte dos dias, ameno. As sobreposições impossíveis tomam forma, com chapéus e casacos raramente usados em Lisboa. Porque uma coisa são as sandálias, unhas vermelho sangue e os cutoffs para os dias de sol e calor. Outra são as lãs que nos aquecem por cima das alças dos de tops de seda, as skinny justas com botas altas, os casacões a três quartos, gola levantada, amarrados à cintura para não deixarem passar o frio e a atitude cliché de Paris: o paradoxo que se encerra num temperamento difícil mas que faz com que tudo pareça simples, sem esforço e muito gracioso. Paris.

 

Comer. (ad)orar. chorar...

a sério, é isto?!

a sério, é isto?!