2018

A balança é o nosso pior inimigo: 3 truques e 5 ideias para vencer a balança

Viver a vida dependente da balança é cansativo e inútil. Viver, passando fome ou com uma dieta restritiva só nos deixa infelizes. Este é um tema que nos afecta a todos  porque, como tantas outras pessoas, também passei parte da vida dependente da balança até perceber que o melhor que temos a fazer é ignorar a balança.

Porque não temos, todos os dias, o mesmo peso?

O nosso peso real varia ao longo do mês em função do ciclo menstrual que implica, também, maior ou menor retenção de líquidos. Na maior parte das vezes em que nos sentimos gordas estamos apenas inchadas ou com uma valente retenção de líquidos. Sal ou açúcar a mais, ovulação e menstruação são as principais razões para essas oscilações que, raramente, representam um efectivo aumento de peso.

É quase impossível sentirmo-nos bem quando ultrapassamos os dígitos que definimos para nós. Contudo, bem-estar é equivalente a uma vida feliz e saudável. E ninguém pode ser verdadeiramente feliz dependente da balança ou da percepção que tem do seu corpo, como se essa imagem definisse quem somos. Para estarmos bem, precisamos comer bem, tratar do corpo e da mente, independentemente da balança.

- a ideia de que as dietas funcionam de forma igual para todos é absurda e está errada -

Não há soluções únicas e temos de chegar ao que melhor se adapta a nós por tentativa e erro. No que respeita à nossa saúde e bem estar, consequentemente, o peso ideal, é melhor ignorar a corrida para o corpinho de Verão, cometendo os maiores disparates alimentares com dietas que servem apenas para remediar e nos deixar ainda mais infelizes. Porque são restritivas e restrições alimentares deste tipo... Não resultam a longo prazo.

O segredo para fugirmos da balança não é encontrar a melhor forma de perder peso mas, antes, encontrar uma forma de não aumentar o nosso peso. Como? Através de uma alimentação natural, saudável e equilibrada como esta que explico na última edição da Women's Health, quando me pediram para descrever uma semana da minha alimentação...

Ao longo da minha vida cometi os maiores disparates para perder ou não ganhar peso. Passei fome porque, supostamente, depois das seis da tarde o metabolismo desacelera e os hidratos são um pecado. Ignorem estas e outras verdades que são tudo menos... verdades inquestionáveis. Nisto da alimentação e da saúde há guias e orientações mas qualquer decisão tem de ser adaptada às necessidades do nosso corpo. Se não sabem quais são - e eu também não as consegui identificar durante muito tempo - terão de aprender a ouvir o vosso corpo porque, em boa verdade, envia-nos todas as mensagens de que necessitamos. Nós só não estamos preparados para as decifrar.

- ouvir o nosso corpo, reconhecer as nossas necessidades é o segredo do peso ideal -

Entre aquilo que nos faz bem, e o que nos sabe ainda melhor, há margem para pequenos pecados alimentares. Adoro queijo e faço dele um grande aliado, apesar de ter eliminado qualquer outro tipo de alimento com lactose da minha alimentação. Contudo, o queijo também é uma fonte de proteína e eu não tenho nenhuma intolerância real à lactose. Simplesmente, como a maior parte dos mamíferos adultos, não sinto necessidade de beber leite. O meu principal critério é preparar refeições que sejam simples, práticas, rápidas e saudáveis. Yeah, right... fácil dizer, difícil concretizar porque entre o que planeamos, e o que temos no frigorífico, vai uma diferença muito grande.

Truques para nunca ter a despensa ou o frigorífico vazio:

1. Congelados

2. Pré-lavados

3. produtos biológicos

 

CONGELADOS

Photo by  Sven  on  Unsplash

Photo by Sven on Unsplash

Vamos por partes porque os congelados não são refeições pré-preparadas mas, antes, embalagens de legumes congelados que podemos usar na ausência de ingredientes frescos. Há misturas interessantes nos supermercados que nos garantem uma refeição equilibrada, à qual só teremos de juntar uma massa integral para fazer qualquer coisa al dente, depois de saltearmos esses legumes numa wok com óleo de côco, por exemplo, juntando ervas aromáticas. Não têm? Podem usar das secas, ainda que o sabor não seja tão intenso e fresco. Da mesma forma, podemos ter frutos congelados que nos garantem um sumo revigorante ou uma tigela com papas de aveia rica em nutrientes e vitaminas. Gosto particularmente das framboesas congeladas para juntar à aveia e das misturas de legumes, às quais junto cogumelos, com quinoa e açafrão...

 

PRÉ-LAVADOS

Os legumes pré-lavados são a melhor das invenções dos últimos tempos. O seu método de produção, através de um sistema de arrefecimento, consegue prolongar o tempo útil de vida das folhas e, como já estão lavados, só temos de os incluir no prato, em saladas, tostas ou qualquer outra opção sem aquela parte desagradável das folhas molhadas... Além disso, se mantivermos a embalagem bem fechada conseguem aguentar vários dias no frigorífico, o que é uma grande ajuda para quando chegamos a casa sem tempo ou vontade de passar pelo supermercado.

 

 

PRODUTOS BIOLÓGICOS

Photo by  Kelly Sikkema  on  Unsplash

Photo by Kelly Sikkema on Unsplash

Para além e todas as vantagens - óbvias - e conhecidas dos produtos de agricultura biológica, como terem menor impacto ambiental, estimularem a economia local, terem maior sabor (porque têm menor teor de água e são produzidos na "sua" época), não usarem pesticidas, há um outro aspecto que, contrariamente ao que seria de esperar, vos poderá surpreender: têm uma duração maior e apodrecem à moda antiga, ou seja, de fora para dentro. Enrugam, murcham e degeneram com o tempo, envelhecendo gradualmente, não como acontece com outros produtos que, de um dia para o outro, estão impróprios para consumo.

 

Photo by  Ben Hershey  on  Unsplash

Photo by Ben Hershey on Unsplash

- contar calorias cansa e por vezes é pouco útil, se pensarmos na quantidade do que comemos -

Para além da qualidade dos produtos que usamos para preparar as refeições, há outra regra que deverá ser adoptada a favor de um peso estável, consequentemente, maior bem estar: a quantidade em detrimento das calorias.

A ideia de restringir calorias é tão antiga quanto a luta contra o excesso de peso mas entre um prato cheio e pobre em calorias ou uma amostra rica em calorias, qual escolheriam? Por vezes poupamos nas calorias mas não na quantidade que ingerimos o que, por consequência, contraria o objectivo de perder ou manter o peso. Em relação aos alimentos, não é o peso que conta mas sim o volume daquilo que se ingere, razão pela qual, muitas vezes comemos os alimentos certos mas, como os ingerimos em quantidades exageradas, não emagrecemos, ou seja, exageramos nas poções de comida. E então?

O segredo das quantidades por ordem de volume no prato:

1. legumes e vegetais (crús)

2. Hidratos de carbono compostos (integrais)

3. Fruta (apesar do açúcar, pois este é natural)

4. Proteína animal 

5. Frutos secos

Maior volume para os legumes e vegetais, de preferência crús. Depois, os hidratos de carbono compostos, ou seja, integrais e não refinados, seguidos da fruta que, apesar de conter açúcar, é natural e não adicionado. Finalmente, a proteína animal e os frutos secos. Esta é a ordem, por quantidades, do que devemos comer: os principais vão saciar-nos porque têm fibras, vitaminas e minerais. Na maior parte das vezes, comemos sem parar porque escolhemos alimentos vazios, ou seja, sem riqueza nutricional e, portanto, vamos comendo até à sensação de saciedade, que ocorre mais tarde do que quando escolhemos alimentos nutricionalmente ricos e de baixa densidade calórica como os espinafres, courgetes, bróculos, cogumelos, tomate mas, também, frutos vermelhos, morangos, laranja, maçã; seguindo-se a batada-doce, feijão frade, milho, banana, arroz e massas integrais e, depois, ainda com grande riqueza nutricional mas com mais calorias, temos o abacate e os ovos, por exemplo, para atingirmos o topo - e portanto - ingerir em menos quantidade, o chocolate negro, as amêndoas ou amendoins e vários tipos de queijo, como o parmesão.

A equação é simples: menos densidade calórica, maior porção; mais calorias, porções menores, mesmo que sejam, inevitavelmente, estes os alimentos que nos apetece, mais vezes, comer!

Amar é normal. Anormal é não amar

Usei, propositadamente, as palavras normal e anormal no título. Porque sempre achámos normal chamar anormal a alguém que é, apenas, diferente. Durante muito tempo o outro seria atrasado. Um anormal, deficiente, um mongo. Ou monga. Porque eram, dizia-se, mongolóides. Até me dói escrever isto mas era a verdade...

As pessoas com deficiência mental, especialmente Trissomia 21, foram, durante muito tempo, socialmente ostracizadas, maltratadas e, mesmo, desprezadas. Creio que estamos, hoje, mais informados, despertos para a importância de aceitar a diferença, capazes de compreender que isso de ser um mongo tem muito pouco a ver com a anomalia que provoca a deficiência mental e muito mais com a incapacidade que algumas pessoas (ainda) têm de ver para além do seu pequeno umbigo.

A APPACDM teve uma iniciativa maravilhosa: juntou vários jovens com algum tipo de deficiência mental e mostrou-lhes que são tão ou mais bonitos do que as outras pessoas. Essas outras para as quais também estes jovens olham de forma diferente porque se sentirem, eles, diferentes. 

Não somos todos diferentes uns dos outros?

Somos.

Eu sei. As características físicas e, por regra, o desenvolvimento mental e intelectual das pessoas portadoras desta anomalia torna-as diferentes do que se definiu como socialmente normal mas, sinceramente, acho-as muito especiais e muito pouco anormais. Foi o que o projecto do livro Um dia igual aos outros provou a cada um deles porque, em boa verdade, com maquilhagem e roupas bem escolhidas, ficamos TODOS sempre muito diferentes daquilo que o espelho mostra no dia-a-dia.

São muitas as pessoas que não se amam. Odeiam-se, e a cada milímetro do seu corpo, numa atitude que corrói a alma e destrói a sua relação com os outros. Não é fácil ser diferente num mundo que apela à uniformidade e que estabeleceu padrões de beleza quase inalcançáveis para o comum dos mortais: aqueles que acordam cedo todos os dias bem cedo, enfrentam o trânsito e os transportes públicos, querem alimentar-se bem sem saberem como, cedem à tentação ou se deixam enganar por rótulos carregados de ilusões, chegando ao final do dia sem tempo, paciência, capacidade física e mental ou, simplesmente, dinheiro no bolso para cuidarem de si. A vida - a vida normal - é assim e só nós podemos mudar isso. Mas (ainda) não podemos, sozinhos, mudar a forma como o outro olha para nós e nos avalia, com impacto na ideia que fazemos de nós próprios. Estes jovens sentem, amam, aprendem como qualquer um de nós. Podem divertir-se, trabalhar e viver de forma autónoma se os incentivarmos. Porque amor é amar e também as pessoas com algum traço físico (ou mental) que as diferencie dos outros merecem sentir-se bem na sua pele não apenas por um dia, para um sessão de fotografias...

Afinal sou bonita, expressão de uma das modelos, foi a que mais me cativou porque as noções de feio e bonito estão de tal forma sugestionadas que perdemos a ideia de respeito e aceitação pelas diferenças que nos unem. Também eu olho ao espelho e, por vezes, me julgo, critico e trato mal. Quem nunca?... O segredo para nos sentirmos bem (ou, pelo menos, melhor) é aprendermos a aceitar que todos temos um #BadHairDay e olhar sempre para os nossos aspectos positivos. Porque todos, à nossa maneira, somos bonitos. Este projeto fotográfico deu a oportunidade de fazer estas pessoas sentirem-se bonitas. Muitas muitas afirmaram que antes deste livro se sentiam feias. A maquilhagem, o cabelo e o trabalho final da fotografia fez com que muitos chorassem perante o resultado final e fê-los perceber que, afinal, são bonitos.

Além da imagem que mudaram de si próprios, fizeram amigos e provaram, a cada um de nós, que a beleza vem sempre de dentro e que somos nós que a moldamos do lado de fora. Com ou sem #makeup...

 

IMAGEM DE CAPA:

a inspiradora Madeline Stuart, a primeira modelo com Síndroma de Down

#bodylove e cenas

Esta semana o urbanista é totalmente dedicado ao amor.

Amor próprio, em primeiro lugar, porque se não gostarmos de nós não seremos capaz de gostar de ninguém e ninguém gostará de nós.  Significa que estamos de mal com o mundo, impossíveis de aturar, carregados de inseguranças e medo. E isto de #bodylove respeita a todos os que não se sentem bem na sua pele, independentemente do aspecto exterior.

A discussão em torno da questão não é nove e também envolve a pressão em torno da noção de belo e do que esperam de nós. Do cabelo às unhas impecavelmente arranjadas, há um tempo infinito que passamos em torno deste self care para inglês ver porque, na maior parte das vezes e dos casos, só o fazemos porque tem de ser.  

Se é certo que olho para as mãos e as acho mais bonitas com as unhas limpas e tratadas, já não é tão certo que tal deva incluir verniz. Menos ainda na cor da moda. O mesmo se aplica aos cabelos, com tantas mulheres a passarem horas no cabeleireiro entre tintas e secadores porque sim. Acho que nem elas sabem o porquê, uma pressão que já nem reconhecemos, e à qual cedemos constantemente. 

Falo com conhecimento de causa pois tantas vezes, tantos dias, tantas horas passei na manicure para garantir que correspondia ao padrão. 

Há 10 anos o meu marido ofereceu-me um par de brincos que ainda são os meus preferidos. Umas argolas simples e pequenas, o mais discreto que se possa imaginar. Sempre gostei muito de brincos, especialmente argolas, que usava de acordo com a roupa e a ocasião.

A recuperação do meu eu, da liberdade em assumir-me sem filtros conquista-se muito lentamente. O primeiro passo em direcção à mudança foi esse, ainda que de forma inconsciente, pois passei a usar sempre os mesmos brincos, mudando apenas nas férias para umas mais pequenas e de aspecto artesanal. Depois dos brincos, a roupa.

Um dia percebi que, na verdade, tinha dois roupeiros diferentes: um formal, com peças para usar em dias de trabalho e o outro, com as roupas de que, de facto, gostava. No entretanto mudámos de casa e passei a ter um closet aberto que me permitia ver toda a roupa, desde que estivesse pendurada. Fiz a primeira triagem, guardando em caixas os itens com os quais não me identificava. E não eram poucos, comprados por serem ‘uma excelente oportunidade’, porque ‘precisamos sempre’ de uma blusa assim... Eu sentia que não precisava. Pior, que não gostava e que estava farta daquele estilo de roupa que não me dizia nada. Esta mudança aconteceu há 3 anos e nunca mais fui a mesma. Foi também nesta altura que ganhei coragem para assumir os jeans com um rasgão, os chucks vermelhos ou um certo athleisure sofisticado para trabalhar.

As vozes não se fizeram esperar e se retrocederem aos primeiros episódios do urbanista vão encontrar muitos textos em que explico o corte e costura de que me senti alvo. Quase me conseguiram (re)modelar novamente e houve momentos em que, por medo ou cobardia, cedi ao politicamente correcto da roupa que devemos vestir. Foi então que olhei para o meu armário dos sapatos e percebi que sempre gostei mais de calçado desportivo. Coloquei muitos pares de sapatos numa caixa e assumi frontalmente que só voltaria a usar sapatos se me apetecesse. Quando apetecesse.

Meses depois fiz o mesmo para as unhas e a maquilhagem. Era Verão e nesta altura somos todos mais bonitos, por isso, foi fácil. Mas mantenho todas estas decisões, pintando as unhas quando me apetece e tenho disponibilidade, usando sapatos se tiver vontade e colocando cada vez mais blusas e blusinhas de parte. Bem-vindas todas as t-shirts, camisolas e sweatshirts que entretanto invadiram os meus cabides. 

O que ganhei com isso?

Bem estar. Paz de espírito. Conforto.  

#bodylove, they say

A mensagem em torno do #loveyourself bem como do #bodylove espalhou-se mas, nestas questões de #bodypositive, andamos muitas vezes a dar uns tiros ao lado.

Creio que, por mais que se escreva que devemos gostar de nós como somos, isso estará longe de acontecer apenas porque alguém nos diz! O clique acontece quando tem de acontecer ou quando percebemos que precisamos de ajuda. Até lá são apenas exemplos e palavras que circulam e que, muitas vezes, nos fazem sentir ainda pior.

Todos temos dias maus, o bad hair day é apenas a ponta do iceberg, assim como a borbulha que aparece da noite para o dia. Também as marcas estão atentas e vão contribuindo para a mudança: uma colecção plus size da Nike quer dizer muito mais do que apenas números grandes, porque arrasta outras marcas e reforça a ideia de que o mundo tem várias cores e dimensões. 

Tudo isto também se relaciona com uma questão que discuti há dias com uma amiga (thanks, V.) porque cuidamos muito por fora e nada por dentro, isto é, da nossa mente, dos pensamentos tóxicos que nos inundam, das críticas e julgamento de que somos alvo e que recalcamos por não saber, exatamente, o que fazer.

Sempre que afirmo que o urbanista é embaixador deste movimento, olham-me com admiração, como quem está a fazer algo positivo. Também há quem questione porque não tenho peso a mais, como se o #bodyimagemovement fosse um movimento big is beautiful. Talvez seja, desde que seja big and healthy, so beautiful. E se nunca tive problemas de peso, o mesmo não quer dizer que nunca tenha tido problemas de auto-estima. Talvez os tenha sabido disfarçar, o que não é equivalente a não saber o que são.

Por outro lado, como a indústria da moda, também a beleza e bem estar beneficiam com as nossas inseguranças e supostas necessidades razão pela qual real people nos anúncios será sempre a real people que corresponde ao beautiful people, caso contrário, a mensagem será contraditória. Também por isso, escrever e denunciar não chega. É preciso agir.

Os homens também têm inseguranças e, por essa razão, tentei incluí-los desde o primeiro momento, ainda que seja particularmente difícil escrever sobre as inseguranças em relação à imagem masculina. Por isso fui convidando alguns homens para o podcast urbanista, comprovando que, nisto de corpo e imagem, estamos todos no mesmo barco. A regra aplica-se também à cor da pele e ao tipo de cabelo, a esses aparentes detalhes que tornam a sociedade mais rica mas, tantas vezes, criticada. Sem esquecer a outra questão de que não se fala e que tem tanto a ver com o nosso bem-estar emocional: a identidade sexual. Afinal, tudo o que envolve quem somos merece fazer parte de algo a que se chama #love, verdade?