2017

#bodylove e cenas

Esta semana o urbanista é totalmente dedicado ao amor.

Amor próprio, em primeiro lugar, porque se não gostarmos de nós não seremos capaz de gostar de ninguém e ninguém gostará de nós.  Significa que estamos de mal com o mundo, impossíveis de aturar, carregados de inseguranças e medo. E isto de #bodylove respeita a todos os que não se sentem bem na sua pele, independentemente do aspecto exterior.

A discussão em torno da questão não é nove e também envolve a pressão em torno da noção de belo e do que esperam de nós. Do cabelo às unhas impecavelmente arranjadas, há um tempo infinito que passamos em torno deste self care para inglês ver porque, na maior parte das vezes e dos casos, só o fazemos porque tem de ser.  

Se é certo que olho para as mãos e as acho mais bonitas com as unhas limpas e tratadas, já não é tão certo que tal deva incluir verniz. Menos ainda na cor da moda. O mesmo se aplica aos cabelos, com tantas mulheres a passarem horas no cabeleireiro entre tintas e secadores porque sim. Acho que nem elas sabem o porquê, uma pressão que já nem reconhecemos, e à qual cedemos constantemente. 

Falo com conhecimento de causa pois tantas vezes, tantos dias, tantas horas passei na manicure para garantir que correspondia ao padrão. 

Há 10 anos o meu marido ofereceu-me um par de brincos que ainda são os meus preferidos. Umas argolas simples e pequenas, o mais discreto que se possa imaginar. Sempre gostei muito de brincos, especialmente argolas, que usava de acordo com a roupa e a ocasião.

A recuperação do meu eu, da liberdade em assumir-me sem filtros conquista-se muito lentamente. O primeiro passo em direcção à mudança foi esse, ainda que de forma inconsciente, pois passei a usar sempre os mesmos brincos, mudando apenas nas férias para umas mais pequenas e de aspecto artesanal. Depois dos brincos, a roupa.

Um dia percebi que, na verdade, tinha dois roupeiros diferentes: um formal, com peças para usar em dias de trabalho e o outro, com as roupas de que, de facto, gostava. No entretanto mudámos de casa e passei a ter um closet aberto que me permitia ver toda a roupa, desde que estivesse pendurada. Fiz a primeira triagem, guardando em caixas os itens com os quais não me identificava. E não eram poucos, comprados por serem ‘uma excelente oportunidade’, porque ‘precisamos sempre’ de uma blusa assim... Eu sentia que não precisava. Pior, que não gostava e que estava farta daquele estilo de roupa que não me dizia nada. Esta mudança aconteceu há 3 anos e nunca mais fui a mesma. Foi também nesta altura que ganhei coragem para assumir os jeans com um rasgão, os chucks vermelhos ou um certo athleisure sofisticado para trabalhar.

As vozes não se fizeram esperar e se retrocederem aos primeiros episódios do urbanista vão encontrar muitos textos em que explico o corte e costura de que me senti alvo. Quase me conseguiram (re)modelar novamente e houve momentos em que, por medo ou cobardia, cedi ao politicamente correcto da roupa que devemos vestir. Foi então que olhei para o meu armário dos sapatos e percebi que sempre gostei mais de calçado desportivo. Coloquei muitos pares de sapatos numa caixa e assumi frontalmente que só voltaria a usar sapatos se me apetecesse. Quando apetecesse.

Meses depois fiz o mesmo para as unhas e a maquilhagem. Era Verão e nesta altura somos todos mais bonitos, por isso, foi fácil. Mas mantenho todas estas decisões, pintando as unhas quando me apetece e tenho disponibilidade, usando sapatos se tiver vontade e colocando cada vez mais blusas e blusinhas de parte. Bem-vindas todas as t-shirts, camisolas e sweatshirts que entretanto invadiram os meus cabides. 

O que ganhei com isso?

Bem estar. Paz de espírito. Conforto.  

#bodylove, they say

A mensagem em torno do #loveyourself bem como do #bodylove espalhou-se mas, nestas questões de #bodypositive, andamos muitas vezes a dar uns tiros ao lado.

Creio que, por mais que se escreva que devemos gostar de nós como somos, isso estará longe de acontecer apenas porque alguém nos diz! O clique acontece quando tem de acontecer ou quando percebemos que precisamos de ajuda. Até lá são apenas exemplos e palavras que circulam e que, muitas vezes, nos fazem sentir ainda pior.

Todos temos dias maus, o bad hair day é apenas a ponta do iceberg, assim como a borbulha que aparece da noite para o dia. Também as marcas estão atentas e vão contribuindo para a mudança: uma colecção plus size da Nike quer dizer muito mais do que apenas números grandes, porque arrasta outras marcas e reforça a ideia de que o mundo tem várias cores e dimensões. 

Tudo isto também se relaciona com uma questão que discuti há dias com uma amiga (thanks, V.) porque cuidamos muito por fora e nada por dentro, isto é, da nossa mente, dos pensamentos tóxicos que nos inundam, das críticas e julgamento de que somos alvo e que recalcamos por não saber, exatamente, o que fazer.

Sempre que afirmo que o urbanista é embaixador deste movimento, olham-me com admiração, como quem está a fazer algo positivo. Também há quem questione porque não tenho peso a mais, como se o #bodyimagemovement fosse um movimento big is beautiful. Talvez seja, desde que seja big and healthy, so beautiful. E se nunca tive problemas de peso, o mesmo não quer dizer que nunca tenha tido problemas de auto-estima. Talvez os tenha sabido disfarçar, o que não é equivalente a não saber o que são.

Por outro lado, como a indústria da moda, também a beleza e bem estar beneficiam com as nossas inseguranças e supostas necessidades razão pela qual real people nos anúncios será sempre a real people que corresponde ao beautiful people, caso contrário, a mensagem será contraditória. Também por isso, escrever e denunciar não chega. É preciso agir.

Os homens também têm inseguranças e, por essa razão, tentei incluí-los desde o primeiro momento, ainda que seja particularmente difícil escrever sobre as inseguranças em relação à imagem masculina. Por isso fui convidando alguns homens para o podcast urbanista, comprovando que, nisto de corpo e imagem, estamos todos no mesmo barco. A regra aplica-se também à cor da pele e ao tipo de cabelo, a esses aparentes detalhes que tornam a sociedade mais rica mas, tantas vezes, criticada. Sem esquecer a outra questão de que não se fala e que tem tanto a ver com o nosso bem-estar emocional: a identidade sexual. Afinal, tudo o que envolve quem somos merece fazer parte de algo a que se chama #love, verdade?

 

 

#hatersgonahate

Depois do episódio do #podcast urbanista desta semana, apetece-me declarar guerra aos #haters e fazer a apologia do #letloverule. Há dias alguém comentava um live no Instagram chamando-me racista. Vai lá saber-se porquê. Também já me chamaram calhau com olhos. Já foram muito mal educados. Desses não reza a história. Nunca comentaram negativamente o meu aspecto mas, garanto que os comentários maldosos sobre o nosso intelecto, são igualmente difíceis de digerir.

Gosto muito do momento em que diz "let haters do what they do" porque, de facto, há sempre quem ache que faria melhor. Mas não faz e tem por passatempo criticar o que os outros fazem. O discurso é sobre a forma como os outros comentam o nosso corpo, sendo válido também para a forma como se referem ao nosso trabalho. 

A exposição pública - entenda-se qualquer coisa que façamos em publico ou o que está disponivel publicamente (uma fotografia, uma frase nos sites de redes sociais) - basta-lhes - a essas pessoas - para alimentar pequenos ódios de estimação que  crescem na directa proporção da popularidade. 

Estamos a poucas semanas de inaugurar um novo ano e, com ele, novas resoluções.

Seja para deixar de fumar, praticar exercício ou gostarmos de nós, a mudança só acontece quando estamos preparados para a receber e não quando queremos, por mais que possamos insistir. 

Sabemos que dificilmente conseguimos mudar um presidente ou anular transferências para off-shores, mas conseguimos ser melhores do que somos, evitando julgar.

Se, por um lado, os tempos são de grande preocupação com a nossa saúde e bem estar, por outro, são também os tempos em que permitimos que outros sejam julgados nos media sociais, enquanto somos impactados por mensagens com objectivos comerciais que apelam ao consumo de todo o tipo de produtos para sermos mais bonitos, esbeltos ou tonificados, para fazer prevalecer um paradigma de comunicação mediática em torno do jovem e do belo. E se, na verdade, devemos cuidar da nossa saúde, o processo é de tal forma individual que não pode existir um conceito de tamanho, estilo, aparência ou género único, como se a mesma solução servisse a cada um de nós. Não serve, por mais que tentem convencer-nos disso. 

Girls who are boys... who love boys to be girls...

cantavam os Blur, em 1994, numa daquelas musiquinhas que ficam no ouvido e que, aparentemente, não são mais do que apenas isso, uma musiquinha para trautear enquanto não chega o autocarro. O texto de hoje ia começar de forma bem mais catchy e corny mas, quando me sentei a escrever, o refrão assaltou-me, saltando directo para o título.

O inconsciente é uma coisa tramada...

Hoje conheci o Kiko (a.k.a. Kiko is Hot) e, antes que façam qualquer afirmação, calem-se. Aprendam a observar, sem serem observados, e a ouvir de mente aberta.

O Francisco, que é também o Kiko, como eu sou a Paula e também o Urbanista, é a pessoa que todos queremos ter na nossa vida. Não somos amigos mas tenho a certeza de que é um bom amigo. Com uma inteligência e humor subtil, vê mais longe do que a maior parte de nós. Afirmei-me uma pessoa demasiado normal e coloquei em cima da mesa as perguntas que sempre quis fazer a quem, do alto da sua normalidade, é visto de forma anormal (em itálico porque, simplesmente, não gosto da palavra). 

A sociedade precisa de categorias para se estruturar e fomos, ao longo dos tempos, aceitando que eram essas as definições correctas. Admiro o Kiko porque não desafia as categorias pela irreverência mas porque, simplesmente, não se encaixa em nenhuma, questionando os limites de cada uma delas. E se pensarmos bem, biologia à parte, obviamente que na maior parte de nós o lado feminino ou masculino pesa mais, com alguns homens com cenas muito gaja, e gajas a quem os gajos chamam frígidas porque agarram o burro pelos cornos e não toleram muita bullshit que esses mesmos gajos querem impor. É de relações que estou a falar e isso daria toda uma outra conversa porque esta, que está para sair no podcast urbanista, é mesmo sobre a forma como a sociedade tentar definir-nos, bem como  a importância de nos conhecermos, para sermos capazes de nos definirmos para lá do que nos dizem que está certo ou errado... 

Girls who are boys
Who like boys to be girls
Who do boys like they're girls
Who do girls like they're boys
Always should be someone you really love

 

Maminhas

As minhas maminhas são sagradas.

Assim como são as tuas. As nossas.  

As minhas são pequenas, daquelas que, supostamente, nem se fazem notar mas que abanam quando corremos ou se evidenciam, quando arrefece. 

Não me imagino a viver sem as minhas maminhas. Não tanto pelo valor simbólico que a sociedade lhes atribui mas por aquilo que significa viver ser mamas. Ou viver apenas com uma.  

O cancro ainda é um tabu e o estigma associado a esta doença faz com que, mesmo falando abertamente das suas características, seja preferível fazer que não estamos a ouvir. Consta que estamos automaticamente condenados, mesmo quando empreendemos a batalha. Parece-me demasiado bélico e, até, um pouco medieval. Na verdade, o Cancro da Mama é uma espécie de bicho papão para todas as mulheres, mesmo que outro tipo de cancro seja ameaça equivalente. O cancro do colo do útero é menosprezado, tal como o cancro da mama no homem. É preciso falar, explicar, educar, consciencializar porque o cancro não é aquela doença que só acontece aos outros. Só acontece aos outros até que nos acontece a nós, com sintomas muitas vezes silenciosos que nos apanham de surpresa. Ou a alguém tão próximo que é quase como se uma parte de nós também estivesse doente. 

O estigma faz-nos passar de pessoas a coitadinhos, perante a irreversibilidade da vida. Nesta aparente aleatoriedade também há responsabilidade, apesar de tantos exemplos contrários, de quem, por exemplo, morre de cancro do pulmão sem nunca ter fumado.

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Contudo, para além das precauções todas que ninguém tem e que incluem a alimentação saudável, o exercício físico, não fumar, não beber e, quase não viver porque tudo mata, em relação ao cancro da mama há algo que TODAS podemos fazer: a apalpação mamária (ou a visita regular ao ginecologista) pode fazer a diferença entre ter, ou deixar de ter maminhas... Por isso, no dia mundial do cancro da mama, a mensagem é muito simples: apalpem-se!

Pode salvar-vos a vida... 

 

Blaya: uma jóia de carisma digital

Há pessoas que não conhecemos mas das quais gostamos imediatamente, porque têm uma espécie de estatuto de figuras públicas, expressam-se publicamente e parte do seu trabalho depende de uma relação que estabelecem com outras pessoas - aquelas a que chamamos o público - mas, sobretudo, porque transparecem verdade. E a verdade é sempre melhor do que os filtros que as aplicações de edição de imagem e o instagram tornaram tão populares.

A Blaya é assim. Ou, pelo menos, comigo foi assim. 

Sei quem é há bastante tempo mas só recentemente a conheço pessoalmente. Porque acompanhei sempre os Buraka Som Sistema, dancei (ou tentei) nas suas aulas na Jazzy Dance Club, em Santos, e fui sempre acompanhando o seu percurso. Mas não é por isto que a Blaya está hoje no urbanista. Está a Blaya, como já esteve a Carolina Deslandes e como estará qualquer pessoa à qual consiga chegar e que seja vítima da língua afiada e despropositada de alguns programas de televisão. A Blaya poderia estar aqui, por todas as razões relacionadas com o corpo, a aceitação e a imagem corporal. É uma das melhores pessoas para falar sobre isso porque se aceita e sabe usar as palavras certas para que os outros aprendam a aceitar-se. Mas não, está aqui porque foi mãe (serão estes os alvos preferidos do Passadeira Vermelha?...) e alvo de uma mentira aparentemente inconsequente, sobre uma opção pessoal, que partilhou publicamente para que mais pessoas conheçam esta marca que cria pequenas jóias a partir do leite materno...

Moda Lisboa: fast trends are so out

Para a maior parte das pessoas a moda é algo muito fútil e superficial. Também pode ser, mas não só. Independentemente da forma como interpretamos o significado da palavra moda,  todos nós sabemos que as peças que escolhemos e as conjugações que fazemos têm, em si, algum tipo de significado. Mesmo quando queremos anular aquilo que significa. Estranho, não é?

A moda não é apenas uma indústria. É também uma forma de comunicação que tem tanto de sublime como de subliminar, actuando de forma inconsciente nos limites da nossa capacidade de interpretação. Sempre gostei muito de observar o modo como os vestimos, sem pensar muito naquilo que regula o gosto do momento, ou seja, a moda. E também sempre senti que esta poderia ser uma ameaça à nossa intelectualidade por estar, tantas vezes, associada a essa ideia de consumismo exacerbado. Especialmente nos últimos anos em que compramos sem pensar na razão de tanta variedade a um preço escandalosamente tão baixo.

Quem produz? Em que condições?

É notória a preocupação das marcas e dos criadores para desassociar a moda daquele estereótipo da fashionista obcecada por tendências, incapaz de as interpretar, para as reproduzir independentemente de uma noção de estilo. A moda tem evoluído num sentido de maior relação com o mundo real, representando, também, os seus valores e as preocupações sociais. Se é certo que à moda são inerentes as tendências e que a sua definição (ainda) está nas mãos de poucas pessoas, também é verdade que há cada vez mais interlocutores no processo, permitindo uma adopção pessoal de cada uma delas. 

A Moda Lisboa começa esta semana e isso só interessa verdadeiramente à imprensa especializada. É um evento que marca a agenda mediática que, por sua vez, trata o tema com a suposta superficialidade que merece, mostrando apenas o que está à vista de todos. Na realidade, quer a moda em si, quer a Moda Lisboa, são fenómenos em camadas que devem ser interpretados para além do que acontece nos desfiles, porque as criações dos estilistas são representações da própria sociedade e das suas relações de poder. Da mesma forma que a tendência é a de criarmos uma sociedade diversa que integra e acolhe a diferença, também a moda segue a tendência, quer ao nível da escolha dos modelos, quer da estrutura dos seus eventos. 

E é, finalmente, a própria indústria que se auto-questiona, contrariando a ideia do universo de glamour que sempre lhe esteve associado porque, no final do dia, acabamos (quase) todos por entrar numa loja inditex para comprar a latest fashion trend. Até conseguirem dominar o mercado do fast fashion, que é como quem diz, o pronto-a-vestir, estas cadeias de lojas imitavam as passarelas e davam ao comum dos mortais a ideia de que podería ser como as estrelas, vestindo roupas parecidas. Hoje já não conseguimos decifrar a teia de relações e de influências. O street style invadiu os sites de redes sociais e, inevitavelmente, influencia quem pega num lápis para desenhar a next big thing. Seja uma saia ou uma tshirt. Da mesma forma, ainda que esta fast fashion tenha uniformizado bastante a forma como nos vestimos, é das combinações que fazemos que surge a diferença e o estilo.

Para esta estação as tendências estão já amplamente documentadas e parecem-me todas (ou quase) um bocadinho requentadas. Sinto que estou velha quando vejo o regresso do que usei aos vinte anos e muito jovem por perceber que a maior parte dessas coisas continua a fazer sentido. A moda é cíclica, reinventando-se continuamente, dizia-me a minha mãe e eu achava que só acontecia daquela vez. Na verdade, o vermelho total não é novo. Lembro-me de capas de revistas que o anunciaram há um bom par de anos, da mesma forma que não havia nenhum cool guy que não tivesse uns Vans. Os Cortez não são do meu tempo mas ganhei umas bolhas com os chucks que, em boa verdade, nunca chegaram a estar verdadeiramente fora de moda. Se o double denim era estranho, agora achamos que fica muito bem, da mesma forma que sinto uma certa nostalgia pelo xadrez que me leva de regresso aos tempos de escola. Primária... Não sei se adoptarei o príncipe de Gales porque me lembra os tempos em que, por engano, achava que tinha que me vestir como uma senhora. Não tinha. Não tenho e não temos, porque o conceito é completamente disparatado. E, depois do padrão escocês, do príncipe de Gales, falta apenas o regresso do bom velho tweed... No entretanto, aproveitem o roupeiro masculino porque o estilo oversized continua em alta, especialmente nos camisolões. O problema destes retornos das tendências é só um... nunca voltam exactamente da mesma forma, corte, cor ou padrão. Talvez por isso a moda seja um negócio e não apenas uma forma de representação social.

Esperamos pelos saldos para comprar o que já temos, reutilizamos o que aparentemente já não interessa ou interpretamos o que estas tendências querem dizer e criamos o nosso próprio estilo?

Qual vai ser a vossa opção? 

 

 

 

 

Moda Lisboa: fast trends are so out

Para a maior parte das pessoas a moda é algo muito fútil e superficial. Também pode ser, mas não só. Independentemente da forma como interpretamos o significado da palavra moda,  todos nós sabemos que as peças que escolhemos e as conjugações que fazemos têm, em si, algum tipo de significado. Mesmo quando queremos anular aquilo que significa. Estranho, não é?

A moda não é apenas uma indústria. É também uma forma de comunicação que tem tanto de sublime como de subliminar, actuando de forma inconsciente nos limites da nossa capacidade de interpretação. Sempre gostei muito de observar o modo como os vestimos, sem pensar muito naquilo que regula o gosto do momento, ou seja, a moda. E também sempre senti que esta poderia ser uma ameaça à nossa intelectualidade por estar, tantas vezes, associada a essa ideia de consumismo exacerbado. Especialmente nos últimos anos em que compramos sem pensar na razão de tanta variedade a um preço escandalosamente tão baixo.

Quem produz? Em que condições?

É notória a preocupação das marcas e dos criadores para desassociar a moda daquele estereótipo da fashionista obcecada por tendências, incapaz de as interpretar, para as reproduzir independentemente de uma noção de estilo. A moda tem evoluído num sentido de maior relação com o mundo real, representando, também, os seus valores e as preocupações sociais. Se é certo que à moda são inerentes as tendências e que a sua definição (ainda) está nas mãos de poucas pessoas, também é verdade que há cada vez mais interlocutores no processo, permitindo uma adopção pessoal de cada uma delas. 

A Moda Lisboa começa esta semana e isso só interessa verdadeiramente à imprensa especializada. É um evento que marca a agenda mediática que, por sua vez, trata o tema com a suposta superficialidade que merece, mostrando apenas o que está à vista de todos. Na realidade, quer a moda em si, quer a Moda Lisboa, são fenómenos em camadas que devem ser interpretados para além do que acontece nos desfiles, porque as criações dos estilistas são representações da própria sociedade e das suas relações de poder. Da mesma forma que a tendência é a de criarmos uma sociedade diversa que integra e acolhe a diferença, também a moda segue a tendência, quer ao nível da escolha dos modelos, quer da estrutura dos seus eventos. 

E é, finalmente, a própria indústria que se auto-questiona, contrariando a ideia do universo de glamour que sempre lhe esteve associado porque, no final do dia, acabamos (quase) todos por entrar numa loja inditex para comprar a latest fashion trend. Até conseguirem dominar o mercado do fast fashion, que é como quem diz, o pronto-a-vestir, estas cadeias de lojas imitavam as passarelas e davam ao comum dos mortais a ideia de que podería ser como as estrelas, vestindo roupas parecidas. Hoje já não conseguimos decifrar a teia de relações e de influências. O street style invadiu os sites de redes sociais e, inevitavelmente, influencia quem pega num lápis para desenhar a next big thing. Seja uma saia ou uma tshirt. Da mesma forma, ainda que esta fast fashion tenha uniformizado bastante a forma como nos vestimos, é das combinações que fazemos que surge a diferença e o estilo.

Para esta estação as tendências estão já amplamente documentadas e parecem-me todas (ou quase) um bocadinho requentadas. Sinto que estou velha quando vejo o regresso do que usei aos vinte anos e muito jovem por perceber que a maior parte dessas coisas continua a fazer sentido. A moda é cíclica, reinventando-se continuamente, dizia-me a minha mãe e eu achava que só acontecia daquela vez. Na verdade, o vermelho total não é novo. Lembro-me de capas de revistas que o anunciaram há um bom par de anos, da mesma forma que não havia nenhum cool guy que não tivesse uns Vans. Os Cortez não são do meu tempo mas ganhei umas bolhas com os chucks que, em boa verdade, nunca chegaram a estar verdadeiramente fora de moda. Se o double denim era estranho, agora achamos que fica muito bem, da mesma forma que sinto uma certa nostalgia pelo xadrez que me leva de regresso aos tempos de escola. Primária... Não sei se adoptarei o príncipe de Gales porque me lembra os tempos em que, por engano, achava que tinha que me vestir como uma senhora. Não tinha. Não tenho e não temos, porque o conceito é completamente disparatado. E, depois do padrão escocês, do príncipe de Gales, falta apenas o regresso do bom velho tweed... No entretanto, aproveitem o roupeiro masculino porque o estilo oversized continua em alta, especialmente nos camisolões. O problema destes retornos das tendências é só um... nunca voltam exactamente da mesma forma, corte, cor ou padrão. Talvez por isso a moda seja um negócio e não apenas uma forma de representação social.

Esperamos pelos saldos para comprar o que já temos, reutilizamos o que aparentemente já não interessa ou interpretamos o que estas tendências querem dizer e criamos o nosso próprio estilo?

Qual vai ser a vossa opção? 

 

 

 

 

10 palavras para gostarmos (mais) de nós

Há dois anos, quando me juntei ao #BodyImageMovement não tinha a plena noção da epidemia de pessoas que não gostam de si próprias e do seu corpo. Somos todos responsáveis! Porque nos deixamos influenciar por aquilo que dizem os outros, associamos as imagens que os media mostram ao padrão do que deveria ser quando, na realidade, reina a diversidade. E esquecemo-nos disso.

É importante (re)aprender a gostar. Quem somos e como somos. Simples, não é? Não. Não é.

Sou embaixadora do #BIM, o Body Image Movement e, muitas vezes, questionada por isso. Supostamente, só as gordas podem questionar o seu aspecto. Não. Não são só elas.

O Body Image Movement procura a auto-aceitação e o amor-próprio. Gostarmos de nós não tem necessariamente a ver com excesso de peso. Ou tem? Não, não tem. 

Na verdade, há aproximadamente 10 anos que algumas mulheres começaram a questionar o estigma mediático em torno do corpo perfeito, mostrando o seu corpo e expressando os seus sentimentos em relação ao seu. Muitas eram - são - plus size. Ou volumosas. Ou com curvas.

No que respeita a aceitação e amor próprio, há quem estranhe o meu aspecto associado ao #BodyPositivity ou #BodyLove. A mensagem é simples e independente das formas do nosso corpo: podemos ser - e gostar de - nós próprias independentemente do que nos dizem os outros e do que nos mostram na comunicação social. Pode parecer mais fácil mas é igualmente difícil porque a pressão no suposto corpo perfeito e aparência intocável consegue ser devastadora. Não pode um cabelo estar fora do sítio ou um ângulo ser desfavorável porque aquela mulher passa imediatamente de bestial... a besta. 

Nada disto é sobre mudança. É sobre sermos quem somos e evoluirmos, crescermos no sentido de sermos capazes de estarmos bem assim.

Lembram-se?... Se eu não gostar de mim, quem gostará?... É apenas isso.

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COMO? Aqui ficam 10 palavras para ajudar no processo. Repitam-nas todos os dias:

sorrir

eliminar

caminhar

devagar

não

comer

estar

praticar

sexo

e, finalmente, EU

 

1. Sorrir enquanto nos olhamos ao espelho, quando nos cruzamos com alguém na rua. Sorrir contribui para um mundo mais bonito.

2. Eliminar o stress, ouvindo música, especialmente a que nos faz sentir bem, que nos diz que somos lindas, fortes e invencíveis. Não só a repetição da letra se torna numa espécie de mantra como também reduz o stress. Da mesma forma, ler aumenta os nossos conhecimentos, pode dar boas ideias sobre como melhorar a nossas vida e, novamente, reduz o stress

3. Caminhar mais ajuda em tudo e, acreditem, também reduz o stress porque enquanto caminhamos sozinhas pela rua vamos "arrumando" ideias e pensamentos. Seja para passear o cão, para fazer montring, aquele passeio para ver montras, ou ir mesmo às compras, façam-no na rua. O vosso corpo agradece porque neste país há sol o ano inteiro (hello vitamina D) e o comércio de rua também...

4. Aprender o significado para palavra slow. D E V A G A R. Comer sem pressa. Mastigar. Respeitar o nosso tempo e o dos outros, olhando menos vezes para o relógio, evitar encaixar compromissos porque acabam por se transformar numa catadupa de atrasos. Desligar o telefone para dormir e não ver o email antes de deitar ou ao acordar. Usar aplicações que nos ajudam a gerir o tempo, fazendo listas ou controlando o tempo de trabalho e respectivas pausas. Voltar a usar papel e lápis porque sinceramente, quando nos disseram que a tecnologia seria um potente aliado da nossa produtividade, estavam a mentir. Ah... e ficar a olhar o tecto de vez em quando não mata ninguém. Pelo contrário, ajuda a ter boas ideias!

5. Outra palavra importante: N Ã O. Dizer não é a arma mais potente que conheço. Quando aprendi a dizer não, a não aceitar tudo o que me pediam ou ofereciam, a escolher, focando-me no que é realmente importante para mim não só aumentei a minha produtividade como me senti mais realizada. Achamos sempre que é "só mais um bocadinho" ou que "não podemos dizer que não". Na verdade?... Podemos. Este "não" inclui um valente "bye, boy, bye" a todas as pessoas que nos invejam, que nos criticam e sugam a energia fazendo-nos acreditar em tantas coisas negativas. 

6. Comer. Uma alimentação saudável é completamente diferente de uma dieta e, por isso, faz-nos sentir bem. Planear a semana comprando os alimentos necessários ajuda a não ter deslizes durante a semana, equilibra as contas porque permite levar o almoço e alguns snacks para o trabalho e, principalmente, garante menos pastéis de nata no bucho. Café biológico sabe melhor do que o outro e também podemos preparar a nossa caneca de café no trabalho. E se, o objectivo mesmo é perder peso, nada melhor do que arranjar um amigo para ajudar. Fazendo o percurso connosco ou cobrando uma aposta que não queremos perder.... E também já há aplicações que nos lembram quando beber água, indicam calorias e outras funcionalidades...

7. Estar: os amigos e a família contam. Muito. O hygge junta as pessoas e sobrepõe o nós ao eu. Junta-se a família para estar, o verbo mais importante nesta lógica. A ideia de deixar "o trabalho" e "os problemas" à porta ou procurar um amigo para desabafar e pedir ajuda. Paradoxal? Não. É apenas a arte de praticar a autenticidade e empatia, eliminando o drama...

8. Praticar exercício. Seja caminhando na cidade (voltamos ao montring...) ou à beira mar, levantando pesos no ginásio, dançando na sociedade recreativa do bairro ou aprendendo poses de yoga através do youtube, tudo vale em direcção a uma vida mais activa. Vale tudo, menos ficar no sofá.

9. Sexo. Também se pratica. Sem data e hora marcada. Faz parte do hygge, faz parte do slow e faz parte do eu. Faz parte da vida e tantas vezes nos esquecemos dele, entre filhos e compras e chefes que nos dão cabo da cabeça. Beijem-se. O resto virá...

10. Eu: viver a vida e reservar tempo para nós. Seja para o exercício ou para nos mimarmos, a vida não pode ser vivida apenas em dedicação aos outros. Amá-los é também sermos capazes de nos amarmos e cuidarmos, para estarmos de bem com a vida e de coração aberto para aqueles que amamos. E viver a vida dos filhos não é saudável para ninguém. Nem para eles.

 

 

Mamas: Big, small or no B(.)(.)BS 🖤

Há quem, por pudor, se refira às mamas chamando-lhes peito. Aqui falamos de mamas. Das grandes, porque das pequenas não reza a história. Não há história. Ponto. Porque se não temos mamas que se vejam é como se não as tivéssemos o que, para muitas pessoas, é ser menos mulher. Não é. É só uma mulher com as mamas pequenas. Também há quem as tenha tido e as tenha perdido. Essa é outra história. Depois, há as outras... Aquelas mamas mêmo boas  (seguido daquela respiração profunda acompanhada de um ahhh) para aquilo que se sabe. E as mamas grandes. As mamalhudas. Aquele par de mamas no qual um gajo se perde e que, normalmente, elas acham que é peso a mais.

As minhas são pequenas. Não insignificantes, mas pequenas. Talvez por isso nunca me preocupei com preços ou o tamanho da copa. Há sempre uma opção em saldo e não faltam modelos para condizer com as cores ou formatos das peças de roupa. Até ter percebido que não é exactamente assim para todas as mulheres. Uma copa G não facilita a vida a ninguém no que respeita à escolha das peças de roupa, tipo de soutien ou fato de banho. Para não falar no preço destas peças... Mais as cores, os padrões e os comentariozinhos aparentemente engraçados e verdadeiramente despropositados. Não. Nenhuma de nós gosta de ser chamada de vaca-leiteira...

Não foi fácil encontrar voluntárias para falar sobre isto mas estes três depoimentos resumem muito bem o que é a vida de uma mulher com umas mamas acima da média...

EmmeNation é mais do que uma nação

Emme, nome profissional de Melissa Aronson representa mais do que uma nação. É conhecida por ser a primeira modelo plus size e, depois de muitos anos na primeira fila, no papel de influenciadora (não necessariamente na mesma lógica das actuais social influenciadoras que publicam fotos com ar de quem perdeu uma moeda mas, antes, actuando junto da indústria da mod, e da sociedade em geral, para mudar consciências e abrir espaço para as mulheres mais volumosas) chegou finalmente à passerele da NYFW.

Aplausos. 

No entanto, para quando uma passarela que vá além do must be da diversidade que hoje afecta o mundo da muda, abrindo portas a mulheres mais velhas e, sobretudo, mulheres normais que podem desfilar sem deixar os braços pendurados e os ombros em formato cabide? 

"I can't wait to walk in future shows", disse Emme. Eu digo o mesmo, em nome de todas nós.

Emme

a dar tudo aos 54 :) 

o meu primeiro cabelo branco

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A minha cor de cabelo já aqui foi motivo de análise. Para que fique claro: não pinto o cabelo.

Não faço nuances, californianas, sunset lights, madeixas, ou whatever. Aplico-lhe uma ondulação, uma vez por ano, para dar volume e movimento. That's it.

Devia ter uns 16 anos quando, pela primeira vez, comentaram as minhas "nuances", criticando o facto de "uma menina tão nova pintar" o cabelo. Não pintava. Não pinto. A minha cor é difícil de definir e tanto pode ser castanho claro como uma espécie de louro. Depende da alimentação, shampôo e estilo de vida. Consta que a base é "arruivada". Seja lá o que isso for. Pintaria, sem qualquer problema, se preferisse outra cor no cabelo.

E cabelos brancos, como é?

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Durante muito tempo não consegui imaginar como seriam, porque achei que se iriam confundir com os fios de cabelo mais claros. Nos últimos anos pensei que já tinha cabelos brancos, mas que não se viam. WRONG. Os cabelos brancos destacam-se, independentemente da cor de cabelo que possamos ter. São mais curtos e mais espessos, como se alguém os implantasse na nossa cabeça durante a noite. Porque, na verdade, aparecem sem percebermos. Portanto, alguém os colocou na nossa cabeça. Mas não. Surgem. Assim...

Na verdade, surgem porque a produção de melanina começa a diminuir com a idade.

A mim apareceu-me o primeiro cabelo branco há uns tempos e percebi que são muito diferentes dos outros cabelos. Em primeiro lugar são mais curtos, depois são grossos, parece que espetam, e não se misturam com os outros cabelos. E foi então que pensei: e agora? Vou pintar o cabelo? Vão surgir mais? Quanto tempo até ficar grisalha?

Passou um ano. Ainda é só um, escondido por baixo dos outros, na têmpora direita. Raramente o vejo e prefiro que se mantenha assim. Mas e depois? Quando forem muitos?

More than a selfie, a self statement 💙 Lately I've been asking myself how I feel about grey hair 😊 I'm 43 years-old , I've never colored my hair before and if I was to, this would be the time, I guess. But my journey has brought me this beautiful view on life which is the acceptance of the present moment as it is. As wonderful or as painful. As beautiful or as ugly. As easy or as hard. But most of all, as honest and true as I can make it and experience it. I'm embracing my truth more and more as days go by. I don't wish "I could go back" and I'm really thankful for everything that has happened to this day. Most of all, I'm thrilled to keep uncovering my own layers. I'm thrilled to untie the knots of everyday life and live as simply as I can. I'm thrilled with the future and all the uncertainty of not knowing, which means anything is possible ✨ And I know, for sure, that nothing will stop me from chasing the feeling that comes with being true to myself, living it and sharing it. In essence, in soul. How's that for a mid-life challenge? So, I hope I can find the strength to keep feeling alive inside, to keep in touch with the child in me: the one that still dances like crazy, the one that giggles and cries, the one that needs to find an outlet for creativity, the one that keeps a stupid smile on her face after a great wave, the one that has so much love inside, that sharing it will never be a loss. Truth is, I do dream about surfing with long stray locks of curly silver hair. I don't think I'll change my mind, but If I do...oh well, children do that all the time! 😊 #soulofpi #yoga #yogalife #yogamom #motheroffour #yogaeverydamnday #surf #yogisurfer #soul #soulsurfer #oceanlove #longboard #singlefin #ladyslider #bepresent #begrateful #betruetoyourself #beyourownkindofbeautiful #feellife #enjoyeachmoment #sharethelove #sharethestoke #shareyourpassion #love #makeithappen #havefunbeingyourself

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Gosto do exemplo da @soulofpi que publicou o seu self-statement: nunca pintou o cabelo e, agora que os cabelos brancos se tornaram evidentes, parou para pensar nesta questão, decidindo não pintar o cabelo porque sonha surfar with long stray locks of curly silver hair. 

E se, um dia mudar de opinião, pois então logo se verá... Porque é mesmo assim que se vive, com cabelos brancos e tudo o que nos define, apreciando cada momento e fase da nossa vida.

 

 

Corpo de sonho? Está tudo na nossa cabeça

Não tenho dúvida sobre a importância da resiliência na vida. Para qualquer coisa é a nossa capacidade de acreditar que nos motiva a perseguir o objectivo. No desporto, também. O segredo para um corpo de sonho não é a actividade física, como nos querem fazer acreditar mas, antes, a nossa capacidade para não desistir.

Às vezes perguntam-me como é que eu consigo e eu digo sempre que temos de querer conseguir. Seja o que for. No caso da prática desportiva ainda mais, porque para quem não faz nada, é preciso querer muito, para encontrar força para sair do sofá ou descobrir um espaço na agenda, mesmo quando esta está livre. 

Tenho amigas que não fazem nada e outras que se esmifram para ficarem magras. Na verdade, são mais as que já deixaram de se preocupar com os parâmetros que a sociedade definiu, assumindo o seu corpo com as suas (aparentes) imperfeições. Adoro-as por isso. Porque comem por prazer e não se envergonham dos seus refegos fofinhos. Outras não praticam exercício, têm cuidado com a alimentação e queixam-se com dores no corpo. Outras, não se queixam de nada e perguntam-me como é que eu aguento, que se sentem cansadas só de me ver entre o ginásio e a praia. Está tudo dentro de nós e cada um terá o seu ritmo. Serei provavelmente a mais desportista das minhas amigas e, talvez por isso, começaram a pedir conselhos. Digo-lhes sempre que não interessa se chegamos com as mãos ao chão ou se dobramos os joelhos para lá chegar. Interessa tentar. Mexer o corpo para contrariar a má postura do dia-a-dia. Não interessa se queremos queimar gordura, tonificar os braços, ganhar força ou flexibilidade... Importa pensar que somos capazes, porque essa força é inabalável e superior a cada um de nós. Há um ano não estava certa de que tudo o que atingi até agora estivesse ao meu alcance e, afinal, está. Ensinar e ajudar os outros está-me no ADN mesmo que, durante muito tempo, o tenha negado. E se puder ajudar estas amigas a combater o sedentarismo, a preguiça que as invade, a falta de vontade para se esforçarem, já fico feliz. E sei que elas também.

Só temos de acreditar e começar. O resto, vem por si. Como começar?

Definam objectivos semanais (mesmo que seja começar)

Estabeleçam uma consequência se não cumprirem esse objectivo e arranjem um amigo que garanta que a consequência acontece

Registem a vossa evolução (o instagram é excelente para isso e ainda recebem uns likes de motivação!)

Encontrem uma actividade de que gostem e mantenham-se fiéis durante, pelo menos, 3 meses

Criem uma fórmula de auto-motivação (post-its no frigorífico, alarme no telefone, ... inventem!)

Três meses depois...

Estão com melhor disposição e mais energia

Menos stress e maior resiliência

A sensação de vitória e de que vida vos sorri

Mais e melhor sono e um sistema imunitário mais resistente

Vão esperar pelo dia de amanhã para se começarem a mexer?

 

Como eu me livrei das borbulhas sem fazer nada!

Cruzei-me, há dias, com está fotografia e não consegui ficar indiferente ao rosto, à hashtag e, obviamente, marcas de borbulhas.

Tive borbulhas no rosto durante toda a vida. Da adolescência em diante, aqui e ali, agora e depois, iam aparecendo e desaparecendo. Não era caso para intervenção médica mas, por causa delas, as borbulhas, comecei a tomar a pílula mais cedo do que seria necessário, para controlar a coisa. Não sei controlou. Antes da menstruação era ver a pele do rosto ficar cada vez mais sensível e alguns pontos vermelhos a aparecerem para desaparecerem imediatamente antes... da menstruação seguinte. Divertido, não?!... Não. Afectava-me como afecta qualquer outra pessoa. Ninguém quer aqueles pontos vermelhos ou as marcas que ficam quando a inflamação desaparece. Pior... ninguém precisa daquela base aplicada à pressão para disfarçar as borbulhas, deixando perceber as borbulhas. E a base. E a tentativa...

A culpa não era de nada mas era, simultaneamente de tudo. Fui arranjando desculpas e justificações ao longo dos anos. Quando engravidei, imaginei o pior e nada aconteceu. Da mesma forma, o cabelo ficou normal e, a pele mista, passou a mista com tendência a seca. Estive anos seguidos em estado de graça, com boa pele e cabelo para, gradualmente, perceber que "o antes" ameaçava voltar. Bebia água para não desidratar, escolhia os melhores cremes, tinha todos os cuidados possíveis. Resignei-me e voltei a ter, pelo menos, uma borbulha por mês. Voltei a culpar o meio ambiente, o stress e tudo o que possa ser responsável mas que, sabemos, não actua isoladamente.

Se o problema é hormonal deve ser tratado. Contudo, há por aí muita borbulha a circular que pouco ou nada tem a ver com as hormonas... 

Até que, do nada, comecei a perceber que a minha pele estava mais lisa, brilhante, sedosa. Fui ver ao perto e não tinha pontos negros (ou pelos menos visíveis e mesmo a jeito para serem... apertados!). Comecei a prestar atenção: menstruação sim, menstruação sim, sem borbulhas. Como percebi? Há um mês apareceu-me uma dessas velhacas que não são bem borbulha nem deixam de ser. Aquela inflamação resistente sem solução, porque qualquer opção dá mau resultado. Usei a velha técnica de ir apertando a base, lenta e gradualmente, para a inflamação subir à superfície da pele e, este mês, aniquilei-a com um ligeiro apertão.

Foi então que percebi que passei meses "limpa" sem ter feito nada por isso.

Então, o que aconteceu?

Aconteceram fruta e legumes.  Aconteceu fibra.

Aconteceram nutrientes em quantidade e qualidade que provavelmente nunca tinha comido, porque, como podem acompanhar aqui, alterei bastante a minha alimentação, introduzindo opções mais saudáveis, eliminando alimentos processados, farinhas refinadas, excesso de proteína animal, gorduras saturadas e açúcares desnecessários. Sobretudo açúcares desnecessários... porque as borbulhas, também são altamente desnecessárias!

Com ou sem borbulhas, com ou sem make up: #embraceyourface

 

Só tens um corpo. Habitua-te a gostar...

Gostar de nós, do corpo que temos, é um processo...

Nascemos sem consciência física e entendemos cada parte de nós como integrante do que somos. Até que o reflexo no espelho começa a mostrar contornos do que somos mas, principalmente, do que os outros pensam que estão a ver. Na verdade, a forma como os outros nos vêem é também uma extensão deles próprios, das suas certezas, incertezas e inseguranças. Na maior parte das vezes não somos nós que estamos mal, com a saia curta ou a blusa transparente. Quem nos aponta o dedo, criticando ou questionando, fá-lo, na maior parte dos casos, pela insegurança de quem pensa que não pode (não deve) ou não quer vestir-se assim. Aplica-se também a comportamentos e atitudes porque este reflexo não é apenas a miragem do imediato visível...

Aquela capacidade para sermos para nós, sem deixar que os outros nos afectem, não acontece ao estalar dos dedos e requer muito esforço, dedicação e energia. Isto de sermos capazes de gostarmos de nós independentemente de... poderia dar-se por decreto ou um passe de magia. Normalmente implica olhar e ver para além do que mostra o espelho. Já todos pensámos em mudar isto ou aquilo. Na maior parte das vezes não aconteceu por falta de recursos, principalmente financeiros, pela famosa desculpa da falta de tempo mas, sobretudo, por falta de vontade. Até que a epifania toma forma e percebemos que não é o desejado bikini body que nos faz mais (ou menos felizes). A privação que pode significar, o esforço que envolve ou o dinheiro que custa não traz, ao contrário do que se apregoa, a desejada felicidade e sensação de conquista. A conquista que interessa é aquela que, sem considerar o que parecemos, se baseia no que somos. E se, para sermos quem somos tivermos de mudar alguma coisa, pois que seja. Por nós e para nós. Nunca porque alguém nos diz que o devemos fazer (esta frase exclui qualquer questão de saúde associada ao nosso aspecto físico, ok?!...)

Conheci uma pessoa que tem a coragem de se auto-apelidar de gorda, afirmando que comia que nem uma porca (vão descobrir tudo num próximo episódio do podcast urbanista!...). Isto é coragem, capacidade de auto-avaliação e auto-afirmação. Já não come assim e é tudo menos "gorda". Porque um dia decidiu que era tempo de mudar. Todos temos o nosso tempo. As decisões e sua implementação surgem quando têm de surgir e nunca antes. E para os que pensam que falo de cor, já o expliquei e repito as vezes que forem necessárias: não é preciso ter ou ter tido peso a mais para saber o que é não gostar do nosso corpo. Been there pelas razões mais improváveis que se possam imaginar. Por isso, porque conheço a sensação de não estarmos bem connosco e a forma como isso mina a nossa auto-estima, tento que alguém leia isto para perceber que há solução!

Para quem tem problemas de peso a balança é o pior inimigo.

Para quem tem problemas de auto-estima as revistas e o instagram são bombas relógio. Escolham contas que vos mostrem aquilo que querem ver e não vão à procura dos que vos deita abaixo. Esqueçam as calorias e aprendam a comer. Não adianta comer e praticar exercício contando as calorias que se perderam porque serão sempre menos do que as que foram ingeridas. Mexam-se pelo prazer que a libertação de hormonas provoca. Pratiquem com consciência, deixem-se ir dedicando total atenção ao que estão a fazer.

Há, seguramente, uma parte do vosso corpo da qual gostam e outra(s) que detestam. Concentrem-se nas boas. Eu detesto a minha barriga. Sempre detestei porque sempre tive de a encolher para parecer que tinha tudo no sítio. É daquelas barriguinhas pequeninas muito femininas. UGHR. Odeio. Queria uma barriga lisa. Not gonna happen por mais que treine. Também não posso diminuir a minha maravilhosa anca de boa parideira, como afirma a ginecologista. De facto, o parto foi fácil e a recuperação rápida. Também não deixarei de engordar no rabo. Adianta contrariar a natureza? NÃO. Mas adianta aprender a jogar com as vantagens e desvantagens que encontramos em cada um de nós. Concentro-me nos gémeos e nas pernas, nas costas, ombros e braços. Oh yeah. A barriga encolho-a e escolho as peças de roupa que não me vão tornar a anca maior. E aprendi a comer para não acumular. Nos glúteos... que é para lá que vai tudo!

A melhor parte disto tudo é ouvir elogios frequentes à minha barriga. Ou à (suposta) ausência dela. Já me perguntaram o que faço para conseguir uma barriga assim. Que se note que não tenho uma barriga fit. Tenho uma barriga anormalmente flácida para o tipo de exercício que pratico. E depois perguntam como faço para aguentar séries de abdominais. E percebo que o que eu vejo não é o mesmo que os outros estão a ver. E que aquelas contrações todas para ir do chão à verticalidade sentada tem de ter algum tipo de resultado. Que os outros valorizam e eu não. Que eu escondo e que, se calhar, até poderia mostrar...

 

 

 

Pele (mais) clara

Para quem, como eu, tem pele branca que dificilmente bronzeia, a discussão em torno do bronze ou tons de pele é apenas mais um dos temas inúteis da nossa sociedade. Do branco muito branco, ao preto muito preto todas as tonalidades são válidas sem que isso nos faça mais ou menos dignos enquanto pessoas.

Contudo, não é bem assim...

Passei parte da minha vida a ouvir dizerem-me que estava muito "branca" e outro tanto a cometer atrocidades para bronzear. Dos auto-bronzeadores que me deixavam com ar de quem tinha usado... auto-bronzeador - que não é o mesmo que estar com a pele naturalmente bronzeada - aos óleos para ver se a cor se instalava e, imaginem, solário, experimentei tudo. Até perceber que o problema não estava nos outros mas sim em mim. Eu precisava aceitar-me como era (sou!) e não querer ser o que os outros esperavam de mim. Passei a mostrar orgulhosamente o meu tom de pele pálido em pleno Verão e a responder que sim, que já tinha ido à praia mas que, ao contrário da maior parte das pessoas, tinha cuidado com a exposição solar e que dificilmente bronzeava.

Como tantas vezes fazem as pessoas com excesso de peso, transformei o meu suposto "defeito" ou "diferença" no que me evidencia em relação aos outros e aprendi a brincar com isso. Mas demorei... Por isso, se a vossa pele é branca (ou muito branca) e não bronzeia, procurem a razão nas vossas raízes. Percebam que isso não é necessariamente mau, apenas diferente. Porque mesmo os pretos, aqueles negros retintos, como muitas pessoas gostam de verbalizar, também usam protector solar.

Não há vergonha em sermos como somos. Há sim, vergonha em não aceitarmos aquilo que somos. Passem à frente e olhem para o que os outros vos apontam, apreendendo a valorizar esses... pormenores...

O culto da imagem destruído numa palavra: amor

Escrevo tantas vezes usando exemplos estrangeiros que não hesitei em carregar nesta publicação da Carolina Deslandes sobre a dura realidade da relação entre o nosso corpo e a maternidade.

Como a compreendo. Não sou figura pública mas enfrento o público quase todos os dias porque, ao contrário do que muitos pensam, ensinar tem uma componente maior de representação do que se possa imaginar. Incorporamos uma persona, estudamos o texto e contamos uma história transformando conceitos e teorias complexas em frases que ficam no ouvido e ideias simples de compreender. Tudo o resto é simplesmente chato e não cativa a audiência. Como no teatro, há sempre quem abandone a sala perante uma peça de pior qualidade.

A Carolina Deslandes expõe-se muito mais do que eu porque enfrenta aquilo a que se chama o grande público que, de grande, apenas tem o nome. O grande público é ridiculamente pequeno nas suas ideias, comportamentos e acções, especialmente quando está protegido pela espiral do silêncio e o seu contrário, o megafone amplificador da voz grotesca da multidão. Publicar comentários no Facebook ou Instagram é fácil e aparentemente inócuo. Só que não é.

Como tantas outras mulheres, a Carolina engordou, deu à luz, amamentou e foge todos os dias do espelho. A sensação de que nenhuma roupa nos serve é das piores que podemos sentir, mesmo quando é por uma razão tão maravihosa como esta, da maternidade. Lembro-me de ter recuperado  facilmente mas, ainda assim, não adoro aquelas fotos de pele sem cor, rosto pálido, mamas gigantes e muito brancas da maternidade ou, depois, nos meses que se seguiram, em casa. Sempre com olheiras, sempre o cabelo em desalinho, sempre a roupa mal escolhida com aqueles soutiens de amamentação. Oh God, ninguém merece! Ficam registadas para sempre porque durante os primeiros meses fotografamos tudoooooo o que é possível como se não existisse amanhã ou como se a criança acordasse no dia seguinte com 18 anos.

Há, depois, quem diga que a foto está linda, que a serenidade está presente na imagem. Outros comentam sempre - e apenas - o bébé. Nós olhamos e vemo-nos mães. Nada mais importa. A umas sobrou barriga, a outras as mamas mirraram, outras descaíram... Who cares?...  Mais tarde, com a pirralha ao lado a comentar as fotos, olhamos e pensamos... nooooooooooooo..... Não há pingo de make up - e por mais lindas que possamos parecer, não nos sentimos lindas sem make up e nem nos ocorreu usar um BB Cream para melhorar o aspecto - estávamos concentradas no filho que tinha acabado de nascer e nada mais importava. Depois, para aquelas que têm de aparecer nos media, quem circula nas redes esquece-se das boas maneiras e chama nomes feios a mulheres lindas, numa fase debilitada (por vezes debilitante) e emocionalmente instável das suas vidas.

Eu mandava-os a um sítio mas não o faço porque sou mãe e não devo dizer asneiras....

Mostra o teu booty: o mundo agradece!

Quando vi esta fotografia decidi que era tempo de fazer e pensar como a Karina Irby,  designer da @Moana_Bikini, e assumir que ninguém é perfeito. Sempre tentei ter um estilo de vida saudável e, há um ano, elevei esse esforço à potência, observando resultados a vários níveis. 

Como a Karina, fartei-me daqueles corpitxos perfeitos à custa de fome, turbinações e photoshop só porque sim. Vejo-as inexpressivas porque não há filtro ou smoothing que lhes cole um sorriso feliz nos lábios. Vejo-as a olhar para o chão porque é mais fácil do que enfrentar a câmara ou em poses made in instagram, umas iguais às outras como se este fosse o novo padrão. O padrão é a ausência dele, para sermos quem somos. Como somos. Com ou sem celulite e, de preferência, sem ela. Em breve vou explicar como, porque o segredo não é o que comemos mas sim o que não comemos.

E se puder inspirar uma mulher de cada vez então vivo feliz (e quase sem celulite...)

 

Sim às estrias, pois então!

Estrias. Evitável mas assim quase inevitável para a maior parte das mulheres. Levante o braço quem não tem uma estria. Pois.

A marca Rheya Swim mostrou-se inovadora na sua última coleção de bikinis. Apesar dos corpos das modelos serem esculturais e tonificados (nada de novo aqui...) são visíveis estrias. Depois de várias celebridades mostrarem e até exultarem as suas estrias nas redes sociais, este é mais um passo para banalização de algo que nos envergonhou e que escondemos.

Stretchmarks are no big deal.

Crop tops: avançar sem medo(s)

Obrigada Internet: já não tenho medo de crop tops e desafio todas as mulheres a fazerem o mesmo. Com barriga ou sem ela, quarenta no B.I. e vinte no espírito, o tempo é de #girlsunite, de nos vestirmos para nós independentemente do que dizem os outros ou dos comentários que deixam nos nossos perfis sociais. Este Verão vou arriscar e dar-lhe na barriguinha à mostra, respirando fundo para garantir que não se perde aquela atitude de "NO F*CKS GIVEN" em relação ao que pensam os outros sobre o meu corpo ou a forma como me visto. Não tenho pneu ou barriga saliente, mas sou uma senhora, a mãe de família e esse é o outro "grande" impedimento. Vou garantir-me livre de preconceitos, reservas ou inibições. Obrigada por terem ajudado neste caminho!

Dentro dos limites do bom senso tudo é possível e somos nós que nos auto-limitamos, criticamos e mutilamos a nossa auto-confiança. Não pode porquê? Pode sim.

Já está. Crop top on, haters off.

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To love is to be

Sabem aquelas relações especiais em que eles são são tão diferentes que damos por nós a pensar coisas impossíveis de tão feias que são - mas que a natureza humana nos permite? Frases como "como é que ele anda com aquele batoque" ou "o gajo é mesmo feio, não sei o que ela vê nele" já passaram pela cabeça de algum de nós e, a Jazzy, sabe isso. A diferença é que aprendeu a lidar com a diferença e a aceitar que sim, um homem muito fit - o seu homem super fit - pode amá-la com as suas curvas e contra-curvas e não há mal nenhum nisso. Nada a estranhar porque nos apaixonamos por aquilo que vemos mas só podemos amar aquilo que está além do que está à vista. Certo?

A história é simples: apaixonaram-se e estão juntos há 14 anos. Ele é fit, mestre do ginásio e ela não. Está, aliás, bastante longe desse conceito de corpinho sarado. E então? Não podem amar-se independentemente do aspecto físico?... Podem!

Ela sempre acreditou que sim mas sempre teve medo das reacções dos outros, do que poderiam pensar. E começou a ser verdadeiramente feliz quando os ignorou e percebeu que ele gosta dela por aquilo que ela é. E isso inclui as suas curvas, estrias e pneus. É mais do que inspirador. É o que deveria ser a vida. Love ya!