2016

Comer até cair

Se, por um lado, passamos o ano a evitar, a controlar, subjugados às regras, aos peso, ao reflexo do espelho que é o reflexo dos outros, por outro lado, aparecem-nos notícias destas, afirmando que podemos comer à grande. Em tempo de festas, os excessos são comuns. Consta que o nosso subconsciente não resiste à tentação e, por isso, cedemos. Porque é "só desta vez". Na verdade, o problema não é "esta vez" mas todas as outras "vezes".

Thanksgiving is not the cause of [being] overweight. It’s the other 364 days of living in a relentless food marketing environment—food sold everywhere, 24/7, in huge portions—that makes weight control so difficult.
— MCKENZIE MAXSON (Greatist)

Eu sou daquelas que acredita que pensar engorda por em algumas situações não há outra justificação. Mas se pensar engorda, comer também e, nesta altura, comemos mais do que necessitamos e ingerimos o que evitamos durante todo o ano. Não espero pelas festas para comer alarvemente e já ganhei uma certa imunidade à pressão para experimentar o que já sei não gostar. Tenho a sorte de não ser dependente do açúcar e não apreciar iguarias demasiado doces. Tenho a sorte desta ser, para mim, a altura do ano gastronomicamente menos atractiva. No entanto, faço verdadeiras refeições com a Filhoses de Abóbora que a minha mãe prepara especialmente para mim. Se a isto juntarmos uma (ou duas, vá...) fatias de bolo rainha, bolo de chocolate do aniversário da #lovelyRita, folhados, fritos e hidratos que normalmente não como, álcool a acompanhar... Estão reunidas as condições para a anca alargar, a calça apertar ou a pele ficar com uma tonalidade e textura diferente, resultado do esforço que o organismo faz para manter o equilíbrio. 

Por isto, sim, pensar também engorda. Apesar de tudo, há alguns bons truques que podem aplicar hoje, para o fecho das festas: beber muita água e evitar o álcool,  mastigar muito devagar e apreciar a conversa, fugir das tentações (cada um tem as suas), começar pela fruta, algum tipo de consumé ou sopa e, principalmente, limitar os doces, usando um prato pequeno para nos servirmos. Pensar na remota possibilidade de praticar (mais) exercício e entrar em modo detox nos próximos dias! O objectivo, mesmo que não seja perder peso (que é sempre!...) é repor o equilíbrio no organismo, eliminando o excesso de gordura, hidratos e açúcar inevitáveis nesta altura do ano...

Feliz ano de 2017!

Leia and some beauty standards

Beauty standards? Shut the F*ck up! 

We all grow (up) and get older. Our face our body age accordingly. Some look better. Other not really. But who really gives a sh*t about it? 

A Princesa Leia morreu hoje. Não que seja a Star Wars big fan mas não ignorei os comentários sobre o seu envelhecimento. Achavam mesmo que a Carrie ficaria Leia para sempre? Já repararam no Han Solo, ou por ser homem está apenas mais maduro?... 

O texto de hoje é dedicado a todas as Leias que se sentem envelhecer, às que andam a comer demais e a pensar nas medidas, aos que se esquecem que estes comentários e observações, além de inúteis, ferem o ego a muitas pessoas.

With the media often depicting one "ideal" standard of beauty, women constantly face external and internal pressure to look and/or act a certain way. But at least we have these seven celebrities calling bullshit to these unrealistic standards and reminding us that we don't have to conform to what outside voices deem beautiful.

 @arianagrande  @aliciakeys @kellyclarkson @zendaya @mileycyrus @hereisgina #jenniferaniston

Está na hora de sermos quem somos e de agirmos pelo nosso bem estar independentemente das regras e daquilo que nos dizem. Elas estão certas porque a beleza nem sempre é o que os outros conseguem ver...

 May the force be with you.

 

Plus quê?? Plus gira!

Não é novidade mas numa altura em que o que respiramos parece engordar e o que pensamos comer se instala nas ancas antes sequer, de lhe tocarmos, convém lembrar um pormenor que é comum a cada um de nós e à indústria da moda em particular: a defesa do belo e a capacidade para gerir a mudança. Se, numa dada Segunda-feira o mundo da moda caminha na direcção certa, parece que na semana seguinte caminha na direcção contrária, quando uma marca afirma não ter roupa para um editorial protagonizado pela modelo plus size Ashley Graham.

Seriously?... Serei apenas eu a achá-la muito gira independentemente das formas e do tamanho?

Parece que não...

It seems strange to me that while the rest of the world is desperate for fashion to embrace broader definitions of physical beauty, some of our most famous fashion brands appear to be traveling in the opposite – and, in my opinion, unwise – direction.
— Alexandra Shulman

Se, por um lado abraça a diversidade e mostra diferentes tamanhos, tons de pele ou formas corporais, por outro, cansa-se rapidamente da defesa do que é justo e teima na medida única, absolutamente irreal... 

 

Contra as meias no Natal

Mesmo que sejam das giras... Das ideias que tenho procurado para presentes de Natal, há um elemento comum que é mais do que uma tendência, assumindo-se como um estilo de vida: actividade física. Porque não estamos todo o dia no ginásio e há uma vida fora dela, adorei a ideia deste tote bag que permite levar tudo. Ou quase. Acima de tudo, para quem não precisa de estar extremamente formal, é o serve-para-tudo e cabe-quase-tudo kind'a bag que nos faz usar todos os dias até alguém perguntar se não temos outro saco...

Para quem tem uma certa tendência para se esquecer de praticar exercício ou, pelo contrário, pensa todos os dias nisso e nunca encaixa o momento na agenda, esta pode ser perfeita porque inclui dicas de nutrição e inspiração para aqueles momentos... É só hoje...

Bolsa. Bolsinha. Bolsas. Bolsinhas. Quem nunca? Temos sempre uma a mais e nunca são demais. Esta é uma mini bolsa com um kit sobrevivência para quem acha que talvez vá ao ginásio. Com isto não há a desculpa do champô, elástico de cabelo ou outra igualmente determinante...

Para quem optou por I workout because I love to eat, este tapete com uma mensagem inspiradora é tudo o que precisam para despachar um treino... 

Por isto, contra presentes pouco pessoais e personalizados, treinar, treinar! 

 

Um saco de boxe pode ser uma boa opção para quem precisa recarregar energia (ou raiva contida) e detesta aquelas movimentações de grupo ao estilo body qualquer coisa que existem em muitos ginásios. Da mesma forma, com umas leggins da Oito.Um estamos imediatamente prontas para treinar, independentemente da modalidade. O boost de energia associado aos padrões e às cores motiva até os dias mais cinzentos. Adoptando as tendências platinadas ao treino, estes Reebok classic gold são assim qualquer coisa, da mesma forma que estes pesos prateados da Oysho fazem-me ter vontade de fazer uns squats ou lunges até cair para o lado. Se a vocês não, limitem-se ao essencial e comecem pela música que podem ouvir aqui.

Não sei se as ideias chegam a tempo do Natal mas nada melhor do que receber um presente quando menos se espera, não é? Afinal, Natal é todo o ano, apenas nos esquecemos disso...

Workout (in) style

Que sou assim a atirar para o Fitness Freak e que o Urbanista tem como bandeira o estar bem e o bem estar já vocês sabem. Mas se calhar nunca perderam muito tempo a pensar na importância da roupa que vestem quando praticam exercício. Não faço parte do grupo da t-shirt velha e debotada, mas também não compro as últimas colecções de roupa e acessórios de Fitness. Como em quase tudo, situo-me no meio termo que o bom senso costuma definir, investindo na medida das minhas possibilidades e necessidades. Mas duas coisas garanto: o tipo de roupa que escolhemos contribui mais do que pensamos para a nossa motivação e empenho; há peças fundamentais para garantir bem estar e evitar lesões. 

As perneiras, esse ícone proclamado pela Jane Fonda nos tempos da aeróbica dos anos de 1980 regressaram depois de anos escondidas. E se não fazem parte do vosso gim gear, deveriam fazer. Ou nunca repararam nas meias até ao joelho do pessoal do running? Estilo? Tribo? Não. Coerência. Naturalmente que a necessidade de usar - ou não - perneiras, depende do tipo de exercício que vamos praticar. No caso da dança e modalidades relacionadas são fundamentais. Quando os músculos que mais solicitamos não são devidamente protegidos, a possibilidade de lesão é maior, o rendimento menor e o desconforto aumenta. No dia seguinte as dores podem ser mais intensas, a motivação diminui e voltamos à espiral do costume: não vou porque me dói, dói porque não vou.

Quando dançamos, muitas vezes estamos de frente para o espelho, esse cruel inimigo que nos mostra o que parece ser o pior de nós e que mais ninguém vê. Contudo, quando a música começa a tocar e os movimentos se iniciam em sequência, não há nada melhor para a nossa auto-estima do que ver um corpo que mexe e balança com estilo. Se a isso juntarmos conforto e segurança, pairamos no ar, independentemente de conhecermos a coreografia. As perneiras aquecem a terrível zona do tornozelo e os gémeos (sempre disponíveis para uma lesão), o calor expande-se garantindo a protecção, pelo aumento desse calor, das coxas e virilhas. Cá em cima, no tronco, a temperatura também aumenta e quase explode quando nos focamos neste princípio da dança em que corpo e mente são apenas um.

Barbie doll

O Mundo precisa de mais mulheres assim e menos pessoas disponíveis para, simplesmente, falar mal.

Acontece mais do que pensamos e são as figuras com maior exposição pública que denunciam ou, como fez Amy Schumer, dão respostas amplificadas pela sua notoriedade.

Em bom português mandou-os a todos dar uma grande volta e assumiu o seu amor próprio perante o mundo. É mesmo assim que se faz!

Avózinha? Old is the new new!

Não me lembro muito bem dos meus avós. Não tive uma infância acarinhada por avós, com o mimo que só as avós sabem dar. Conheci uma bisavó que morreu ali pelos meus cinco ou seis anos, uma outra avó que conheci de passagem e um avô genial, divertido e engraçado mas pouco presente. 

Talvez por isso tenha sido a minha mãe a mimar-me e a tentar ensinar-me os lavores típicos que uma menina deve conhecer sem, contudo, alguma vez ter tido grande sucesso. Na verdade também não se esforçava muito por ensinar, ciente de que o mundo já tinha mudado, estava a mudar e que eu faria parte de uma geração que não renuncia ao passado amas que, simplesmente, vive de forma diferente. Estimulava-me a estudar e a ter uma profissão para nunca depender de  ninguém. À distância, antes isso que ponto cruz ou cruzes para coser botões. Se não tenho jeito para a coisa a ela o devo. Se não aprendi, dedicando-me a outras actividades igualmente manuais, igualmente criativas mas notoriamente mais modernas, também à minha mãe o devo. A escola tentou. Os teares para produzir pequenos tapetes ou os tapetes em tela de esmirna; as almofadas cosidas à mão; o barro e tantas outras peças que os meus pais guardavam carinhosamente. Carinhosamente é ironia porque provavelmente era por piedade, com receio de me provocarem algum tipo de trauma. Não era necessário porque o próprio conceito das aulas de trabalhos manuais já era suficientemente traumático. Escapou uma espécie de Moleskine que durou anos e que orgulhosamente me fazia afirmar que tinha sido feito por mim. Nasci para o papel, claramente.

A Avó Veio Trabalhar (lançamento da Colecção SIX)

A Avó Veio Trabalhar (lançamento da Colecção SIX)

Não apenas por isto mas muito por isto não resisto ao conceito do projecto A Avó Veio Trabalhar. Conheci-o algures lá atrás no tempo e chamou-me à atenção este ano quando perderam as instalações. Fiquei genuinamente feliz quando as avós se reinstalaram e continuaram o seu percurso. Gosto da ideia de que a sociedade, como a minha mãe previra, está diferente - para melhor -: menos preconceituosa, mais diversa, menos dogmática, mais tolerante.

A ideia de que as pessoas mais velhas podem manter-se activas não é nova mas ganha, com a ideia de Susana António e Ângelo Compota, uma nova versão. Há muitos anos os velhos mantinham-se activos porque era mesmo assim. Trabalhavam quase até ao fim da vida, eram cuidadores e o alicerce da família. Os tempos mudaram, todos nós mudámos e os velhos - os mais velhos - passaram a ser o excedente do qual nos queremos descartar. Por outro lado, também muitos deles se descartaram de nós por perceberem que o seu lugar já não era ali e que ainda tinham muito para dar ao mundo. Sobretudo, para viver. Era chegado o momento da sociedade começar a olhar para eles - que crescem em número e qualidade de vida - de outra forma. Assim fez esta dupla, criando o projecto A Avó Veio Trabalhar para quebrar barreias sociais e individuais. Na verdade, para além do que a sociedade nos diz que devemos fazer há também aquele motor de arranque individual que tantas vezes se recusa a trabalhar. Este projecto ajuda os mais velhos a acreditarem nas suas capacidades - supostamente - perdidas, motivando-os a aceitar que, para além de algumas limitações físicas da idade, há um mundo por descobrir - e produzir.

Na verdade, o que hoje encontrei no lançamento da colecção SIX - os amigos imaginários da avó - foi um conjunto de pessoas bem dispostas, cheias de energia, capazes de muito mais que muitos novos que se arrastam pelos cantos. São monstros e bichos feitos à mão. Explicaram-me tudo enquanto me imaginava a tentar - note-se bem, tentar - cortar os moldes, encontrar as partes de tecido adequadas, coser à máquina, encher os bonecos (com enchimento profissional, igual ao das almofadas das marcas mais conhecidas) e fazer os acabamentos à mão. Ufa!

Podem lavar-se que retomam a forma original, secam facilmente e são muito, muito originais.

Madonna

Not just the regular feminist... Rather the Woman of the Year (BillBoard Women in Music Award)

@Billboard

@Billboard

Se voltarmos aos tempos em que se achava like a virgin, que pedia papa don't preach ou pensava ser uma material girl vamos encontrar um percurso recheado de boas e más decisões, de flexões (e inflexões) que correspondem, em boa verdade, ao que a sociedade prevê para a mulher, às regras que lhe impõe e as consequências da sua transgressão. Madonna foi percursora em muitos aspectos e não apenas na música. Derrubou barreiras, foi deliberadamente agent provocateur, como quem estica a corda para ver onde parte. Depois dela, as mais jovens e aclamadas artistas femininas (e feministas) tiveram seguramente um percurso mais fácil, evitando onde falhou - ou onde lhe dissemos que falhou, sem que isso tivesse sido, verdadadeiramente, um erro de percurso - repetindo, pela reinvenção, onde foi aclamada em uníssono. Também foi mais fácil para qualquer uma de nós - artista ou não - dizer o que pensamos porque Madonna faz parte daquele raro grupo de mulheres que foi à frente, abrindo caminho.

O tempo tende a revelar o que antes não víamos - porque não queríamos ou estávamos preparados - e tanto a maturidade dela, como a minha, permitem compreender um percurso sinuoso que a indústria e o preconceito social não facilitaram, criticando-lhe o que a eles era permitido. Colocou o dedo na ferida denunciando o que todos sabemos mas preferimos ignorar: do sexismo a outro ismo que domina o nosso preconceito, Madonna é hoje capaz de falar do idadismo, essa mania que temos de afastar do plateau as mulheres mais velhas. Não velhas, porque velhos, sempre ouvi dizer, são os trapos. Madonna nunca foi a the girl next door mas foi sempre uma unapolagetic bitch com um rebel heart que finalmente reconhecemos.

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Way to go, Madonna!

Vale a pena ouvir a entrevista (Billboard) e ler o seu discurso, que encontrei em Pop Goes The Hearts.

"I stand before you as a doormat. Oh, I mean, as a female entertainer," Madonna said. "Thank you for acknowledging my ability to continue my career for 34 years in the face of blatant sexism and misogyny and constant bullying and relentless abuse."

Recalling her life as a teenager when she first moved to New York: 

"People were dying of AIDS everywhere. It wasn’t safe to be gay, it wasn’t cool to be associated with the gay community," Madonna recalled. "It was 1979 and New York was a very scary place. In the first year I was held at gunpoint, raped on a rooftop with a knife digging into my throat and I had my apartment broken into and robbed so many times I stopped locking the door. In the years that followed, I lost almost every friend I had to AIDS or drugs or gunshots."

"In life there is no real safety except for self-belief."

"I was of course inspired by Debbie Harry and Chrissie Hynde and Aretha Franklin, but my real muse was David Bowie. He embodied male and female spirit and that suited me just fine. He made me think there were no rules. But I was wrong. There are no rules -- if you're a boy. There are rules if you're a girl,"  

"If you're a girl, you have to play the game. You're allowed to be pretty and cute and sexy. But don’t act too smart. Don’t have an opinion that's out of line with the status quo. You are allowed to be objectified by men and dress like a slut, but don’t own your sluttiness. And do not, I repeat do not, share your own sexual fantasies with the world. Be what men want you to be, but more importantly, be what women feel comfortable with you being around other men. And finally, do not age. Because to age is a sin. You will be criticized and vilified and definitely not played on the radio."

Madonna also opened up about the time in her life when she felt "like the most hated person on the planet," she said, as she became emotional.. 

"Eventually I was left alone because I married Sean Penn, and not only would he would bust a cap in your ass, but I was off the market. For a while I was not considered a threat. Years later, divorced and single -- sorry Sean -- I made my Erotica album and my Sex book was released. I remember being the headline of every newspaper and magazine. Everything I read about myself was damning. I was called a whore and a witch. One headline compared me to Satan. I said, 'Wait a minute, isn't Prince running around with fishnets and high heels and lipstick with his butt hanging out?' Yes, he was. But he was a man.

"This was the first time I truly understood women do not have the same freedom as men," 

"I remember wishing I had a female peer I could look to for support. Camille Paglia, the famous feminist writer, said I set women back by objectifying myself sexually. So I thought, 'oh, if you're a feminist, you don't have sexuality, you deny it.' So I said 'fuck it. I'm a different kind of feminist. I'm a bad feminist.'"

"I think the most controversial thing I have ever done is to stick around. Michael is gone. Tupac is gone. Prince is gone. Whitney is gone. Amy Winehouse is gone. David Bowie is gone. But I'm still standing. I'm one of the lucky ones and every day I count my blessings."

"What I would like to say to all women here today is this: Women have been so oppressed for so long they believe what men have to say about them. They believe they have to back a man to get the job done. And there are some very good men worth backing, but not because they're men -- because they're worthy. As women, we have to start appreciating our own worth and each other's worth. Seek out strong women to befriend, to align yourself with, to learn from, to collaborate with, to be inspired by, to support, and enlightened by," she urged. 

"It's not so much about receiving this award as it is having this opportunity to stand before you and say thank you,"

"Not only to the people who have loved and supported me along the way, you have no idea...you have no idea how much your support means," she said, tearing up for the second time. "But to the doubters and naysayers and everyone who gave me hell and said I could not, that I would not or I must not -- your resistance made me stronger, made me push harder, made me the fighter that I am today. It made me the woman that I am today. So thank you."  

(via Pop Goes The Hearts)

Repeat after me: SA RAN DON

Quando vi o filme Thelma & Louise quis muito um dia entrar num descapotável com a minha melhor amiga e partir. Fazermos muitos disparates, daqueles perfeitamente inofensivos e reproduzirmos a imagem das duas mulheres de cabelos ao vento até à exaustão.

É óbvio que, na altura, apanhei um terço da mensagem, embora nunca me tenha esquecido da frase... "I left him a note..."

Não queria ser nenhuma delas. Nem a empregada de mesa com um namorado ausente e ainda menos a dona de casa. Queria apenas a liberdade que a idade adulta pode dar e a possibilidade de conduzir o destino. Who cares se andavam a fugir à polícia? O outro não a tentou violar?...

A amizade entre as duas era única e isso fez-me vibrar. Mais os jeans de cintura (muito) subida que hoje regressaram sob a forma de mom jeans. Eu gostava da Thelma por causa dos óculos mas Louise dava-lhe nas horas, como apenas Susan Sarandon é capaz de fazer, ao recriar, 25 anos depois, ainda que por breves instantes, uma das cenas de Thelma and Louise no vídeo Fire dos Justice. Conseguem descobrir a que me refiro?

Consta que Sarandon já está nos 70... A mim parece-me cheia de estilo e energia, como uma miúda que salta para um descapotável e deixa a estrada on fire....

É carregar em play, aumentar o volume, ligar o motor e arrancar!

Ziggy with it?

© Movement Foundation

© Movement Foundation

Quando li título to a primeira coisa que me ocorreu foi o nananananana do Gettin' Jiggy with it (Will Smith, 1997) cujo refrão ficou até agora. Este vídeo restaura a confiança perdida de muitas mulheres que se escondem com tops e camisolas nas aulas de ginástica, na dança ou quando correm. Na praia, que se encolhem até tornar as costelas salientes - e portanto, percebermos que têm a barriga encolhida, ou que escolhem sempre peças de cintura subida para conter aquela jelly belly que detestam. 

Nota: mesmo quem tem uma flat tummy - aquela barriga que muitas invejam - tem a sensação de jelly em determinados movimentos. Porque pode não haver "jelly" mas existem órgãos internos que se mexem. Mais do que pensamos... Quem tem uma flat tummy normal - aquela barriga que achamos ser barriga e que os outros (todos) apontam em tom de gozo afirmando que isso - aquilo - não é barriga. Essas pseudo barrigas ou pseudo flat tummy também fazem o jiggy with it do Will Smith.

O video é do Movement Foundation, um movimento que procura restabelecer a auto-confiança, auto-estima e uma imagem corporal positiva em todas as mulheres, especialmente nas mais jovens, constantemente bombardeadas por imagens contraditórias em relação ao corpo e ao que é natural. 

Embracing our ‘belly jelly’ and celebrating that women are physically strong despite a little jiggle, is a powerful statement and, one we hope will inspire women and girls across the country.
— Jenny Gaither, Founder of Movement Foundation

O vídeo recorda-nos como somos bonitas quando nos despimos de preconceitos, quando assumimos o que somos e quem somos, mostrando-nos tal e qual estamos. Com jelly ou sem jelly, com mais ou menos jelly, estas mulheres DGAF e nós também não deveríamos dar.

Amanhã, #BellyJelly e top curto durante o exercício, combinado?

Curves ahead

Vamos lá a ver se nos entendemos: somos tão pequenos e inseguros que criamos uma a sociedade tão preconceituosa que precisa de medidas e padrões para se definir e organizar. 

Gorda. Grande, rechonchuda, magra, esquelética. Baixa. Alta. Loura. Falsa loura. Morena. Com caracóis. Sem caracóis. Eles carecas. Com barriga. Altos ou baixos. Não interessa mais ser saudável e feliz do que corresponder a um qualquer padrão que, em boa verdade, está em constante mutação? 

Preocupam-me mais os falsos magros cheios de problemas de saúde do que as volumosas ou rechonchudas, ou gordinhas que são saudáveis. Essa é a verdadeira questão.

Não o tamanho ou formato... 

@denisemmercedes

@denisemmercedes

 

 

Make up? Free

O movimento é aparentemente silencioso, mas concertado e cada vez mais consolidado. Segue no sentido da autonomia de decisão, da capacidade de auto-gestão, da consciência pessoal e da libertação em relação a padrões típicos do século XIX, que não têm lugar no século XXI.

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Drew Barrymore, Gwyneth Paltrow, Cameron Diaz, Nicole Richie. Alicia Keys. Mila Kunis. Adele. Hillary Clinton e tantas como nós, fora dos holofotes, que decidiram avançar sem medo de olhar para trás, usando mais vezes sapatos verdadeiramente confortáveis, roupas que nos fazem felizes e um rosto sem maquilhagem.

Make up free.

O que não quer dizer que vamos sair à rua acabadas de acordar (embora o possamos fazer e ninguém tem nada a ver com isso) mas, simplesmente, que nos libertamos da pressão social em torno do aspecto feminino. É um processo nosso, muito íntimo, da forma como nos relacionamos com o que estamos a ver ao espelho e como desenvolvemos uma maior auto-confiança para enfrentar o mundo. O padrão é o nosso e nenhum outro nos deverá ser imposto. Com ou sem make up, temos de nos sentir bem para estarmos bem. Quanto mais clean and simple, melhor. 

 

 

#rauuuuuu

A pergunta certa não é quanto, mas onde se compram?

Nada se inventa, tudo se transforma. Isso já sabemos. Como também já sabíamos que as marcas - muitas marcas - recuperam velhos ícones para os adaptar ou, simplesmente, reposicionar no século XXI. Também já conhecemos recuperações milagrosas de outros exemplos que passaram de bestiais a bestas e que recentemente voltaram à ribalta. É a sim a moda. O hip hop também é cool - e não o era assim tanto nos idos anos de 1970, altura em que a Puma - que na altura era cool, depois perdeu a coolness para recentemente a recuperar - criou os Basket Heart.

Estão de volta, aproveitando a tendência que transforma os sneakers num sapato trendy para mulheres com um estilo e vida cool (onde já usei esta palavra antes?...) que podem, assim, usar ténis - ou sapatilhas - no escritório. Tornou-os mais femininos juntando uns atacadores que farão derreter muitos corações, em cetim, camurça e ganga.

Como afirma a Cara*, "stand in your shoes and just be you". I am. No matter what. Do You?

Chegam às lojas no dia 1 de Dezembro (esta Quinta-feira, para quem ainda não percebeu que o Natal é amanhã) bem a tempo de fazerem parte de uma lista de compras. Just saying...

#DoYou

 

*Cara Delevigne, o rosto da campanha #DoYou da Puma

Black weekend

A loucura, dizem, é contagiosa. De tal forma que atravessou o oceano para se instalar após a comemoração de um feriado que não temos e de uma data festiva que desconhecemos. Ou que conhecemos dos filmes com final feliz made in Hollywood. O que não é exactamente o mesmo do que dizer que sabemos que nuestros hermanos abrem os presentes no dia de Reis...

E porque é contagiosa, mas marcas arrastam a loucura da Black Friday durante o fim de semana. Para os que preferem o conforto do sofá, com uma manta nos pés, música boa (ouvir) e comprar com os dedos, eis uma selecção de marcas cujos descontos se expandem online: das botas aos chinelos, make up e roupa. Muita roupa... Vão e divirtam-se!

PS: o online não tem fronteiras mas atenção aos portes para artigos "estrangeiros"...

(You've got the) Model look

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Muitas pessoas acreditam verdadeiramente numa enorme mentira. A mentira do glamour de algumas profissões, das imagens perfeitas nos media sociais e as palavras que ecoam na comunicação social resultante de uma qualquer entrevista.

No topo estão os modelos, esse grupo que nada faz para além de depender de uma cara bonita e um corpo aparentemente perfeito. Na verdade, there's much more to it como explicou Andres Velencoso, modelo e actor, na apresentação da final do 33º Elite Model Look que decorre hoje à noite em Lisboa.

@andresvelencoso at #elitemodellook press conference in #Lisbon

Artistas, jornalistas, conferencistas, investigadores, modelos... Muitas pessoas consideram-nos um grupo à parte, privilegiados com viagens pagas que frequentam os locais da moda e tiram selfies emcidades cosmopolitas. Isso é a parte visível de profissões com exposição social e mediática à qual os media sociais dão um boost em termos de notoriedade e visibilidade. Mas não é assim. Para lá chegar há todo um percurso tortuoso, desgastante, com um enorme investimento pessoal que só os mais resilientes aguentam. Depois, mesmo depois de lá chegar - às viagens, ao suposto glamour e outros desideratos - o trabalho, esforço e investimento não acaba porque, num mundo tão competitivo como o nosso, não há como dormir à sombra da bananeira. Há que ser profissional, superar expectativas e surpreender. Sempre. E pela positiva. Depois... São muitas - muitas - horas em aeroportos impessoais, muitas conversas de circunstância com pessoas que jamais voltaremos a encontrar e uns sorrisos a quem já reconhecemos de outras viagens. Sabes que algo está muito bem - ou muito mal - na tua vida quando reconheces e és reconhecido pela equipa de bordo numa qualquer companhia de aviação. Especialmente se não tens cartão para acumular as milhas dessa empresa. São também horas infindáveis para aprenderes a viver contigo e a contar com mais ninguém. Ser solitário não é o mesmo que estar sozinho e só quem vive de mala aviada entende o que a expressão pode querer dizer. Naturalmente que há um lado muito interessante - conhecer o mundo - e desafiante - ser capaz de o fazer sem perder o sentido do real,  continuando a reconhecer o conceito de casa quando regressamos.

Já dormi em hotéis maravilhosos, com todas as comodidades que possamos imaginar - e estou muito grata por isso - mas acreditem... Glamour à parte, não há como a nossa casa...

Cappuccino affair

Este artigo não é aconselhado a caffeine addicts... 

Este artigo não é aconselhado a caffeine addicts... 

O que há para escrever sobre um cappuccino? 

Aparentenente nada. Contudo, o verdadeiro apreciador de um bom cappuccino sabe que é, por vezes, uma ingrata tarefa: encontrar the best cappuccino in town não é fácil. Lisboa tem, na minha opinião, dois excelentes cappuccinos e outros dois abaixo dessa escala. São apenas bons. O que significa que há quatro locais nos quais garantidamente pedir um cappuccino não equivale a receber uma bica numa chávena maior, com espuma meio de leite meio deslavada e sem consistência em cima do café e um pouco de chocolate em pó no topo.  

Fazer um bom cappuccino é quase um acto de amor, porque exige cuidado e precisão. Depende grandemente da qualidade, torrefacção e sabor do café, mas também está nas mãos de quem assume a sua produção. Em Londres há baristas maravilhosos em muitos coffee shops espalhados no centro da cidade mas Lisboa e Porto, cada vez mais cosmopolitas e modernas, ainda não têm a dimensão da capital britânica. Parece-me bem haver um certo preconceito que menospreza a arte do café... Como se barista não fosse profissão e tirar cafés uma ocupação menor...

O dia estava cinzento, a manhã chuvosa fazia imaginar uma tarde igual, que se aguentou apenas fria e muito escura, gritando teimosamente a palavra cappuccino ao meu ouvido. Encontrei o Café Moustache na Praça de Carlos Alberto e pensei que poderia transformar o urbanista num espaço onde se escreve sobre cappuccino, provando cappuccinos around the world. Talvez seja um bocadinho demais, mas não deixa de ser uma boa ideia. Porque se tivesse viajado até ao Porto apenas para provar este cappuccino, teria valido a pena. O espaço, que convida a ficar, os sofás que nos aconchegam, as mesas para trabalhar ou os lugares junto à janela para estar e espreitar a praça; o sabor do café, intenso, com a robustez perfeita, um grau de acidez mínimo de uma arábica com um leve toque adocicado; e a dedicação do barista, elevam o cappuccino do Moustache à nota 10! 

Café Moustache, Porto

Café Moustache, Porto

Adele: tudo no lugar

Adele no seu melhor, enquanto destrói uma certa cultura das maminhas ao léu para atingir o sucesso. Não confundam inteligência com beleza, nem talento com um corpo bonito. Podem andar juntas mas, acima de tudo, não têm de andar juntas. E não é por isso que a inteligência ou o talento desaparecem. Menos ainda, não é por isso que uma mulher é menos bonita. Que padrões são estes e quem os definiu?