Life&Style

A balança é o nosso pior inimigo: 3 truques e 5 ideias para vencer a balança

Viver a vida dependente da balança é cansativo e inútil. Viver, passando fome ou com uma dieta restritiva só nos deixa infelizes. Este é um tema que nos afecta a todos  porque, como tantas outras pessoas, também passei parte da vida dependente da balança até perceber que o melhor que temos a fazer é ignorar a balança.

Porque não temos, todos os dias, o mesmo peso?

O nosso peso real varia ao longo do mês em função do ciclo menstrual que implica, também, maior ou menor retenção de líquidos. Na maior parte das vezes em que nos sentimos gordas estamos apenas inchadas ou com uma valente retenção de líquidos. Sal ou açúcar a mais, ovulação e menstruação são as principais razões para essas oscilações que, raramente, representam um efectivo aumento de peso.

É quase impossível sentirmo-nos bem quando ultrapassamos os dígitos que definimos para nós. Contudo, bem-estar é equivalente a uma vida feliz e saudável. E ninguém pode ser verdadeiramente feliz dependente da balança ou da percepção que tem do seu corpo, como se essa imagem definisse quem somos. Para estarmos bem, precisamos comer bem, tratar do corpo e da mente, independentemente da balança.

- a ideia de que as dietas funcionam de forma igual para todos é absurda e está errada -

Não há soluções únicas e temos de chegar ao que melhor se adapta a nós por tentativa e erro. No que respeita à nossa saúde e bem estar, consequentemente, o peso ideal, é melhor ignorar a corrida para o corpinho de Verão, cometendo os maiores disparates alimentares com dietas que servem apenas para remediar e nos deixar ainda mais infelizes. Porque são restritivas e restrições alimentares deste tipo... Não resultam a longo prazo.

O segredo para fugirmos da balança não é encontrar a melhor forma de perder peso mas, antes, encontrar uma forma de não aumentar o nosso peso. Como? Através de uma alimentação natural, saudável e equilibrada como esta que explico na última edição da Women's Health, quando me pediram para descrever uma semana da minha alimentação...

Ao longo da minha vida cometi os maiores disparates para perder ou não ganhar peso. Passei fome porque, supostamente, depois das seis da tarde o metabolismo desacelera e os hidratos são um pecado. Ignorem estas e outras verdades que são tudo menos... verdades inquestionáveis. Nisto da alimentação e da saúde há guias e orientações mas qualquer decisão tem de ser adaptada às necessidades do nosso corpo. Se não sabem quais são - e eu também não as consegui identificar durante muito tempo - terão de aprender a ouvir o vosso corpo porque, em boa verdade, envia-nos todas as mensagens de que necessitamos. Nós só não estamos preparados para as decifrar.

- ouvir o nosso corpo, reconhecer as nossas necessidades é o segredo do peso ideal -

Entre aquilo que nos faz bem, e o que nos sabe ainda melhor, há margem para pequenos pecados alimentares. Adoro queijo e faço dele um grande aliado, apesar de ter eliminado qualquer outro tipo de alimento com lactose da minha alimentação. Contudo, o queijo também é uma fonte de proteína e eu não tenho nenhuma intolerância real à lactose. Simplesmente, como a maior parte dos mamíferos adultos, não sinto necessidade de beber leite. O meu principal critério é preparar refeições que sejam simples, práticas, rápidas e saudáveis. Yeah, right... fácil dizer, difícil concretizar porque entre o que planeamos, e o que temos no frigorífico, vai uma diferença muito grande.

Truques para nunca ter a despensa ou o frigorífico vazio:

1. Congelados

2. Pré-lavados

3. produtos biológicos

 

CONGELADOS

Photo by  Sven  on  Unsplash

Photo by Sven on Unsplash

Vamos por partes porque os congelados não são refeições pré-preparadas mas, antes, embalagens de legumes congelados que podemos usar na ausência de ingredientes frescos. Há misturas interessantes nos supermercados que nos garantem uma refeição equilibrada, à qual só teremos de juntar uma massa integral para fazer qualquer coisa al dente, depois de saltearmos esses legumes numa wok com óleo de côco, por exemplo, juntando ervas aromáticas. Não têm? Podem usar das secas, ainda que o sabor não seja tão intenso e fresco. Da mesma forma, podemos ter frutos congelados que nos garantem um sumo revigorante ou uma tigela com papas de aveia rica em nutrientes e vitaminas. Gosto particularmente das framboesas congeladas para juntar à aveia e das misturas de legumes, às quais junto cogumelos, com quinoa e açafrão...

 

PRÉ-LAVADOS

Os legumes pré-lavados são a melhor das invenções dos últimos tempos. O seu método de produção, através de um sistema de arrefecimento, consegue prolongar o tempo útil de vida das folhas e, como já estão lavados, só temos de os incluir no prato, em saladas, tostas ou qualquer outra opção sem aquela parte desagradável das folhas molhadas... Além disso, se mantivermos a embalagem bem fechada conseguem aguentar vários dias no frigorífico, o que é uma grande ajuda para quando chegamos a casa sem tempo ou vontade de passar pelo supermercado.

 

 

PRODUTOS BIOLÓGICOS

Photo by  Kelly Sikkema  on  Unsplash

Photo by Kelly Sikkema on Unsplash

Para além e todas as vantagens - óbvias - e conhecidas dos produtos de agricultura biológica, como terem menor impacto ambiental, estimularem a economia local, terem maior sabor (porque têm menor teor de água e são produzidos na "sua" época), não usarem pesticidas, há um outro aspecto que, contrariamente ao que seria de esperar, vos poderá surpreender: têm uma duração maior e apodrecem à moda antiga, ou seja, de fora para dentro. Enrugam, murcham e degeneram com o tempo, envelhecendo gradualmente, não como acontece com outros produtos que, de um dia para o outro, estão impróprios para consumo.

 

Photo by  Ben Hershey  on  Unsplash

Photo by Ben Hershey on Unsplash

- contar calorias cansa e por vezes é pouco útil, se pensarmos na quantidade do que comemos -

Para além da qualidade dos produtos que usamos para preparar as refeições, há outra regra que deverá ser adoptada a favor de um peso estável, consequentemente, maior bem estar: a quantidade em detrimento das calorias.

A ideia de restringir calorias é tão antiga quanto a luta contra o excesso de peso mas entre um prato cheio e pobre em calorias ou uma amostra rica em calorias, qual escolheriam? Por vezes poupamos nas calorias mas não na quantidade que ingerimos o que, por consequência, contraria o objectivo de perder ou manter o peso. Em relação aos alimentos, não é o peso que conta mas sim o volume daquilo que se ingere, razão pela qual, muitas vezes comemos os alimentos certos mas, como os ingerimos em quantidades exageradas, não emagrecemos, ou seja, exageramos nas poções de comida. E então?

O segredo das quantidades por ordem de volume no prato:

1. legumes e vegetais (crús)

2. Hidratos de carbono compostos (integrais)

3. Fruta (apesar do açúcar, pois este é natural)

4. Proteína animal 

5. Frutos secos

Maior volume para os legumes e vegetais, de preferência crús. Depois, os hidratos de carbono compostos, ou seja, integrais e não refinados, seguidos da fruta que, apesar de conter açúcar, é natural e não adicionado. Finalmente, a proteína animal e os frutos secos. Esta é a ordem, por quantidades, do que devemos comer: os principais vão saciar-nos porque têm fibras, vitaminas e minerais. Na maior parte das vezes, comemos sem parar porque escolhemos alimentos vazios, ou seja, sem riqueza nutricional e, portanto, vamos comendo até à sensação de saciedade, que ocorre mais tarde do que quando escolhemos alimentos nutricionalmente ricos e de baixa densidade calórica como os espinafres, courgetes, bróculos, cogumelos, tomate mas, também, frutos vermelhos, morangos, laranja, maçã; seguindo-se a batada-doce, feijão frade, milho, banana, arroz e massas integrais e, depois, ainda com grande riqueza nutricional mas com mais calorias, temos o abacate e os ovos, por exemplo, para atingirmos o topo - e portanto - ingerir em menos quantidade, o chocolate negro, as amêndoas ou amendoins e vários tipos de queijo, como o parmesão.

A equação é simples: menos densidade calórica, maior porção; mais calorias, porções menores, mesmo que sejam, inevitavelmente, estes os alimentos que nos apetece, mais vezes, comer!

Amar é normal. Anormal é não amar

Usei, propositadamente, as palavras normal e anormal no título. Porque sempre achámos normal chamar anormal a alguém que é, apenas, diferente. Durante muito tempo o outro seria atrasado. Um anormal, deficiente, um mongo. Ou monga. Porque eram, dizia-se, mongolóides. Até me dói escrever isto mas era a verdade...

As pessoas com deficiência mental, especialmente Trissomia 21, foram, durante muito tempo, socialmente ostracizadas, maltratadas e, mesmo, desprezadas. Creio que estamos, hoje, mais informados, despertos para a importância de aceitar a diferença, capazes de compreender que isso de ser um mongo tem muito pouco a ver com a anomalia que provoca a deficiência mental e muito mais com a incapacidade que algumas pessoas (ainda) têm de ver para além do seu pequeno umbigo.

A APPACDM teve uma iniciativa maravilhosa: juntou vários jovens com algum tipo de deficiência mental e mostrou-lhes que são tão ou mais bonitos do que as outras pessoas. Essas outras para as quais também estes jovens olham de forma diferente porque se sentirem, eles, diferentes. 

Não somos todos diferentes uns dos outros?

Somos.

Eu sei. As características físicas e, por regra, o desenvolvimento mental e intelectual das pessoas portadoras desta anomalia torna-as diferentes do que se definiu como socialmente normal mas, sinceramente, acho-as muito especiais e muito pouco anormais. Foi o que o projecto do livro Um dia igual aos outros provou a cada um deles porque, em boa verdade, com maquilhagem e roupas bem escolhidas, ficamos TODOS sempre muito diferentes daquilo que o espelho mostra no dia-a-dia.

São muitas as pessoas que não se amam. Odeiam-se, e a cada milímetro do seu corpo, numa atitude que corrói a alma e destrói a sua relação com os outros. Não é fácil ser diferente num mundo que apela à uniformidade e que estabeleceu padrões de beleza quase inalcançáveis para o comum dos mortais: aqueles que acordam cedo todos os dias bem cedo, enfrentam o trânsito e os transportes públicos, querem alimentar-se bem sem saberem como, cedem à tentação ou se deixam enganar por rótulos carregados de ilusões, chegando ao final do dia sem tempo, paciência, capacidade física e mental ou, simplesmente, dinheiro no bolso para cuidarem de si. A vida - a vida normal - é assim e só nós podemos mudar isso. Mas (ainda) não podemos, sozinhos, mudar a forma como o outro olha para nós e nos avalia, com impacto na ideia que fazemos de nós próprios. Estes jovens sentem, amam, aprendem como qualquer um de nós. Podem divertir-se, trabalhar e viver de forma autónoma se os incentivarmos. Porque amor é amar e também as pessoas com algum traço físico (ou mental) que as diferencie dos outros merecem sentir-se bem na sua pele não apenas por um dia, para um sessão de fotografias...

Afinal sou bonita, expressão de uma das modelos, foi a que mais me cativou porque as noções de feio e bonito estão de tal forma sugestionadas que perdemos a ideia de respeito e aceitação pelas diferenças que nos unem. Também eu olho ao espelho e, por vezes, me julgo, critico e trato mal. Quem nunca?... O segredo para nos sentirmos bem (ou, pelo menos, melhor) é aprendermos a aceitar que todos temos um #BadHairDay e olhar sempre para os nossos aspectos positivos. Porque todos, à nossa maneira, somos bonitos. Este projeto fotográfico deu a oportunidade de fazer estas pessoas sentirem-se bonitas. Muitas muitas afirmaram que antes deste livro se sentiam feias. A maquilhagem, o cabelo e o trabalho final da fotografia fez com que muitos chorassem perante o resultado final e fê-los perceber que, afinal, são bonitos.

Além da imagem que mudaram de si próprios, fizeram amigos e provaram, a cada um de nós, que a beleza vem sempre de dentro e que somos nós que a moldamos do lado de fora. Com ou sem #makeup...

 

IMAGEM DE CAPA:

a inspiradora Madeline Stuart, a primeira modelo com Síndroma de Down

Moda Lisboa: fast trends are so out

Para a maior parte das pessoas a moda é algo muito fútil e superficial. Também pode ser, mas não só. Independentemente da forma como interpretamos o significado da palavra moda,  todos nós sabemos que as peças que escolhemos e as conjugações que fazemos têm, em si, algum tipo de significado. Mesmo quando queremos anular aquilo que significa. Estranho, não é?

A moda não é apenas uma indústria. É também uma forma de comunicação que tem tanto de sublime como de subliminar, actuando de forma inconsciente nos limites da nossa capacidade de interpretação. Sempre gostei muito de observar o modo como os vestimos, sem pensar muito naquilo que regula o gosto do momento, ou seja, a moda. E também sempre senti que esta poderia ser uma ameaça à nossa intelectualidade por estar, tantas vezes, associada a essa ideia de consumismo exacerbado. Especialmente nos últimos anos em que compramos sem pensar na razão de tanta variedade a um preço escandalosamente tão baixo.

Quem produz? Em que condições?

É notória a preocupação das marcas e dos criadores para desassociar a moda daquele estereótipo da fashionista obcecada por tendências, incapaz de as interpretar, para as reproduzir independentemente de uma noção de estilo. A moda tem evoluído num sentido de maior relação com o mundo real, representando, também, os seus valores e as preocupações sociais. Se é certo que à moda são inerentes as tendências e que a sua definição (ainda) está nas mãos de poucas pessoas, também é verdade que há cada vez mais interlocutores no processo, permitindo uma adopção pessoal de cada uma delas. 

A Moda Lisboa começa esta semana e isso só interessa verdadeiramente à imprensa especializada. É um evento que marca a agenda mediática que, por sua vez, trata o tema com a suposta superficialidade que merece, mostrando apenas o que está à vista de todos. Na realidade, quer a moda em si, quer a Moda Lisboa, são fenómenos em camadas que devem ser interpretados para além do que acontece nos desfiles, porque as criações dos estilistas são representações da própria sociedade e das suas relações de poder. Da mesma forma que a tendência é a de criarmos uma sociedade diversa que integra e acolhe a diferença, também a moda segue a tendência, quer ao nível da escolha dos modelos, quer da estrutura dos seus eventos. 

E é, finalmente, a própria indústria que se auto-questiona, contrariando a ideia do universo de glamour que sempre lhe esteve associado porque, no final do dia, acabamos (quase) todos por entrar numa loja inditex para comprar a latest fashion trend. Até conseguirem dominar o mercado do fast fashion, que é como quem diz, o pronto-a-vestir, estas cadeias de lojas imitavam as passarelas e davam ao comum dos mortais a ideia de que podería ser como as estrelas, vestindo roupas parecidas. Hoje já não conseguimos decifrar a teia de relações e de influências. O street style invadiu os sites de redes sociais e, inevitavelmente, influencia quem pega num lápis para desenhar a next big thing. Seja uma saia ou uma tshirt. Da mesma forma, ainda que esta fast fashion tenha uniformizado bastante a forma como nos vestimos, é das combinações que fazemos que surge a diferença e o estilo.

Para esta estação as tendências estão já amplamente documentadas e parecem-me todas (ou quase) um bocadinho requentadas. Sinto que estou velha quando vejo o regresso do que usei aos vinte anos e muito jovem por perceber que a maior parte dessas coisas continua a fazer sentido. A moda é cíclica, reinventando-se continuamente, dizia-me a minha mãe e eu achava que só acontecia daquela vez. Na verdade, o vermelho total não é novo. Lembro-me de capas de revistas que o anunciaram há um bom par de anos, da mesma forma que não havia nenhum cool guy que não tivesse uns Vans. Os Cortez não são do meu tempo mas ganhei umas bolhas com os chucks que, em boa verdade, nunca chegaram a estar verdadeiramente fora de moda. Se o double denim era estranho, agora achamos que fica muito bem, da mesma forma que sinto uma certa nostalgia pelo xadrez que me leva de regresso aos tempos de escola. Primária... Não sei se adoptarei o príncipe de Gales porque me lembra os tempos em que, por engano, achava que tinha que me vestir como uma senhora. Não tinha. Não tenho e não temos, porque o conceito é completamente disparatado. E, depois do padrão escocês, do príncipe de Gales, falta apenas o regresso do bom velho tweed... No entretanto, aproveitem o roupeiro masculino porque o estilo oversized continua em alta, especialmente nos camisolões. O problema destes retornos das tendências é só um... nunca voltam exactamente da mesma forma, corte, cor ou padrão. Talvez por isso a moda seja um negócio e não apenas uma forma de representação social.

Esperamos pelos saldos para comprar o que já temos, reutilizamos o que aparentemente já não interessa ou interpretamos o que estas tendências querem dizer e criamos o nosso próprio estilo?

Qual vai ser a vossa opção? 

 

 

 

 

Moda Lisboa: fast trends are so out

Para a maior parte das pessoas a moda é algo muito fútil e superficial. Também pode ser, mas não só. Independentemente da forma como interpretamos o significado da palavra moda,  todos nós sabemos que as peças que escolhemos e as conjugações que fazemos têm, em si, algum tipo de significado. Mesmo quando queremos anular aquilo que significa. Estranho, não é?

A moda não é apenas uma indústria. É também uma forma de comunicação que tem tanto de sublime como de subliminar, actuando de forma inconsciente nos limites da nossa capacidade de interpretação. Sempre gostei muito de observar o modo como os vestimos, sem pensar muito naquilo que regula o gosto do momento, ou seja, a moda. E também sempre senti que esta poderia ser uma ameaça à nossa intelectualidade por estar, tantas vezes, associada a essa ideia de consumismo exacerbado. Especialmente nos últimos anos em que compramos sem pensar na razão de tanta variedade a um preço escandalosamente tão baixo.

Quem produz? Em que condições?

É notória a preocupação das marcas e dos criadores para desassociar a moda daquele estereótipo da fashionista obcecada por tendências, incapaz de as interpretar, para as reproduzir independentemente de uma noção de estilo. A moda tem evoluído num sentido de maior relação com o mundo real, representando, também, os seus valores e as preocupações sociais. Se é certo que à moda são inerentes as tendências e que a sua definição (ainda) está nas mãos de poucas pessoas, também é verdade que há cada vez mais interlocutores no processo, permitindo uma adopção pessoal de cada uma delas. 

A Moda Lisboa começa esta semana e isso só interessa verdadeiramente à imprensa especializada. É um evento que marca a agenda mediática que, por sua vez, trata o tema com a suposta superficialidade que merece, mostrando apenas o que está à vista de todos. Na realidade, quer a moda em si, quer a Moda Lisboa, são fenómenos em camadas que devem ser interpretados para além do que acontece nos desfiles, porque as criações dos estilistas são representações da própria sociedade e das suas relações de poder. Da mesma forma que a tendência é a de criarmos uma sociedade diversa que integra e acolhe a diferença, também a moda segue a tendência, quer ao nível da escolha dos modelos, quer da estrutura dos seus eventos. 

E é, finalmente, a própria indústria que se auto-questiona, contrariando a ideia do universo de glamour que sempre lhe esteve associado porque, no final do dia, acabamos (quase) todos por entrar numa loja inditex para comprar a latest fashion trend. Até conseguirem dominar o mercado do fast fashion, que é como quem diz, o pronto-a-vestir, estas cadeias de lojas imitavam as passarelas e davam ao comum dos mortais a ideia de que podería ser como as estrelas, vestindo roupas parecidas. Hoje já não conseguimos decifrar a teia de relações e de influências. O street style invadiu os sites de redes sociais e, inevitavelmente, influencia quem pega num lápis para desenhar a next big thing. Seja uma saia ou uma tshirt. Da mesma forma, ainda que esta fast fashion tenha uniformizado bastante a forma como nos vestimos, é das combinações que fazemos que surge a diferença e o estilo.

Para esta estação as tendências estão já amplamente documentadas e parecem-me todas (ou quase) um bocadinho requentadas. Sinto que estou velha quando vejo o regresso do que usei aos vinte anos e muito jovem por perceber que a maior parte dessas coisas continua a fazer sentido. A moda é cíclica, reinventando-se continuamente, dizia-me a minha mãe e eu achava que só acontecia daquela vez. Na verdade, o vermelho total não é novo. Lembro-me de capas de revistas que o anunciaram há um bom par de anos, da mesma forma que não havia nenhum cool guy que não tivesse uns Vans. Os Cortez não são do meu tempo mas ganhei umas bolhas com os chucks que, em boa verdade, nunca chegaram a estar verdadeiramente fora de moda. Se o double denim era estranho, agora achamos que fica muito bem, da mesma forma que sinto uma certa nostalgia pelo xadrez que me leva de regresso aos tempos de escola. Primária... Não sei se adoptarei o príncipe de Gales porque me lembra os tempos em que, por engano, achava que tinha que me vestir como uma senhora. Não tinha. Não tenho e não temos, porque o conceito é completamente disparatado. E, depois do padrão escocês, do príncipe de Gales, falta apenas o regresso do bom velho tweed... No entretanto, aproveitem o roupeiro masculino porque o estilo oversized continua em alta, especialmente nos camisolões. O problema destes retornos das tendências é só um... nunca voltam exactamente da mesma forma, corte, cor ou padrão. Talvez por isso a moda seja um negócio e não apenas uma forma de representação social.

Esperamos pelos saldos para comprar o que já temos, reutilizamos o que aparentemente já não interessa ou interpretamos o que estas tendências querem dizer e criamos o nosso próprio estilo?

Qual vai ser a vossa opção? 

 

 

 

 

Eu posso ser (mais) bonita

Todas as mulheres são bonitas quando sorriem e se sentem felizes. Nem sempre é possível. Nem sempre estamos bem por dentro, com reflexo no nosso exterior. As linhas de expressão que, com o tempo se tornam rugas profundas e que revelam, muitas vezes, parte da nossa história, que a sociedade e as revistas insistem em dizer-nos para esconder.  Sejamos, então, mais bonitas. A sorrir.

Esta semana recebi um convite que mistura o lado profissional da mulher com a sua história, beleza e bem-estar. E, hoje, convido todas as mulheres que estão a ler-me a fazerem mais por si... A história conta-se em poucos parágrafos e inclui uma nova amiga.

Nunca tive muito interesse formas alternativas de distribuição e venda, como as marcas que vendem por catálogo ou através de representantes da marca. Já o online é... online. Não se trata de uma questão de confiança, mas de gostar de comprar à moda antiga, produto na mão e sem grande interferência... Por isso, quando oiço nomes como Mary Kay fico com aquela sensação estranha, contraditória, entre a curiosidade e o não querer saber....

Supostamente, conheço a Virgínia há quatro anos. Na realidade, conhecemo-nos há poucas semanas a propósito do Women's Club (real networking 1 - mania de que estas coisas não servem para nada - 0) e fiquei, desde o primeiro momento, deliciada ao ouvi-la. Ajuda o facto de ser espontaneamente espanhola, sem a exuberância que também os caracteriza. E foi quando contou parte da sua história de vida, revelando uma decisão que a tornou muito mais feliz que verdadeiramente me identifiquei muito com ela. E percebi que, tecnicamente, já nos conhecíamos. Mas essa, é toda uma outra história... 

A Virgínia a fala com paixão do seu trabalho, tem uma pele maravilhosa e irradia luz. Isso acontece porque acredita no que faz mas, também, desculpem a frontalidade, resultado das suas opções de beleza. A Virginia é consultora de beleza Mary Kay e fala disso abertamente sem nunca promover os produtos ou apelar à compra. Hail to that, que raramente acontece!...  Parece-me que não precisa porque basta olhar para a sua pele para, depois de ouvir as palavras Mary Kay, perceber o segredo.  Não sou nada dada a estas coisas mas aceitei o convite e, no sábado, vou experimentar o mundo Mary Kay num evento exclusivo organizado pela própria Virgínia. Se fosse a vocês aparecia por lá... o pior que pode acontecer é apreenderem mais alguma coisa sobre a vossa pele ou algum truque de beleza. E trazerem um pincel de maquilhagem profissional...

Saibam mais aqui

Sapatos que fazem doer os pés?...

Na vida há sempre aquele momento em que tudo passa a fazer mais sentido, em que deixamos de questionar e também não aceitamos mais questões. Todos já tivemos aquele momento como é que eu ainda não tinha percebido isto?... Eu também.

Recentemente decidi que não voltaria a usar sapatos. Ou melhor, usaria quando e se me apetecesse, ou se a situação, de facto, exigisse um upgrade no look. Uma cerimónia ou uma noite especial. Apenas isso.

Ao longo da vida fui acumulando sapatos. Uns faziam doer-me os pés, os outros apertavam, outros caiam dos pés obrigando-me a chinelar... Um martírio. Fui do mais caro ao mais barato procurando soluções que estiveram sempre à frente dos meus olhos. Paralelamente aos sapatos, os ténis. Sapatilhas. Sneakers ou lá como lhe chamam. Comecei pela rebeldia dos chucks porque não chocavam ninguém. Ou chocavam, mas as pessoas faziam de conta que não. Gradualmente fui avançando em direção ao ponto do não retorno, em que a colecção já permite conjugar todo o tipo de roupas com este tipo de calçado trendy e muito, muito confortável. Se posso estar assim,  porquê forçar algo que não corresponde, efectivamente, à pessoa que sou ou, quem sabe, em que me tornei?

Sempre gostei de roupa desportiva. Ainda a moda do athleisure não se tinha instalado e já andava com roupa desportiva em contextos inesperados. Uma das minhas melhores fotografias da adolescência é com uma sweatshirt oversized do meu irmão. E, em tantas outras, há uma mistura de conceitos e estilos, sempre com inspiração desportiva.

Adoro muitos dos meus sapatos: os loafers de pelo, as sabrinas em pele de cobra, as outras sabrinas que parecem ballerinas, os stilletos, os botins prateados... Como em tudo na vida, sem fundamentalismos, com bom senso e adoptando a ideia de que, sapatos, nem sempre, nem nunca mas, agora, mais nunca do que sempre!

 

Vou ser uma BRAZA ♥

Há um par de semanas falaram-me numa nova modalidade chamada BRAZA. Não consegui deixar de me ouvir pensar na piadinha fácil, associando as memórias do anúncio que dizia ser esta a bebida que aquece o coração. Adiante... Provavelmente sou só eu a fazer a associação. Na verdade, a associação está certa porque a nova BRAZA aquece tudo, coração incluído!...

Foi um prazer conversar com o Ray Santos. Tem aquela vibe típica dos brasileiros, coração cheio e uma enorme humildade. Somos levados a pensar que esta BRAZA é mais uma novidade de fitness, uma coisa que apareceu do nada. Errado. O Ray tem um percurso impressionante, como coreógrafo, bailarino e compositor, desenvolvendo esta modalidade depois de uma longa experiência que procura, acima de tudo, levar a cultura hip hop às pessoas, expressando-a através da música e da dança. Ray criou o BRAZAdancefit, uma modalidade que é uma simplificação dos movimentos hip hop para que todas as pessoas consigam acompanhar as coreografias, ao mesmo tempo que se traduz num programa de treino cardio e de tonificação muscular. É exactamente aquele tipo de aula em que parece que andamos a brincar mas da qual saímos suados, cansados e com muitos músculos doridos.

Querem ver?

Para já podem experimentar as aulas nos seguintes locais:

Jazzy Life Club, Estádio da Luz, Lisboa |VER|

Virgin Active, Palácio SottoMayor, Lisboa |VER|

Para quem quer ir mais longe, também pode fazer a formação de instrutor BRAZA.

A primeira acontece já este fim de semana, dois dias seguidos para ficar em BRAZA. Mesmo...

O Ray Santos explicou tudo: uma componente teórica seguida de outra, prática, na qual se aprende a ensinar as coreografias de algumas das músicas mais conhecidas do momento!

Inscrevam-se aqui.

Descobertas #urbanista

Cada vez mais me convenço que, por vezes, é necessário afastarmos-nos da rotina do dia-a-dia para vermos mais e melhor. A distância traduz-se num afastamento que se revela numa espécie de desconexão com tudo o que respeita ao nosso quotidiano. É assim que muitas vezes percebemos o que era óbvio ou encontramos coisas novas.

Na Comporta, a Casa da Cultura transformou-se num mercado de Páscoa, o Spring Market, com artesãos e marcas com loja em Lisboa mas que, aqui, parecem diferentes. Foi assim que descobri a Etnik Spring, uma marca que nos cativa pelas cores vibrantes e seduz pelas peças originais, feitas na Tailândia. Descobri também uma marca de calçado artesanal, com sandálias, sapatos e botas feitos mão, em pele que merece a nossa atenção: Valentim é o nome do artesão que continua a fazer sapatos à moda antiga que nos surpreendem pela selecção de cores e tecidos.

Encontrei ainda sacos para tapetes de yoga feitos à mão da Caravana Bazaar. São tão bonitos que, só por isso me ocorreu usar um yoga mat para a minha prática de pilates...

Fatos de banho normais sim, queremos!

A nova campanha de biquinis da Target não só inclui modelos plus-size como não usa photoshop para retocar as "imperfeições". Celulite, estrias, gordurinha a mais, tudo está exposto. And so what? Somos todas perfeitas porque não somos!

Vou só ali comprar um biquini novo só porque sim!

Target is committed to empowering women to feel confident in what they wear by offering a variety of style choices
— Jessica Carlon (Target)

Política de saltos altos

Este artigo não é sobre política ou moda. É sobre as ideias preconcebidas, estereótipos e percepções que a roupa que vestimos produz. Também não é sobre partidos políticos, mulheres na política ou candidatos a posições políticas. É sobre mulheres e homens, o que vestem e o que pensamos sobre as suas opções de estilo.

Raramente me dedico a questões da política, menos ainda de politiquice, aquela espuma dos dias que alimenta e destrói egos, enche páginas, não enriquece o conhecimento ou favorece a tomada de decisão. Como em outras áreas da nossa vida também a política envolve sentimentos, emoções, crenças e paixões, pelo que supõe uma certa altercação em pólos opostos. As pessoas acreditam no que acreditam e eu, acredito numa boa discussão de ideias, nas quais as partes dirimem argumentos. Mesmo que nenhum vença, ganha quem estiver a ouvir. Não é o que habitualmente acontece e menos será o que pode acontecer quando a apresentação de um candidato motiva comentários que se baseiam no seu aspecto físico. Piora um pouco quando essa discussão depende de fotografias que não favorecem esse mesmo candidato. Acontece ser mulher. Também acontece no masculino, com as caricaturas nos jornais ou os bonecos do contra-informação. Ninguém escapa à caricatura. Mas não somos todos humoristas ou caricaturistas pelo que, brincar com os kiwis de Assunção Cristas é uma piada demasiado fácil, especialmente quando a fotografia que acompanha o comentário é da candidata à Câmara Municipal de Lisboa, Teresa Leal Coelho, com um vestido às bolas (não às bolinhas) vermelhas. Fácil. Demasiado fácil. 

Pensemos ao contrário: o que esperavam estas candidatas ao fazerem escolhas objectivamente arrojadas e não consensuais? Nada. Não esperavam nada. Esperavam serem notadas?...

Sabemos que está será a abordagem óbvia para combater uma imagem conservadora. Talvez por isso, a opinião pública tenha reparado em cada uma delas pelas piores razões. Porque essa mesma opinião pública parece não conseguir entender a diferença na associação que se faz entre um vestido e a competência de quem o veste, relacionando directamente essa capacidade à roupa que o indivíduo escolhe usar. Errado. 

A política é o contexto da seriedade, sobriedade e da imagem de confiança. É seguramente mais difícil confiar em bolas ou kiwis e estas senhoras - ou as suas consultoras de imagem - deveriam sabê-lo. Contudo, a questão não é simples ou unânime. O comentário fácil atinge mais as mulheres e são, também elas quem mais arrisca.

O eco em torno dos sapatos de Teresa May não tem equivalente masculino, independentemente do número de fatos, sapatos ou gravatas que um líder de Estado possa ter. Para um político, e para nós que o avaliamos, a questão da roupa não é um tema - não pode ser - mas continua a sê-lo para as mulheres, mesmo quando a solução é assumir uma certa invisibilidade, do ponto de vista da imagem pessoal, como faz Angela Merkel. Também isso é motivo de comentário, novamente negativo.

Em Amsterdão, por exemplo, a ideia de individualidade, liberdade pessoal e aceitação é aparentemente maior do que entre nós. Contudo, acabei de saber que os problemas são iguais. Ao longo da minha vida profissional andei sempre entre contextos diferentes e dei por mim a mudar de roupa em função das diferentes situações em que me encontrava, muitas vezes para tornar o meu aspecto mais formal. Supostamente mais profissional. E descobri que a percepção aqui é a mesma: precisamos de um par de saltos altos porque assim se espera, de um casaco formal porque qualquer outra opção não é bem vista. Acabamos por vestir algo que rapidamente pode ser transformado num look formal e que, ainda mais rapidamente, volta a ser aquilo com que nos sentimos "nós". E confortáveis. Ela, que me contou isto, vai ser operada aos pés, resultado de 30 anos a usar saltos. É isto que queremos para nós? Não é. Queremos sentirmos-nos bem, ser reconhecidas pelas competências profissionais e não por aquilo que a nossa roupa pode transmitir. Aplica-se a eles, também, reféns da gravata e das cores monocromáticas.

Não se espera da política uma relação directa com estrelas de cinema ou televisão e se, uma figura masculina pode ser tão ou mais popular do que qualquer pop star, a associação não se cria através de poses em revistas. A eles, raramente acontecem coisas (fotografias) destas porque não abandonam o conforto do azul e dos cinzas, dando cor à sua imagem com gravatas lisas em diversas tonalidades. Boring, after all. 

Do que li sobre o tema há seguramente temas mais relevantes para a discussão do que as pernas que se destacam na fotografia ou um vestido protagonista. Aconteceu a ambas e a culpa não é das pernas, apenas uma opção (intenção) de quem fotografou e outra de quem publicou. Falar da roupa de um candidato ou candidata é equivalente à altura de alguns dos protagonistas da política nacional - muito baixa -  e equivale a zero para a nossa informação.

Porto, I love you

A cidade do Porto é especial e, por isso, cada visita a torna ainda mais especial. Nesta lógica de expansão, temos um correspondente que nos envia apontamentos de amor por uma cidade que não deixa de surpreender.

O Luis Machado conta tudo sobre arte urbana. Sem mapa. Ou google maps!

@luismachado

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O Porto é uma cidade da moda? Não. Porque a moda passa e o Porto permanece atual e sempre a dar que falar (pelos melhor motivos). Infelizmente não vou ao Porto tanto como gostaria. Mas em contrapartida aproveito ao máximo cada viagem que lá faço.

Porto, um museu a céu aberto. Uma cidade viva onde a monumentalidade dos edifícios clássicos convive com novos espaços e locais contemporâneos como a arte pública. E é sobre arte pública que hoje escrevo: passando recentemente pelo Porto fiquei espantando com a quantidade de obras e instalações com que a cidade no brinda ao virar de cada esquina.

Logo à saída da estação de São Bento encontramos “Clouds”, uma composição da autoria da dupla italiana Sten & Lex, inaugurada no âmbito do programa de Arte Urbana do projeto Locomotiva.  

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Deambulando pelas ruas sem rota nem mapa (nem Google Maps) fui encontrando novos pontos da cidade que me surpreenderam. A maioria das obras não são identificadas, estão sem nome, sem data, sem autor. Mas não deixam de ser interessantes. Acima de tudo, geram grande curiosidade. Quem estará na origem desta criatividade?

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Arte pública  que torna a cidade mais viva. E mostra a que visita a cidade algo novo em cada regresso. Peças de arte contemporânea com convivem com a monumentalidade dos edifícios clássicos e “escuros” que envolvem a cidade numa aura única.

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Segredos para comprar (em bom)

As compras são o grande vício para muitas pessoas.

Atire a primeira pedra quem nunca...

Hoje vou revelar alguns detalhes sobre os quais provavelmente nunca pensaram. Dizem as minhas amigas (e alguns amigos, vá...) que consigo encontrar as melhores ofertas. Não sei se é verdade. Mas sei que me recuso a gastar muito dinheiro em roupa. Embora pareça o contrário.

Um dos segredos é misturar. Outro seleccionar as peças a misturar. Arrumar bem os armários e ter as peças organizadas por cores, estilos e tipos de utilização. Parece obsessivo mas garante uma visão de conjunto, melhores selecções e uma noção exacta do que temos. O problema são as gavetas. Por isso, pendurem tudo o que puderem.

Só compro em saldos. Há muito que desisti de comprar fora desta época porque o valor das peças é, normalmente, o preço que cobram em saldo. Perante a renovação tão rápida das tendências e a qualidade das peças mais "na moda", não vale a pena investir muito. Um bom guarda-roupa tem peças-chave, básicos (muitos básicos) e peças tendência. O investimento nas primeiras e segundas é substancial. Para o resto é gastar o mínimo possível. Depois temos os sapatos, malas, cintos e acessórios. Novamente, a mesma regra: qualidade para peças-chave que não passam de moda, muita qualidade nos sapatos e uma ou duas loucuras por estação, daquelas que nos fazem pensar "porque estava eu a pensar com os pés quando comprei estes sapatos?..." Sobre acessórios não falo. Cada um(a) terá os seus. São demasiado pessoais para existirem regras. No entanto, qualidade, qualidade, qualidade. Nunca quantidade.

O segredo número 1 das compras equivale ao das relações. A paixão passa, o amor fica. Contudo, nem sempre o barato sai caro. É preciso saber escolher, conhecer a dinâmica das marcas e estar atento às tendências. Apostar nos clássicos e em peças chave da estação, que fazem a diferença.
Mas há mais segredos que não vêm nos livros. Ou melhor, nas revistas femininas. O essencial é isto. As regras de estilo ditam que devemos ter peças básicas, clássicas e as de tendência. E que devemos adaptar as tendências ao nosso estilo. O problema, na maior parte das vezes, é não sabermos exactamente qual "o nosso estilo" e o que nos fica bem. E, portanto, compramos para, dias depois, nos arrependermos.

Já não me acontece há algum tempo.

Primeiro porque, consegui, finalmente definir o meu estilo e, embora não seja capaz de o descrever por escrito, sei bem o que não gosto, o que me recuso a comprar e o que não quero usar. O que torna todas as decisões mais simples. Depois, também defini limites de preço e aprendi a esperar. Treinei, também, a prática do desapego e não há nenhuma peça de roupa que "tenhaaaa de ter", mala que "queiraaaa muito" ou sapatos que me façam "perder a cabeça". Bom, talvez uns novos Huarache ou uns Basket Heart, mas nada que não possa controlar. Nunca fui assim, de grandes devaneios fashionistas, o que ajudou a desenvolver esta faceta e ser capaz de esperar pelo preço mais baixo ou pelo momento certo para comprar um determinado clássico.
Nunca fui de gastar muito em roupa e, menos ainda, acessórios. Primeiro porque não tinha dinheiro e, quando passei a ter, percebi que se podem vender a um preço mais baixo, então não pago um preço mais alto. Sapatos sim, pela qualidade e conforto. Só depois a estética...

No primeiro dia dos saldos invado a Zara. Levo uma roupa confortável, com bolsos e uns sapatos que permitam dançar se assim tiver de ser. Telefone num bolso, cartões no outro, elásticos para o cabelo misturados com a chave do carro. Entro na loja, começo na secção à esquerda que percorro até ao final. Passo para o lado direito da loja e despacho a secção. Mudo-me para Trafaluc e sigo a mesma regra, retirando tudo o que me possa interessar. Evito a fila dos provadores e compro tudo. Venho para casa. Experimento. Guardo. Deixo passar uns dias para ver as tendências de compra e os preços. O que interessa fica, em modo stand by. O que não serve ou foi erro de casting, devolvo. Repito o processo na Uterque, Massimo Dutti, Mango, El Corte Inglés, H&M e outras lojas que permitam devoluções. Ao fim de uns dias tenho o corredor cheio de sacos para avaliação ou devolução. Tomo decisões, faço as minhas apostas. O argumento de que financeiramente é um investimento só é válido se não tivermos cartão de crédito. porque bem controladas as datas e já devolvemos tudo o que há a devolver antes da data de cobrança da dívida no cartão. Assim, quanto acabam os saldos conseguimos equilibrar aquilo que precisamos com o que fazia falta e nem imaginávamos, eliminando o desnecessário, a compra de impulso a tendência demasiado... tendência. Gasto menos de metade do que se comprasse fora da época dos saldos e consigo andar diferente da maioria porque esperei. Obriga a uma certa disciplina, mas compensa esperar, evitando vestidos, casacos e sapatos iguais.

Afinal, queremos todos o mesmo: estar bem, gastar pouco e não andar igual aos outros, verdade?
 

Com um vestido preto, não me comprometo

Pensei que não iria escrever sobre os vestidos nos Óscares mas não aguento. Há demasiado amor por algo que não entendo, um certo je ne sais quoi sobre um vestido, numa escolha de palavras que é só... estranha.

Se os prémios da academia são um bocadinho mais do que apenas premiar artistas e celebrar a arte cinematográfica, a red carpet é o quê? A versão mundana, o show off ou o desfile de moda? Nada sei quanto à feira de vaidades. Não me interessa. Também pouco sei sobre moda, mas sei que os criadores fazem as suas apostas. Também sei do que gosto e sei que a excentricidade pode ser valorizada num contexto desta natureza. Mas poupem-me quanto à beleza de uma espécie de tafetá amarelado, numa mulher tão deslavada quando a cor do seu vestido, num modelo cujo corte oscila entre a farda de empregada interna e a donzela renascentista. É o que tenho a dizer quanto a Dakota neste Gucci em seda champanhe já aplaudido por editoras de moda.

Dakota Johnson, Gucci

Dakota Johnson, Gucci

Conhecem a história do Rei vai Nú? É isso que penso muitas vezes relativamente à genialidade de algumas criações. São tão especiais que só algumas pessoas as conseguem ver. Como em outros domínios da arte, também há vestidos e criadores incompreendidos. Talvez seja o caso. Ou talvez seja eu uma valente bimba que não vê a graciosidade e estética deste Gucci.

Não me interpretem mal mas verbos como amar usados em demasia em relação a um vestido fazem-me desconfiar da lucidez na análise. Acima de tudo, a velha máxima que diz que com um vestido preto, nunca me comprometo, nunca esteve tão certa. Se tiver bolsos, como o Dior Haute Couture da Kirsten, então é perfeito. O vermelho, desta vez, também não comprometeu ninguém, excepto Scarlett, cuja escolha em tons vermelhos foi um bocadinho ao lado...

Scarlett Johansson, Alaia

Scarlett Johansson, Alaia

Ruth Negga, Velentino

Ruth Negga, Velentino

Viola Davis, Armani Privé 

Viola Davis, Armani Privé 

Brie Larson, Oscar de la Renta

Brie Larson, Oscar de la Renta

Kirsten Dunst, Christian Dior Haute Couture

Kirsten Dunst, Christian Dior Haute Couture

 

 

 

Vestido às flores

É tipicamente o tipo de coisa que um gajo não entende: um vestido às flores. 

É objectivamente o tipo de coisa que nos faz comprar sem pensar muito no que já temos no roupeiro: um vestido às flores.

Podemos ter um, dois, ou muitos. Mas há sempre um novo vestido com flores, florzinhas, padrão floral ou qualquer outra definição que envolva flores, que nos seduz. São femininos e cortam a monotonia dos dias, dos casacos de Inverno. Do preto para quem não o dispensa. Dos dias cinzentos e ventosos. Com uma oversized de lã por cima, deixando o vestido aparecer, umas meias opacas e sneakers? Ou uma versão mais minimalista do vestido em cima do corpo, como se atirado em desalinho, com um casacão de fazenda e umas botas de salto muito alto?

Depois, quando o frio se vai, com umas ballerinas. Quando o calor se instala, com umas sandálias?

Lá está. Venha mais um. Mesmo quando ele afirma...

 Outro vestido?... E essas flores?...

Nós sabemos que eles não percebem nada...

Vários, aqui

A Lisboa que não conhecemos

O Terramoto de 1755 faz parte do nosso imaginário, bem como a sombra da ameaça de uma repetição... Todos nos conhecemos imagens desse tempo e alguns projetos pensados para Lisboa. Sobretudo para o Terreiro do Paço. É com imagens de projetos semelhantes que somos convidados a conhecer algumas ideias que, ao longo do tempo, foram projectadas para Lisboa, mas que nunca saíram do papel, na exposição "a Lisboa que teria sido", no Museu da Cidade.

Projecto Elipse: reconversão urbana do estaleiro Margueira-Almada ©Luis Machado

Projecto Elipse: reconversão urbana do estaleiro Margueira-Almada ©Luis Machado

Amamos Lisboa tal como a conhecemos, sobre isso não há dúvida. Com os seus edifícios clássicos, os mais contemporâneos e a inexplicável harmonia entre as suas diferenças.

Av. Aérea de Lisboa (viaduto de São Pedro de Alcântara) ©Luis Machado

Av. Aérea de Lisboa (viaduto de São Pedro de Alcântara) ©Luis Machado

Contudo, como seria lisboa com um túnel que ligava os Restauradores à Avenida Almirante Reis, um arco do triunfo a fechar a Avenida da Liberdade ou um parque Eduardo VII com uma geometria diferente da que conhecemos?

Parque da Liberdade, 1889 (Parque Eduardo VII a partir de 1903) ©Luis Machado

Parque da Liberdade, 1889 (Parque Eduardo VII a partir de 1903) ©Luis Machado

Estamos no Pavilhão Preto do Museu da Cidade, na exposição “a Lisboa que teria sido”. Tornar Lisboa mais monumental e palco das sucessivas novidades da arquitetura e do urbanismo foi o objetivo da maioria das propostas idealizadas. Na sua diversidade e datas tão distantes, o que os liga é o desejo de monumentalizar e modernizar a capital.

Projecto para o términos duma avenida ©Luis Machado

Projecto para o términos duma avenida ©Luis Machado

São projetos que alterariam a mobilidade na cidade, mas sobretudo a imagem. Como um viaduto a ligar o miradouro de S. Pedro de Alcântara à Graça, passados pelo Campo dos Mártires da Pátria. O objetivo seria vencer as colinas, mas deixaríamos de ter a vista deslumbrante de Lisboa dos miradouros de S. Pedro de Alcântara ou da Graça.

Éden teatro, Cassiano Branco ©Luis Machado

Éden teatro, Cassiano Branco ©Luis Machado

É impossível visitar o passado sem pensar no futuro. Que obras e que mudanças virão por aí? Como será a Lisboa do futuro? Esta exposição lava-nos ao passado e, sem dúvida, faz-nos pensar sobre o futuro.

Luis Machado e Paula Cordeiro

5 razões para gostar de preto

Consta que o pink (cor-de-rosa, obviously) é a tendência para os próximos meses... Nos desfiles ou nas lojas... ROSA!

De facto, rosa é sempre a tendência que faltava. Ou não.
Se paleta de tons rosa pode enlouquecer um homem, deixa, no mínimo, uma mulher confusa.

Rosa shock, pale pink, piggy pink, spanish pink, cherry blossom pink... 

Até posso gostar da cor. Do apontamento de cor e de um apontamento desta cor. Mas nunca um look total rosa. Menos ainda o estilo baby doll ou princesa Disney. Uso rosa na sua versão mais forte ou no oposto, na tonalidade mais suave, a lembrar a roupa e o cheiro dos bebés. Mas nada chega aos calcanhares do negro asa de corvo. Porque sim, o preto também têm diferentes tonalidades: noir, café noir, black bean, black olive... Por isso, cinco grandes razões para escolher preto como cor base para a maior parte dos outfits:

1. Nunca sai de moda
2. Define a moda
3. É sofisticado (e alonga a silhueta)
4. Conjuga-se facilmente com quase todas as cores, mesmo aquelas que antes estavam proibidas de se aproximarem (azul escuro)
5. É preto. Ponto.

Há cinco razões para gostar de pink

Porto, a melhor entre as melhores

O que dizer de uma cidade que não é a nossa, mas que sentimos que é, também, como se fosse? Mesmo com Lisboa no coração, tenho muita facilidade em sentir que outros locais são, também, parte de mim. A cidade do Porto é um desses locais.

O sentimento não é de agora nem tem a ver com estas modernices associadas ao cluster das indústrias criativas ou ao investimento para tornar o Porto mais trendy e turístico.

Tudo começou há muito tempo, quando passeei na cidade como se fosse minha, conhecendo os cantos à casa e vivendo como os locais, mesmo sendo apenas uma visita. Tinha 17 anos e o Porto invadiu-me com a força que só os grandes amores podem ter, sentindo as saudades associadas à saudade que temos daqueles que nos são muito queridos. Nesta idade, e naquele tempo, havia longe e distância, e as cartas que troquei com a minha melhor amiga, quando se mudou para o Porto, são disso um bom exemplo. As visitas não se faziam via skype e as conversas eram adiadas para acontecerem noite dentro, enroladas em mantas no quarto que era o nosso reduto, o esconderijo de aventuras adolescentes que só acontecem naquela idade.

Passeávamos pela cidade como turistas comparando-a a Lisboa. Como se houvesse comparação... Depois ela voltou e ficaram as memórias dos dias na Foz, dos passeios em Serralves a discutir grandes paixões, das visitas às lojas em Santa Catarina ou do galão que bebíamos na zona dos Clérigos, enquanto nos fingíamos adultas. Por isso o Porto me foi sempre querido. Talvez por isso cada visita ao Porto tivesse sempre alguma relação com estes detalhes perdidos no tempo.

Regressei no final do ano passado após um longo intervalo nas visitas para me re-apaixonar, em sentidos diferentes e actualizados, com aquele que é o meu grande parceiro de descobertas urbanas. Por isto, o Porto é sempre especial e merece ser descoberto - ou (re)descoberto todos os dias...

Porquê esta melancolia, porquê hoje? 

Porque reconhecidamente o Porto é uma cidade para estar e ficar. Foi também escolhida como Best European Destination 2017, numa votação online que incluiu vinte cidades diferentes

 

Back to the 90's

Bring your friends, it's fun to lose and to pretend

É improvável a quem passou pela Golden Age ser indiferente aos icónicos 90s, havendo os que sentem nostalgia ou frustração pelo rumo que tomámos. O que é certo é que, para grande parte do mundo, esta foi uma época de prosperidade. Os ícones da época continuam a preencher o quotidiano.

Para combater esta saudade as a promotoras New Sheet e HColective decidiram ajudar os anos 90 na sua vingança, marcada para este Sábado em Lisboa. O planeamento é sigiloso e, para dia 11 de Fevereiro ninguém sabe onde se vai realizar a festa, que só é revelada aos portadores de bilhete no próprio dia, através de SMS.

Os bilhetes para esta data já esgotaram, estando a ser ponderada uma 2ª edição, por anunciar, hipoteticamente em Março.

A animação para esta edição será garantida por uma série de DJs que certamente vão avivar a memória dos clássicos dos anos 90.

Promete ser uma noite para lembrar e relembrar e nós, já não podemos ir!...

#revengeofthe90s

Texto: Pedro Freire de Castro

Pesquisa: Sofia Venâncio

Produção: Leonor Wicke

Veggie is cool!

Ainda não chegou o dia em que ser vegetariano é mais cool do que o seu oposto, mas já esteve mais longe. Da consciência social, ética e ambiental às opções relacionadas com a saúde, há várias razões que podem contribuir para a tomada de decisão. Optei por não ser fundamentalista e se, puder evitar a carne, evito. Mas não faço disso uma batalha porque me parece mais fácil convencer os outros quando temos uma postura de abertura em relação às coisas do que quando somos aquele que "não come carne", como se isso fosse algo estranho. A seu tempo será o novo normal porque os argumentos são cada vez mais óbvios.

Hamburguer de feijão e cogumelos em pão de figo

Há também uma tendência para a abertura de restaurantes saudáveis e outros que excluem alimentos de origem animal das suas ementas, da mesma forma que os supermercados biológicos, ainda que apresentando produtos de origem animal na sua oferta, têm cada vez maior variedade de produtos e alimentos a preços cada vez mais acessíveis. Quanto mais pessoas comprarem, mais o preço desce. 

Basic economics...

Imagem: Luis Machado

Acredito que estamos mais conscientes da necessidade de saber o que comemos e qual a origem dos alimentos, ao mesmo tempo que se descobrem cada vez mais detalhes sobre a alimentação que durante décadas desconhecíamos. 

Hambúrguer de Beterraba e arroz integral com molho pesto e maçã verde

Se na generalidade dos restaurantes a opção sem carne ou peixe continua a ser absurda ou completamente insípida há, por outro lado, muitas opções para quem decidiu assumir esta opção. Em Lisboa há várias opções, que podem consultar aqui. A escolha não é criteriosa e recaiu sobre algumas opções saudáveis, mesmo que incluam carne.

Hamburguer de feijão e cogumelos, com batata frita caseira e couscus de cenoura

A que me apaixonou recentemente é a Vegana burgers, hambúrgueres sem carne em pão macio que foge ao centeio e trigo tradicionais, inovando. A loja junto ao Mercado da Ribeira é pequena e acolhedora, num ambiente tranquilo, com boa música, muito clean and simple, como deve ser um espaço de refeição.