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urbanista

a vida como ela é

#bodylove e cenas

#bodylove e cenas

Esta semana o urbanista é totalmente dedicado ao amor.

Amor próprio, em primeiro lugar, porque se não gostarmos de nós não seremos capaz de gostar de ninguém e ninguém gostará de nós.  Significa que estamos de mal com o mundo, impossíveis de aturar, carregados de inseguranças e medo. E isto de #bodylove respeita a todos os que não se sentem bem na sua pele, independentemente do aspecto exterior.

A discussão em torno da questão não é nove e também envolve a pressão em torno da noção de belo e do que esperam de nós. Do cabelo às unhas impecavelmente arranjadas, há um tempo infinito que passamos em torno deste self care para inglês ver porque, na maior parte das vezes e dos casos, só o fazemos porque tem de ser.  

Se é certo que olho para as mãos e as acho mais bonitas com as unhas limpas e tratadas, já não é tão certo que tal deva incluir verniz. Menos ainda na cor da moda. O mesmo se aplica aos cabelos, com tantas mulheres a passarem horas no cabeleireiro entre tintas e secadores porque sim. Acho que nem elas sabem o porquê, uma pressão que já nem reconhecemos, e à qual cedemos constantemente. 

Falo com conhecimento de causa pois tantas vezes, tantos dias, tantas horas passei na manicure para garantir que correspondia ao padrão. 

Há 10 anos o meu marido ofereceu-me um par de brincos que ainda são os meus preferidos. Umas argolas simples e pequenas, o mais discreto que se possa imaginar. Sempre gostei muito de brincos, especialmente argolas, que usava de acordo com a roupa e a ocasião.

A recuperação do meu eu, da liberdade em assumir-me sem filtros conquista-se muito lentamente. O primeiro passo em direcção à mudança foi esse, ainda que de forma inconsciente, pois passei a usar sempre os mesmos brincos, mudando apenas nas férias para umas mais pequenas e de aspecto artesanal. Depois dos brincos, a roupa.

Um dia percebi que, na verdade, tinha dois roupeiros diferentes: um formal, com peças para usar em dias de trabalho e o outro, com as roupas de que, de facto, gostava. No entretanto mudámos de casa e passei a ter um closet aberto que me permitia ver toda a roupa, desde que estivesse pendurada. Fiz a primeira triagem, guardando em caixas os itens com os quais não me identificava. E não eram poucos, comprados por serem ‘uma excelente oportunidade’, porque ‘precisamos sempre’ de uma blusa assim... Eu sentia que não precisava. Pior, que não gostava e que estava farta daquele estilo de roupa que não me dizia nada. Esta mudança aconteceu há 3 anos e nunca mais fui a mesma. Foi também nesta altura que ganhei coragem para assumir os jeans com um rasgão, os chucks vermelhos ou um certo athleisure sofisticado para trabalhar.

As vozes não se fizeram esperar e se retrocederem aos primeiros episódios do urbanista vão encontrar muitos textos em que explico o corte e costura de que me senti alvo. Quase me conseguiram (re)modelar novamente e houve momentos em que, por medo ou cobardia, cedi ao politicamente correcto da roupa que devemos vestir. Foi então que olhei para o meu armário dos sapatos e percebi que sempre gostei mais de calçado desportivo. Coloquei muitos pares de sapatos numa caixa e assumi frontalmente que só voltaria a usar sapatos se me apetecesse. Quando apetecesse.

Meses depois fiz o mesmo para as unhas e a maquilhagem. Era Verão e nesta altura somos todos mais bonitos, por isso, foi fácil. Mas mantenho todas estas decisões, pintando as unhas quando me apetece e tenho disponibilidade, usando sapatos se tiver vontade e colocando cada vez mais blusas e blusinhas de parte. Bem-vindas todas as t-shirts, camisolas e sweatshirts que entretanto invadiram os meus cabides. 

O que ganhei com isso?

Bem estar. Paz de espírito. Conforto.  

#bodylove, they say

A mensagem em torno do #loveyourself bem como do #bodylove espalhou-se mas, nestas questões de #bodypositive, andamos muitas vezes a dar uns tiros ao lado.

Creio que, por mais que se escreva que devemos gostar de nós como somos, isso estará longe de acontecer apenas porque alguém nos diz! O clique acontece quando tem de acontecer ou quando percebemos que precisamos de ajuda. Até lá são apenas exemplos e palavras que circulam e que, muitas vezes, nos fazem sentir ainda pior.

Todos temos dias maus, o bad hair day é apenas a ponta do iceberg, assim como a borbulha que aparece da noite para o dia. Também as marcas estão atentas e vão contribuindo para a mudança: uma colecção plus size da Nike quer dizer muito mais do que apenas números grandes, porque arrasta outras marcas e reforça a ideia de que o mundo tem várias cores e dimensões. 

Tudo isto também se relaciona com uma questão que discuti há dias com uma amiga (thanks, V.) porque cuidamos muito por fora e nada por dentro, isto é, da nossa mente, dos pensamentos tóxicos que nos inundam, das críticas e julgamento de que somos alvo e que recalcamos por não saber, exatamente, o que fazer.

Sempre que afirmo que o urbanista é embaixador deste movimento, olham-me com admiração, como quem está a fazer algo positivo. Também há quem questione porque não tenho peso a mais, como se o #bodyimagemovement fosse um movimento big is beautiful. Talvez seja, desde que seja big and healthy, so beautiful. E se nunca tive problemas de peso, o mesmo não quer dizer que nunca tenha tido problemas de auto-estima. Talvez os tenha sabido disfarçar, o que não é equivalente a não saber o que são.

Por outro lado, como a indústria da moda, também a beleza e bem estar beneficiam com as nossas inseguranças e supostas necessidades razão pela qual real people nos anúncios será sempre a real people que corresponde ao beautiful people, caso contrário, a mensagem será contraditória. Também por isso, escrever e denunciar não chega. É preciso agir.

Os homens também têm inseguranças e, por essa razão, tentei incluí-los desde o primeiro momento, ainda que seja particularmente difícil escrever sobre as inseguranças em relação à imagem masculina. Por isso fui convidando alguns homens para o podcast urbanista, comprovando que, nisto de corpo e imagem, estamos todos no mesmo barco. A regra aplica-se também à cor da pele e ao tipo de cabelo, a esses aparentes detalhes que tornam a sociedade mais rica mas, tantas vezes, criticada. Sem esquecer a outra questão de que não se fala e que tem tanto a ver com o nosso bem-estar emocional: a identidade sexual. Afinal, tudo o que envolve quem somos merece fazer parte de algo a que se chama #love, verdade?

 

 

Amar é normal. Anormal é não amar

Amar é normal. Anormal é não amar

#hatersgonahate

#hatersgonahate

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