olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Só tens um corpo. Habitua-te a gostar...

Só tens um corpo. Habitua-te a gostar...

Gostar de nós, do corpo que temos, é um processo...

Nascemos sem consciência física e entendemos cada parte de nós como integrante do que somos. Até que o reflexo no espelho começa a mostrar contornos do que somos mas, principalmente, do que os outros pensam que estão a ver. Na verdade, a forma como os outros nos vêem é também uma extensão deles próprios, das suas certezas, incertezas e inseguranças. Na maior parte das vezes não somos nós que estamos mal, com a saia curta ou a blusa transparente. Quem nos aponta o dedo, criticando ou questionando, fá-lo, na maior parte dos casos, pela insegurança de quem pensa que não pode (não deve) ou não quer vestir-se assim. Aplica-se também a comportamentos e atitudes porque este reflexo não é apenas a miragem do imediato visível...

Aquela capacidade para sermos para nós, sem deixar que os outros nos afectem, não acontece ao estalar dos dedos e requer muito esforço, dedicação e energia. Isto de sermos capazes de gostarmos de nós independentemente de... poderia dar-se por decreto ou um passe de magia. Normalmente implica olhar e ver para além do que mostra o espelho. Já todos pensámos em mudar isto ou aquilo. Na maior parte das vezes não aconteceu por falta de recursos, principalmente financeiros, pela famosa desculpa da falta de tempo mas, sobretudo, por falta de vontade. Até que a epifania toma forma e percebemos que não é o desejado bikini body que nos faz mais (ou menos felizes). A privação que pode significar, o esforço que envolve ou o dinheiro que custa não traz, ao contrário do que se apregoa, a desejada felicidade e sensação de conquista. A conquista que interessa é aquela que, sem considerar o que parecemos, se baseia no que somos. E se, para sermos quem somos tivermos de mudar alguma coisa, pois que seja. Por nós e para nós. Nunca porque alguém nos diz que o devemos fazer (esta frase exclui qualquer questão de saúde associada ao nosso aspecto físico, ok?!...)

Conheci uma pessoa que tem a coragem de se auto-apelidar de gorda, afirmando que comia que nem uma porca (vão descobrir tudo num próximo episódio do podcast urbanista!...). Isto é coragem, capacidade de auto-avaliação e auto-afirmação. Já não come assim e é tudo menos "gorda". Porque um dia decidiu que era tempo de mudar. Todos temos o nosso tempo. As decisões e sua implementação surgem quando têm de surgir e nunca antes. E para os que pensam que falo de cor, já o expliquei e repito as vezes que forem necessárias: não é preciso ter ou ter tido peso a mais para saber o que é não gostar do nosso corpo. Been there pelas razões mais improváveis que se possam imaginar. Por isso, porque conheço a sensação de não estarmos bem connosco e a forma como isso mina a nossa auto-estima, tento que alguém leia isto para perceber que há solução!

Para quem tem problemas de peso a balança é o pior inimigo.

Para quem tem problemas de auto-estima as revistas e o instagram são bombas relógio. Escolham contas que vos mostrem aquilo que querem ver e não vão à procura dos que vos deita abaixo. Esqueçam as calorias e aprendam a comer. Não adianta comer e praticar exercício contando as calorias que se perderam porque serão sempre menos do que as que foram ingeridas. Mexam-se pelo prazer que a libertação de hormonas provoca. Pratiquem com consciência, deixem-se ir dedicando total atenção ao que estão a fazer.

Há, seguramente, uma parte do vosso corpo da qual gostam e outra(s) que detestam. Concentrem-se nas boas. Eu detesto a minha barriga. Sempre detestei porque sempre tive de a encolher para parecer que tinha tudo no sítio. É daquelas barriguinhas pequeninas muito femininas. UGHR. Odeio. Queria uma barriga lisa. Not gonna happen por mais que treine. Também não posso diminuir a minha maravilhosa anca de boa parideira, como afirma a ginecologista. De facto, o parto foi fácil e a recuperação rápida. Também não deixarei de engordar no rabo. Adianta contrariar a natureza? NÃO. Mas adianta aprender a jogar com as vantagens e desvantagens que encontramos em cada um de nós. Concentro-me nos gémeos e nas pernas, nas costas, ombros e braços. Oh yeah. A barriga encolho-a e escolho as peças de roupa que não me vão tornar a anca maior. E aprendi a comer para não acumular. Nos glúteos... que é para lá que vai tudo!

A melhor parte disto tudo é ouvir elogios frequentes à minha barriga. Ou à (suposta) ausência dela. Já me perguntaram o que faço para conseguir uma barriga assim. Que se note que não tenho uma barriga fit. Tenho uma barriga anormalmente flácida para o tipo de exercício que pratico. E depois perguntam como faço para aguentar séries de abdominais. E percebo que o que eu vejo não é o mesmo que os outros estão a ver. E que aquelas contrações todas para ir do chão à verticalidade sentada tem de ter algum tipo de resultado. Que os outros valorizam e eu não. Que eu escondo e que, se calhar, até poderia mostrar...

 

 

 

Como eu me livrei das borbulhas sem fazer nada!

Como eu me livrei das borbulhas sem fazer nada!

Pele (mais) clara

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