olá.

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O culto da imagem destruído numa palavra: amor

O culto da imagem destruído numa palavra: amor

Escrevo tantas vezes usando exemplos estrangeiros que não hesitei em carregar nesta publicação da Carolina Deslandes sobre a dura realidade da relação entre o nosso corpo e a maternidade.

Como a compreendo. Não sou figura pública mas enfrento o público quase todos os dias porque, ao contrário do que muitos pensam, ensinar tem uma componente maior de representação do que se possa imaginar. Incorporamos uma persona, estudamos o texto e contamos uma história transformando conceitos e teorias complexas em frases que ficam no ouvido e ideias simples de compreender. Tudo o resto é simplesmente chato e não cativa a audiência. Como no teatro, há sempre quem abandone a sala perante uma peça de pior qualidade.

A Carolina Deslandes expõe-se muito mais do que eu porque enfrenta aquilo a que se chama o grande público que, de grande, apenas tem o nome. O grande público é ridiculamente pequeno nas suas ideias, comportamentos e acções, especialmente quando está protegido pela espiral do silêncio e o seu contrário, o megafone amplificador da voz grotesca da multidão. Publicar comentários no Facebook ou Instagram é fácil e aparentemente inócuo. Só que não é.

Como tantas outras mulheres, a Carolina engordou, deu à luz, amamentou e foge todos os dias do espelho. A sensação de que nenhuma roupa nos serve é das piores que podemos sentir, mesmo quando é por uma razão tão maravihosa como esta, da maternidade. Lembro-me de ter recuperado  facilmente mas, ainda assim, não adoro aquelas fotos de pele sem cor, rosto pálido, mamas gigantes e muito brancas da maternidade ou, depois, nos meses que se seguiram, em casa. Sempre com olheiras, sempre o cabelo em desalinho, sempre a roupa mal escolhida com aqueles soutiens de amamentação. Oh God, ninguém merece! Ficam registadas para sempre porque durante os primeiros meses fotografamos tudoooooo o que é possível como se não existisse amanhã ou como se a criança acordasse no dia seguinte com 18 anos.

Há, depois, quem diga que a foto está linda, que a serenidade está presente na imagem. Outros comentam sempre - e apenas - o bébé. Nós olhamos e vemo-nos mães. Nada mais importa. A umas sobrou barriga, a outras as mamas mirraram, outras descaíram... Who cares?...  Mais tarde, com a pirralha ao lado a comentar as fotos, olhamos e pensamos... nooooooooooooo..... Não há pingo de make up - e por mais lindas que possamos parecer, não nos sentimos lindas sem make up e nem nos ocorreu usar um BB Cream para melhorar o aspecto - estávamos concentradas no filho que tinha acabado de nascer e nada mais importava. Depois, para aquelas que têm de aparecer nos media, quem circula nas redes esquece-se das boas maneiras e chama nomes feios a mulheres lindas, numa fase debilitada (por vezes debilitante) e emocionalmente instável das suas vidas.

Eu mandava-os a um sítio mas não o faço porque sou mãe e não devo dizer asneiras....

Pele (mais) clara

Pele (mais) clara

Mostra o teu booty: o mundo agradece!

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