olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Try walking in my shoes

Try walking in my shoes

"... But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes

...

You'll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes
If you try walking in my shoes
Start walking in my shoes"

Depeche Mode, Try Walking in my Shoes, 1993 |PLAY|

Estávamos em 1993 e eu não percebi, concretamente, o sentido do que cantavam os Depeche Mode. Soava bem, ficava no ouvido e, na altura, acho que as minhas eventuais preocupações feministas não iam muito além do ritmo da música. Hoje recupero esta ideia porque estas foram as imagens que a Louboutin escolheu para o Dia Internacional da Mulher. Gosto da variedade (stilettos com botas, botins e sneakers) e diversidade, porque há mulheres de todos os géneros, tamanhos e características. É inspirador. Parece-me que a moda está a experimentar walking in someone else's shoes. Na verdade, esta metáfora do try walking on my shoes não é nova. Já a usei no meu livro Impressão Digital para falar sobre um outro Dia Internacional da Mulher:

No Dia Internacional da Mulher, em 2014, a revista Máxima apresentou um projecto que pretendeu surpreender e alertar para as desigualdades de género que ainda persistem. Homens conhecidos do público português calçaram stilettos desenhados por Luis Onofre para o pé masculino. Tenho algumas dúvidas sobre a eficácia, mas é uma iniciativa que chamou a atenção do público. Homens famosos de saltos altos pode parecer demasiado simples, mas equivale a dizer ao mundo, como os Depeche Mode fizeram para nos desafiar a colocarmo-nos no lugar do outro: try walking in my shoes.
— Impressão Digital

Sem qualquer preconceito de género, uma das coisas que raramente fazemos é colocarmo-nos no lugar do outro. Pensarmos pela sua cabeça (ou tentarmos), imaginarmos o que faríamos se fossemos a outra pessoa. Não é pensar o que nós faríamos, mas reflectir sobre a outra pessoa e tentar elaborar a partir daquilo que sabemos sobre ela. Não o fazemos. Sabem porquê? Dá trabalho, obriga a estar atento, implica observar e ouvir. Em última análise, a pensar. E deixámos de o fazer há muito tempo, simplesmente porque é mais fácil assim.

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