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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

A guerra dos sexos já não existe

A guerra dos sexos já não existe

 Ganhamos menos, criticam-nos comportamentos, inventam barreiras invisíveis, de facto intransponíveis. E eles? Que limites ou limitações?

Há uma semana as mulheres invadiram a comunicação social, as marcas renderam-se à sua beleza, não faltaram eventos dedicados à temática feminina. Por outras palavras, no Dia Internacional da Mulher, as questões de género estiveram em destaque, sob a premissa de que todos os dias são dias do Homem. Não creio que sejam.

Existem variados aspectos que necessitam ser alterados para atingirmos a igualdade de género. Contudo, a forma como o tema por vezes se apresenta pode conduzir ao desenvolvimento de uma perspectiva que aliena os homens em vez dos integrar. O problema é das mulheres, mas não exclusivo, pelo que defender a causa feminina é necessariamente ser feminista. É na ausência dessa exclusividade que está a essência da questão porque, também os homens, sofrem com o preconceito, as expectativas, definições datadas de papéis sociais ou pressão social sobre a sua imagem. Não há uma verdade absoluta a (des)igualdade de género, preconceito e estereótipos sociais mas, antes, uma multiplicidade de contextos que tornam difícil qualquer generalização. Tirando a objectividade dos salários, do número de mulheres em cargos de decisão ou das leis que, em alguns países, ainda impedem mulheres de comportamentos aceites - e estimulados - em outros locais do mundo, tudo se dilui no marasmo da evolução social e cultural. Quando um homem opta por dividir a licença de maternidade é um menino; quando se preocupa (em demasia) com a sua imagem é metrosexual, usando a palavra num tom depreciativo; quando divide as tarefas em casa dizem que é a outra pessoa que usa as calças; quando decide dedicar mais tempo aos filhos, abdicando da carreira é um fofo (ela é só alguém que fica em casa, ou que não faz nada na vida).

Vejamos este caso: eu, que nada percebo de futebol sei quem é Cristiano Ronaldo. E vocês, sabem quem é Abby Wambach? Ronaldo marca (muitos) golos e recebe (muito) por isso. Abby Wambach marca tantos ou mais golos e está longe de ganhar o mesmo. A razão é óbvia e não se prende com a falta de prémios pois, aos 35 anos, tornou-se na futebolista a marcar mais golos (independentemente do género) na história do futebol mundial. Ronaldo e Wambach actuam na mesma área e são ambos brilhantes naquilo que fazem. A razão da diferença de notoriedade - consequentemente de retorno financeiro - resulta do facto da bola ser para os meninos e as bonecas para as meninas, pelo que o futebol profissional feminino é menos reconhecido, favorecendo uma grande diferença salarial entre duas figuras de proa no futebol. 

1-0 para os rapazes.

Num contexto radicalmente diferente, a história da margarina Planta começa assim...

Planta é a marca histórica dentro dos cremes vegetais para barrar, líder de mercado entre manteigas e cremes vegetais.

Se antes se posicionava como um creme vegetal, agora segue a tendência da alimentação saudável e, sem usar a palavra, explica-nos que se trata de um creme vegetal com óleos 100% vegetais, provenientes das melhores sementes. Planta é o poder das plantas. Com isto, somos todos de origem vegetal, incluindo o six pack da moldura.

Muito se fala da objectificação da mulher nos media e na publicidade, e pouco se desenvolve sobre a objectificação masculina. Talvez porque não exista ou porque, mesmo existindo, não se limita à sexualização barata que muitas vezes acontece no feminino. Eis, contudo, que tudo muda. Talvez por tanto se culpar a publicidade dessa objectificação feminina, é chegada a hora dos homens. Não é o primeiro exemplo e, seguramente, o rasgo criativo não se ficará por aqui. Talvez eu não seja o alvo da campanha porque, a ser, não entendo a relação entre um creme para barrar e o exemplo forçado, pseudo-erótico, dominado por estereótipos de género. Este anúncio entrega à mulher o papel principal e ao homem o papel subalterno, pela exposição do corpo masculino em detrimento do feminino, bem como pela forma como ela o seduz e ele a serve. Pois bem, também o amor - e o sexo - envolvem comida. Creme para barrar, talvez. Daí a encherem a cidade com cartazes em que a embalagem da margarina cobre uma outra embalagem, de uma figura masculina altamente tonificada, é pouco inteligente. Obviamente que os olhos são conduzidos à embalagem da manteiga e obviamente que a sugestão fácil e barata também lá está. Somos vegetais mas não vegetamos.

1-1 marcamos nós, desta vez.

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A Kate é como nós

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