olá.

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Vamos lá a gostar de NÓS: 3 razões para acreditar na beleza

Vamos lá a gostar de NÓS: 3 razões para acreditar na beleza

Não. Não é um momento Gustavo Santo ou uma campanha de iogurtes para nos amarmos mais. 

É uma mensagem simples, de confiança e auto-estima, aquelas que deixamos tantas vezes no fundo da gaveta, e que escolhemos não usar, quando enfrentamos o mundo. Há tempos li um artigo que falava sobre a forma como duas mulheres pedalavam junto ao mar. Circulavam despreocupadamente de top curto e calções, nas suas bicicletas, sem esconder ou exibir o seu corpo, vivendo-o tal como ele é. Com aquelas curvas de quem é feliz, e um sorriso no rosto. O segredo para isso é auto-confiança a par com uma auto-estima que bloqueia os comentários dos outros. Quantas vezes não colocamos uma sweatshirt ou um top mais comprido para esconder qualquer coisa, mesmo ficando, desnecessariamente, a suar? Quantas vezes enrolamos a camisola à cintura não porque temos calor, usando-a como uma espécie de acessório, porque parece mal usar leggins assim tão justas, ou porque queremos esconder alguma coisa?

Podem baixar os braços. Obrigada.

© Diogo Soares

© Diogo Soares

Ponto 1: não temos partes do corpo feias, horrendas ou nojentas que mereçam ser escondidas. 

Ponto 2: as fotografias maravilhosas que aparecem no instagram, sites de redes sociais e restantes meios de comunicação social são meias-verdades. Um retoque aqui, um pormenor ali. Eu sei-o porque também eu (mea culpa) há dias pedi a uma amiga para me retocar uma foto, eliminando uma borbulha no queixo. Know what? Não usei nenhuma das versões. Fiz uma nova fotografia porque temos de mostrar aquilo que somos num dado momento e não aquilo que éramos há um ano. Ou mais... Retocar olheiras não é o mesmo que eliminar celulite, encolher barrigas ou emagrecer o rosto. Esqueçam o que vos mostram, acreditem em vocês e na vossa capacidade única para serem felizes. Com barriga. Com braços por tonificar. Com ancas largas. Com....

Ponto 3: se formos elegantes ou magras - daquelas a quem chamam carga d'ossos -, se formos tonificados - eles e o seu six pack - porque razão temos de nos esconder? Em boa verdade, falamos muito da gorda que, coitada, é sempre apontada na rua, mas esquecemo-nos das magras muito magras que não conseguem engordar e passam constantemente por anorécticas - mesmo quando enfardam à bruta e o seu metabolismo é acelerado - bem como das pessoas perfeitamente normais que também se escondem com a roupa porque exibir um corpo sarado parece mal. 

Em que ficamos?

A vida é muito curta para perdermos parte do nosso dia a olhar para o armário pensando na roupa que vamos vestir. Se esta acção - a roupa que vamos vestir - já é, em si, uma dor de cabeça, piora bastante porque a este pensamento sucedem-se outros, em catadupa: aquelas calças são muito justas, a blusa mostra demasiado as mamas, a sweat não é apropriada porque não vamos de sweatshirt para aquela reunião, doem-me os pés não me apetecem saltos e hoje tenho de os usar porque, novamente, podem olhar de lado se aparecer de chucks. Raios... o que tenho vontade é de usar aquelas calças justas - na verdade não são, só exibem as formas a quem perde 30' a olhar para isso - com a sweat e os chucks. O que fazem? Cedem ou avançam com o que vos apetece?

Lembrem-se sempre de como comecei: duas mulheres nas suas bicicletas, de top e calções com um sorriso feliz.

A relação entre a nossa imagem corporal e a influência do preconceito social determina os nossos níveis de confiança e auto-estima, razão pela qual somos obrigados a fazer uma escolha na vida: eles ou nós. Eles, que minam a nossa auto-confiança, questionando as nossas escolhas; eles, que deitam a auto-estima abaixo por nos fazerem pensar que estão mais certos do que nós, questionando e apontando defeitos. Eu fiz a minha escolha. Façam a vossa e sorriam mais.

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