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Moda Lisboa: fast trends are so out

Moda Lisboa: fast trends are so out

Para a maior parte das pessoas a moda é algo muito fútil e superficial. Também pode ser, mas não só. Independentemente da forma como interpretamos o significado da palavra moda,  todos nós sabemos que as peças que escolhemos e as conjugações que fazemos têm, em si, algum tipo de significado. Mesmo quando queremos anular aquilo que significa. Estranho, não é?

A moda não é apenas uma indústria. É também uma forma de comunicação que tem tanto de sublime como de subliminar, actuando de forma inconsciente nos limites da nossa capacidade de interpretação. Sempre gostei muito de observar o modo como os vestimos, sem pensar muito naquilo que regula o gosto do momento, ou seja, a moda. E também sempre senti que esta poderia ser uma ameaça à nossa intelectualidade por estar, tantas vezes, associada a essa ideia de consumismo exacerbado. Especialmente nos últimos anos em que compramos sem pensar na razão de tanta variedade a um preço escandalosamente tão baixo.

Quem produz? Em que condições?

É notória a preocupação das marcas e dos criadores para desassociar a moda daquele estereótipo da fashionista obcecada por tendências, incapaz de as interpretar, para as reproduzir independentemente de uma noção de estilo. A moda tem evoluído num sentido de maior relação com o mundo real, representando, também, os seus valores e as preocupações sociais. Se é certo que à moda são inerentes as tendências e que a sua definição (ainda) está nas mãos de poucas pessoas, também é verdade que há cada vez mais interlocutores no processo, permitindo uma adopção pessoal de cada uma delas. 

A Moda Lisboa começa esta semana e isso só interessa verdadeiramente à imprensa especializada. É um evento que marca a agenda mediática que, por sua vez, trata o tema com a suposta superficialidade que merece, mostrando apenas o que está à vista de todos. Na realidade, quer a moda em si, quer a Moda Lisboa, são fenómenos em camadas que devem ser interpretados para além do que acontece nos desfiles, porque as criações dos estilistas são representações da própria sociedade e das suas relações de poder. Da mesma forma que a tendência é a de criarmos uma sociedade diversa que integra e acolhe a diferença, também a moda segue a tendência, quer ao nível da escolha dos modelos, quer da estrutura dos seus eventos. 

E é, finalmente, a própria indústria que se auto-questiona, contrariando a ideia do universo de glamour que sempre lhe esteve associado porque, no final do dia, acabamos (quase) todos por entrar numa loja inditex para comprar a latest fashion trend. Até conseguirem dominar o mercado do fast fashion, que é como quem diz, o pronto-a-vestir, estas cadeias de lojas imitavam as passarelas e davam ao comum dos mortais a ideia de que podería ser como as estrelas, vestindo roupas parecidas. Hoje já não conseguimos decifrar a teia de relações e de influências. O street style invadiu os sites de redes sociais e, inevitavelmente, influencia quem pega num lápis para desenhar a next big thing. Seja uma saia ou uma tshirt. Da mesma forma, ainda que esta fast fashion tenha uniformizado bastante a forma como nos vestimos, é das combinações que fazemos que surge a diferença e o estilo.

Para esta estação as tendências estão já amplamente documentadas e parecem-me todas (ou quase) um bocadinho requentadas. Sinto que estou velha quando vejo o regresso do que usei aos vinte anos e muito jovem por perceber que a maior parte dessas coisas continua a fazer sentido. A moda é cíclica, reinventando-se continuamente, dizia-me a minha mãe e eu achava que só acontecia daquela vez. Na verdade, o vermelho total não é novo. Lembro-me de capas de revistas que o anunciaram há um bom par de anos, da mesma forma que não havia nenhum cool guy que não tivesse uns Vans. Os Cortez não são do meu tempo mas ganhei umas bolhas com os chucks que, em boa verdade, nunca chegaram a estar verdadeiramente fora de moda. Se o double denim era estranho, agora achamos que fica muito bem, da mesma forma que sinto uma certa nostalgia pelo xadrez que me leva de regresso aos tempos de escola. Primária... Não sei se adoptarei o príncipe de Gales porque me lembra os tempos em que, por engano, achava que tinha que me vestir como uma senhora. Não tinha. Não tenho e não temos, porque o conceito é completamente disparatado. E, depois do padrão escocês, do príncipe de Gales, falta apenas o regresso do bom velho tweed... No entretanto, aproveitem o roupeiro masculino porque o estilo oversized continua em alta, especialmente nos camisolões. O problema destes retornos das tendências é só um... nunca voltam exactamente da mesma forma, corte, cor ou padrão. Talvez por isso a moda seja um negócio e não apenas uma forma de representação social.

Esperamos pelos saldos para comprar o que já temos, reutilizamos o que aparentemente já não interessa ou interpretamos o que estas tendências querem dizer e criamos o nosso próprio estilo?

Qual vai ser a vossa opção? 

 

 

 

 

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10 palavras para gostarmos (mais) de nós

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