olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

A moda vai de sneakers, sabiam?

A moda vai de sneakers, sabiam?

O que é a moda se não um reflexo da sociedade? 

E o que é a sociedade se não um conjunto de diferentes pessoas que são, também, pessoas diferentes?

Quando anunciei que iria ser embaixadora do Body Image Movement houve quem comentasse, questionando, duas coisas:

- a razão pela qual decidi abraçar este movimento

- se tinha noção de que não encaixava em nenhum dos padrões normalmente associados a este tipo de movimento

Respondi de forma rude, confesso, devolvendo a pergunta, questionando que para se defender uma causa como esta é preciso ser gorda ou esquelética, sofrer de bulimia ou anorexia, não ter uma perna, ser ruiva, preta ou sofrer de vitiligo. E expliquei que o facto de ser como sou é o melhor argumento. Porque em cada naturalidade e normalidade escondem-se, também, defeitos e inseguranças. 

Posso não ter um altifalante para me fazer ouvir mas se contribuir para que uma - UMA - pessoa aumente a sua auto-confiança e perceba que não está sozinha neste caminho de auto-aceitação, terei cumprido parte da minha missão. A moda e os media são indústrias muito poderosas, que influenciam deliberadamente a sociedade e os indivíduos sem que estes se apercebam. Há uma diferença entre escolher usar, ou usar porque acreditamos que é assim que tem de ser. Da mesma forma, quando nos vemos ao espelho o reflexo que este nos devolve não corresponde totalmente à verdade. A luz, o ângulo e, sobretudo, o nosso olhar. Uma prega aqui, uma ruga ali, um pneu na cintura que teima em não desaparecer por mais empenho que tenhamos. Por vezes não está lá mas continuamos a olhar para ele. Porque nos ensinaram este olhar crítico que se expande ao outro, a quem observamos criteriosamente, julgando antes de ouvir.

Da mesma forma que estabeleceu os padrões inalcançáveis, a indústria da moda tem, progressivamente, incluido pessoas diferentes, corpos com dimensões e formas mais próximas do real, tons de pele que representam a diversidade da qual (também) fazemos parte. Consta que o último ano foi de viragem, para aceitar e integrar a diferença.

Nenhuma mulher consegue deixar de usar maquilhagem de um dia para o outro, ninguém emagrece estalando os dedos ou cria uma confiança inabalável, para vestir apenas o que lhe apetece, independentemente dos padrões, das regras e dos olhares. O caminho faz-se caminhando e, parece-me, podemos ir de sneakers...

 

Chic Heart

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Obrigada. Não custa nada.

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