Comer para emagrecer? Yes we can.

Ela conseguiu. Quantas mais poderão também conseguir? Acima de tudo, quantas de nós estão reféns de si próprias sem conseguirem dar o passo que falta em direcção aos seus sonhos e objectivos? Um cabelo de outra cor, menos brancos, mais peso, menos peso, mais bem estar, menos cansaço? Quantas?...

Nesta nova secção de Life & Style não esperem encontrar apenas o que habitualmente está nas secções de Lifestyle. Nada contra, mas sinto-me uma espécie de Grilo Falante que não consegue calar-se, e que sempre procurou ajudar o Pinóquio. Como? Colocando o dedo na ferida, aquela que tantas vezes nos esforçamos por ignorar. Peso a mais. Quem nunca? 

Não sei se não haverá nesta notícia alguma promoção associada à marca que Kirstie Alley fala. Contudo, o que é realmente importante destacar é isto:

Comecei a ir de bicicleta para todo o lado porque é realmente divertido. Depois, os meus amigos começaram a juntar-se e tornou-se uma coisa social, da qual gosto verdadeiramente
— Kirstie Alley no Diário de Notícias

Além disto, consta na notícia que a "atriz revelou ainda os segredos da sua boa forma física: ioga, dança e trocar o carro pela bicicleta". Oh yeah... O segredo básico para qualquer estilo de vida saudável: alimentação cuidada e exercício físico que, normalmente, resultam num peso estável ou, para quem precisa, numa perda de peso.

Ao percorrer as notícias sobre a sua perda de peso, eis que percebo o que motivou Kirstie: em Dezembro de 2015 atingiu um peso que considerou limite e, por isso, mais do que estabelecer objectivos (perder 23 Kg, por exemplo) decidiu que iria perder peso e manter-se elegante. porque, como afirmou numa entrevista ao AOL, é uma questão de mentalização. Acredito que sim. Não sou gorda e nunca tive peso a mais (dois ou três quilos não contam, já sei!...) mas acompanho de perto o drama de quem vive em dieta permanente ou de quem não se liberta do iô-iô. Argumentem o que quiserem, posso não saber do que falo mas sei muito bem que se comesse o que tenho na vontade e me limitasse a estar sentada no sofá teria outro peso e volume. Já experimentei e deu-me um trabalhão reverter a situação. Por isso, sei bem o que é a "questão de mentalização" de que fala a Kirstie. É aprendermos a comer o que nos faz bem e evitar o que nos faz destrói. É conhecermos o s alimentos para não nos deixarmos enganar com porcarias que nos vendem como se fossem saudáveis (com a mensagem de "não engorda" escondida de forma subreptícia). É termos força para nos equiparmos e praticarmos desporto quando chove, faz frio, é tarde ou estamos cansados. É conhecermo-nos e sabermos quantos erros podemos cometer até entrarmos num esquema que nos afasta definitivamente do bom caminho... 

A comida provoca-nos uma agradável sensação de bem estar e, por isso, também causa uma certa dependência. O que engorda sabe sempre bem. As batatas fritas. O bitoque. O pão molhado no molho das amêijoas. O bolo de chocolate. Sal e açúcar, assim como a gordura são viciantes. Não nos esqueçamos disso... Há quem se vingue na comida por tudo aquilo que está mal, numa espiral de tortura que culmina com a agressão do espelho e da balança, esses objectos cruéis que temos em casa. Não há melhor medida do que um par de calças que nos assenta na perfeição quando estamos naquele que é o nosso ponto perfeito. E que devem ser experimentadas regularmente, mesmo que a estação não permita. Porque, na verdade, não havendo um problema de saúde que o justifique, engordar ou emagrecer (porque há um grupo do qual nos esquecemos e que são os demasiado magros) depende apenas de nós.

A notícia é muito clara: ao fim de vários anos a lutar contra o excesso de peso, a actriz conseguiu manter um estilo de vida saudável. Não sei se isto é PR, ou mais uma "não notícia". A mim interessa-me perceber que as escolhas saudáveis podem ser determinantes para o que somos e como parecemos por isso, e só por isso, a reproduzo. Há muito que ouvia falar dos problemas de peso de Kirstie e de como isso afectou a sua carreira. Num reino da imagem como aquele em que vivemos, o escrutínio das mulheres, do seu peso, do seu envelhecimento e da sua beleza é, por vezes, demais. A Kirstie é disso um exemplo, assim como a Oprah que, parece-me, já desistiu de corresponder aos padrões que lhe querem impor. Acima de tudo, assumamos o que somos e como somos, façamos por atingir os nossos objectivos pessoais independentemente do que nos dizem os outros ou do que nos determina a sociedade.

Aplica-se aos saltos altos. Ao peso. À cor do cabelo. A tudo.

O vídeo não deixa margens para dúvidas. A Kirstie faz publicidade ao regime alimentar que supostamente lhe trouxe os resultados que desejava. Independentemente da mensagem comercial, é bom rever a estética de Cheers e algumas das suas personagens... 

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