olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

About the angle

About the angle

Sabem qual a melhor parte ao ensinar? Aprender todos os dias. Não me refiro à aprendizagem obrigatória que cada professor deve fazer ao longo da vida, sobre as matérias que lecciona, o mundo que o rodeia e o mundo do seu público. Refiro-me antes ao que nos ensinam aqueles que nos procuram para aprender porque, para podermos ensinar, temos de estar disponíveis para aprender.

Eu aprendo (ou faço por isso) e hoje, out of the blue, que é como quem diz, assim sem esperar, aprendi que temos todos os mesmos problemas com a imagem. Porque uma das minhas alunas está a estudar o tema "imagem corporal", ajudei-a a fazer uma experiência com a turma. Não há melhor forma de terminar uma aula do que informalizar o processo, adoptando uma postura descontraída e deixando-nos ir. O chamado go with the flow, que resulta muito bem quando queremos aprender sem que nos estejam, formalmente, a ensinar. Achamos todos que temos alguma coisa que deveria ser alterada, que as olheiras são impossíveis de combater, que o cabelo é mais rebelde do que gostaríamos ou que simplesmente poderíamos estar com melhor aspecto ao acordar. Aprendi sobretudo sobre mim, na arrogância de quem sabe tudo e que poderia sair à rua sem lavar o rosto ou usar a escova de cabelo. Na verdade posso. Vocês também. Porque ao fim de todo este tempo aprendi uma coisa que se traduz em dois comportamentos:

NO F*CKS GIVEN

traduzido no I don't give a sh*t em relação ao que os outros pensam,

esperando que os outros também não give a sh*t sobre o meu aspecto.

Também percebi que fui aprendendo ao longo dos anos que menos é mais. Se uma borbulha me tira do sério? Tira. Odeio. Sinto-me a última das mulheres e convenço-me de que todos vão olhar para mim vendo apenas uma borbulha. Posso fazer alguma coisa? Não. Esconder normalmente piora, porque aquele monte de anti-qualquer coisa mais a base e o pó-qualquer coisa o que fazem é destacar algo que estamos a esconder. Disfarça. Não esconde e, menos ainda, elimina. O melhor é apostar no SOS Borbulhas, no corrector ou qualquer solução que trate a borbulha. Porque esconder... Só com maquilhagem para ir à televisão. Não é a vida real. O ideal mesmo, é não ter borbulhas. Excepção feita para situações de desequilíbrio hormonal, uma alimentação equilibrada, sono regrado e cuidados regulares com a limpeza da pele podem fazer milagres. Been there, done that. 

Este artigo é sobre o ângulo. Porque a mesma pessoa pode parecer uma de duas coisa consoante o ângulo da fotografia. O que, para pessoas preocupadas com a sua imagem, faz todo o sentido. Se podemos andar com maquilhagem todos os dias, uma super produção ao nível do outfit e cabelos de fazer inveja? Podemos. Mas, depois, o que vamos fazer quando a situação for especial? Aquelas pessoas que idolatramos das revistas, da televisão e do instagram são pessoas normais, como nós. Quando acordam também acham que estão com olheiras, com cara de zombie, com uma borbulha no local errado, com os cabelos em pé...

Ao longo dos anos fui-me dedicando mais aos detalhes e menos ao que os outros pensam ou consideram que devo fazer. Ignorando cada vez mais os estereótipos, os padrões e as convenções, para definir as minhas, baseadas no que penso ser importante, e no que me faz sentir bem. Fui gradualmente - em alguns momentos forçando-me - a abandonar a maquilhagem excessiva, da qual nunca abusei. Não sou fundamentalista a ponto de rejeitar por completo maquilhagem. Se me apetecer, se tiver tempo ou se a situação o exigir, um corrector de olheiras, um BB Cream, um lápis nos olhos ou um batom poderão fazer parte da produção. As unhas, impecavelmente arranjadas e pintadas? Se puder. Se tiver disponibilidade. Acima de tudo, se me apetecer. E raramente apetece perder uma hora limando, empurrando e pintando. Para depois esperar que seque, e passar o resto da semana cheia de cuidados para que o verniz não estale? So not me. Sapatos, botins e saltos? Se me apetecer. Sneakers are here for good e eu abracei o estilo. Nos limites do bom senso e do protocolo. Conforto, acima de tudo. Qualquer peça que me incomode, cujo corte não seja perfeito ou que me obrigue a ajeitar durante o dia tem sempre os dias contados. Porque todos estes detalhes contam para gostarmos do que estamos a ver ao espelho. Acima de tudo,  é fundamental aprendermos a olhar para quem somos e não tanto para aquilo que os outros pensam estar a ver . Porque, no final, é apenas isso que vai contar: o que cada um de nós vê ao espelho. E isso, não tem absolutamente nada a ver com o que possam os outros pensar.

Adele: tudo no lugar

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3D shoes?...

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