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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

#WednesdayWisdom

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A sabedoria de Quarta-feira faz-me pensar que quando me convenci de que deveria abraçar o keep it simple não tinha a menor noção do impacto que tal filosofia pode ter na nossa vida. E no nosso estilo. De facto, o estilo effortless nem sempre é tão "sem esforço" quanto aparenta embora, na verdade, seja mais divertido, dando menos trabalho e preocupações do que qualquer outro estilo. Pode parecer fútil ou superficial estar a falar de trapos e sapatos. É tão pouco erudito, tão pouco intelectual... 

Porquê isto? Porquê agora?

Porque pacifiquei-me, finalmente, em relação à roupa e essa coisa que atormenta tantas pessoas, que é a decisão sobre o que vestir. 

Não criei um uniforme, nem visto todos os dias as mesmas peças. Percebi, apenas, como aplicar aquilo que há muito venho apregoando: less is more e keep it simple. Penso ter atingido o equilíbrio no roupeiro, no dia em que deixei de me preocupar com os outros e o contexto, pensando em mim, no que me faz sentir bem e no que faz ressaltar os meus pontos fortes. Naturalmente não abandonei o bom senso, usando chinelos de praia numa sessão solene, mas adoptei um estilo que assenta em 3 premissas: conforto, versatilidade, simplicidade. Tudo se torna mais fácil de conjugar e... impressionar.

As regras estão escritas. Enunciá-las seria redundante. Parece-me que o mais importante será aplicá-las, sem as transformarmos numa espécie de livro de estilo, uma obrigação como acontece com as dietas. Que seguimos para depois abandonar. Nesta questão do estilo, como em relação à alimentação, a roupa representa quem somos, o nosso estilo de vida, único e inimitável. Por isso talvez seja tão importante sentirmo-nos bem. Para parecermos isso mesmo: bem.

O processo começa por um conjunto de peças que são invisíveis para os outros e determinantes para nós: roupa interior demasiado justa ou inadequada para a roupa que vamos vestir não deve ser considerada. Cuidado com as cores e transparências, bem como os decotes. Não há pior do que estar numa reunião e passar o tempo a controlar a alça do soutien... Por outro lado, não adianta perder muito tempo a pensar na roupa. Importa, sim, conseguirmos ver as peças de que dispomos. Como serão poucos os que terão um quarto de vestir com todas as peças em exibição, convém abrir gavetas para verificarmos o que temos. Encontramos sempre coisas que, de outra forma, não iríamos usar. A esse propósito, convém, uma vez por ano, fazer a revisão da matéria dada, percorrendo todas as gavetas analisando o que lá estiver dentro. Se não usamos essa peça há um ano ou mais, e não for uma peça statement, icónica ou vintage... É tempo de dar.

Não sou pessoa de muitos acessórios e temo sempre quem se deixa inebriar pelo excesso. É conveniente usar um conjunto discreto de acessórios que nos acompanham diariamente e que substituímos (ou acrescentamos) por outros quando o outfit (ou a ocasião) assim o exige. Marca imediatamente a diferença entre o normal e o especial. Nos últimos tempos (entenda-se, depois do Verão e da minha decisão consciente de vestir exactamente e apenas o que me apetece independentemente do que as supostas regras de estilo possam querer dizer) passei a receber muitos e repetidos elogios. De mulheres. Que dizem sempre o mesmo, referindo a palavra "estilo". Por isso decidi partilhar. 

Decidi apostar num conjunto sóbrio, ao qual junto uma peça de cor forte, um casaco arrojado ou uns sapatos impossíveis de ignorar. Se olharmos com atenção, são muitas vezes jeans simples e t-shirt básica, aos quais junto um casaco que marca a diferença. Ou uma t-shirt que se assume como rainha, emoldurada por outras peças muito discretas. A um vestido de linhas direitas sem grande história, junto uns botins que falam por si. A um vestido igualmente simples, acrescento um lenço ao pescoço que faz toda a diferença. Não podemos estar totalmente neutros ou carregar demasiado. É no equilíbrio que está o estilo. No fundo é exactamente o que sempre fiz. Com a diferença que não me preocupo em estar mais ou menos formal consoante o contexto, assumindo quem sou através daquilo que decido vestir. A confiança faz parte do processo e a atitude contribui para esta composição. Por isso, agora consigo fazer contrastar padrões sem parecer louca e juntar texturas fazendo sentido. Estilo também é misturar sem cair no exagero. Jamais usar uma peça que não esteja devidamente adaptada ao tamanho e às formas do meu corpo, mesmo quando as vou roubar à secção masculina das lojas mais conhecidas, exagerar na maquilhagem (que deixei de usar para me poupar), mostrar demasiada pele, usar um conjunto totalmente justo ou completamente folgado... 

Finalmente, seguir a regra da Coco Chanel e olhar ao espelho antes de sair. Se algo nos parece a mais, então é para retirar. E sair, de sorriso no rosto. Sempre o nosso melhor acessório!

 

Nota: conforto não significa pijama ou calças velhas de fato de treino, versatilidade significa que a mesma peça pode servir para uma situação formal utilizando os acessórios certos e simplicidade não quer dizer banalidade.

Mime et moi...

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Guys have body issues too

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