2017

Resolução para depois de amanhã: como escolher um ginásio? 3 regras simples

Para aqueles que tinham sempre um atestado médico no bolso das calças de fato de treino ou os que ficavam em ânsias nos dias das aulas de educação física, a inscrição num ginásio é algo que fica sempre para depois, verdade?

Na maior parte dos casos não é preguiça, apenas inércia. Acumulação de hábitos e rotinas pouco saudáveis consideradas absolutamente normais: muitas horas na posição sentada e uma alimentação com demasiado açúcar, sal e gorduras escondidas, considerada igualmente normal. Chegamos àquele ponto em que o corpo está na meia idade e nós ainda pensamos como nos vintes, em que podíamos fazer tudo. Ou quase. Ou que estamos nos vintes com um corpo de meia idade. Também acontece.

As costas, especialmente a zona lombar, acusam os maus tratos, a cervical tem qualquer coisa que não sabemos identificar e não nos ocorre que, a forma como colocamos os pés no chão tem um impacto enorme nas questões posturais. Na cintura há gordura acumulada, as coxas tremem como gelatina e pensamos que este ano é que vai ser. Pois que seja. Em casa ou no ginásio sendo que, em casa, é necessária muita auto-motivação e disciplina para ignorar o sofá, o computador ou a despensa…

Como sair do sofá?

Como escolher um ginásio?

Sobre a primeira questão nada a fazer. Temos mesmo de querer, de perceber que o esforço compensa. Há pessoas para quem a actividade física é absurda e, de facto, está provado que existem pessoas que não necessitam de actividade física. Mas, mesmo essas, terão de concordar que até uma caminhada ajuda a descontrair, melhora a circulação sanguínea e tem efeitos positivos no sistema cardiovascular. Para os outros, como eu, que precisam do exercício para o organismo funcionar melhor 3 dicas para a escolha do que e onde fazer:

1. Localização:

Perto de casa garante que, depois do treino nos arrastamos para casa com outra energia, prontos para aterrar no sofá e descansar com a certeza do dever cumprido. Perto do emprego é perfeito para quem gosta de acordar cedo e treinar antes do trabalho, para quem tem uma hora de almoço que são duas, ou para quem consegue treinar e depois comer uma sopa e um batido proteico. De qualquer forma, importa considerar o tempo de deslocação até ao ginásio, se tem estacionamento ou está junto aos transportes públicos que utilizamos diariamente. Para quem não tem muita vontade, todas as razões servem para pagar e não ir. O tempo de deslocação não pode ser uma delas. 

2. Preço:

o preço é, sem dúvida, uma variável importante mas não pode ser determinante. O low cost é uma tendência da moda mas associado ao low cost vem, muitas vezes, a low experience dos monitores e dos instrutores nas aulas bem como a nossa própria low experience nesse espaço... Nada contra quem está a começar mas é bom que existam, também, professores experientes no ginásio e não apenas os miúdos que acabaram a formação e acham que sabem tudo. E neste domínio do fitness, egos e achismos são mais do que muitos… Tenham atenção à experiência e às condições dos materiais do ginásio...

3. Aulas:

não adianta querermos fazer. Temos de sentir que obtemos resultados e que, de alguma forma, nos diverte ou faz sentir bem. Há modas e, depois, há aquelas aulas que são sempre boas, independentemente das tendências do momento. Para quem normalmente não faz nada, começar pode ser uma dor de cabeça pela variedade de opções, pelos nomes modernaços ou pela diversidade de abordagens a uma mesma técnica. Pensem no que mais gostavam de fazer quando eram crianças e procurem a actividade mais aproximada…

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Como manter a resolução até ao final do ano? 

(ou até ao Verão, vá…)

Largar o telefone. Eu sei que na maior parte das vezes a música no ginásio não corresponde à música de que gostamos. Levar o telefone para uma aula de grupo é parvo e, se precisamos de o usar para ouvir música então está na hora de desligar as notificações ou de o colocar em modo de vôo. É que o exercício também requer concentração, mesmo que seja andar numa passadeira…

Seguir o nosso ritmo. Por vezes levamos a coisa ao limite e no dia seguinte não nos conseguimos mexer (quem nunca?!…). O ideal é retomar o exercício ASAP porque se vamos esperar pela recuperação, ficamos uma semana em casa e, quando voltamos, as dores regressam. No dia seguinte a um treino mais intenso (ritmo ou carga) devemos continuar a treinar, ainda que num mood mais leve. Parar é morrer, sempre ouvi dizer…

Pensar positivo. Só pensar não chega, precisamos actuar de forma positiva, asumindo o compromisso com o nosso corpo. Não é para ser a mais fit lá do bairro ou entrar numa competição que só existe na nossa cabeça mas aceitar que há dias em que o sofá fala mais alto, sem deixar que esses dias de excepção se tornem a regra.

Perceber que o exercício é um estilo de vida e não uma obrigação. Se o ginásio não dá, se as aplicações não resultam, se seguir os gurus no YouTube é chato e se nenhum tipo de exercício vos atrai, arranjem um cão. Se não podem arranjar um cão, façam dog sitting e ainda ganham uns trocos passeando os cães dos outros. Ou, simplesmente, levantem-se do sofá e comecem a caminhar observando a cidade ou o pôr-do-sol no mar…

Constipação? O yoga cura isso: 5 asanas fundamentais.

Há dias conversava com um amigo e, enquanto o ouvia, não pude deixar de pensar na verdadeira importância da alimentação, do nosso estilo de vida e do exercício. E, mesmo sabendo que não o vou convencer em relação às sementes ou às papas de aveia, ouviu-me com atenção quando partilhei que, em Agosto de 2016, alterei profundamente a minha alimentação e que, desde há um ano e meio, não estou doente.

Sofro (sofri?...) de sinusite crónica. Habituei-me a uma dor de cabeça permanente que apenas desaparecia no Verão, com o calor e a água do mar. Também sabia que deveria fazer profilaxia à  base de anti-histamí­nicos para evitar as crises, mas nunca o fiz. Evitava qualquer medicamento até ao limite do suportável. Mesmo assim, tomava anti-inflamatórios com muita frequência e, duas a três vezes por ano - no mí­nimo - antibióticos para tratar uma infecção.

Era assim. Não havia nada a fazer...

Até que pensei que não poderia ser assim. Comecei por tentar ir mais vezes à praia, durante o Inverno, mas não fui. Depois de uma crise que me deixou quase sem respirar, obrigando a  uma combinação de antibióticos e corticóides, pensei  que teria de encontrar uma solução. Não foi ao estalar de um dedo mas mudei radicalmente o meu estilo de vida e a alimentação. Exercí­cio já praticava portanto, seriam o stress e a alimentação os principais responsáveis. Enquanto conversávamos sobre isto, foi ele que me disse que a grande diferença, este ano, seria o yoga. 

De facto, se associarmos os diversos factores, o yoga terá um peso fundamental. As respirações que o definem limpam o organismo e, consequentemente, mantêm-no mais saudável. Assim, decidi partilhar, porque, algures desse lado, pode estar alguém à  procura de soluções, como eu também já estive. Estas são muito fáceis de implementar.

Descobri 5 asanas que melhoram o nosso sistema imunitário e, por isso, evitam as terríveis constipações. Na maior parte das vezes, as infecções no nosso organismo resultam de deficiências no sistema imunitário, causadas, principalmente, por factores associados ao stress que diminuem a eficiência do nosso sistema endócrino. A maior parte dos movimentos são bastante simples e não necessitam de prática ou flexibilidade. Vão estimular vários órgãos, ampliando e melhorando o funcionamento interno do organismo, tornando-o mais resistente às agressões externas.

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Este movimento estimula o timo, glândula com grande responsabilidade no funcionamento do nosso sistema imunitário. De joelhos, com as nádegas apoiadas nos calcanhares, vamos estender um dos braços e, com o outro tocar no esterno, bem centro do peito. E trocamos o braço, levando um braço de cada vez numa das direcções em cada expiração. Inspiramos, mantemos a posição e expiramos, trocando o braço.

Também para estimular esta glândula, a posição de cobra: deitados de barriga para baixo no chão, os pés pressionam o chão, e os braços, à  largura dos ombros, fazem força para o tronco subir, apoiado pela contracção das pernas, nádegas e zona abdominal. Os ombros devem descer e as omoplatas encaixar uma na outra para que não seja exercida força sobre os ombros ou o pescoço.

Novamente de joelhos, esta técnica permite fazer o ar circular no nosso corpo. Braços esticados à  frente do corpo, agarramos cada um dos cotovelos e levamos os braços ao topo da cabeça, como uma espécie de moldura, inspirando e expirando rapidamente.

Do que tenho aprendido com o yoga, fica-me sempre a palavra estagnação, representando o pior que acontece no nosso organismo e na nossa vida. O yoga é uma prática que nos faz estar constantemente a aprender e as asanas, intimamente associadas à  respiração, garantem o fluxo e a limpeza dos vários sistemas no nosso corpo.

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A postura pode parecer complexa mas não é. Sentados no chão, cruzamos a perna direita sobre a esquerda, mantendo as duas ancas no chão, ou seja, não deixando que a anca da perna que cruza perca o seu alinhamento e que fiquemos apoiados na nádega e anca contrária. Com as duas nádegas apoiadas e as ancas alinhadas, efectuamos a rotação da coluna, apoiando uma mão atrás das costas, enquanto subimos o braço contrário, mantendo a posição durante alguns segundos.

A imagem não demonstra a postura com exactidão porque a executei na minha versão preferida. Aquela que devem fazer é mais relaxada, recorrendo a um bloco de yoga para apoiar as costas e manter a cabeça elevada, com as pernas esticadas. É uma posição de descanso que vai reposicionar os pulmões, trazendo-os para a frente em vez de estarem atrás, como habitualmente.

Novamente uma torção, desta vez com um joelho no chão e o outro num ângulo de 90 graus, as mãos juntas, em frente ao peito para efectuar a rotação e assim permanecer durante algumas respirações, limpando fungos e bactérias que circulam no nosso sistema respiratório.

Garanto que resulta!

Como o yoga mudou a minha vida em 3 asanas

Há tempos partilhei o percurso de Dana Falsetti (aqui e aqui) porque me pareceu um exemplo importante de amor próprio. Gostar de nós não é fácil, especialmente quando não correspondemos aos padrões que os outros definem. Já sabemos que não faltam #haters e que #hatergonahate. Mas continuam a incomodar-nos. Porquê?

Somos sensíveis, esforçamo-nos por agradar e inculcaram-nos a ideia de que temos de pertencer. A qualquer coisa. Pois bem: não temos.

Não queremos estar sós, sentimo-nos sozinhos ou isolados, mas também não podemos abdicar de nós em prol do outro. Ou dos outros, porque isso seria o anular da nossa natureza. 

A Dana Falsetti  tem um corpo que não corresponde ao que normalmente esperamos de uma instrutora de yoga. E, afinal, o que é que esperamos de uma instrutora? O nosso preconceitozinho interpõe-se sempre. 

Exactamente por não corresponder ao padrão, é muitas vezes alvo de comentários online que aprendeu a ignorar, da mesma forma que aprendeu a controlar a voz interior que a deitava abaixo. Como?

Yoga.

Se a Dana Falsetti sofria porque percebeu que deixou algumas coisas por fazer em virtude de uma suposta limitação física, aprendeu que nada nos limita mais que a self-talk, a narrativa que temos nas nossas mentes. Eu posso argumentar que, se do lado físico, não há nada a limitar-me,  é essa self talk inacabada que também me limita.

Porquê yoga?

Através do yoga acontece mais ou menos o mesmo do que com qualquer exercício físico, mas de forma mais intensa. Quando inspiramos e expiramos profundamente, concentramo-nos mais e melhor. Quando fechamos os olhos e obrigamos o corpo a manter-se na mesma posição durante alguns minutos, sujeitamos corpo e mente a uma atenção e, simultaneamente, abstracção, que nos afasta de pensamentos negativos. Aumenta o foco positivo.

Esta necessidade de auto-consciência, inerente à prática do yoga, traduz-se num estado de atenção no que é realmente importante. Aumenta a nossa capacidade de concentração e de tolerância, contribuindo para ultrapassar aquela pedra que alguém fez questão de colocar no nosso sapato.

O relaxamento que a prática induz - independentemente das posições mais ou menos acrobáticas - é, no fundo, meio caminho para sentirmos de forma diferente, aproveitando o melhor da vida.

O yoga ensina que somos nós que controlamos as respostas que damos ao que nos acontece. É, na verdade, uma ferramenta de auto-conhecimento que nos permite trabalhar corpo e mente em simultâneo, crescer e desvalorizar aquilo que antes, parecia tomar conta da nossa vida: a inveja, a crítica e o julgamento dos outros, respirando mais e melhor, principalmente, aprendendo a respirar fundo para seguir em frente. A ideia de que enfrentamos o mundo deixa d fazer sentido porque passamos a aceitá-lo como é, fazendo o possível para o melhorar. Sem a atitude bélica assenta na ideia de que temos de enfrentar o mundo.

Conclusão? 

Não adianta saírem a correr para se inscreverem numa aula de yoga porque podem praticar sentados numa cadeira. Eu, apologista do façam qualquer coisa mas mexam-se, também sei que há pessoas que, simplesmente, não toleram o exercício físico. Nas últimas semanas - na verdade, já são meses - nada mudou e, contudo, nada está igual, porque aceitei essa filosofia de vida que é o yoga. Ainda que publique umas quantas fotografias assim mais para o acrobático, na verdade, não tenho como vos mostrar o melhor do yoga, porque aconteceu cá dentro.

Há aproximadamente um ano que me me dizem que estou com bom aspecto, mesmo nos dias em que me sinto um caco. O bom aspecto vem sempre do interior e, há tempo igual que me sinto de bem com a vida, fiel aos meus princípios e valores, ao que desejo para mim e a minha família, mesmo que com menos dinheiro no final do mês. Não há nada que pague o tempo livre, o sorriso dos que amamos ou o tempo para fazermos o que gostamos. Isso não tem preço e também se aprende através do yoga. Passamos vida entre o que tem de ser, o que nos dizem para fazer e o que esperam que façamos. Falta sempre tempo para sermos quem realmente somos.

As minhas três asanas não têm de ser as vossas asanas. Cada um deverá descobrir o melhor para si. Gosto particularmente da Pada Hastasana, corpo estendido a agarrar os dedos dos pés, da saudação ao sol, Surianamaskara ou, tão simplesmente, da Padmasana, a posição que cruza as pernas e coloca os pés nas coxas. Em qualquer dos casos, o segredo não é chegar com as mãos ou chão ou colocar os pés nas coxas, qual mestre Hindu. É respirar, contemplar, agradecer, acalmar. Experimentem sentar-se, de pernas cruzadas, as mãos pousadas uma sobre a outra no colo. Respirem pausadamente, façam um esforço para manterem as costas direitas e a cabeça no alinhamento da coluna. Respirem. Fechem os olhos. Permitam que o caos dos pensamentos se acalme. Respirem novamente. Insistam porque das primeiras vezes é um suplício, ficar assim, sem fazer nada. Aguentem.

É desse nada que nasce tudo. Garanto.

Namaste 🙏🏻

Homewear, don't care

Navegava aleatoriamente quando me cruzei com um título que me chamou à atenção. Não consegui deixar de pensar… Colecção de roupas para usar em casa? Quem é que compra roupas para usar em casa? Não serão as roupas de que já não gostamos tanto, as camisolas com uns borbotos nas mangas, as calças que ficaram coçadas antes do tempo, as que usamos em casa? Numa era de um fast fashion bastante acelerada, compramos roupa específica para “apenas” usar em casa, ou usamos a tendência que já não é assim tão tendência, juntamente com as tshirts oversized que roubamos ao gajo que circula lá por casa, as leggins que afinal são assim um bocadinho transparentes e que não convém levar para o ginásio, os jeans que alargaram e já nos ficam sempre mal, ou?... Quem compra roupa desta?

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A Mango lançou uma colecção com roupa sexy mas muito confortável, dois adjectivos que raramente combinam. Sexy e confortável é o sonho de qualquer uma de nós quando anda em casa. Ou quando sai à rua, em boa verdade, porque optamos invariavelmente pelo confortável em detrimento do sexy… E saímos sexy e nada confortáveis. Continuei a ler o artigo porque, reconheço, comecei a escrever antes de chegar ao final do texto e percebo que, afinal, se trata de uma colecção destinada a quem trabalha em casa. Não é "apenas" roupa para estar em casa...

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Trabalho muitas vezes em casa e tenho de confessar que, por vezes, no Inverno, me sento na zona mais quente da casa de pijama e roupão. Quando dou por mim, passou a hora de almoço, não almocei e não me vesti. É então que acordo para a vida - porque a vida não é só trabalho - tomo um duche quente (no Inverno não há outra forma de aquecer os pés ou a ponta dos dedos das mãos), trato do resto e saio de casa. Ou, pelo menos, visto-me como se fosse sair. Não. Não quero mais roupa ou categorias. Joggers ou sweatshirts, malhas, cenas quentes e confortáveis. Não. Mais uma categoria no roupeiro é que não…

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Nas tendências para a estação, o oversized é uma daquelas mesmo boas para parecermos sacos de batatas na rua e estarmos confortavelmente sexys em casa. A ganga é outra das tendências e, no caso, o denim on denim em casa não tem como correr mal. Calça de ganga com camisa de ganga sem os pormenores que podem tornar o conjunto fascinantemente interessante, para nos sentarmos a trabalhar. Os ténis continuam em alta mas, para mim, ficam à porta de casa. Andar descalço é maravilhoso e os chinelos felpudos ao estilo Serra da Estrela são incontornáveis em pleno Inverno que parece, chegou.

Precisaremos mesmo de uma roupa específica para estar em casa ou deveremos adaptar aquilo que compramos ao facto de passarmos mais tempo do que aquilo que é habitual a trabalhar em casa? Fica a questão...

 

Dress code: myself

É impossível não estar a pensar em inglês depois de passar o dia a usar esta língua franca. Contudo, começo com uma expressão com sotaque brasileiro porque é daquelas tão genuínas que tenho pena que não façam parte do nosso vocabulário, sotaque carioca incluído.  

Fala sério, cara!... 

É. Vamo fala sério porque há coisas que todos pensamos e não dizemos, pormenores que nos inquietam sobre os quais não falamos porque não é suposto. Todas as manhãs o problema é mais ou menos igual para todos nós: a roupa que vestimos.  Continuem a ler porque não é a bullshit do #ootd ou do #olhemparamimtãogiranoinstagram de quem se dedica simplesmente ao #streetsyle sem pensar cinco minutos sobre a roupa que veste ou o que significam essas opções. 

Seja em contexto pessoal ou profissional, o que vestimos tende a representar quem somos. É inevitável fazer juízos de valor a partir da forma como o outro se apresenta ou evitar as percepções que essas opções podem representar.  

Blá, blá, blá não somos o que vestimos e não sei mais o quê, mas é vê-los passar de camisa e blazer com a identificação ao pescoço que denuncia a pertença a uma empresa de grande dimensão, socialmente estabelecida e relevante, com elevado grau de institucionalização, lado a lado com as sweatshirts pretas e jeans de quem mexe com cabos ou produz conteúdos, e as tshirts made in Silicon Valley, mesmo que sejam de qualquer outra geografia eminentemente tecnológica.

Participar numa conferência ou encontro desta natureza é atirarmo-nos para uma espécie de abismo, porque nunca sabemos exactamente o que vai acontecer ou quem vamos encontrar. Essa é parte mais divertida de um processo que começa na manhã do primeiro dia do evento e termina ao final do dia, questionando a indumentária que escolhemos.

A minha vida mudou verdadeiramente no dia em que decidi deixar de escolher em função do que esperavam de mim, da roupa que supostamente deveria vestir ou que sapatos calçar. Um dia, como qualquer outro, decidi, dentro das regras do bom senso e do que sabemos ser socialmente aceitável, vestir-me de acordo com a pessoa que sou, sem deixar que questionem as minhas capacidades e competências profissionais em função do que escolho vestir. Foi nesse dia que deixaram de me questionar e, mesmo tendo de enfrentar alguns olhares de admiração, não estou interessada em saber o que pensam sobre a roupa que uso. 

A roupa contribui para nos definir enquanto pessoas e pode ser tanto um acto libertador quanto um constrangimento ao nosso desenvolvimento pessoal. O tempo que passamos a pensar na roupa que vamos vestir em função de aspectos tão variados como a meteorologia, o que me apetece ou o que vou fazer, a percepção ou comentário dos outros e a imagem que pretendo transmitir, está inevitavelmente perdido, razão pela qual passei a focar-me nos dois primeiros e, se for relevante, no último da lista. Uma coisa é certa: nunca mais perdi tempo e enchi uma caixa com roupa que não planeio vestir tão cedo.

Para eventos como este, que invade Lisboa toda a semana, o segredo reside na palavra conforto: roupa interior confortável, ou seja, nem apertada nem disforme; meias com tecnologia no sweat e reforço na zona central do pé para aguentar os quilómetros que vamos andar, com sapatos confortáveis, porque são os pés - e consequentemente a coluna - os mais vulneráveis. De resto, a técnica das camadas funciona muito bem porque alternamos entre diferentes ambientes e temperaturas. Pequeno kit de higiene pessoal porque acontece, por vezes, estar demasiado quente e suarmos em bica. Ninguém quer ir para o after something com mau aspecto e, especialmente, a cheirar mal. Eu sei que não, mesmo que digam que não querem saber porque, simplesmente, essa atitude blazé é também ela uma grande mensagem. Que, por vezes, não vem acompanhada do melhor odor...  De resto, elásticos de cabelo para elas, mints ou pastilhas elásticas para todos, água com fartura e uma opção de estilo que vos permita sentar em qualquer lado. Inclusivamente, no chão.

Padmasana

Por vezes só precisamos sair do nosso registo habitual, mudar o cenário, respirar outro ar para fazer acontecer... Aconteceram muitas coisas boas nesta curta viagem ao Funchal, a convite da RTP Madeira, para as celebrações dos 50 anos de emissões da Antena 1. Senti-me honrada e intimidada com este convite, por tudo o que representa e significa. Dividi o palco em duas conferências diferentes com nomes Grandes do jornalismo em Portugal, como Adelino Gomes e Sena Santos [ver conferência], e contemporâneos da rádio, como Rui Pêgo ou António Mendes.

Conheci pessoas que valorizam o meu trabalho (#egoboost) e tive oportunidade de conversar com outras, com quem já me havia cruzado. Ainda tive o prazer de contribuir para uma eventual disrupção do jornalismo e da redacção da rádio no Funchal, bem como para tentar influenciar os mais jovens, cativando-os para a rádio ao mesmo tempo que os alertei para esse mundo brilhante e glamoroso mas, muito perigoso, dos sites de redes sociais. 

Na verdade, ainda tive tempo para assistir várias vezes a um maravilhoso nascer do sol, praticar yoga a ver o mar, mergulhar nas águas do Atlântico e surfar com a MadSea. E foi na água que percebi que fui eu quem viajou, levando o urbanista comigo. Porque, a partir de um determinado momento, criação e criador tornam-se inseparáveis e, nessa improbabilidade, fui até ao Seixal com a MadSea para apanhar ondas no Atlântico.

A MadSea, da Mónica Viveiros, é uma empresa dedicada à promoção do bodyboard na Madeira. A Mónica, desportista nata, rendeu-se ao bodyboard e dá as melhores dicas que, até hoje, já ouvi. Não lhe interessa se sabes ou não fazer, porque te aponta os pormenores que fazem a diferença. E mesmo que lhe explicasse que vou para o mar para me divertir, para limpar as vias respiratórias, não hesitou em corrigir, ajudar e fazer-me acreditar que até consigo apanhar ondas... (yeah, right!...)

A proposta é simples e serve tanto locais como visitantes: mar, natureza, descontração e convívio. Porque no final, aquelas duas horas dentro de água - sim, duas horas dentro de água sem frio - são celebradas à mesa como se de um almoço de amigos se tratasse. Afinal, se as pessoas se unem por uma paixão comum - o mar e as ondas - já têm motivos suficientes para se sentarem à mesa a conversar. Hoje a Mónica surpreendeu-me com estas fotos que eu não percebi que estava a tirar (obviamente que teria feito a #bloggerpose dentro de água) e que reflectem bem aquele Domingo de manhã que me ficou para sempre no coração, especialmente porque, na véspera, atingi mais uma pequena vitória: padmasana é para quem não sabe, uma asana aparentemente fácil mas que existe uma flexibilidade muito grande dos músculos das pernas e eu estou no caminho, esse caminho para a vida que é o yoga...

Disse-me a Filipa Veiga há uns tempos "practice and all will come" e a verdade é que sim, tudo chega até nós de uma forma diferente e, praticando, vamos desenvolvendo a nossa prática.

Há sítios lindo no mundo mas não há como descrever este nascer do sol e a possibilidade de espreguiçar, praticar umas respirações, activar o corpo e a mente, tomar o pequeno-almoço para, então, enfrentar o mundo com outra clarividência e sorriso. Tudo antes das 9 da manhã, não vá estarem a pensar que me sobra tempo... Não sobra mas, como dizia hoje um dos próximos convidados do podcast urbanista, precisamos de foco, de gerir o nosso tempo para fazermos mais e melhor e, sobretudo, podermos fazer o que gostamos. Nem mais.

Nesta viagem fiz tudo aquilo que gosto, incluindo rádio. Obrigada.

 

 

Cenas de comer

Anunciavam chuva e fez sol. Diziam que a Ophelia passava por cá e, afinal, mal se aproximou. Continuam os dias quentes e nós, indignados, queremos cabeças a rolar, incrédulos, pedimos contas, exaltamos uma revolução que pouco irá resolver. Depois do leite derramado... Não aprendemos e, temo, jamais aprenderemos a governar este país. Os fenómenos naturais já não são assim tão naturais porque temos todos muita responsabilidade naquilo que se passa. Não é apenas incúria, malvadez, terrorismo económico ou falta de noção. É também responsabilidade de cada um de nós, de cada vez que colocamos uma cruz na opção menos má ou, espantem-se, quando nos empanturramos com um bife de vaca. O deixa arder, que é, como quem diz, deixa andar, tem de acabar. Inclusivamente nas nossas opções de vida. Porque cada decisão que tomamos, de fazer ou não fazer alguma coisa, tem impacto na vida de todos. Incluindo os outros. 

São as pequenas acções que resultam em grandes mudanças e, no dia mundial da alimentação, o que têm os incêndios a ver com o que comemos? Tudo. 

Mesmo que nada tenha a ver. Haja estômago...

No Dia Mundial da Alimentação descubro que cerca de 40% dos consumidores portugueses não sabem ler rótulos. Ou seja, não compreendem a informação nutricional nos rótulos dos alimentos. São muitas pessoas. 

Como as compreendo... Eu também não entendo boa parte do que lá está mas aprendi o essencial. Por isso, tantas vezes partilho informação que pode ser útil as outras pessoas. E, garanto, não é uma missão impossível, esta de perceber o que escondem os rótulos dos alimentos...

Há critérios muito simples: 

Composição, ou seja, os ingredientes que compõem aquele alimento. Menos é mais, isto é, quanto mais simples a composição, menor a probabilidade de sermos enganados. Contudo, é preciso ir mais longe. Olhando para a declaração nutricional podemos avaliar a quantidade de açúcar e sal daquele alimento. Reparem, sempre, nos hidratos de carbono, dos quais açúcares, e façam as vossas escolhas porque há produtos equivalentes com quantidades de açúcar muito diferentes. O mesmo princípio se aplica ao sal, especialmente nos enlatados. Uma lata de grão - tão saudável (!) - pode ter quantidades de sal muito variadas. Escolham, sempre, a menor quantidade possível. Pensem também no açúcar adicionado, recordando a base do alimento que estão a comprar. O café, na sua composição, não tem açúcar, pois não? Então observem a informação nutricional de um cappuccino, seja ele de máquina ou de pacote, para misturar com água quente. Não tem como enganar... Todos sabemos o que significa a palavra açúcar, mas nem todos sabemos as derivações que existem e que são, à mesma, açúcar, com a agravante que poderão ser processados quimicamente. Novamente, regra de 3 simples: basta olhar para a informação nutricional... Mais de 20g de açúcar por 100g de produto, seja ele qual for, é um absurdo. Equivale praticamente a 3 pacotes de açúcar e quase a metade da dose diária recomendada. 

Visto assim parece diferente não é?

A gordura é outro dos problemas na alimentação porque, para a maior parte das pessoas, é bastante difícil de identificar. Na verdade, quanto mais natural for a nossa alimentação, melhor. E por natural refiro-me aos alimentos não processados, não embalados e que se comem tal como existem na natureza, mesmo que cozinhados ou temperados.

Dá mais trabalho mas faz-nos melhor. 

É muito difícil, especialmente para quem está todo o dia fora de casa, mas não é impossível.

Demora mais tempo mas compensa. 

Durante toda a vida comi como todos sempre comemos: o leite com chocolate, com a Ucal e o Nesquik à cabeça, o Chocapic e as batatas fritas Lays. Quem nunca?!

Não defendo qualquer tipo de fundamentalismo porque as restrições só nos fazem crescer a água na boca mas proponho uma espécie de regresso às origens, para reaprendermos a comer.  

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Já o escrevi e repito às vezes que forem necessárias: é uma viagem sem retorno porque depois de nos habituarmos a comer bem não temos vontade de voltar a comer aquelas bolachas cheias de gordura com as quais nos deleitávamos, os cereais demasiado doces ou aquelas empadas pré-cozinhadas que sempre soubemos serem tudo menos de galinha. Ou as tortas Dancake, os douradinhos da Iglo, as batatinhas duchess congeladas, os gelados de meio litro dizimados em frente à televisão, a mousse de pacote que não demora nada a preparar e os bolos pré-preparados aos quais juntamos leite e ovos... Tão fácil, isto tudo, não é?... 

Comi tudo isto e repeti vezes sem conta até perceber que estava mal. Depois, entrei numa onda de alimentação saudável que era apenas assim-assim saudável, com muitas incursões por opções mesmo nada saudáveis, convencida de que era apenas aquela vez. Eram muitas vezes. Algo tinha de mudar, mas eu não sabia como. Li muito, procurei informação, compilei e assimilei até que tudo se tornou um processo tão habitual que passou a ser rotina e não excepção: natural.

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Natural em termos de opções e do que estava a comer. Este é o caminho e não adianta forçarem-se neste processo. Precisamos ganhar consciência de que a alimentação é mesmo o combustível para o nosso organismo e a informação que as células necessitam para  o metabolismo funcionar. Aquilo que comemos nem sempre é reconhecido pelo organismo e pode transformar-se numa energia de melhor ou pior qualidade, com impacto no dia-a-dia.

Há anos li um estudo que comparava o rendimento atlético de gémeos. Um tomava um pequeno almoço baseado em proteína, hidratos e vitaminas, ou outro baseado em açúcares e gordura. Preciso dizer-vos qual deles tinha melhor resultados?  

Não precisamos deixar de comer chocolate, gordura, açúcar ou sal. Precisamos aprender a reconhecer as suas formas e fontes. De uma forma simples, o chocolate é feito a partir do cacau, ao qual se adiciona açúcar. O cacau, em si, não é doce mas é um potente energético e regulador do organismo, por isso, sim, podemos comer cacau.

Já o chocolate... depende da percentagem de cacau e açúcar...

Ao que já consegui apurar existem 61 formas diferentes para designar o açúcar, como a sucrose, a dextrose ou a maltose, apenas para referir algumas. O açúcar não é um inimigo mas tem de ser consumido com cautela. Como o colesterol, também há bom açúcar (aquele que está na fruta, nos vegetais ou cereais integrais e que, mesmo tendo de ser evitado em processos de emagrecimento não faz mal à saúde) e o mau açúcar, aquele que é adicionado sob a forma de carboidratos simples e refinados. Complexo? Nada. Keep it simple e estarão a comer bem. Onde está esse açúcar mau? Nos sumos de fruta, iogurtes, barrigas e muitos cereais, mesmo em algumas variedades de granola.

Corrijam-me se estiver errada nesta tentativa de simplificar as coisas:  o açúcar é composto por duas moléculas (glicose e frutose) processadas pelo fígado no processo de divisão molecular. Estas seguem para a corrente sanguínea para, juntamente com outros nutrientes, contribuir para as diferentes funções no nosso metabolismo. Muitas células processam bem a glicose e, por isso, é tão agradável a sensação depois de comermos pão ou batatas, porque é muito fácil para o nosso organismo processar este componente. É aliás, a glicose, a fonte de energia no nosso organismo. Contudo, quando damos ao fígado açúcar refinado, este é processado mais rapidamente porque é composto principalmente por frutose (ou seja, é vazio em energia e recheado em calorias), transformando-se em gordura! O fígado é o nosso órgão regulador e depurador. Se estiver em sobrecarga, então o pâncreas terá de actuar, tentando equilibrar o açúcar, produzindo insulina e fazendo com que o corpo acumule gordura. Neste processo há uma (uma outra...) hormona que é bloqueada (leptina) e que é responsável por nos controlar a sensação de fome. Comemos mais, normalmente alimentos açucarados, e o ciclo não termina.

Nada do que escrevo pretende servir para fazer dieta, ou seja, perder peso. Deixei de me preocupar com o peso e a gordura acumulada quando alterei a minha alimentação. Os químicos (conservantes, aditivos, intensificadores de sabor e açúcar adicionado) inflamam o organismo que, para além dos agressores naturais (meio ambiente, bactérias, etc) passa a ter de lidar, também, com esses elementos nocivos para o seu funcionamento. Quanto mais ingerimos alimentos processados, maior a dificuldade do nosso organismo em processar o que lhe enviamos até entrar em overload. Começam a manifestar-se pequenos sintomas, como inchaço abdominal, dores de cabeça sem razão aparente, pequenas alergias, cansaço, halitose, dificuldades digestivas... e continua até que se desenvolva, por exemplo, uma doença metabólica como a diabetes. Nem sempre tal acontece e há quem ande uma vida inteira impecável, sem se preocupar com nenhuma destas coisas. Mas também há os que engordam e não emagrecem de forma alguma, a não ser que passem fome. Tal acontece porque armazenamos o que não conseguimos queimar. E não queimamos por uma (ou todas juntas) destas razões: ou o organismo tem uma deficiência metabólica ou não nos mexemos. Ou, também, porque a acumulação de elementos nocivos (gordura e açúcar) é tal que o organismo já não a consegue eliminar.

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Informem-se. Procurem saber. Não se deixem enganar por uma indústria alimentar que procura alimentar-nos pela facilidade, tornando-nos dependentes da aparência e sabor apetitoso que muitos alimentos pré-preparados têm. Mesmo os que são light, com menos gordura, para celíacos, sem açúcar ou qualquer outra designação de marketing. Perguntem ao celíaco o que não deve comer e vão perceber. Ou ao diabético. Ou a qualquer pessoa com qualquer tipo de patologia associada à alimentação...

Nada tenho contra o açúcar presente naturalmente nos alimentos. Pelo contrário! Mas o açúcar, aquele que se produz artificialmente, que dá sabor, textura e cor, que acelera a fermentação (o pão e os bolos crescem mais rapidamente) ou que equilibra a acidez (molho de tomate, por exemplo), esse não...

Juntemos ao processo uma selecção de fruta e vegetais da época, mesmo que as alterações climáticas nos dêem castanhas (quase) piladas em Outubro. Numa altura em que (quase) tudo se consome congelado, tentarmos escolher os legumes e frutos é obra mas não é impossível porque, para mim, comer bem (saudável) mudou bastante a minha vida e pode mudar a vossa. Fujam dos congelados ou das embalagens com listas de ingredientes com nomes esquisitos porque raramente são comida de verdade. Basta seguirem estes princípios: keep it simple, keep it local, keep it natural... que é como quem diz, comam o que a terra, perto de vocês, tem para dar...

Wander. Lust.

Acordei cedo, preparei tudo e segui com uma amiga para Belém. A manhã estava a começar e o dia anunciava-se quente, neste fim de Verão que teima em não acabar.

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 O Wanderlust existe há 10 anos e, até há bem pouco tempo, só conhecia de ouvir falar. O Wanderlust é um triatlo que inclui corrida/caminhada, yoga e meditação. Depois de um ano a dar os primeiros passos, um Verão com muita prática e um mês inteiro dedicado ao yoga, o Wanderlust 108 é o culminar de algo que eu própria não sabia que estava a acontecer. E porque neste mundo tudo faz sentido, mesmo quando achamos que não, quando me questionei sobre a razão do 108 percebi que tudo faria ainda mais sentido do que poderia imaginar…

O número 1 corresponde à unidade, o 0 à totalidade e o 8 ao amor infinito que são, por outras palavras, princípios do yoga, para nos encontrarmos, sem que o eu se sobreponha ao nós. Este princípio de bem estar e de comunidade é muito forte e percebe-se, muito rapidamente, quando começamos a praticar. Dizem que o yoga nos abre o coração e permite ver com maior clareza e hoje, sei que é verdade. Não precisamos ser aquelas pessoas meio esquisitas que eu sei que muitos já estão a imaginar, para quem tudo é paz e amor, ou outras, que pregam sem aplicar e para quem um tapete de yoga é apenas um acessório de lifestyle e muito pouco um estilo de vida. Obviamente que o tapete ajuda (muito) mas por enquanto ainda pratico com uma toalha estendida no chão. Ou no soalho de madeira, se estiver em casa. Não é prático e muito menos confortável mas cumpre-se o objectivo e o dia começa com uma energia diferente. E não, não é a velha maxima do corpo são em mente sã ou a outra, de começar o dia cheios de energia. É mesmo o assimilar de uma energia diferente porque a postura perante a vida é, também ela, outra. No meu caso, nota-se mais na paciência para as pequenas coisas, no tom de voz mais baixo e pausado, mesmo que algumas horas depois já tenha voltado ao “meu” normal. Contudo, depois da prática, mesmo que seja como a de hoje, no pico do calor, rodeada por outras pessoas e com uma toalha que só escorregava - tudo para correr mal… - a paz interior que aquelas duas sessões de yoga me proporcionaram, seguidas de uma meditação guiada, não têm igual.

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Depois da corrida (ou caminhada), a Filipa Veiga assumiu a condução de uma sessão calma, quase introspectiva - ou tão introspectiva quanto possível, dado o contexto - que nos fez seguir a sua máxima e abrir o coração. Sou suspeita para falar porque é muito raro convidar alguém para gravar um podcast e revelar-se uma empatia que resulta numa conversa de horas (mesmo que vocês só tenham ouvido um resumo!) e, por isso, admito gostar muito da sua abordagem. O evento continuou com a prática de yoga conduzida por Jean Pierre de Oliveira, enérgico, dinâmico e muito desafiante, para fechar com o carinho na voz de Rute Caldeira a quem tenho de agradecer a forma como conseguiu, com o tom de voz e as palavras certas, fazer-me parar. Acompanhada pela guitarra do talentoso Arli, o momento foi, mesmo, de conexão interior e paz exterior, com um recinto repleto de pessoas deitadas. E mesmo que nem todas estivessem a meditar, é inegável o poder que o “deixar ir” pode ter nas nossas vidas...

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#beactive ou seja, mexam-se!

Nunca, como agora, se apelou tanto a um estilo de vida saudável e activo. Também nunca, como agora, existiram tantas doenças auto-imunes e metabólicas, resultado do estilo de vida apressado, condicionado e complicado que defininos para nós. Veio a moda do #befit, acompanhada pela do #slow e ainda a #healthyfood mas, para muitas pessoas, essa cena das sementes que se mastigam devagar, e do exercício que praticamos para as complementar, é uma grande treta que se ignora saboreando uma tosta mista bem quente e gordurosa, de frente para a televisão. Nada contra. Mas também sabemos que todas as decisões têm algum tipo de impacto na nossa vida. Porque os níveis de actividade física tendem a estagnar (ou, mesmo, diminuir) em alguns países europeus, com consequências para a saúde pública e custos económicos associados, a Comissão Europeia criou o movimento #beactive com o objectivo de levar a actividade física a todas as pessoas, independentemente do contexto social, idade ou aptidão física.

Há inúmeras actividades e propostas por todo o país para desafiar as pessoas a praticarem exercício mas, tenho cá para mim, que não vai resultar. Isto de nos levantarmos do sofá, e mexermos, vem cá de dentro, não adianta sugerir... 

Como deixar de ser #CouchPotato para #BeActive? Convém não esquecer que nem todos gostam de ginásios ou de suar em bica. Nem todos gostam de se confrontar com os espelhos e a luz que só destaca os defeitos. Nem todos se sentem à vontade de calcinhas justas ou peças de roupa que marcam a barriga (que levam ao ginásio para abater). Nem todos aguentam a passadeira, elíptica ou bicicleta a olhar para a televisão. Para estes já é suficientemente mau estar a praticar exercício, fazê-lo com más notícias ou videoclips mudos, cheios de gajas turbinadas só piora... Nem todos aguentam as comparações mentais (que não conseguimos evitar) porque há sempre alguém "mais qualquer coisa" do que nós... São, portanto, muitos os que saem do ginásio em modo auto-comiseração, facto que ainda os afasta mais de uma potencial vida activa.

Como contrariar a inércia?

Acredito que, se voltarmos atrás no tempo e pararmos para recordar a brincadeira (quase todas eram pura actividade física) que mais gostávamos, teremos por onde começar... 

Jogar à apanhada? 

Andar de bicicleta? 

Brincar com água e nadar? 

Fazer construções? 

Brincar com as bonecas ou os carrinhos? 

Jogos de força e poder, vulgo, andar à porrada? 

Imitar as coreografias dos vídeos de música na TV? 

Jogar à bola? 

Subir às árvores e mexer na terra ao estilo coca-bichinhos? 

Pela minha experiência, dois meses depois de começarmos (se não antes) sentimos os benefícios emocionais (so long self pitty) e físicos da actividade física, com mais energia, força ou, simplesmente, bem estar. Músculos mais fortes e tonificados, melhor postura e respiração, cintura mais definida, maior capacidade cardiovascular, mais mobilidade. Corpo e mente estão ligados e em sintonia, pelo que a actividade física dá-nos a capacidade para observar a nossa vida e implementar a mudança: cuidando de nós para vivermos melhor. E porque em boa verdade, mexermo-nos tem muito das antigas brincadeiras, com todos os benefícios que (também) tem para as crianças, aqui fica uma tabela de correspondências ♡

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E mesmo para as antigas crianças contemplativas, ávidas leitoras que passavam o tempo a contemplar o mundo há actividade física adequada, como o ioga, tal chi Qi Gong ou outras igualmente introspectivas. Qual é, agora, a vossa desculpa?

montring: aquela actividade tão comum de passear e ver montras...

To meditate: essa é a questão

Ao longo da vida tenho percebido que, repentinamente, alguns temas, ideias ou conceitos ganham maior destaque na esfera pública. Como se, subitamente, apenas se falasse daquele tema na comunicação social, nas conferências e nos cursos, nas conversas de café entre amigos. Talvez sejam coincidências, o universo a conspirar ou apenas a nossa atenção que se foca num determinado aspecto. Na verdade, nunca fui (serei?...) uma pessoa muito espiritual ou dada a 'coincidências'. Quando afastamos o nosso lado mais emocional, e a espiritualidade que também nos caracteriza, parece que tudo é mais fácil de fazer ou resolver. Na verdade, não é.

©wanderlust

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Durante boa parte da minha vida ignorei o que me dizia o coração, calava aquela voz interior a que chamamos intuição, concentrando-me na lógica do que deve ou pode ser, numa suposta articulação de sentidos, contextos e situações que se sucediam de forma lógica. O problema começa quando olhamos para tudo aquilo que supostamente faz sentido e percebemos que poderia ser de outra forma. 

©wanderlust

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Um dia, não há muito tempo, retirei as peças do puzzle não encaixavam e deixei de procurar a que faltava. Temos as todas as respostas dentro de nós, só temos de as saber procurar, que é o mesmo que dizer que temos de aprender a ouvir o que o nosso corpo e espírito têm para nos dizer. Foi então que muitas pessoas novas e diferentes entraram na minha vida, como se me estivessem reservadas desde sempre, enquanto me apaixonava cada vez mais por aquilo que a vida nos mostra e oferece, bem como para onde nos leva quando abrimos o coração, sem medo do que os outros nos possam fazer, seguros de que aquilo que aquilo que sentimos é a fórmula mágica para encarar a vida e tomar decisões. Chamam-lhe atenção plena, fala-se de meditação, e práticas como o ioga estão cada mais próximas de muitas pessoas, deixando aquele nicho em que se limitou durante muito tempo. Para mim trata-se de aprendermos a ouvir o temos para nos dizer, não ignorar o que sentimos em relação às coisas e às pessoas, deixar fluir a energia. Eu sei que, quem está a ler, ficou curioso. Começa sempre assim... Depois, cada um saberá a melhor forma para encontrar (talvez re-encontrar) o caminho em direcção a uma vida mais presente e plena.

Hoje apresentaram-me o wanderlust, um evento que terá lugar em Lisboa no próximo dia 8 de Outubro.  Pode ser uma boa forma de começar a desbravar caminho, abandonando a excessiva objectividade para aceitar a intuição, especialmente porque pessoas como a Rute Caldeira ou a Filipa Veiga vão estar a ajudar-nos neste processo. A Filipa no yoga e a Rute guiando-nos na meditação... se for como a pequena sessão que orientou esta manhã vocês vão render-se como eu me rendi...

Lê-se 'be cooque', que é o mesmo que dizer, vai cozinhar!

Muitos dos que seguem o urbanista no Instagram conhecem-me por algumas invenções culinárias que partilho no stories e, especialmente, pela mistura de frutas e vegetais transformados em sumos e smoothies. Supõem, também, que tenho dotes de culinária ou que sou uma cozinheira de mão cheia. Não exactamente...

Na verdade, cozinho porque tem de ser, porque é preciso e, principalmente porque essa é a forma de garantir uma alimentação saudável cá em casa. Mas dá trabalho, obriga a uma criatividade diária e, por vezes, só apetece sentar no sofá da sala e encomendar uma pizza. Daquelas nada saudáveis que depois pesam no estômago, na consciência e em tudo. Quem nunca? 

Convidaram-me para conhecer um novo projecto que não é culinária,  não é um serviço de entregas ao domicílio e, muito menos, (mais) um site de receitas. Em boa verdade, é isso tudo.

Na cozinha invento tanto... Raramente sigo receitas e, quando as utilizo, servem apenas de inspiração... Obviamente que nem sempre corre bem! Talvez por isto, quando percebi que teria de seguir uma receita pensei de imediato que seria uma grande seca. Não é. Chama-se bcook e é um projecto nacional, muito interessante, que nos entrega em casa uma caixa com tudo pronto para cozinharmos uma refeição, nas quantidades certas e os ingredientes devidamente acondicionados (usando papel e plástico reciclado).

Como estava enganada... A razão pela qual invento tanto é simples: nem sempre tenho todos os ingredientes ou não os tenho na quantidade necessária! Foi preciso aparecer a bcook para o perceber porque, com esta caixa, não só escolho a receita como me enviam os ingredientes na medida certa. Assim vou seguir as receitas da Mónica Pereira, chef por vocação (vencedora do Chefs Academy 2014) cujas criações se desenvolvem em conjunto com a nutricionista Tânia Barbosa e o chef Joe Best, responsável por encontrar os melhores ingredientes. Quem não conhece Joe Best não percebe nadinha de comida. E quem ainda não provou as receitas criadas pela Mónica é um ovo podre!

Ontem experimentei isto tudo e fiquei muito satisfeita porque, perante a ideia de não ter de fazer o périplo dos quatro mercados e supermercados nos quais me abasteço, associada ao "não pensar" que daí resulta, receitas altamente inovadoras, com ingredientes da época, saudáveis e combinações improváveis, façam favor de me entregar uma caixa com refeições para toda a semana. Todas as semanas. Obrigada! 

Come a carninha toda filha...

Mais de metade dos Portugueses não comem os 400g de fruta e legumes/ dia que deviam o que quer dizer que há uma carência de vitaminas, minerais e fibras, muitas vezes substituídas por carne e lacticínios a mais. A culpa não é nossa mas da história e vem do tempo em que nos diziam para comer "a carninha toda" ou "não deixes o peixinho".... Houve períodos da história em que a proteína animal - carne e peixe - eram escassas e, por isso, tornaram-se sobrevalorizadas. O mesmo com o pão e o leite. Recordo-me da minha mãe contar que faltava pão quando era criança, no "tempo da guerra". Eu tenho uma memória ténue de algumas falhas no pós 25 de Abril... Se a isto juntarmos políticas de promoção do leite e derivados, e uma indústria alimentar que cresceu na directa medida da nossa gula, temos o caldo entornado.

O Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física - 2015/2016, resulta de um consórcio internacional, conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto prova que o nosso estilo de vida actual tem de mudar. 

Mudei muitas coisas ao longo do tempo. Não acordei um dia e disse: a partir de hoje vai ser diferente. Isso não resulta. A mudança vai acontecendo até ao momento em que percebemos que o nosso estilo de vida está diferente, contrariando os números que ainda dominam:

  • comemos mais 10% de carne, peixe e ovos do que o necessário
  • 69% das crianças não comem os vegetais e frutos necessários ao seu desenvolvimento
  • Néctares e refrigerantes fazem parte da rotina diária de 41% dos adolescentes
  • O consumo de sal está 2,3% acima do valor máximo recomendado (5g)
  • Mais de metade dos Portugueses (58%) não pratica exercício físico diariamente e 71% das crianças vê mais de duas horas de televisão ao fim de semana

O estudo também apresenta dados sobre o excesso de peso: 57% dos Portugueses tem excesso de peso, dos quais 35% são pré-obesos e 22% são obesos. 

Como perceber rapidamente se estamos numa situação de obesidade? Ignorar a balança e medir o perímetro da cintura: se for maior do que 88cm (mulheres) ou 102 cm (homens) então temos obesidade abdominal e o próximo passo é (re)apreender a comer e a viver porque boa parte dos (maus) hábitos não são alimentares.

Às vezes ponho-me a pensar sobre e o impacto que as minhas palavras podem ter. Na maior parte das vezes ocorre-me que outros pensem que acho que é muito fácil falar. Falo com conhecimento de causa. Se é verdade que nunca tive grandes problemas com a balança ou a fita métrica, tal não significa que tenha tido sempre uma alimentação e estilo de vida saudáveis. Sempre tive essa preocupação mas faltava-me informação e não resistia à tentação. Os bolos de chocolate. A mousse de chocolate. As batatas fritas, rissois de camarão ou croquetes. O bitoque. Os pasteis de bacalhau e os de Belém. O cappuccino ou o chocolate quente. Os croissants. As bolachas. As tostas. Os queijos. Os cereais e as barritas... Tantos exemplos que fui, lentamente, abandonando sem, contudo, me tornar fundamentalista porque, se me apetecer, como qualquer uma destas coisas. A diferença é que deixou de apetecer porque, quando aprendemos a comer, quando trocamos o processado pelo natural... a verdade é esta: não voltamos a comer mal só porque sim. Simplesmente, não apetece. Não sabe bem. Não queremos. Mesmo que isso signifique não acompanhar os que nos rodeiam. Porque essa é a outra alteração. Nada nos afecta porque estamos bem connosco.

Continuamos - muitos de nós - a rejeitar a ideia de que é preciso mudar. Porque a dieta mediterrânica, porque um enchido de vez em quando não mata ninguém... é verdade. Não é necessário ser radical mas é necessário introduzir alterações para o bem da nossa saúde e para garantir a nossa permanência no planeta. Não se trata de aderir ao grupo do pessoal com a mania das sementes e cenas. Trata-se de perceber que a indústria alimentar exerce uma pressão no meio ambiente e que a cadeia que termina no nosso prato é um processo que inclui químicos e compostos com elevado potencial cancerígeno.

Os comentários de estranheza rapidamente se transformam em perguntas de quem quer saber mais para fazer igual, para apreender porque, se eu consigo, todos conseguimos. Pensem nisso e comecem devagar, um passo de cada vez, substituindo alimentos e ingredientes. Para mim, o segredo é não proibir e conseguir que o organismo de habitue a ponto de rejeitar o que não é saudável. Esse é o caminho de um processo lento na procura de informação, adaptação e mudança. Experimentem! ♡

Plant based: mais plantas e frutos do que qualquer outra coisa

 

Prometi a uma amiga que lhe enviaria uma mensagem para a ajudar no seu novo desafio, em direcção a uma mudança nos seus hábitos alimentares. A razão? Intolerância ao glúten e pedras nos rins. Decidi fazer mais do que isso, partilhando estas ideias com todos os que poderão ler este episódio do urbanista. 

A minha mudança de opções alimentares tem despertado alguma curiosidade e há quem faça perguntas concretas: onde se compra, o que escolher, que misturas fazer.

 @rachaelgorjestani

 @rachaelgorjestani

Não sou nutricionista mas há três coisas muito simples que dominam as minhas decisões alimentares: não como salsichas, fiambre e outros de género (e por isso não entendo a razão pela qual podem ser sugeridas por especialistas em nutrição); não compro versões "magra", sem "açúcar" ou sem glúten… Basta pensarmos que, se a esses produtos é retirado algum tipo de ingrediente, tal significa que é processado e, se é processado não é natural (donde o sabor tem de “aparecer” de alguma forma…); finalmente, escolho os produtos mais simples que encontro.

Nada disto quer dizer que sou uma daquelas chatas que rejeita tudo e mais alguma coisa que não encaixe nesta definição porque cada um é livre de fazer o que entende.

Portanto, para ajudar quem precisa, eis algumas escolhas e fórmulas para gerir a carteira.

 

Os preços dos produtos naturais, muitas vezes importados são, normalmente, mais caros. Facto.

Algumas lojas têm cartões-cliente com promoções associadas e acumulação de pontos. Solução.

 

Estes produtos são vendidos, muitas vezes, em embalagens/quantidades muito pequenas. Facto.

Como não têm químicos para conservar, a sua duração é menor. Simultaneamente, como usamos quantidades menores, o resultado é que “duram” o mesmo tempo dos outros. Solução.

 

As grandes cadeias de supermercados tendem a fazer promoções para escoar produto ou combater a concorrência. Compramos mais do que precisamos. Facto.

Os preços mais elevados obrigam-nos a comprar de forma mais racional. Solução.

 

Não tenho tempo para cozinhar/não gosto ou não sei cozinhar. Facto.

Eu também não tenho tempo, não sei e prefiro sentar-me à mesa para comer tudo feito. Também sei que é mais fácil abrir um pacote e comer. Tãoooo mais fácil! Mas quem disse que viver é fácil? A grande vantagem de uma alimentação mais natural é que, na maior parte dos casos, não há refugados elaborados, guisados ou assados que precisam de mão para a cozinha. São opções simples, muitas delas em cru. Solução.

 

Não sei combinar alimentos, nunca me preocupei muito com o que como. Facto.

A nossa intuição e o jogo das cores resolve qualquer hesitação. Solução.

 @glencarrie

 @glencarrie

Há muitas coisas que não sei e que procuro nos livros, outras vezes, inspiração online. Nem sempre tenho a mesma paciência ou os mesmos ingredientes. A melhor altura para começar é esta, porque as opções no que respeita a fruta e elementos frescos é maior. Esqueçam as saladas a que estão habituados. Acho a oferta na maior parte dos restaurantes, especialmente os tradicionais, um tédio, pela limitação à alface, tomate e cenoura; alface, tomate e cebola; alface, tomate e pimento. Invento as saladas mais improváveis, misturando frutos e vegetais sem qualquer recurso a proteína animal, usando frutos secos, sementes e ervas aromáticas. Para os mais preguiçosos, a oferta de legumes frescos nas grandes superfícies é vasta e os preços são razoavelmente acessíveis. Gosto particularmente dos produtos Vitacress, porque mesmo depois de abertos ainda aguentam alguns dias, dos morangos biológicos de Santo Estevão ou da Quinta do Arneiro (aos sábados de manhã estão no largo do Príncipe Real e, para além dos morangos, têm as melhores acelgas que já provei e alfaces que não murcham de um dia para o outro). Depois, escolho sempre pêssegos, maçãs Royal Gala ou Golden de Portugal e, normalmente, fora do calibre recomendado. Sim, escolho as mais baratas que raramente estão em destaque nos grandes supermercado porque desconfio sempre de fruta que é lustrosa e toda do mesmo tamanho. A natureza não nos fez todos iguais, porque haveria de fazer fruta calibrada? As bananas são as da Madeira, mesmo sabendo que já não são o que eram, as laranjas são Portuguesas e, também são daquelas pequenas e rugosas, mais sumarentas. Mas também uso limas ou papaias do Brasil o que, tecnicamente, contraria tudo o que disse até aqui. É um facto, mas apesar dos antibióticos que, dizem, são adicionados aos frutos que atravessam o Oceano para os conservar, e apesar destes frutos terem, muitas vezes um sabor bastante mais insípido do que no seu país de origem, não aguento viver sem eles. Depois temos os frutos vermelhos, que são verdadeiramente caros. Recomendo uma de duas coisas: comprar em barda quando o preço baixa e congelar, ou optar pelos congelados cujo preço/quilo é aceitável. Para os sumos servem muito bem e para juntar a taças de fruta também. Por falar nisto lembrei-me dos gelados… Não deixei de os comer e, confesso, nunca me lembro de os fazer em casa, embora seja bastante fácil. Como menos vezes e escolho os que são vegan, biológicos em versão sorvete da Amorino que me satisfazem plenamente. Como de vez em quando por todas as razões que possam imaginar e esse transforma-se num momento de verdadeiro prazer. Sei que esta gelataria também tem opção sem glúten. 

Massas e farinhas e etc?… Nunca me preocupei com o glúten e tenho para mim que a verdadeira intolerância é residual. O que acontece, na verdade, é que na maior parte dos casos o organismo está de tal forma inflamado que se torna intolerante aos ingredientes mais difíceis de processar. Na verdade, o que se passa nos dias de hoje é engordarmos e desenvolvermos problemas de saúde que resultam de uma alimentação altamente inflamatória, prejudicial ao nosso organismo. As pessoas são todas diferentes, assimilam e processam os alimentos (e a vida em geral) de forma diferente. Pensem sempre no caso do homem que fumou um maço de cigarros por dia e viveu até aos noventa anos e o que nunca fumou e morreu aos cinquenta com cancro no pulmão. Não é totalmente aleatório mas tem muito a ver com o nosso estilo de vida, com factores genéticos, a tolerância do nosso organismo ao stress (stress é tudo o que obriga o nosso organismo a um esforço para funcionar - pode ser o simples facto de não respeitarmos o ritmo circadiano do nosso sono) e capacidade que tem para processar os alimentos (incluindo os químicos que lhes são adicionados).

Do ponto de vista físico o nosso organismo não acompanhou a evolução da sociedade. Ficámos perdidos algures na pré-história e aquilo a que nos submetemos vai contra tudo aquilo que o nosso organismo é capaz de gerir. Por isso é tão importante parar e olhar, ao longe, para a nossa vida para reaprendermos a viver ao nosso ritmo. Que é único e que não pode ser imposto pela sociedade. Por isso, é tão importante (re)aprender a comer, num processo altamente individual através do qual acabamos por perceber que somos intolerantes a alguns alimentos aplaudidos por todos os que nos rodeiam. Comer tem muito de social e é isso que torna tão difícil fazermos escolhas e mantermo-nos fiéis. Mas esse, é o preço a pagar para nos sentirmos verdadeiramente bem. Até conseguirmos converter todos os que nos rodeiam o que, garanto, é mais fácil do que parece! 

 

"O que eu não como"

Continuação do episódio

"a pergunta certa não é o que eu como mas o que eu não como"

Prometido é devido! Hoje continuamos a circular no supermercado para perceber que diferença pode fazer aquilo que escolhemos comer. Volto a repetir que não sou fundamentalista nem defendo restrições exageradas. Sou por uma alimentação mais simples e natural, que tem tido resultados visíveis no meu corpo e no meu bem estar. Apenas isso. Não entendo que o glúten possa ser o novo inimigo público e, apesar do açúcar ser uma espécie de raíz de todos os males, não é necessário fazer uma alimentação amarga. Basta aprender a reconhecer opções mais saudáveis...

De regresso ao supermercado, entramos no corredor das bolachas para... seguir em frente! Não há aqui nada que nos faça falta. Mesmo as bolachas de água e sal, ou que substituem o pequeno-almoço e outros derivados. Acreditem: são potes de gordura embrulhadas ingredientes de origem duvidosa, carregados desse (suposto) demónio que é o açúcar.

Se experimentarem outras coisas, passam a ignorar este corredor porque a oferta deixa de vos fazer falta. O que não quer dizer que nunca mais comam uma bolacha. Não é isso. Mas há outras opções que são mais saudáveis, com farinhas menos processadas e um sabor mais autêntico. Dão mais trabalho do que abrir um pacote... é um facto. Mas o esforço compensa!

Eu gosto destas mini tostas de arroz e chocolate preto que considero primas das bolachas. Quando não tenho tempo para fazer os meus bolos à base de fruta e farinhas não refinadas, opto por comer um quadrado de chocolate preto (este com 92% de cacau, este com chili ou este com frutos vermelhos e que estão todos à venda em lojas bem conhecidas entre nós), ou, por exemplo, frutos secos (ao natural, sem sal).

Há outro género de produtos que me levam de volta à infância e que, felizmente, tive o bom senso de eliminar do carrinho de compras há anos: donuts, tortas, bolicao e outras invenções que entretanto apareceram. Com muito custo também deixei os palmiers quando olhei, com olhos de ver, para o rótulo. Da gordura aos conservantes e intensificadores de sabor, venha o Diabo e escolha porque dali não se aproveita nada. Não saciam. Não alimentam. Não nada...

Mas sabem bem como tudo!...

Na verdade, agora que penso nisto, petisco muito menos desde que passei a trazer outras coisas para casa. Os vegetais e alimentos não refinados deixam-nos mais saciados e durante mais tempo. As massas integrais, bem como opções como bulgur, quinoa ou couscous deixam-me sem fome. E com menos vontade de trincar uma bolachinha só porque sim...

Também deixei de comprar bolos pré-preparados... Aqueles pacotes aos quais só temos de juntar ovos, leite e manteiga? Estão carregados de conservantes e intensificadores de sabor, ou seja, químicos. Os meus bolos agora são naturais, baseados em receitas muito simples como esta de mousse, à base de abacate (retirei-lhe a banana e a baunilha). Não digam que a mousse de pacote é melhor porque todos sabemos que não! E quanto ao sabor não ser igual, é tudo uma questão de pensarmos no que queremos para nós. Já atingi o ponto em que não se percebe a diferença. Vá... percebe-se mas sabe igualmente bem. Com um topping de arandos e amêndoas fica ali perto da perfeição. Com a vantagem de que estamos a comer fruta e açúcar natural.

Não há culpa. Ou há uma culpa pequenina....

Relativamente ao café, abandonei completamente os cappuccinos e derivados. Eu, que era a rainha do cappuccino, optei pelo café simples, sem açúcar, em grandes baldes à la americana. Não é uma questão de estilo, para desfilar com o copo Starbucks na mão. É mesmo uma decisão que procura evitar o leite - não por causa da lactose, ou talvez sim, porque me faz inchar bastante - e, sobretudo o açúcar adicionado ao cappuccino pré-preparado, do qual, reconheço, abusava. Optei por um café biológico cujo sabor é simplesmente maravilhoso. Faço uma cafeteira que me dá dois cafés longos que servem para ir bebendo ao longo da manhã.

Todos me conhecem pelos cappuccinos mas também pelo chá. A este nível a mudança ocorreu há muito tempo, quando percebi que boa parte daquilo que se vende por aí (as marcas mais conhecidas, incluindo as mais caras) são uma farsa, com ingredientes que não fazem parte do conceito que conhecemos por chá e químicos que, em contacto com a água a ferver, são cancerígenos. Folhas de hortelã seca e outras ervas são opções simples e baratas, disponíveis em todos os supermercados. Experimentem! ♡

 

 

Surf's UP

Porque é que eu gosto de surfar, mesmo que seja uma banhada de surfada, mesmo que vá com a #LovelyRita e isso signifique fazer bodyboard à beirinha, sem pés de pato para nadar e apanhar ondas no outside?

Porque é f*cking GREAT. Em bom português, mêmo BOM!

Já contei que comecei há muitos anos e que regressei este ano depois de um interregno grande e uma indecisão maior. O mar exige respeito e nem sempre estamos preparados para isso. Todos falam naquele sentimento de liberdade que o mar nos dá, o relaxamento que provoca e a forma como nos faz esquecer de tudo. É verdade mas, para mim, não é isso. Ou, pelo menos, não é apenas isso. Até porque entre uma onda e um oh mãe... não relaxo lá grande coisa, sempre atenta, não vá o mar fazer das suas ou ela distrair-se.... 

Para mim, a melhor parte destas idas à praia é a de estar na água e não ter frio. Ir apanhar sol e não me barrar com protector solar da cabeça aos pés, despir o fato e estar praticamente seca. Ou seja... Tenho o melhor de dois mundos porque aproveito os 40º que Lisboa nos dá sem sofrer com o vento que arrefece a água e levanta areia, sem que o fim de tarde, depois do último mergulho, signifique aquele regresso ao carro para voltar a sentir (algum) calor.

Não me interpretem mal: ADORO praia mas não fui feita para estar ao sol. O que é um absoluto contra-senso, um desperdício de energias e neura certa. Além disso, respeito, mas não partilho daquele zen de quem vai à praia carregado de livros, auscultadores e música. Gosto de levar uma prancha, raquetas e qualquer outro acessório que me faça mexer porque se me deito na areia ou estendo numa espreguiçadeira... adormeço. À sombra. Que não tem metade do glamour de adormecer (cuidadosamente protegido) ao sol. Ou quase adormeço enquanto a oiço a falar e a fazer perguntas. Que é só cansativo... Ou decidimos qual dos dois vai dormir para não deixarmos a criança abandonada na praia. Sorte ao amor, azar ao jogo. Damm!...

Eu tentei encaixar-me, fazer como os outros fazem. Apanhei escaldões, usei óleos e fiz outros disparates até perceber que não era eu quem estava mal. Os outros não respeitavam a diferença e queriam-me igual a eles, morena e bronzeada, sentada na toalha a conversar (ou a jogar conversa fora). Eu ficava, normalmente, com os gajos à beira-mar a mandar bolas e a dar mergulhos. Até que me tornei adulta e passei a achar a água demasiado fria. Isso ou ter conhecido praias com água transparente e quente. Não sei o que terá acontecido primeiro mas sei que a minha vid ana praia nunca mais foi a mesma. Entretanto nasceu a Rita e passei a ir à praia às seis da tarde (tão divertido...). À medida que ia chegando à praia mais cedo, também começou o calvário da tralha, porque os miúdos precisam sempre de muitas coisas e de sombra. Tornámo-nos minimalistas. Alugámos toldos, fizemos de tudo um pouco para escapar. Ela cresceu e eu tive de tirar sinais, potencialmente cancerígenos. Novo calvário porque a praia perdeu toda a graça. E infernizei a vida de todos à minha volta porque decretei que odiava praia. Ninguém entendeu. Tornei-me mais escandinava do que nunca, refugiei-me no centro da(s) cidade(s), criei o urbanista e jurei nunca mais viver perto do mar.

Tudo passa menos as cicatrizes que ficam para não nos esquecermos do limite. 

Fiz as pazes com a praia da melhor forma possível: protegida por um fato de neoprene e a fazer aquilo que me dá prazer: exercício em liberdade. Experimentem. Um dos maiores prazeres da vida não é este que descrevi mas o de encontrar uma forma de contornarmos os obstáculos. ♡

A pergunta certa não é "o que eu como" mas o que "eu não como"

Nos últimos meses têm sido várias as pessoas que me perguntam sobre a minha alimentação. Não sei se emano outra energia, se são os sumos que vou partilhando no instagram ou se simplesmente as pessoas estão mais despertas para esta questão. Na verdade, já não são apenas as amigas mais próximas, nem as amigas afastadas a fazerem perguntas. Há mesmo pessoas que não conheço que querem saber mais, que me questionam sobre as marcas e produtos que uso, onde faço compras... Não tenho paciência para partilhar receitas mas quero poder partilhar o que fui aprendendo e ajudar outras pessoas nesta arte de nos alimentarmos melhor, num universo repleto de péssimas escolhas. Não sou fada do lar e, menos ainda, Ratatui na cozinha. O meu lema sempre foi inventar e raramente registo o que faço. Uso muito o que tenho disponível na despensa e frigorífico, tentando manter uma abordagem simples na cozinha.

Less is more e, sobretudo, less is less mess!

Sobre o que como ou não como, devo dizer o cliché: alimentos processados, farinhas refinadas.... Exacto. Mas o quê, concretamente?

Antes de mais temos de aprender o valor nutricional dos alimentos e, depois, aprender a ler rótulos. Em seguida, perceber que químicos e aditivos são efectivamente prejudiciais, e quais são toleráveis, para passarmos à acção. Não sou fundamentalista e não quero enfiar-me num mundo à parte, de quem não come nada do que os outros comem, até porque tenho plena noção de que é quase impossível escapar aos químicos. Os solos estão contaminados e as chuvas são eminentemente ácidas. Paramos por aqui?...

Portanto:

Vamos entrar no supermercado... Escolham a fruta que quiserem, tendo em consideração que a distância implica conservação e conservação implica... químicos (ou antibióticos para manter a fruta fresca). Significa também rasto de CO2 para o transporte... mas essa, é outra conversa. O mesmo se aplica aos legumes. Procurem o que é nacional, não apenas porque o que é nacional é bom mas porque devemos consumir fruta e legumes da época. Quadros como este são muito úteis para nos lembrar que os tomates não nascem todo o ano...

Passemos aos frios... Ignorem os corredores dos enchidos, das carnes frias... procurem queijo cujos ingredientes sejam tão somente leite de vaca/cabra/ovelha (ou mistura), sal e cardo. Estes são os ingredientes do queijo. Normalmente o preço por quilo é mais elevado e não estão disponíveis fatiados porque o queijo fatiado supõe a utilização de conservantes para se aguentar. Sobretudo, porque é produzido em massa. É mais caro? É. Mas sabe melhor. E passam a comer menos apreciando mais e ingerindo menos gordura. Só vantagens... Não levem, por isso, os sucedâneos em creme e afins aos quais também chamam queijo. 

Leite e afins? Deixo ao vosso critério, na certeza porém de que as natas estão cheias de gordura e vacas ou ovelhas não "dão" iogurtes. Em teoria o iogurte só faz bem por ser nutritivo, conter fermentos lácteos e ser uma fonte de cálcio. No entanto, se olharmos com atenção para a lista de ingredientes de um qualquer iogurte verificamos que o leite é desnatado, o soro é reconstituído, o sabor é de um aromatizante, o doce é dos edulcorantes, a duração resulta dos estabilizadores e conservantes. Um mimo para quem quer fazer uma alimentação natural. Não se enganem: comi muitos iogurtes e dei iogurtes à minha filha. Até ao dia em que simplesmente os eliminei de vez da minha alimentação. Adoptei pseudo-iogurtes feitos de leite de coco da Harvest Moon que são uma delícia, contendo leite de coco, amido e culturas microbianas de agricultura biológica. Cada um custa quase 2€ e, por isso, não os como todos os dias, saboreando-os quando aparecem cá em casa. Os sabores são limão, baunilha, natural ou chocolate e, este último, parece um pudim...

Pão... Difícil resistir-lhe, reconheço. Percam tempo, comprem pão de qualidade, comam menos pão e saboreiem em vez de se enfartarem com papo-secos cujo valor nutricional é menos que 0. Olhem para o pão que compram, deixem-nos ficar num saco num canto da despensa... Se o bolor aparecer ao fim de dois ou três dias, se for verde e acinzentado, então estamos perante um pão à moda antiga... Mas se aguentar quase uma semana e só ao fim desse tempo ganhar umas pintas meio rosadas... fujam dele que está cheio de químicos. Uma vez deixei um pão de hambúrguer (daqueles das marcas conhecidas) esquecido na despensa e o resultado foi surpreendente. AO fim de meses estava seco, mas intacto. PS: aquelas coisas que se vendem em sacos coloridos, com as fatias todas do mesmo tamanho e alguns sem côdea... Isso não é pão. É uma aproximação ao conceito. Como as Pringles, que são um derivado do conceito de batata-frita. Mesmo que vos saiba pela vida, deixem-se disso.

Frutos secos, azeitonas e tremoços... Adoro! Não dispenso mas... sem sal e para torrar em casa. Azeitonas e tremoço são difícil de encontra em estado "natural": Lá está, sem fundamentalismos porque também não os comemos todos os dias, verdade? Para frutos secos durante muito tempo não foi fácil. Actualmente aquele supermercado muito grande do tio Belmiro já tem caju, amêndoa e amendoim neutros, ideais para complementarem a nossa alimentação. Também tem umas opções que misturam vários frutos secos e sementes, todas boas. Sou purista, gosto de os ter em separado e misturar o que me apetecer. A escolha é vossa, desde que não inclua sal ou qualquer outra coisa, como "picante". "Não sabe a nada"? Sabe! Sabe a amêndoa, sabe a caju ou sabe a amendoim. Como o café sabe a café e não a uma mistura de açúcar com café...

No reino dos cereais tudo é possível. Até o cereal não fazer nada bem por ser uma complexa mistura de açúcar e outras coisas. Há marcas sem conservantes e com uma porção de açúcar razoável, mas é preciso perder tempo a procurar. Para Rita uso este (vende-se no concorrente directo do tio Belmiro) e, para adultos, recomendo as opções visualmente menos apelativas das marcas que os diferentes supermercados têm na secção "saudável": flocos de aveia; flocos de trigo integral; flocos de centeio... que podem misturar em casa com frutos vermelhos desidratados ou cacau crú. Mais barato e saudável. Há, também nesta área, algumas opções multi-cereais, muesli crocante e misturas de cereais que são bombas calóricas, repletas de açúcar por causa das combinações... Leiam os rótulos!

Para a próxima: bolachas, bolos, café e chá, chocolate e outras iguarias...

 

 

 

3 segredos para ACABAR com a celulite

É oficial: chegou o Verão. Os corpos destapados, flamingos e fatias insufláveis de melancia nas piscinas. Já estiveram mais de 35 graus em Lisboa. Apetece praia e o instagram enche-se de imagens de biquinis e fatos de banho. Nós só queremos um corpo a condizer: a pele morena, as mamas no sítio e de tamanho ideal, a barriga lisa e o rabo perfeito, como se as fotografias que se publicam no instagram fossem um qualquer instastories (não) editável. O que dizer das fotografias que nos fazem sentir o patinho feio do instagram? Nada. Ignorar as marcas que nos fazem acreditar que estrias ou celulite não acontecem. A maior parte de nós, vive com elas... 

A celulite é um deposito de gordura e um tecido fibroso que torna a pele irregular. Nádegas e coxas são as zonas mais atacadas e o nosso rabo - esse onde estão sentadas - é o que sofre mais. A culpa disto tudo está lá atrás no Paleolítico quando era (mesmo) preciso armazenar gordura. O nosso corpo não se adaptou aos novos tempos. Se a isso juntarmos hábitos de vida que contrariam aquilo de que a celulite mais precisa, somos bombas relógio. Ou rabos com celulite.

Mais do que mules, odeio celulite. Se tivesse de andar de mules para não ter celulite, andava. E odeio a celulite porque a batalha é inglória. Consta que a influência genética é muito forte mas a minha mãe não tem celulite. E consta, também, que a má circulação sanguínea é responsável, juntamente com excesso de estrogéneos. Não sei. Mas sei que, se é gordura, então aquilo que comemos tem muita influência. Não adianta fazer dieta mas vale a pena mudar a nossa alimentação. Garanto!

Qualquer alimento que contribua para inflamar o organismo deve ser eliminado. Procurem mais aqui porque este é um artigo de ódio à celulite para a qual o tabaco, sedentarismo e stress em muito contribuem. Não fumo e pratico exercício. A culpa só pode ser do stress. Também vou dando cabo dele na medida do possível e sabem?... No período de um ano, ou seja, do Verão de 2016 para o dia de hoje, estou melhor. Muito melhor. A ponto das imagens que se seguem poderem ser consideradas ofensivas. Na verdade, continuo a ter celulite no rabo. Mas não se nota. Ou quase não se nota. Detesto aquele aspecto esquisito da celulite e durante muito tempo fiz de conta que...  I don't give a sh*t. Mas sempre dei. E não me fotografava de costas.

Como as grandes descobertas, também está aconteceu por acaso. Sempre tentei fazer o possível para a combater e cedo decidi que não seria  escrava desta infeliz. Mas era: massagens; tratamentos; cremes... O processo que todas conhecem... Até que, um dia, mudei bastante a minha alimentação cortando, por exemplo:

  • carnes frias
  • leite
  • bolachas
  • aperitivos e batatas fritas
  • gomas
  • cereais e barritas  
  • sumos de fruta de pacote  
  • águas com sabores
  • gelados  

Em resumo, eliminei qualquer alimento que contenha conservantes, intensificadores de sabor, farinhas, óleos ou açúcar refinado. Introduzi mais legumes, mais fruta, farinhas integrais e limitei o doce ao açúcar natural dos alimentos. O exercício que já conhecem e nada de comprimidos ou aquelas misturas para drenar. Tudo natural. E resultou.

A famosa combinação alimentação - água - exercício resulta. Mas, se antes não resultava para mim, qual foi a grande diferença? A diferença está no que eu não como! (próximo episódio...)

Não processado: o que é isso?

A criação deste espaço chamado FITish tem gerado uma onda de curiosidade, com muitas pessoas a perguntarem-me sobre aquilo que como. A par com as publicações dos sumos de fruta e as saladas no instastories (Instagram), tenho respondido quase sempre da mesma forma: não é o que eu como. É o que eu não como. E os resultados estão à vista. Não como alimentos processados ou refinados. A questão que se segue é sempre a mesma: como assim?!....

Não sou fundamentalista e, por vezes, como porcarias. Mas estas são a absoluta excepção... Alimentos não processados são mais saudáveis mas são, também, aparentemente mais difíceis de identificar porque nos habituámos a abrir embalagens para nos alimentarmos, a ponto de já não discernirmos entre o que é saudável, o que se auto-proclama saudável e o que deve ser proibido, porque entra na categoria não comas porcarias. Ouvimos a frase desde crianças. Sabemos o que quer, realmente, dizer? Saberemos reconhecer as porcarias?

Não.  

Sabemos reconhecer o que, de facto, nos faz bem? 

Não. 

Vejamos:

Vitaminas e minerais

Na fruta, no seu estado natural, sem estar desidratada, transformada ou em conserva. E, preferencialmente da época. Não, o Inverno não dá morangos e outros frutos típicos do Verão. Este é outro problema: perdemos por completo a noção do tempo das frutas e vegetais porque está tudo (ou quase) disponível o ano todo. Estufas ou produção fora de portas. Convém lembrar que, quanto maior a distância que o alimento percorre, menor a conservação (ou maior a introdução de elementos de garantem a conservação...) e maior a pegada ecológica. A fruta, os vegetais e as leguminosas que passam por pouco ou nenhum processo possuem níveis altos de antioxidantes e outros nutrientes. Fazem bem!

Cores de Verão ❤️ #healthychoices #bloggerstyle #bodylove #blogpost #eatclean #vegan #beachvibes

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Potássio
Porque precisamos dele? Porque sim não chega e não está apenas nas bananas para evitar as cãimbras. O potássio ajuda a baixar a pressão arterial e reduz o risco de osteoporose, diabetes e doenças cardíacas. Ajuda a regular a água no nosso corpo e mantém os músculos e sistema nervoso a funcionar bem. A sua falta pode resultar em cãibras musculares mas, principalmente, num péssimo trânsito intestinal e fadiga. Aquela que dá quebras a meio do dia sem sabermos exactamente porquê. Não, as batatas não são apenas amido e não engordam tanto quanto dizem. São fonte de potássio, bem como as famosas bananas, os espinafres e as beterrabas. 

 

Fibra

Esqueçam as a barritas com fibra. Os cereais com fibra. Os comprimidos com fibra. O trânsito intestinal (expecto se existir uma patologia devidamente identificada) regula-se comendo. Bem!... A fibra também está presente nas batatas mas, principalmente, nas leguminosas. Atenção, contudo, ao feijão e outros que nos chegam nas latas. Não só têm nitratos, como muitas marcas abusam do sal, transformando um alimento muito saudável em algo que passa a ser assim-assim... Framboesas, caras como tudo, também têm fibra, esse elemento que ajuda a reduzir os níveis de colesterol. Os cereais têm fibra. Não necessariamente os que estão nas caixas a anunciar esse ingrediente. A fibra solúvel (mistura-se com a água, formam uma espécie de gel, ajuda no trânsito intestinal e dá aquele sensação única de saciedade) ajuda a controlar os níveis de glicémia (evita picos de açúcar no sangue) e o colesterol LDL, aquele que é o "mau". Portanto, reduz o risco de ataque cardíaco, diabetes tipo 2 e protege as artérias A fibra insolúvel fica intacta durante a digestão e na passagem pelos intestinos ajudando os alimentos a movimentarem-se pelo sistema digestivo, dificultando a absorção de tudo o que é mau para nós, razão pela qual, os alimentos pobres em fibra, resultantes de farinhas muito refinadas são tão prejudiciais ao nosso organismo. Comam aveia, lentilhas, beterraba, ervilhas, cenouras e citrinos (solúveis) fruta com casca, abóbora, pão integral ou feijão (insolúveis).

 

Cálcio

O famoso que é "acrescentado" ao leite para o enriquecer. Disparate. Ou marketing puro... A primeira vez que me queixei a um médico sobre as minhas articulações, perguntou-me se bebia leite. Eu respondi com uma pergunta porque na altura já não bebia leite, questionando-o sobre a efectiva importância do leite. Foi muito claro: coma brócolos e espinafres. Muitos brócolos. E ovos. O cálcio ajuda a proteger os ossos, intervém na transmissão nervosa e previne coágulos no sangue. A sua falta pode contribuir para a famosa osteoporose. 

Vitamina D
Há uma razão para adorarmos o sol e a praia. O nosso organismo precisa de vitamina D para regular a renovação celular e diminuir o risco de doenças cardiovasculares. A melhor forma é apanhar sol. Sem excesso: 10 minutos por dia, palmas das mãos voltadas para o sol. Vitamina D não significa activação de melanina e, menos ainda, bronze castanho. Está presente no salmão, atum e nas laranjas. Mas temos de comer muitas laranjas para obter o efeito dos 10 minutos de sol...


Ferro
Sabem aqueles dias em que nos esquecemos das palavras que queremos dizer ou nos sentimos a arrastar? Pode ser sono, podem ser muitas outras coisas mas também pode ser falta de ferro. O ferro é uma proteína fundamental para o transporte de oxigénio ao longo do corpo. A falta de ferro pode resultar, para além da falta de memória e da fadiga, em anemia e dificuldades na regulação corporal da temperatura. Lentilhas. Bróculos. Cajus para garantir um corpo de ferro (ou, pelo menos, com bons níveis de ferro).

 

 

 

BodyBoard

Qual a probabilidade de uma feminista sair da loja com uma prancha com uma imagem absolutamente sexista? Chama-se sh*t happens e só uma pessoa racional e prática como eu para aceitar este horror - que irei rapidamente transformar com uma caneta de acetato - na sua primeira prancha de bodyboard.

Há um prazer enorme nas pequenas conquistas ou nas coisas que compramos depois de muito esperar. Sou aquele estranho tipo de pessoa que experimenta tantas modalidades e actividades físicas que só investe a sério quando percebe que aquilo é para a vida.

Comecei a fazer bodyboard lá bem atrás no tempo, com um fato emprestado. Era de um amigo, dos tempos em ele que tinha 16 anos e a mesma altura que eu. Com a diferença que o seu corpo não tinha curvas e, por isso, o fato sobrava-me em largura e comprimento. Na altura eu tinha 30 anos e aquele fato não era propriamente novo. Nada que me impedisse de entrar na água e gelar. Eu aguentava estoicamente, para aprender e perceber se valeria a pena gastar dinheiro a comprar material. O meu material. A prancha também não era minha e ficava uns centímetros além do que devia. Novamente, se me safasse com aquilo, melhor faria com uma prancha nova, ao meu tamanho. A prancha também não era nova e não era, como se costuma dizer, "das boas". Flutuava. É o melhor que posso dizer. O leash também não era perfeito...

O que era perfeito? Nada. Comprei os pés de pato em saldo num outlet de surf e uma lycra que ainda me acompanha. Tem sido, aliás, a única coisa que me garante alguma credibilidade quando alugo material. Quem me vê pensava sempre que eu sou old school e que sei surfar.

O que faz um símbolo na vida das pessoas....

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Pois bem, tudo mudou: comprei o meu fato e a minha prancha. Um leash novo e espectacular. Mas porque sou forreta mantenho a velha lycra. Sobre os pés de pato, falaremos depois. Lá terei de varrer mais um outlet à procura de algo mais recente, menor e com melhor performance do que os que tenho, que me sobram e, ao fim de poucos minutos, me fazem doer o peito do pé. Agora... pranchas na água com a #lovelyrita que também tem uma prancha nova!

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Comida: nem tudo é bom...

Há dias uma amiga perguntava-me sobre as minhas opções alimentares. Hoje, um amigo invejava os sumos de fruta coloridos que publico no instagram e outra amiga disse-me que estava mais magra. Tudo se resume a uma palavra: alimentação. 

Nem sempre comi bem e, ainda agora, estou longe de fazer uma alimentação perto de perfeita do ponto de vista do que é natural e saudável. Não sou fundamentalista nem sigo nenhum regime alimentar em particular. Mas tento comer da forma mais natural possível e manter-me informada. Se é um regime alimentar, então será o que evita tudo o que é processado, refinado, saturado.

Não são raras as vezes que, durante uma refeição, explico a amigos o que estão, na verdade, a comer. Arrepiam-se. Umas vezes colocam de lado, outras vão comendo sem grande satisfação. Não me divirto a ser desmancha prazeres mas a indústria alimentar está a minar a nossa saúde com base numa lógica de lucro e facilitismo. Tornámo-nos preguiçosos. Não queremos saber. Aquilo que antes era perfeitamente normal, tornou-se invulgar. Molhos pré preparados para tudo, natas em excesso para facilitar, caldos disto, pacotes daquilo...

Façam uma espécie de regresso ao passado e vão ver que não se arrependem.

Apontamentos que nos fazem chorar:

Café

Consta que muito do café moido que se compra está adulterado. Tem aditivos como trigo, cevada e outros sobre os quais nem quero falar...

Chá

Raramente é puro. E esqueçam aqueles pseudo chás de maçã e canela. Isso não é chá, menos ainda uma infusão. É uma invenção... Chá (camellia sinensis) é a planta que resulta na infusão e a infusão pode ser feita a partir de diferentes plantas. O chá tem quatro grupos principais (e muitas variações) que dependem do grau de oxidação da folha da planta (branco, verde, oolong e preto). O resto, não sei. Mas não será chá. E cuidado com o que compram. Escolham sacos com folhas pois será menor a probabilidade de comprarem gato por lebre, que é como quem diz, chá com uma grande mistura de folhas e outras misturas para o fazer durar mais. Há também quem afirme que os pesticidas usados nas plantas se libertam com a água a ferver, sendo potencialmente cancerígenos. Por isso, folhas secas de hortelã ou erva cidreira não fazem mal a ninguém! 


Azeite extra virgem

Mesmo quando marcado como puro, o azeite extra virgem é muitas vezes desprovido de muitos nutrientes e diluído com óleo de amendoim ou soja, que são mais baratos. Nice, não é?


Queijo parmesão

Nos E.U.A. um estudo recente do FDA mostrou que o queijo encontrado nas lojas é muitas vezes cortado com outros queijos mais baratos. Estranho? Tudo para fazer render...

Sumos de fruta

De fruta, normalmente, só o nome. Em vários casos, sumos bastante caros são misturados com outros mais baratos (como maçã, por exemplo) para diminuir os custos de produção. Também levam bastante açúcar e conservantes para os estabilizar e garantir o sabor. Por isso convém verificar os componentes. Ou fazer sumos de fruta. Da verdadeira, porque a fruta não nasce em pacotes.

Não tenho muita paciência para receitas porque estou sempre a inventar, mas aqui ficam algumas sugestões. Todas sem filtro. São o que são.

 

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Snack

Grão. Queijo feta. Bagas Goji. Amendoim.

Perfeito para comer em frente à televisão...

Salada

Quinoa. Espinafres. Queijo Mozzarella. Framboesas. Caju crú (torrado em casa)

Salada

Mix de folhas. Queijo Mozzarella. Abacate. Beterraba. Cogumelos frescos. Amendoim. Mirtilos.

Bráz 

de alho francês (receita nos folhetos Celeiro) com esparguete integral

Batatas

assadas no forno e creme de abacate (abacate moído com cebola picada, queijo mascarpone, alho e tamari)

Choc

Parece chocolate! Cacau crú com papaia e morangos