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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida.

Plant based: mais plantas e frutos do que qualquer outra coisa

Plant based: mais plantas e frutos do que qualquer outra coisa

 

Prometi a uma amiga que lhe enviaria uma mensagem para a ajudar no seu novo desafio, em direcção a uma mudança nos seus hábitos alimentares. A razão? Intolerância ao glúten e pedras nos rins. Decidi fazer mais do que isso, partilhando estas ideias com todos os que poderão ler este episódio do urbanista. 

A minha mudança de opções alimentares tem despertado alguma curiosidade e há quem faça perguntas concretas: onde se compra, o que escolher, que misturas fazer.

 @rachaelgorjestani

 @rachaelgorjestani

Não sou nutricionista mas há três coisas muito simples que dominam as minhas decisões alimentares: não como salsichas, fiambre e outros de género (e por isso não entendo a razão pela qual podem ser sugeridas por especialistas em nutrição); não compro versões "magra", sem "açúcar" ou sem glúten… Basta pensarmos que, se a esses produtos é retirado algum tipo de ingrediente, tal significa que é processado e, se é processado não é natural (donde o sabor tem de “aparecer” de alguma forma…); finalmente, escolho os produtos mais simples que encontro.

Nada disto quer dizer que sou uma daquelas chatas que rejeita tudo e mais alguma coisa que não encaixe nesta definição porque cada um é livre de fazer o que entende.

Portanto, para ajudar quem precisa, eis algumas escolhas e fórmulas para gerir a carteira.

 

Os preços dos produtos naturais, muitas vezes importados são, normalmente, mais caros. Facto.

Algumas lojas têm cartões-cliente com promoções associadas e acumulação de pontos. Solução.

 

Estes produtos são vendidos, muitas vezes, em embalagens/quantidades muito pequenas. Facto.

Como não têm químicos para conservar, a sua duração é menor. Simultaneamente, como usamos quantidades menores, o resultado é que “duram” o mesmo tempo dos outros. Solução.

 

As grandes cadeias de supermercados tendem a fazer promoções para escoar produto ou combater a concorrência. Compramos mais do que precisamos. Facto.

Os preços mais elevados obrigam-nos a comprar de forma mais racional. Solução.

 

Não tenho tempo para cozinhar/não gosto ou não sei cozinhar. Facto.

Eu também não tenho tempo, não sei e prefiro sentar-me à mesa para comer tudo feito. Também sei que é mais fácil abrir um pacote e comer. Tãoooo mais fácil! Mas quem disse que viver é fácil? A grande vantagem de uma alimentação mais natural é que, na maior parte dos casos, não há refugados elaborados, guisados ou assados que precisam de mão para a cozinha. São opções simples, muitas delas em cru. Solução.

 

Não sei combinar alimentos, nunca me preocupei muito com o que como. Facto.

A nossa intuição e o jogo das cores resolve qualquer hesitação. Solução.

 @glencarrie

 @glencarrie

Há muitas coisas que não sei e que procuro nos livros, outras vezes, inspiração online. Nem sempre tenho a mesma paciência ou os mesmos ingredientes. A melhor altura para começar é esta, porque as opções no que respeita a fruta e elementos frescos é maior. Esqueçam as saladas a que estão habituados. Acho a oferta na maior parte dos restaurantes, especialmente os tradicionais, um tédio, pela limitação à alface, tomate e cenoura; alface, tomate e cebola; alface, tomate e pimento. Invento as saladas mais improváveis, misturando frutos e vegetais sem qualquer recurso a proteína animal, usando frutos secos, sementes e ervas aromáticas. Para os mais preguiçosos, a oferta de legumes frescos nas grandes superfícies é vasta e os preços são razoavelmente acessíveis. Gosto particularmente dos produtos Vitacress, porque mesmo depois de abertos ainda aguentam alguns dias, dos morangos biológicos de Santo Estevão ou da Quinta do Arneiro (aos sábados de manhã estão no largo do Príncipe Real e, para além dos morangos, têm as melhores acelgas que já provei e alfaces que não murcham de um dia para o outro). Depois, escolho sempre pêssegos, maçãs Royal Gala ou Golden de Portugal e, normalmente, fora do calibre recomendado. Sim, escolho as mais baratas que raramente estão em destaque nos grandes supermercado porque desconfio sempre de fruta que é lustrosa e toda do mesmo tamanho. A natureza não nos fez todos iguais, porque haveria de fazer fruta calibrada? As bananas são as da Madeira, mesmo sabendo que já não são o que eram, as laranjas são Portuguesas e, também são daquelas pequenas e rugosas, mais sumarentas. Mas também uso limas ou papaias do Brasil o que, tecnicamente, contraria tudo o que disse até aqui. É um facto, mas apesar dos antibióticos que, dizem, são adicionados aos frutos que atravessam o Oceano para os conservar, e apesar destes frutos terem, muitas vezes um sabor bastante mais insípido do que no seu país de origem, não aguento viver sem eles. Depois temos os frutos vermelhos, que são verdadeiramente caros. Recomendo uma de duas coisas: comprar em barda quando o preço baixa e congelar, ou optar pelos congelados cujo preço/quilo é aceitável. Para os sumos servem muito bem e para juntar a taças de fruta também. Por falar nisto lembrei-me dos gelados… Não deixei de os comer e, confesso, nunca me lembro de os fazer em casa, embora seja bastante fácil. Como menos vezes e escolho os que são vegan, biológicos em versão sorvete da Amorino que me satisfazem plenamente. Como de vez em quando por todas as razões que possam imaginar e esse transforma-se num momento de verdadeiro prazer. Sei que esta gelataria também tem opção sem glúten. 

Massas e farinhas e etc?… Nunca me preocupei com o glúten e tenho para mim que a verdadeira intolerância é residual. O que acontece, na verdade, é que na maior parte dos casos o organismo está de tal forma inflamado que se torna intolerante aos ingredientes mais difíceis de processar. Na verdade, o que se passa nos dias de hoje é engordarmos e desenvolvermos problemas de saúde que resultam de uma alimentação altamente inflamatória, prejudicial ao nosso organismo. As pessoas são todas diferentes, assimilam e processam os alimentos (e a vida em geral) de forma diferente. Pensem sempre no caso do homem que fumou um maço de cigarros por dia e viveu até aos noventa anos e o que nunca fumou e morreu aos cinquenta com cancro no pulmão. Não é totalmente aleatório mas tem muito a ver com o nosso estilo de vida, com factores genéticos, a tolerância do nosso organismo ao stress (stress é tudo o que obriga o nosso organismo a um esforço para funcionar - pode ser o simples facto de não respeitarmos o ritmo circadiano do nosso sono) e capacidade que tem para processar os alimentos (incluindo os químicos que lhes são adicionados).

Do ponto de vista físico o nosso organismo não acompanhou a evolução da sociedade. Ficámos perdidos algures na pré-história e aquilo a que nos submetemos vai contra tudo aquilo que o nosso organismo é capaz de gerir. Por isso é tão importante parar e olhar, ao longe, para a nossa vida para reaprendermos a viver ao nosso ritmo. Que é único e que não pode ser imposto pela sociedade. Por isso, é tão importante (re)aprender a comer, num processo altamente individual através do qual acabamos por perceber que somos intolerantes a alguns alimentos aplaudidos por todos os que nos rodeiam. Comer tem muito de social e é isso que torna tão difícil fazermos escolhas e mantermo-nos fiéis. Mas esse, é o preço a pagar para nos sentirmos verdadeiramente bem. Até conseguirmos converter todos os que nos rodeiam o que, garanto, é mais fácil do que parece! 

 

Come a carninha toda filha...

Come a carninha toda filha...

"O que eu não como"

"O que eu não como"