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bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

Come a carninha toda filha...

Come a carninha toda filha...

Mais de metade dos Portugueses não comem os 400g de fruta e legumes/ dia que deviam o que quer dizer que há uma carência de vitaminas, minerais e fibras, muitas vezes substituídas por carne e lacticínios a mais. A culpa não é nossa mas da história e vem do tempo em que nos diziam para comer "a carninha toda" ou "não deixes o peixinho".... Houve períodos da história em que a proteína animal - carne e peixe - eram escassas e, por isso, tornaram-se sobrevalorizadas. O mesmo com o pão e o leite. Recordo-me da minha mãe contar que faltava pão quando era criança, no "tempo da guerra". Eu tenho uma memória ténue de algumas falhas no pós 25 de Abril... Se a isto juntarmos políticas de promoção do leite e derivados, e uma indústria alimentar que cresceu na directa medida da nossa gula, temos o caldo entornado.

O Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física - 2015/2016, resulta de um consórcio internacional, conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto prova que o nosso estilo de vida actual tem de mudar. 

Mudei muitas coisas ao longo do tempo. Não acordei um dia e disse: a partir de hoje vai ser diferente. Isso não resulta. A mudança vai acontecendo até ao momento em que percebemos que o nosso estilo de vida está diferente, contrariando os números que ainda dominam:

  • comemos mais 10% de carne, peixe e ovos do que o necessário
  • 69% das crianças não comem os vegetais e frutos necessários ao seu desenvolvimento
  • Néctares e refrigerantes fazem parte da rotina diária de 41% dos adolescentes
  • O consumo de sal está 2,3% acima do valor máximo recomendado (5g)
  • Mais de metade dos Portugueses (58%) não pratica exercício físico diariamente e 71% das crianças vê mais de duas horas de televisão ao fim de semana

O estudo também apresenta dados sobre o excesso de peso: 57% dos Portugueses tem excesso de peso, dos quais 35% são pré-obesos e 22% são obesos. 

Como perceber rapidamente se estamos numa situação de obesidade? Ignorar a balança e medir o perímetro da cintura: se for maior do que 88cm (mulheres) ou 102 cm (homens) então temos obesidade abdominal e o próximo passo é (re)apreender a comer e a viver porque boa parte dos (maus) hábitos não são alimentares.

Às vezes ponho-me a pensar sobre e o impacto que as minhas palavras podem ter. Na maior parte das vezes ocorre-me que outros pensem que acho que é muito fácil falar. Falo com conhecimento de causa. Se é verdade que nunca tive grandes problemas com a balança ou a fita métrica, tal não significa que tenha tido sempre uma alimentação e estilo de vida saudáveis. Sempre tive essa preocupação mas faltava-me informação e não resistia à tentação. Os bolos de chocolate. A mousse de chocolate. As batatas fritas, rissois de camarão ou croquetes. O bitoque. Os pasteis de bacalhau e os de Belém. O cappuccino ou o chocolate quente. Os croissants. As bolachas. As tostas. Os queijos. Os cereais e as barritas... Tantos exemplos que fui, lentamente, abandonando sem, contudo, me tornar fundamentalista porque, se me apetecer, como qualquer uma destas coisas. A diferença é que deixou de apetecer porque, quando aprendemos a comer, quando trocamos o processado pelo natural... a verdade é esta: não voltamos a comer mal só porque sim. Simplesmente, não apetece. Não sabe bem. Não queremos. Mesmo que isso signifique não acompanhar os que nos rodeiam. Porque essa é a outra alteração. Nada nos afecta porque estamos bem connosco.

Continuamos - muitos de nós - a rejeitar a ideia de que é preciso mudar. Porque a dieta mediterrânica, porque um enchido de vez em quando não mata ninguém... é verdade. Não é necessário ser radical mas é necessário introduzir alterações para o bem da nossa saúde e para garantir a nossa permanência no planeta. Não se trata de aderir ao grupo do pessoal com a mania das sementes e cenas. Trata-se de perceber que a indústria alimentar exerce uma pressão no meio ambiente e que a cadeia que termina no nosso prato é um processo que inclui químicos e compostos com elevado potencial cancerígeno.

Os comentários de estranheza rapidamente se transformam em perguntas de quem quer saber mais para fazer igual, para apreender porque, se eu consigo, todos conseguimos. Pensem nisso e comecem devagar, um passo de cada vez, substituindo alimentos e ingredientes. Para mim, o segredo é não proibir e conseguir que o organismo de habitue a ponto de rejeitar o que não é saudável. Esse é o caminho de um processo lento na procura de informação, adaptação e mudança. Experimentem! ♡

Lê-se 'be cooque', que é o mesmo que dizer, vai cozinhar!

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