olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo que assume opiniões sobre temas da vida urbana.

A pergunta certa não é "o que eu como" mas o que "eu não como"

A pergunta certa não é "o que eu como" mas o que "eu não como"

Nos últimos meses têm sido várias as pessoas que me perguntam sobre a minha alimentação. Não sei se emano outra energia, se são os sumos que vou partilhando no instagram ou se simplesmente as pessoas estão mais despertas para esta questão. Na verdade, já não são apenas as amigas mais próximas, nem as amigas afastadas a fazerem perguntas. Há mesmo pessoas que não conheço que querem saber mais, que me questionam sobre as marcas e produtos que uso, onde faço compras... Não tenho paciência para partilhar receitas mas quero poder partilhar o que fui aprendendo e ajudar outras pessoas nesta arte de nos alimentarmos melhor, num universo repleto de péssimas escolhas. Não sou fada do lar e, menos ainda, Ratatui na cozinha. O meu lema sempre foi inventar e raramente registo o que faço. Uso muito o que tenho disponível na despensa e frigorífico, tentando manter uma abordagem simples na cozinha.

Less is more e, sobretudo, less is less mess!

Sobre o que como ou não como, devo dizer o cliché: alimentos processados, farinhas refinadas.... Exacto. Mas o quê, concretamente?

Antes de mais temos de aprender o valor nutricional dos alimentos e, depois, aprender a ler rótulos. Em seguida, perceber que químicos e aditivos são efectivamente prejudiciais, e quais são toleráveis, para passarmos à acção. Não sou fundamentalista e não quero enfiar-me num mundo à parte, de quem não come nada do que os outros comem, até porque tenho plena noção de que é quase impossível escapar aos químicos. Os solos estão contaminados e as chuvas são eminentemente ácidas. Paramos por aqui?...

Portanto:

Vamos entrar no supermercado... Escolham a fruta que quiserem, tendo em consideração que a distância implica conservação e conservação implica... químicos (ou antibióticos para manter a fruta fresca). Significa também rasto de CO2 para o transporte... mas essa, é outra conversa. O mesmo se aplica aos legumes. Procurem o que é nacional, não apenas porque o que é nacional é bom mas porque devemos consumir fruta e legumes da época. Quadros como este são muito úteis para nos lembrar que os tomates não nascem todo o ano...

Passemos aos frios... Ignorem os corredores dos enchidos, das carnes frias... procurem queijo cujos ingredientes sejam tão somente leite de vaca/cabra/ovelha (ou mistura), sal e cardo. Estes são os ingredientes do queijo. Normalmente o preço por quilo é mais elevado e não estão disponíveis fatiados porque o queijo fatiado supõe a utilização de conservantes para se aguentar. Sobretudo, porque é produzido em massa. É mais caro? É. Mas sabe melhor. E passam a comer menos apreciando mais e ingerindo menos gordura. Só vantagens... Não levem, por isso, os sucedâneos em creme e afins aos quais também chamam queijo. 

Leite e afins? Deixo ao vosso critério, na certeza porém de que as natas estão cheias de gordura e vacas ou ovelhas não "dão" iogurtes. Em teoria o iogurte só faz bem por ser nutritivo, conter fermentos lácteos e ser uma fonte de cálcio. No entanto, se olharmos com atenção para a lista de ingredientes de um qualquer iogurte verificamos que o leite é desnatado, o soro é reconstituído, o sabor é de um aromatizante, o doce é dos edulcorantes, a duração resulta dos estabilizadores e conservantes. Um mimo para quem quer fazer uma alimentação natural. Não se enganem: comi muitos iogurtes e dei iogurtes à minha filha. Até ao dia em que simplesmente os eliminei de vez da minha alimentação. Adoptei pseudo-iogurtes feitos de leite de coco da Harvest Moon que são uma delícia, contendo leite de coco, amido e culturas microbianas de agricultura biológica. Cada um custa quase 2€ e, por isso, não os como todos os dias, saboreando-os quando aparecem cá em casa. Os sabores são limão, baunilha, natural ou chocolate e, este último, parece um pudim...

Pão... Difícil resistir-lhe, reconheço. Percam tempo, comprem pão de qualidade, comam menos pão e saboreiem em vez de se enfartarem com papo-secos cujo valor nutricional é menos que 0. Olhem para o pão que compram, deixem-nos ficar num saco num canto da despensa... Se o bolor aparecer ao fim de dois ou três dias, se for verde e acinzentado, então estamos perante um pão à moda antiga... Mas se aguentar quase uma semana e só ao fim desse tempo ganhar umas pintas meio rosadas... fujam dele que está cheio de químicos. Uma vez deixei um pão de hambúrguer (daqueles das marcas conhecidas) esquecido na despensa e o resultado foi surpreendente. AO fim de meses estava seco, mas intacto. PS: aquelas coisas que se vendem em sacos coloridos, com as fatias todas do mesmo tamanho e alguns sem côdea... Isso não é pão. É uma aproximação ao conceito. Como as Pringles, que são um derivado do conceito de batata-frita. Mesmo que vos saiba pela vida, deixem-se disso.

Frutos secos, azeitonas e tremoços... Adoro! Não dispenso mas... sem sal e para torrar em casa. Azeitonas e tremoço são difícil de encontra em estado "natural": Lá está, sem fundamentalismos porque também não os comemos todos os dias, verdade? Para frutos secos durante muito tempo não foi fácil. Actualmente aquele supermercado muito grande do tio Belmiro já tem caju, amêndoa e amendoim neutros, ideais para complementarem a nossa alimentação. Também tem umas opções que misturam vários frutos secos e sementes, todas boas. Sou purista, gosto de os ter em separado e misturar o que me apetecer. A escolha é vossa, desde que não inclua sal ou qualquer outra coisa, como "picante". "Não sabe a nada"? Sabe! Sabe a amêndoa, sabe a caju ou sabe a amendoim. Como o café sabe a café e não a uma mistura de açúcar com café...

No reino dos cereais tudo é possível. Até o cereal não fazer nada bem por ser uma complexa mistura de açúcar e outras coisas. Há marcas sem conservantes e com uma porção de açúcar razoável, mas é preciso perder tempo a procurar. Para Rita uso este (vende-se no concorrente directo do tio Belmiro) e, para adultos, recomendo as opções visualmente menos apelativas das marcas que os diferentes supermercados têm na secção "saudável": flocos de aveia; flocos de trigo integral; flocos de centeio... que podem misturar em casa com frutos vermelhos desidratados ou cacau crú. Mais barato e saudável. Há, também nesta área, algumas opções multi-cereais, muesli crocante e misturas de cereais que são bombas calóricas, repletas de açúcar por causa das combinações... Leiam os rótulos!

Para a próxima: bolachas, bolos, café e chá, chocolate e outras iguarias...

 

 

 

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