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olá.

bem vindos ao urbanista, um magazine de estilo e tendências urbanas.

Dress code: myself

Dress code: myself

É impossível não estar a pensar em inglês depois de passar o dia a usar esta língua franca. Contudo, começo com uma expressão com sotaque brasileiro porque é daquelas tão genuínas que tenho pena que não façam parte do nosso vocabulário, sotaque carioca incluído.  

Fala sério, cara!... 

É. Vamo fala sério porque há coisas que todos pensamos e não dizemos, pormenores que nos inquietam sobre os quais não falamos porque não é suposto. Todas as manhãs o problema é mais ou menos igual para todos nós: a roupa que vestimos.  Continuem a ler porque não é a bullshit do #ootd ou do #olhemparamimtãogiranoinstagram de quem se dedica simplesmente ao #streetsyle sem pensar cinco minutos sobre a roupa que veste ou o que significam essas opções. 

Seja em contexto pessoal ou profissional, o que vestimos tende a representar quem somos. É inevitável fazer juízos de valor a partir da forma como o outro se apresenta ou evitar as percepções que essas opções podem representar.  

Blá, blá, blá não somos o que vestimos e não sei mais o quê, mas é vê-los passar de camisa e blazer com a identificação ao pescoço que denuncia a pertença a uma empresa de grande dimensão, socialmente estabelecida e relevante, com elevado grau de institucionalização, lado a lado com as sweatshirts pretas e jeans de quem mexe com cabos ou produz conteúdos, e as tshirts made in Silicon Valley, mesmo que sejam de qualquer outra geografia eminentemente tecnológica.

Participar numa conferência ou encontro desta natureza é atirarmo-nos para uma espécie de abismo, porque nunca sabemos exactamente o que vai acontecer ou quem vamos encontrar. Essa é parte mais divertida de um processo que começa na manhã do primeiro dia do evento e termina ao final do dia, questionando a indumentária que escolhemos.

A minha vida mudou verdadeiramente no dia em que decidi deixar de escolher em função do que esperavam de mim, da roupa que supostamente deveria vestir ou que sapatos calçar. Um dia, como qualquer outro, decidi, dentro das regras do bom senso e do que sabemos ser socialmente aceitável, vestir-me de acordo com a pessoa que sou, sem deixar que questionem as minhas capacidades e competências profissionais em função do que escolho vestir. Foi nesse dia que deixaram de me questionar e, mesmo tendo de enfrentar alguns olhares de admiração, não estou interessada em saber o que pensam sobre a roupa que uso. 

A roupa contribui para nos definir enquanto pessoas e pode ser tanto um acto libertador quanto um constrangimento ao nosso desenvolvimento pessoal. O tempo que passamos a pensar na roupa que vamos vestir em função de aspectos tão variados como a meteorologia, o que me apetece ou o que vou fazer, a percepção ou comentário dos outros e a imagem que pretendo transmitir, está inevitavelmente perdido, razão pela qual passei a focar-me nos dois primeiros e, se for relevante, no último da lista. Uma coisa é certa: nunca mais perdi tempo e enchi uma caixa com roupa que não planeio vestir tão cedo.

Para eventos como este, que invade Lisboa toda a semana, o segredo reside na palavra conforto: roupa interior confortável, ou seja, nem apertada nem disforme; meias com tecnologia no sweat e reforço na zona central do pé para aguentar os quilómetros que vamos andar, com sapatos confortáveis, porque são os pés - e consequentemente a coluna - os mais vulneráveis. De resto, a técnica das camadas funciona muito bem porque alternamos entre diferentes ambientes e temperaturas. Pequeno kit de higiene pessoal porque acontece, por vezes, estar demasiado quente e suarmos em bica. Ninguém quer ir para o after something com mau aspecto e, especialmente, a cheirar mal. Eu sei que não, mesmo que digam que não querem saber porque, simplesmente, essa atitude blazé é também ela uma grande mensagem. Que, por vezes, não vem acompanhada do melhor odor...  De resto, elásticos de cabelo para elas, mints ou pastilhas elásticas para todos, água com fartura e uma opção de estilo que vos permita sentar em qualquer lado. Inclusivamente, no chão.

Homewear, don't care

Homewear, don't care

Padmasana

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