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Como o yoga mudou a minha vida em 3 asanas

Como o yoga mudou a minha vida em 3 asanas

Há tempos partilhei o percurso de Dana Falsetti (aqui e aqui) porque me pareceu um exemplo importante de amor próprio. Gostar de nós não é fácil, especialmente quando não correspondemos aos padrões que os outros definem. Já sabemos que não faltam #haters e que #hatergonahate. Mas continuam a incomodar-nos. Porquê?

Somos sensíveis, esforçamo-nos por agradar e inculcaram-nos a ideia de que temos de pertencer. A qualquer coisa. Pois bem: não temos.

Não queremos estar sós, sentimo-nos sozinhos ou isolados, mas também não podemos abdicar de nós em prol do outro. Ou dos outros, porque isso seria o anular da nossa natureza. 

A Dana Falsetti  tem um corpo que não corresponde ao que normalmente esperamos de uma instrutora de yoga. E, afinal, o que é que esperamos de uma instrutora? O nosso preconceitozinho interpõe-se sempre. 

Exactamente por não corresponder ao padrão, é muitas vezes alvo de comentários online que aprendeu a ignorar, da mesma forma que aprendeu a controlar a voz interior que a deitava abaixo. Como?

Yoga.

Se a Dana Falsetti sofria porque percebeu que deixou algumas coisas por fazer em virtude de uma suposta limitação física, aprendeu que nada nos limita mais que a self-talk, a narrativa que temos nas nossas mentes. Eu posso argumentar que, se do lado físico, não há nada a limitar-me,  é essa self talk inacabada que também me limita.

Porquê yoga?

Através do yoga acontece mais ou menos o mesmo do que com qualquer exercício físico, mas de forma mais intensa. Quando inspiramos e expiramos profundamente, concentramo-nos mais e melhor. Quando fechamos os olhos e obrigamos o corpo a manter-se na mesma posição durante alguns minutos, sujeitamos corpo e mente a uma atenção e, simultaneamente, abstracção, que nos afasta de pensamentos negativos. Aumenta o foco positivo.

Esta necessidade de auto-consciência, inerente à prática do yoga, traduz-se num estado de atenção no que é realmente importante. Aumenta a nossa capacidade de concentração e de tolerância, contribuindo para ultrapassar aquela pedra que alguém fez questão de colocar no nosso sapato.

O relaxamento que a prática induz - independentemente das posições mais ou menos acrobáticas - é, no fundo, meio caminho para sentirmos de forma diferente, aproveitando o melhor da vida.

O yoga ensina que somos nós que controlamos as respostas que damos ao que nos acontece. É, na verdade, uma ferramenta de auto-conhecimento que nos permite trabalhar corpo e mente em simultâneo, crescer e desvalorizar aquilo que antes, parecia tomar conta da nossa vida: a inveja, a crítica e o julgamento dos outros, respirando mais e melhor, principalmente, aprendendo a respirar fundo para seguir em frente. A ideia de que enfrentamos o mundo deixa d fazer sentido porque passamos a aceitá-lo como é, fazendo o possível para o melhorar. Sem a atitude bélica assenta na ideia de que temos de enfrentar o mundo.

Conclusão? 

Não adianta saírem a correr para se inscreverem numa aula de yoga porque podem praticar sentados numa cadeira. Eu, apologista do façam qualquer coisa mas mexam-se, também sei que há pessoas que, simplesmente, não toleram o exercício físico. Nas últimas semanas - na verdade, já são meses - nada mudou e, contudo, nada está igual, porque aceitei essa filosofia de vida que é o yoga. Ainda que publique umas quantas fotografias assim mais para o acrobático, na verdade, não tenho como vos mostrar o melhor do yoga, porque aconteceu cá dentro.

Há aproximadamente um ano que me me dizem que estou com bom aspecto, mesmo nos dias em que me sinto um caco. O bom aspecto vem sempre do interior e, há tempo igual que me sinto de bem com a vida, fiel aos meus princípios e valores, ao que desejo para mim e a minha família, mesmo que com menos dinheiro no final do mês. Não há nada que pague o tempo livre, o sorriso dos que amamos ou o tempo para fazermos o que gostamos. Isso não tem preço e também se aprende através do yoga. Passamos vida entre o que tem de ser, o que nos dizem para fazer e o que esperam que façamos. Falta sempre tempo para sermos quem realmente somos.

As minhas três asanas não têm de ser as vossas asanas. Cada um deverá descobrir o melhor para si. Gosto particularmente da Pada Hastasana, corpo estendido a agarrar os dedos dos pés, da saudação ao sol, Surianamaskara ou, tão simplesmente, da Padmasana, a posição que cruza as pernas e coloca os pés nas coxas. Em qualquer dos casos, o segredo não é chegar com as mãos ou chão ou colocar os pés nas coxas, qual mestre Hindu. É respirar, contemplar, agradecer, acalmar. Experimentem sentar-se, de pernas cruzadas, as mãos pousadas uma sobre a outra no colo. Respirem pausadamente, façam um esforço para manterem as costas direitas e a cabeça no alinhamento da coluna. Respirem. Fechem os olhos. Permitam que o caos dos pensamentos se acalme. Respirem novamente. Insistam porque das primeiras vezes é um suplício, ficar assim, sem fazer nada. Aguentem.

É desse nada que nasce tudo. Garanto.

Namaste 🙏🏻

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