urbanista

As Velhas mais Bonitonas do pedaço estão de volta ao urbanista e mais novas do que nunca!

Numa semana de rescaldo do Dia da Mulher, e das discussões em torno do tanto que ainda falta fazer para atingirmos a igualdade em tantas áreas da nossa vida, pensei que este seria um corolário do empoderamento feminino que este projecto de pintura tão bem representa mas, entretanto, a televisão privada portuguesa decidiu estrear dois programas concorrentes - e igualmente deprimentes -, que colocam em causa tudo o que o dia 8 de Março representa.

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No episódio urbanista desta semana não falamos sobre isto mas abordamos questões tão importantes como a de nos sentirmos bem na nossa pele e de como isso pode mudar a nossa vida, ao mesmo tempo que a Maria Seruya, a artista que dá vida a estas Velhas, explica a importância de nos focarmos no que é mesmo importante para conseguirmos concretizar projectos (e com isso sermos remunerados pelo nosso tempo, trabalho e investimento).

Obrigada Maria e vivam as Velhas Bonitonas

 

Mulheres exaustas, sacos de pancada, sonham com a liberdade ou a diferença entre fazer e ajudar. Assim são (estão) algumas portuguesas.

Os números da violência não mentem e apesar de 13 mulheres já terem morrido desde o início do ano, só não somos todas no título porque, felizmente, nem todas levamos porrada. Contudo, a pressão a que estamos sujeitas, a par com uma certa violência psicológica e intelectual, fruto de um machismo enraizado e dos tectos de vidro que nos fazem (quase sempre) remar contra a corrente é outra forma de levar porrada. Deles e especialmente delas, conservadoras que acham que isto de ser feminista (até) pode manchar a reputação de uma mulher. Assim, por todas as mulheres e em nome de muitas mulheres, cansei*.

A personagem de Clarisse Falcão (Mulheres, Porta dos Fundos) cansou de receber o que desejava. Nós estamos cansadas de fazer por ter sempre a despensa recheada, o cabelo e as unhas arranjadas, enquanto mantemos as aparências de uma carreira de sucesso às custas de um esforço altamente desvalorizado. Chama-se carga mental e ninguém sabe muito bem o que significa.

isso da carga mental…

O mais recente estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos revela que precisaremos de cinco a seis gerações para chegarmos a uma distribuição equilibrada das tarefas domésticas. Este trabalho de que raramente se fala é um dos maiores factores de pressão da mulher moderna porque ultrapassa - em muito - quem faz o quê, concentrando-se na preocupação em garantir que aparece feito. Há sempre uma percentagem superior atribuída à mulher sobre “as coisas a fazer” ou seja, a gestão doméstica, para que todas as necessidades familiares sejam satisfeitas. E quando não são? Quando a (merecida) pausa de uns é a permanente ocupação de outros?

Cansei, porque afinal eles trabalham sempre mais do que nós e o esforço de ir buscar os filhos à escola é um sacrifício que põe em causa o seu trabalho. O deles, nunca o nosso. Cansei de ouvir que se acabou o leite, como se apenas eu, que sou mulher, tivesse a responsabilidade de (re)abastecer a despensa. Cansei de ouvir que é preciso lavar a loiça ou engomar. Cansei de arrumar e colocar as almofadas no seu lugar como se apenas eu me sentasse no sofá. Na verdade, raramente acontece, sentar-me no sofá. Cansei de pensar nas refeições, de imaginar pratos diferentes, de planear a lista das compras, de ir ao(s) supermercado(s) - porque nunca se resolve tudo no mesmo local - de escolher e ficar na fila para pagar, de carregar os sacos, de arrumar a despensa, cozinhar e ainda ouvir criticas em relação às opções ou ao sabor. Cansei. 

“porque não pedes ajuda?”

Porque não tenho - não temos - de a pedir. O verbo - o princípio - está equivocado.

Há uma diferença muito concreta entre fazer ou ajudar: fazer é realizar, executar, agir com determinados resultados enquanto ajudar significa contribuir para que outrem faça alguma coisa. Sabemos a que outrem o verbo se refere, verdade?

Os números são claros: o mesmo estudo da Fundação Manuel dos Santos, com uma amostra de 2428 mulheres entre os 18 e os 64 anos, residentes em Portugal, demonstra que a mulher  ocupa 5h48m do seu dia com tarefas domésticas. Contas feitas, se trabalhar 8h e perder 2h em deslocações... ainda lhe sobra muito tempo, não é? Não.

O mesmo estudo revela ainda que estamos infelizes com o trabalho e que o emprego ideal iria permitir a conciliação do tempo para nos dedicarmos à família mas, também, para termos tempo para nós porque esse tempo - o tempo para cuidar de nós (e não falo de vaidade feminina mas de algo tão simples como dormir horas suficientes) é ocupado a trabalhar e, por isso, estamos exaustas. Eles vão responder que estão na mesma, que a pressão para os resultados é enorme e que não podem dar-se ao luxo de se dedicarem mais à família ou aliviar essa carga mental que tanto pesa sobre as mulheres sob pena de serem prejudicados no emprego. Verdade. Sem dúvida que é verdade, o que agrava, ainda mais, a situação.

e quando eles não podem fazer, quanto mais, ajudar?

Pouco adianta a cada mulher exigir maior equilíbrio ou instaurar uma pequena guerra doméstica para que ele assuma mais tarefas ou o seu planeamento, se ambos estiverem profissionalmente assoberbados para garantir que as contas são pagas. Há uma grande diferença entre o workaholic que se dedica por amor e o que trabalha disfarçado de workaholic porque tem um volume excessivo de tarefas ou acumula funções. E é, no fundo, isto que está errado.

Marcos Piangers diz, e com razão, que precisamos definir uma lista de prioridades e dizer não a tudo o que der para recusar porque, acrescenta, pode ser que a gente nunca fique rico mas tanta gente trabalha como condenado e também não fica. O problema é esta escravatura da camisa branca que não garante fortuna mas também não permite uma vida emocional, intelectual e espiritualmente digna. Nenhum tipo de escravidão, mesmo que (quase) voluntária, é digna.

Eles também estão cansados . O risco de burnout é cada vez maior. Se eu escrevesse o texto no masculino, também muitos deles estariam exaustos não apenas com o trabalho mas com a pressão da masculinidade perfeita ou do machismo que limita muitos homens em assumir frontalmente a defesa dos princípios feministas, especialmente no que à família diz respeito. Precisamos de colaboradores mais felizes em cada empresa e de empresas que respeitem a noção de tempo. Talvez a criação de incentivos fiscais para horários de trabalho adequados às necessidades dos indivíduos, considerando os ritmos familiares, possam incentivar à mudança, ao mesmo tempo que poderão contribuir  para melhorar a mobilidade na cidade. Horários diferenciados podem  ter consequências muito positivas para a vida de todos nós, da mesma forma que a criação de medidas que permitam mais formas de teletrabalho também possam ajudar.

Como mulher, cansei de ser quem marca consultas e leva os meninos ao médico quando estão doentes. Parece que a minha vida profissional pode ser colocada em suspenso porque o pai tem de trabalhar. Lamento. O pai tem de ser pai. 

Cansei, principalmente, de aguentar todas as bolas no ar, num desempenho profissional próximo do malabarismo e que, no final das contas, continua a ser mal pago, com um vínculo precário.

trabalho igual, salário igual?

Sobre a igualdade salarial, o mês de Fevereiro anunciava mudanças porque as empresas têm, agora, de demonstrar publicamente que os salários são definidos com base em critérios objectivos mas nós sabemos que, apesar das intenções, há muitas formas de manter o desequilíbrio enquanto as mentalidades não mudarem.

Cansei. Cansei mesmo de ser mulher e, por isso, de achar que consigo fazer isto tudo. Cansei, principalmente, de ouvir mães e avós dizerem-nos que afinal não temos de que nos queixar porque ele até ajuda em casa. Senhoras: se eles decidiram partilhar uma vida não têm de ajudar, têm simplesmente, de fazer pois se vivem aqui e sujam, devem limpar; se comem, têm de comprar, quem sabe até, cozinhar; se querem roupa nas gavetas e armários, pois têm de a lá colocar. Ajudar não chega.  O mundo mudou, nós e as nossas relações também. No trabalho exigem-nos o mesmo - normalmente um pouco mais - do que a eles, a remuneração que recebemos - muitas vezes inferior pelo mesmo trabalho - é fundamental para o equílibrio da economia doméstica pelo que não é tempo de ajudar mas sim de fazer. E se cada um fizer a sua parte, o mundo será um lugar melhor.

 

“homem não dá para confiar não! Cansei, não vou dar corda não…” é uma paródia com Clarice Falcão ao simbolismo do que tantas mulheres desejam: um conto de fadas no qual ele se apaixona, nos trata bem e pede em casamento…

Viver sem plástico na cidade: já é possível? Não.

Armei-me em repórter para a NiT e passei uma semana a recusar plástico em todas as situações de consumo. O resultado resume-se a duas questões:

- sim, estamos conscientes que o plástico vai acabar por acabar com isto tudo

- não, ainda não há muitas alternativas, especialmente no grande consumo  

Descobri, ainda, aberrações e grandes disparates que podem ler aqui 

 

Yoga: sobreviver ao caos urbano em 8 asanas fundamentais

Desejo: como seres humanos, temos todos o desejo de ser felizes, independentemente do que entendemos por felicidade

Realidade: a vida na cidade está a matar-nos aos poucos

Desejo: somos pessoas (muito) ocupadas, desejamos ter tempo  

Realidade: as nossas opções e estilo de vida não nos deixam tempo livre

Desejo: o que mais queremos  é estar bem

Realidade: má postura, muitas horas de trabalho, alimentação apressada, fumo e outros tóxicos, demasiada tecnologia dão cabo de nós  

Como sobreviver a isto ?

Eu diria “parar. sentir. respirar” o título do livro da Vera Simões que deu o mote à entrevista desta semana do urbanista na NiTfm. A verdade é que há muito nos esquecemos da importância que estes três simples passos têm na nossa vida: parar para percebermos o que estamos a fazer (e como estamos a fazer). Sentir, olhando para dentro de nós e ouvindo o que o nosso corpo tem a dizer, já que muitos dos problemas de saúde que temos são gritos de alerta do nosso organismos para nos fazer parar. Tendemos a insistir, resistindo, ignorando os pequenos sinais de alarme, que encobrimos com soluções rápidas e medicamentos que tratam o sintoma mas não resolvem o que lhe deu origem. Respirar porque entre a primeira e a última inspiração há uma vida que vivemos sem pensarmos na importância que a respiração tem na nossa vida. E o yoga pode resolver muitos dos nossos problemas.

Como evitamos pensar sobre tudo isto, também colocamos de parte a componente científica que sustenta estas afirmações, conotando este conhecimento milenar com uma espiritualidade hippie ou uma moda que teima em querer alinhar-nos os chakras e que depois fala em karma. Tudo misturado dá confusão…

A ciência comprova:

Estudos da Harvard Medical School provam que o stress, juntamente com outros factores emocionais podem deflagrar (ou piorar) problemas de pele [ler], nomeadamente o acne (e há cada vez mais adultos com acne, verdade?…), agravar as alergias [ler] e defendem que o yoga pode ser uma forma de tratar a ansiedade e depressão, bem como no tratamento da dor [ler].

A prática regular de yoga contribui para melhorar o estado físico e mental, diminuindo os níveis de stress e ansiedade. Através de posturas específicas também pode contribuir para melhorar o estado da pele. As posturas estão sempre associadas à respiração (asanas) que tem, também a capacidade de ajudar a desintoxicar o nosso organismo, por consequência, melhorar a digestão, ajudando o organismo a distribuir melhor os nutrientes dos alimentos melhorando, em última análise, o estado da nossa pele. O nosso estado, no geral.

Asanas para desintoxicar:

  • Pavanamuktasana 

  • Ardha Matsyendrasana

  • Parivrtta Trikonasana

  • Supta Matsyendrasana

Há outras asanas, igualmente simples e acessíveis à maior parte das pessoas que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia sem nos tornarmos yogis, vestirmos roupas justas ou muito largas todo o dia e sentarmos sempre de pernas cruzadas. Com base na minha experiência pessoal, de mais de 30 anos (credo!…) dedicados à ginástica, dança e fitness, não apenas como praticante mas recebendo formação em workshops e convenções que culminou com formação em pilates, consegui começar a praticar yoga sozinha para, rapidamente, perceber tratar-se de um admirável mundo novo sobre o qual nada sabia. Há um ano e meio que me dedico quase exclusivamente ao yoga, com incursões esporádicas na corrida e no surf. Posso dizer-vos que esta se trata de uma prática completa que activa todos os cantos e recantos do nosso corpo, por dentro e por fora, ao mesmo tempo que se estende a outros domínios da nossa vida. Se é certo que, por exemplo, com o pilates aprendemos a interiorizar uma postura mais correcta levando-a para o nosso dia-a-dia, com o yoga acontece uma transformação não só postural mas, principalmente, da forma como encaramos a vida, com reflexo na nossa postura física e mental. Aconselhar-vos a praticarem de forma autónoma seria um erro porque exige uma consciência corporal, noções de anatomia e fisiologia, bem como da respiração mas, independentemente da prática [oiçam aqui um podcast sobre as diferentes práticas de yoga] a introdução de algumas asanas é possível mesmo para quem nunca praticou.

Asanas simples que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia:

  • Vriksana

  • Bidalasana

  • Balasana

  • Savasana (a melhor de todas, garanto!…)

e , fundamental:

Pranayama (respiração): deitado de costas, para praticar a respiração completa (inspirar enchendo a parte inferior dos pulmões para depois os encher na totalidade; expirar deixando que os músculos respiratórios relaxem ao máximo, descendo esterno e as omoplatas, depois o arco das costelas e a barriga).

Pessoas normais praticam yoga e o livro da Vera Simões mostra isso mesmo, reproduzindo testemunhos de vários dos seus alunos, praticantes de Ashtanga Yoga: entre farmacêuticos, tradutores, veterinários, decoradores e designers, há também arquitectos, empresários e gestores, engenheiros e informáticos, pessoas que perceberam os benefícios desta prática e a abraçaram, introduzindo-a na sua vida, cada um ao seu ritmo e de formas diferentes. Só há um perigo na prática de yoga: a de nos apaixonarmos de tal forma que jamais deixaremos de praticar.

 

Mudar agora para o mundo não mudar amanhã (*)

Dizem-nos para poupar água, evitar utilizar o plástico, mas ninguém nos diz, exactamente, o que fazer ou o impacto que medidas pequenas e individuais podem ter na sustentabilidade do nosso planeta.


Acordar, levantar, abrir a torneira.

Imagine que um dia acordava, seguia a sua rotina habitual, mas não havia água. Paradoxalmente, na rua, a sua rua, aquela onde vive e onde está a sua casa, estava inundada. O alcatrão desapareceu, os passeios não se viam e os automóveis estacionados estavam quase submersos. Imaginou?

Em todo o mundo, milhões de pessoas vivem em zonas costeiras. Na lista de cidades em risco de ficarem submersas, cinco delas são na Flórida, nos Estados Unidos. Mais de dois terços da costa portuguesa sofre risco sério de erosão. Lisboa pode transformar-se numa espécie de Veneza do Atlântico, com inundações nas zonas baixas da cidade face à subida do nível do mar. Todos sabemos que as nossas cidades e vilas estão sob ameaça das alterações climáticas que afectam o estado do tempo e provocam fenómenos naturais extremos. Dizem-nos para poupar água, evitar utilizar o plástico mas ninguém nos diz, exactamente, o que fazer ou o impacto que medidas pequenas e individuais podem ter na sustentabilidade do nosso planeta.

Continuamos a achar que estamos sozinhos e que se for só eu não vale a pena. Surpreendemo-nos com mais um furacão, ficamos apreensivos com as vidas aniquiladas por uma inundação, sem palavras perante o solo queimado por incêndios devastadores. Sofremos de uma curiosidade natural em relação a estes fenómenos que acontecem um pouco por todo o mundo mas não nos preocupamos muito em saber que medidas estão os governos a tomar para assegurar que o mundo, como o conhecemos, se mantém mais uns anos.

O padrão de consumo e desenvolvimento actual é marcado por um comportamento de consumo pouco sustentável, criando as condições perfeitas para um futuro altamente imprevisível. Em 2017 foram vários os furacões que assolaram os Estados Unidos, com resquícios da sua força e potência a verificarem-se também entre nós. Este é o nosso presente e pode mudar, por completo, a forma como vivemos.

Imagina-se a ir de barco para o trabalho ou a não ter água para o duche matinal?


É nas cidades que mais sentimos os efeitos de alguns fenómenos extremos. Também em 2017 mais de 1.000 pessoas morreram e mais de 45 mil pessoas ficam sem casa por causa de inundações no sudeste asiático. Pensarmos que está longe de nós não vai resultar porque os subúrbios das principais cidades na Califórnia e no Rio de Janeiro também sofreram inundações ou derrocadas pela força da água, a par com incêndios sem equivalente na história que também aconteceram em Portugal. Cape Town, na África do Sul está em seca extrema desde 2015, a Sibéria conheceu esta semana um manto de neve negra, resultado da poluição, os Estados Unidos estiveram submetidos ao um frio extremo, resultado do vórtice polar e, por cá, desde o último Verão, já conhecemos a Leslie, a Helena e o Gabriel, tempestades que provocaram estragos, acompanhadas de temperaturas a rondar os 40 graus em Setembro ou ventos e agitação marítima a fazer manchetes e a deixar avisos laranja e vermelhos por todo o país antes do Natal.

O Thwaites é um glaciar no leste da Antártida que está a derreter mais depressa do que o previsto. É duas vezes o tamanho de Portugal e, quando derreter na totalidade, vai fazer subir o nível das águas em 80 centímetros. O que quer isso dizer? Nada. Excepto que já se pensa fazer uma barreira marítima para conter a água. Um muro no fundo do mar com 150 quilómetros e 300 metros de altura. Assim já parece importante, não é? Voltemos à ideia da água pelos joelhos à nossa porta ou da torneira sem água…

Todos somos responsáveis pelo modo de vida pouco sustentável que temos e todos somos afectados pelas suas consequências, pelo que está na mão de todos fazer alguma coisa para nos aguentarmos neste mundo mais uns tempos. O tempo parece infinito mas é relativo e, principalmente, absolutamente finito e, da mesma forma que foram os mais novos que ensinaram aos pais o que era isso da reciclagem, são também os miúdos de hoje que nos vão dizer o que fazer: o movimento começou na Suécia e está a espalhar-se a todo o mundo. Comunicam através das redes estão a mobilizar-se em torno de um movimento pelo clima que quer chamar a à atenção de Governos e governantes para a importância de agirmos enquanto é tempo. Planeiam uma greve como forma de protesto, inspirados em Greta Thunberg, uma jovem sueca que protesta pacificamente há mais de 25 semanas em frente ao parlamento sueco e já foi ouvida no Fórum Económico Mundial de Davos. Faltar às aulas é apenas o pretexto para serem ouvidos sobre aquilo que todos sabemos e queremos ignorar: a crise do clima e, principalmente, a urgência de medidas como a aposta séria nas energias renováveis, a monitorização da água dos rios e das descargas tóxicas, multas e impostos mais elevados para empresas que poluem mais, medidas que não implementamos lá em casa mas que o Governo pode, rapidamente, adoptar.

No dia 15 de Março  acontece a greve estudantil pelo clima em várias cidades de Portugal, uma espécie de ultimato, semelhante ao ultimato que cerca de 100 cientistas de 40 países diferentes, com base em 6.000 estudos científicos fizeram, no mais recente relatório das Nações Unidas que nos diz, tão simplesmente isto: ou mudamos, ou em 12 anos o mundo muda. E não vai ser para melhor.

(*) publicado no Sapo24



O saco de plástico foi apenas o começo: 3 medidas para mudar a nossa vida, já!

Gosto de acreditar na ideia das coincidências, mesmo sabendo que não existem. As coincidências são explicações que arranjamos para o que não sabemos explicar e que entendemos ser o universo a conspirar - muitas vezes contra nós, outras tantas a nosso favor.

Sei que, neste caso particular será provavelmente uma mera coincidência mas será, simultaneamente, o empurrão que faltava para acreditar que, se quisermos, podemos mesmo fazer a diferença.

Ontem a NiT publicou esta notícia:

Zara vai deixar de usar sacos de plástico nos saldos em Portugal

e no exacto momento em que leio o título confesso que tive aquela reacção interior de “wow!”, misturado com “what?”, seguido, na fracção de segundo a seguir, de um “como assim?…”, e um “ai não acredito!” para terminar como habitual “ não me digam que…”

Também sei o suficiente para saber que uma medida destas já estava a ser estudada mas reservo-me o direito de pensar que posso ter contribuído para acelerar a decisão ou a sua implementação porque, afinal, quando confrontadas, as diferentes funcionárias com quem falei nada sabiam sobre isto. Sim, também sei que a comunicação interna nas empresas é (quase) sempre deficiente e que os que dão a cara pelas marcas normalmente são os últimos a saber. Mas… posso ficar na ilusão? Obrigada!

Porque ficar nessa ténue ilusão inspira-me a continuar.

Na maior parte dos casos, é de uma ténue ilusão que se alimentam os sonhos.

E eu tive um sonho. Um sonho que me dava uma dimensão agigantada, que permitia ser tão alta a ponto de ter parte do corpo mergulhado no oceano e, ainda assim, ter altura suficiente para conseguir observar o mundo como se este fosse plano. E não estava mergulhada em água mas sim em plástico, vendo o mundo a tentar empurrar o problema para o país do lado sem grande sucesso.

Esta imagem acompanha-me desde então e, desde esse dia, implementei mais algumas medidas de protecção do meio ambiente e de redução do lixo. Foi assim que surgiu a “pequena cruzada” contra os sacos de plástico da Zara e é assim que hoje vos pergunto se querem juntar-se a esta ideia de produzirmos menos lixo e de reciclarmos aquele que produzimos.

Acredito que, ao contrário da ideia geral de que esta coisa da sustentabilidade e do lixo e coiso e tal, não pode continuar a ser vista como uma cena de vegans e fundamentalistas, menos ainda de hippies quarentões que não sabem o que fazer à vida. Sem ponta de hipocrisia, é assim que olhamos para aqueles que, muito antes do tema estar na ordem do dia já tinham aplicado estas medidas na sua vida, não é?

Eu sei, não adianta negarmos.

Eu não sou nem uma coisa, nem outra.

Também não tenho interesses financeiros na matéria porque não vendo produtos ou serviços que possam contribuir para uma vida mais verde. O meu único interesse é a minha filha, com 10 anos e um sorriso do tamanho do mundo. O meu interesse é esse, não quero que tropece em garrafas de plástico, que empurre o lixo com as duas mãos. E também sou eu, porque não quero sentir que o pé de pato enrolado num saco de plástico quanto estou no mar a praticar bodyboard. É esta a minha declaração de interesses e não poderia ser mais honesta. Juntam-se a mim?

Prometido é devido e, por isso, aqui ficam 3 ideias, produtos e acções para darem um pequeno contributo para mudar as coisas.

A primeira é usarmos a palavra NÃO.

Esta palavra tem um poder incrível, quando usada no momento certo. Dizer “não, obrigada” deixa muitas pessoas sem acção, quando recusamos uma palhinha na nossa bebida, quando dizemos que não precisamos de saco, quando dizemos que não queremos aquele produto porque está embalado em plástico e pedimos uma alternativa. Experimentem, nem que seja para verem a reacção. Garanto que se habituam e vão gostar…

A segunda é estarmos atentos.

Aprendemos a acreditar em estereótipos e crescemos a acreditar em sistemas que moldam a nossa mentalidade resultando numa dominância sobre a qual não reflectimos, com uma dimensão ética que não questionamos. Aplica-se a tudo, desde o machismo ao racismo ou à forma como tratamos os animais. Crescemos com o plástico e não o questionamos. Está em quase tudo o que nos rodeia e se, um dia, tomarmos consciência de que grande parte é de utilização única, se nos lembrarmos que esse lixo não se desintegra, que está no quintal do lado e que pode, também atingir o nosso, então mudamos.

O desafio é este: da próxima vez que forem ao supermercado, pensem na quantidade de embalagens de plástico desnecessárias e tentem encontrar uma alternativa. Recusem-se a pensar que não podem fazer nada porque o exemplo da Zara é esse: podemos.

A terceira é mudar.

Escova de Dentes

Trocam de escova de dentes com frequência, não é? E experimentarem uma de bambu? Freak? Não. Experimentei e estou muito satisfeita e não é porque dou um contributo para o meio ambiente mas porque a escova mesmo boa: macia, limpa em profundidade e sabem?… Aquela coisa dos filamentos assim e assado, que limpam aqui e ali? Bullshit para aumentar o preço do produto. Já usei duas marcas diferentes, ambas com os filamentos no formato mais tradicional e limpam com uma precisão que nunca imaginei.

Onde comprar e tal? Google it, há vária marcas que as enviam para nossa casa a custo 0 (free shipping)

Cotonetes

Precisam mesmo de limpar o ouvidinho todos os dias? Não o conseguem fazer com a ponta da toalha depois do banho? Pensem lá bem… Se precisam, há cotonetes com o suporte do algodão em papel e mesmo cadeias como o Pingo Doce já implementaram essa mudança. Go for it. Mas pensem que se calhar não precisam de o fazer todos os dias. Usam para limpar os cantos borrados quando estão a maquilhar? Usem a esquina da unha, funciona na perfeição!

Make up

Sem qualquer tipo de julgamento, podemos implementar a mudança e esta não será deixar de usar, é escolher marcas amigas do ambiente, que não testam em animais e que não usam químicos na composição dos seus produtos. Podemos, principalmente, fazer algo quase revolucionário e comprar discos desmaquilhantes de algodão. Usamos, lavamos, deixamos a secar e usamos outra vez. Ah e tal mas gastamos água… O impacto ambiental é muito menor do que o dos discos de algodão, tratamos melhor a pele e gastamos menos dinheiro, também. Adoptei esta medida há poucas semanas e recomendo!

Água, café ou chá

Água todos bebemos mas podemos passar a comprar menos garrafas de água, verdade? Ou recusar o copo no Starbucks porque passear de copo na mão perdeu parte da sua coolness. Verdadeiramente fixe é levarmos o nosso copo para transportar o café (ou chá) e mais cool ainda é termos uma garrafa só nossa para bebermos água durante o dia. Palavra de urbanista.

Sacos de pano

Sabiam que a cada secundo há 140.000 embalagens de plástico descartável que são descartadas para o meio ambiente? Esqueçam essa ideia de que são os hippies, os estudantes de artes e aquele pessoal meio esquisito que anda com um saquinho de pano ao ombro. Também não é coisa de pobre que não pode comprar uma Louis Vuitton. É coisa de quem está com atenção ao que se passa no mundo e que enfia um saco de pano no bolso do casaco ou no fundo da mala para usar sempre que for preciso. Como o copo para o café, estes sacos são a the next big thing e vocês não querem ficar de fora, certo?

Se levam marmita, news flash: há sacos de pano, pequenos e reutilizáveis, perfeitos para embrulhar a sandes ou qualquer outro alimento seco. Ao contrário dos sacos de plástico, estes sacos de pano deixam os alimentos respirar, o pão não fica seco como acontecia com aqueles sacos de pano que as nossas avós tinham para guardar o pão, são fáceis de fazer em casa e ainda mais fáceis de comprar porque já estão disponíveis em muitas lojas e mercearias que vendem produtos biológicos e/ou sustentáveis. Experimentem. Servem também para congelar e o resultado é surpreendentemente melhor do que usando plástico. Fiquei fascinada!

Finalmente, palhinhas

Eu sei que são adultos que lêem o urbanista e os adultos não usam palhinhas para beber o suminho, pois não? Palhinhas estão out. Até para a caipirinha. É sorver a bebida do copo e sentir o gelo refrescar o lábio superior. Somos adultos ou quê?….

Obrigada ♡




 

 

A idade não pode ser um tema. Os brancos ainda menos.

Há dias cruzei-me com um artigo da revista Glamour que falava nunca certa revolução que lentamente se instala, de aceitação dos cabelos brancos na mulher. A verdade é que tenho a sorte de ter poucos e de os ter estrategicamente por baixo dos outros. Foi nesse instante que percebi que o meu próprio pensamento estava errado: “tenho a sorte”.

Em primeiro lugar, os cabelos brancos nada têm a ver com sorte, apenas com a capacidade de produção de melanina, o pigmento que dá cor ao cabelo, que tendencialmente diminui a partir dos 30 anos. Contudo, esta não é uma ciência exacta e o aparecimento de cabelos brancos também está associado a factores genéticos, donde, nada a ver com sorte. Ou azar. E foi este pensamento que me levou a perguntar, a outras mulheres, que relação estabelecem com este processo natural mas que está, implicitamente, associado ao envelhecimento.

As respostas não poderiam ser mais simples: da auto-estima à pressão social e profissional, a maior parte das mulheres com cabelos brancos antes dos 40 anos pinta-os para se sentir melhor, para sentir a idade que realmente tem, por causa do contraste, para não ouvir os outros ou porque, simplesmente, o trabalho assim o exige (trabalham com a sua imagem).

 

Pinto o cabelo desde os 21 anos, tenho 46, atualmente o meu cabelo está praticamente branco. Nunca gostei, na minha família todos tinha o cabelo branco e nunca gostei, pareciam todos mais velhos. A minha mãe agora tem os aspeto da idade. Pinto pele auto estima e para parecer a idade que tenho! Ou menos 😉

G. Fernandes

Hoje tenho uma reunião importante e não me sinto confortável em ir com raízes até às orelhas, por isso acho que vou utilizar o único frasco que ainda tenho em casa para pintar, para não ir neste estado lastimável. Mas na realidade nem sei o que responder à tua pergunta. Acho que é uma questão de auto estima, misturada com o preconceito que eu posso ter e as outras pessoas ainda possam ter. Esta fase em que me encontro de raízes até às orelhas não é fácil e para a ultrapassar é necessária muita vontade.

V. Amante

 Uso o cabelo curto e tinha que pintar de 3 em 3 semanas. Em 2010 (43 anos) tive um mês complicado no trabalho e não tive tempo para pintar, saí desse trabalho e fiquei desempregada! Fui cortar o cabelo e praticamente saiu toda a parte que estava pintada e eu gostei... era verão e decidi pintar só depois de vir da praia! Quando cheguei de férias pintei o cabelo porque tinha que procurar trabalho e me diziam que não ia conseguir com o cabelo grisalho...

I. Alarico

 Sobretudo porque dá me um ar desleixado, para além de serem brancos contrastam com os restantes cabelos porque são mais grossos do que os restantes, e tenho o cabelo castanho muito escuro, o que evidencia ainda mais os brancos!

Cláudia M.

 Tenho 33 anos, um cabelo preto e adoro o meu cabelo e experimentei um método que é o “gloss” dá brilho e cor. Nunca tinha feito nada, pintado ou nada do género, não estava a gostar de me ver, talvez pela associação dos cabelos brancos à idade. Nem me sinto com 33 anos. Mas por exemplo, agora já tenho outra vez, pois fiz isto em agosto e não vou a correr fazer o gloss!

 J.M. Leitão 

 Para ser sincera começou por ser por uma questão de auto-estima. Os meus primeiros cabelos brancos apareceram quando tinha 15/16 anos (e o melhor, mesmo na parte da frente, super visíveis) e naquela altura foi um filme. Lembro-me que chorei imenso e obriguei a minha mãe a cortá-los porque não queria pintar o cabelo. Mais tarde, começaram a ser realmente muitos cabelos brancos e comecei a pintar mesmo por isso. É uma questão de auto-estima, porque não é algo homogéneo, tenho apenas cabelos brancos concentrados numa parte do cabelo e não acho que me favoreça. Porém, não pinto com muita regularidade e chego a andar com cabelos brancos durante algum tempo e já recebi comentários parvos e preconceituosos do género “ai tão novinha cheia de cabelos brancos” “ai existem uns sprays para disfarçar isso”. Enfim!!

D. Pinto

 Eu pinto o cabelo de ruivo desde os 18 anos. (Tenho 35) é algo que já está na minha rotina. Sei que um dia quero parar de pintar o cabelo e assumir os brancos, mas não já porque honestamente acho que não condiz com a minha idade mental, digamos assim. Adoro cabelos cinza e brancos mas acho que ainda não cheguei lá.

M. Pinto

 Pinto o cabelo porque tenho o cabelo todo branco desde os 15 anos. Pinto essencialmente por questões profissionais. Caso contrario não só não pintaria como assumia o branco.

J. Vieira

 Na verdade, estou a ficar com uma madeixa, tipo Susan Sontag e fico toda vaidosa ahahha lá está quando temos os role models certos até podemos ser carecas!!

M. Pereira

 

Auto-estima. Ver os cabelos brancos faz-me sentir mais velha e menos cuidada.

M. Guerra

 Há, também, quem consiga ignorar tudo isto e viver muito bem com as suas madeixas ou fios brancos, que se vão misturando com os outros...

 Eu acho que ficam engraçados e acho muito poderoso uma mulher aceitar o ritmo natural da vida.

F. Semião

A principal razão pela qual hoje em dia não pinto o meu cabelo é porque aprendi a aceitar-me como sou e procuro ser fiel a mim mesma todos os dias!! 😅 Mas atenção que eu já pintei o meu cabelo anteriormente, ADORO um cabelo bem pintado e sou tentada todos os dias pelas deliciosas cores que há por aí 😂 mas no fim do dia... nah gosto de mim assim!! 🤷

V. Lima

Tenho 29 anos e já tenho vários cabelos brancos, para aí uns 20, quase todos na mesma zona. Comecei a tê-los muito cedo, tal como a minha mãe, e cheguei a pintar o cabelo. Agora estou numa fase de me aceitar, já com cabelos brancos e estrias, e sou feliz assim. Uns dias mais segura que outros mas é normal. No futuro próximo não faço planos de o pintar, gosto dele assim, não sei como será daqui a vários anos mas logo se vê 😊

T. Cruz

Não pinto porque ainda não tenho muitos, e apesar de me dizerem para pintar e etc eu gosto de ver os brancos, é natural e dá um efeito bonito :)

C. M. Garcia

 A razão é simples: preguiça, preguiça de pintar, preguiça de manter. 

Carla S. 

 Considero que a tinta estraga o cabelo e só quando forem mais notórios é que ponderei pintar.

I. Parreira

 De momento ainda não tenho nenhum cabelo branco evidente, mas já decidi que não os vou pintar nunca e a principal razão prende se com o facto de aceitar a vida como ela é e todos nós vamos envelhecer e verificar as mesmas mudanças físicas. Tentar esconder isso é tornar a questão demasiado central e de algum modo deixar que isso controle o nosso bem estar ("oh não, nao posso ir para o escritório com estes brancos todos", please, a tua inteligência e simpatia valem bem mais)

Joana C.

 Pelas razões ecológicas. É absurda a quantidade de químicos usados para pintar, em relação ao tempo que a cor vai durar. Já nao pinto há dois anos. Não voltarei a pintar.

S. Costa

Resumindo, a ideia desta semana é simples:

Pode a idade ser um tema?

Não creio.
Podemos ser definidos pela nossa aparência?
Também acho que não.

Infelizmente, é que acontece.

Sem meias palavras, reconheçamos o impacto do nosso aspecto na relação com o outro e na primeira impressão. Contudo, talvez tenhamos levado isso ao extremo, impondo padrões de beleza a roçar o absurdo, com dois pesos e duas medidas para homens e mulheres.

Somos diferentes? Somos. Ainda bem.
Mas porque razão há-de o cabelo grisalho ser diferente neles e nelas?...

A definição da beleza e juventude da mulher é injusta, inglória e impossível de atingir.

Uma mulher não é nem uma Barbie, nem uma Cher e, menos ainda, uma velha por ter o cabelo grisalho.

MUITO OBRIGADA a todas as mulheres que ontem me responderam a questões nada simples e que provam o excessivo peso que o olhar do outro ainda tem na nossa auto-estima.

Estamos juntas, com ou sem brancos 🖤

Urbanista Yoga & Brunch: como tudo começou?

Começou como tudo começa. Com uma ideia que parece parva, a qual temos medo e vergonha de verbalizar mas, para a qual, a resposta é reacção é simplesmente uau.  

Um dia fui ao Therapist. Algum tempo depois pensei num local onde pudesse juntar algumas pessoas para celebrar o aniversário do Urbanista, numa acção conjunta com uma marca, e só me ocorria o Therapist. Enchi-me de coragem e perguntei. Assim foi. Depois disseram-me que seria boa ideia repetir e o Therapist concordou.

No entretanto, multiplicavam-se as minhas publicações sobre comida e cresciam as visualizações desses stories no instagram. Estava feliz. Enchi-me novamente de coragem e, de um sopro, perguntei se podia fazer mais um brunch urbanista. E fiz.

E, agora, outro. Mais pensado e estruturado, com um menu aprimorado, definido em função dos produtos e necessidades nutricionais desta época de Inverno.

Obrigada a todos os que me apoiam nestas ideias loucas!

A verdade é que sempre gostei de receber e juntar amigos à mesa. A única coisa que mudou foi o tipo de ingredientes que uso porque a paixão pelo sorriso de quem está a saborear, mantém-se. Se antes era mais ou menos inconsequente nas minhas opções, agora quero juntar a este prazer de juntar pessoas à mesa a possibilidade de ajudar algumas delas a fazerem opções alimentares mais conscientes e informadas sobre as características e valor nutricional daquilo que estamos a comer. Esse também é o princípio do Therapist, que nos vai receber no Sábado, dia 2 de Fevereiro com uma nova entrada, uma sala (ainda) mais bonita e acolhedora, numa abordagem descomplicada, base da minha vida e alimentação, que a Shine Superfoods, marca parceira do Urbanista, também defende.

Não poderia ter encontrado melhores parceiros!

O menu é todo baseado em opções porque, na verdade, não temos de gostar todos do mesmo e há sempre quem prefira os doces aos salgados ou vice versa. Começamos por desintoxicar o organismo com uma água morna e gengibre, para depois acompanhar umas Bruschettas com um Curcuma Latte de beber e chorar por mais, seguido de uns Egg Muffins de espinafres, queijo (vegan) e cogumelos (há opção Egg Muffins sem ovo, para ser verdadeiramente vegan).

As Bruschettas são deliciosas: imaginem pão de trigo alentejano, bem fermentado e amassado, cozido de forma tradicional, e aquecido para deixar o queijo (vegan) derreter, com umas folhas de rúcula ou espinafres, abacate no topo, temperado com um segredo urbanista ou uma versão igualmente apetitosa, cheia de energia, do mesmo pão, mas com Macacau (cacau, maca e açúcar de côco), banana cortada em finas rodelas e amêndoa torrada (ou côco por cima).

O que vos parece?

Depois acompanhamos os Egg Muffins com umas Chips de batata doce preparadas no forno e duas opções de Bowl: a famosa (e maravilhosa) Sopa de Abóbora Assada do Therapist ou a minha não menos saborosa Açaí Bowl, com a Granola urbanista (cheia de cereais e 0 açúcar) e kiwi. Uma opção mais fresca e igualmente multi-vitamínica.

Porque não dispensamos um doce, mas adoptámos o sabor natural do açúcar presente nos alimentos, vamos ter um Banana Bread with a twist, que é mesmo que dizer que um dia a receita me correu mal e inventei. O resultado foi maravilhoso e quero partilhá-lo com vocês. Como opção, Apple Crumble daquele que apetece mesmo repetir. Para acompanhar, o smoothie sensação deste Inverno: uma versão urbanista da receita da Princesa Markle que inclui vários ingredientes, destacando-se o poder anti-oxidante dos mirtilos.

Para além da comida, yoga. Porquê? Se mudou a minha vida também pode mudar a vossa. Há quem me faça perguntas e peça conselhos para começar a praticar, portanto, este é o momento. Juntamente com a Carla Ferraz, que é das melhores professoras que podem conhecer e que percebe mesmo disto, o urbanista yoga & brunch começa com uma sessão de yoga na qual iremos partilhar aquele pequeno pormenor que nos faz querer praticar todos os dias, bem como uma sequência simples e eficaz que todos, com mais ou menos prática, maior ou menor habilidade, muita ou pouca flexibilidade, conseguem por em prática todos os dias.

Namaste e… até sábado, para o urbanista yoga& brunch no The Therapist [como chegar] a partir das 11h.

 

Onde está o teu Nokia 3310?

Comecei a escrever este texto há vários dias, sentada numa loja Ikea. Tinha muito pouca bateria no telefone, sem forma de o carregar. Agarrei no caderno que sempre me acompanha e comecei a escrever. Paradoxalmente, sobre o que mudou na tecnologia e no nosso estilo de vida nos últimos dez anos. Se o #10yearchallenge começou por ser um desafio inconsequente, assumiu-se, também, como uma forma de denunciar ou, pelo menos, chamar à atenção, de aspectos socialmente preocupantes, como as alterações climáticas.

Há dez anos não havia instagram e a ideia de smartphone era a de um telefone assim um bocadinho mais à frente do que aquilo a que estávamos habituados. Eu tinha um Nokia N70 e achava que tinha um Ferrari nas mãos, longe de imaginar que, hoje, esse aparelho me seguiria os passos ou escutaria as conversas. As fotos tinham grão, a ideia de fotografar com o telefone era um recurso para registar um momento, não eram encarnadas como fotos a sério porque a qualidade era sofrível, perfeitas para um instagram que, entretanto, entrou em modo retro, transformando fotografias em alta definição em imagens old school. São as blogging trends, coisa que, na altura, também não conhecíamos. 

Fazíamos selfies e, por vezes, um ficava pela metade ou o resultado final tinha mais paisagem do que pessoas. Há dez anos éramos todos muito diferentes e isso não quer dizer que estivéssemos melhor: éramos menos dependentes da tecnologia, é um facto, mas éramos, também, menos mente aberta, mais conservadores do que hoje mas, simultaneamente, menos politicamente correctos porque, simplesmente, éramos menos escrutinados. Gradualmente começámos a assumir quem somos e como somos, tornámo-nos mais conscientes de questões sociais como a homossexualidade ou as questões de igualdade de género, na política nacional e internacional mudaram os nomes e, fruto de um contexto difícil de explicar, emergiram alguns extremismos. Como diz a Peperan na entrevista urbanista [ouvir] desta semana, “a diferença é que hoje podes ser gay e não levas porrada por isso”. Há dez anos havia menos censura e auto-censura, estávamos a descobrir essa coisa chamada Facebook que nos ligava uns aos outros e, enquanto reencontrávamos colegas da escola, alguém recolhia e catalogava os nossos dados pessoais para, discretamente, fazer muito dinheiro com essa informação.

Continuamos a dizer que ninguém lê, que os livros não interessam mas a verdade é que me perguntam quando faço mais episódios do podcast de livros com a Helena Magalhães. Há ebooks e audiobooks que escutamos com earbuds, a nova cena cool no capítulo auscultadores. Na estrada a condução autónoma está quase a tornar-se realidade, o GPS perdeu a hype a favor do Google Maps que nos indica o caminho com informações de trânsito em tempo real. Está tudo online e dependemos cada vez mais dessa ligação constante, para chamar um Über, pedir um Glovo ou, simplesmente, saber o estado do tempo.

Há dez anos existiam as mesmas sementes e super alimentos mas nós não os conhecíamos e uma bowl era taça em inglês. Nós por cá era mesmo tigela de sopa às refeições. Comer bem sempre esteve na moda mas agora está mais um bocadinho porque nestes últimos anos percebemos que disso depende o nosso bem estar e saúde. Queremos estar bem, esbeltos e bonitos mas também em paz connosco.

E se há 10 anos estava longe de me imaginar entre sementes e super alimentos, estava ainda mais distante de imaginar que poderia reunir conhecidos e desconhecidos à mesa, juntando-os em torno de uma das minhas secretas paixões: cozinhar para os outros.

O The Therapist entrou na onda e a Shine Superfoods decidiu abraçar esta ideia, fornecendo alguns ingredientes para uma nova edição do Brunch Urbanista. Chama-se Urbanista Yoga & Brunch, junta uma aula de yoga na qual eu e a Carla Ferraz vos daremos umas dicas para integrarem a prática no vosso dia-a-dia (já esgotou, sorry!) e uma refeição que está ali entre um g’anda pequeno-almoço e um almoço saudável. Com sementes. Obviamente!

A evolução tão rápida do mundo, dos fenómenos e da tecnologia que os acelerou, tem o seu reverso nesta nova consciência que lentamente emerge, da necessidade de estarmos bem connosco, de reaprendermos a estar no escuro e em silêncio, sem notificações ou vibrações de um aparelho ubíquo, do qual nos tornámos dependentes e que está sempre connosco, onde quer que estejamos.

Saudades do Nokia 3310?

Há dez anos Donald Trump criou a sua conta no Twitter, no tempo dos 140 caracteres e, isso, explica muita coisa sobre o declínio da plataforma e do mundo, cada vez mais voltado para si e preocupado consigo mesmo, tornando um ovo no campeão mundial dos likes.

Onde estaremos em 2029?

The Greener Frequent Flyer: viajar faz bem a tudo, e especialmente se a mala for leve e “verde”

Afirmar que se gosta  de viajar e conhecer o mundo é… banal. Quem não gosta?

Viajar significa que expandimos horizontes, que conhecemos outras realidades, que nos afastamos temporariamente da nossa, seguros de um regresso ao casulo que nos protege e aconchega. Só vantagens. Mas cansa.

Fui, durante um (bom) tempo da minha vida, “frequent-flyer-solo-traveler” até que me fartei. Viajava a trabalho, sempre sozinha, sem bagagem de porão e sempre com a ideia de que andava com a casa às costas enquanto cresciam as saudades de casa. Por isso, cansei-me de tudo o que significa viajar em trabalho, do impacto que tem na nossa vida, do trabalho que se acumula enquanto estamos fora e da vida que acontece quando não estamos... Mas aprendi truques incríveis que facilitam a vida a qualquer viajante e, hoje, sinto que já não sei ser apenas turista, ficar na fila mais longa, demorar a colocar os objectos no tabuleiro para o raio-x ou esquecer-me de um pormenor de metal que faz o alarme disparar. Cheguei ao ponto em que os seguranças não têm tempo de me dizer “para retirar” porque já retirei, “perguntar”, porque já respondi ou porque já coloquei o smartphone no tabuleiro ou… qualquer outra coisa que interiorizei de tal forma que sou uma viajante rápida, mas chata, porque perdi a paciência para viajar.

O turismo é cada vez mais instagramável, os smartphones estão em todo o lado e, mesmo sendo muito úteis, retiram parte da graça de estarmos em viagem, fora da nossa zona de conforto.

Há aspectos positivos que hoje vou partilhar porque é nos pequenos pormenores que está a diferença quando viajamos apenas com bagagem de mão.

O mote desta última viagem em família foi “travel light e com o menor impacto possível”:

Uma mochila pequena para cada um, com roupa suficiente para 4 noites e 5 dias frios, incluindo produtos de higiene e beleza. Detalhes?

Roupa:

  • Usar jeggins ou leggings porque ocupam pouco espaço, dobram-se facilmente, não ficam vincadas e não amachucam;
    Adoptar o estilo em camadas: permite trocar as peças junto ao corpo e alternar as outras;

  • Usar uma base de algodão e as peças superiores em algodão (uma sweatshirt, por exemplo), lã (woolmark a sério, nada de fibras) ou cachemira (não se chorem em relação ao preço, tenho mais do que uma comprada nos saldos da Zara por 19,90€) que podemos retirar em caso de calor;

  • Combinar as cores e os tecidos para poder trocar a ordem das peças;
    Usar vestidos de algodão e saias: as collants ocupam pouco espaço, os vestidos e saias curtas não amarrotam;

  • Escolher um cachecol e gorro a combinar (eu e a #lovelyrita trocamos entre nós, o mesmo acontece para o cachecol que o meu marido escolhe) para podermos trocar uns com os outros e variar;

  • Levar sempre um casaco quente, uns botins e umas sapatilhas que se arrumem no fundo da mala (não vá a caminhada resultar numa bolha - ter uns sapatos adicionais pode ser maravilhoso);

  • Pijama? Umas leggings que possamos usar confortavelmente no hotel para o pequeno almoço ou quando chegamos depois de uma tarde inteira a caminhar e uma t-shirt confortável que também possamos usar na rua em caso de necessidade. Jamais um pijama a sério!

  • Um impermeável daqueles que se dobram até ao infinito, a não ser que confiem na sorte e na previsão do estado do tempo, como eu :)

Higiene e beleza:

  • Confiar no hotel para os básicos ou, de preferência, levar em barra. Em último caso, travel size (a Kiel’s vende no aeroporto) ou amostras para os restantes (a Lush e a Body Shop têm amostras em pequenas embalagens reutilizáveis);

Outros:

  • Escolher uma mala de mão pequena, com tamanho que permita guardar água, gorro, cachecol, para usar a tira-colo (deixa as mãos livres, alivia o peso nas costas e garante que a protegemos em ambiente pick-pocket)

  • Levar sempre um tote bag de pano ou um saco dobrável adicional (one never knows…)

  • Deixar a carteira em casa e levar apenas os documentos fundamentais numa carteira pequena (bimba y Lola tem opções ideais)

  • Ebook no smartphone e música para acompanhar com auscultadores de enrolar que se guardam numa caixa pequena

Apps fundamentais:

  • Google Maps com o mapa local offline (podem descarregar antes de partir)

  • App da companhia aérea na qual vão viajar

  • Booking por causa do hotel

  • Leitor de PDF’s (por causa de algum documento que tenham descarregado)

  • Meteo para saber sempre o estado do tempo

  • TripAdvisor para restaurantes ou Google maps com a mesma informação

  • Uber

  • App dos transportes públicos ou mapa do metro

    Tradutor (lembram-se daqueles dicionários minúsculos?!...)  para podermos traduzir “palhinha” (já vão perceber)

E o impacto?

  • Usar uma garrafa de água reutilizável 
  • Levar uns snacks para o caminho e, ao pequeno-almoço, levar uma peça de fruta ou um snack para o caminho (pela primeira vez estive num hotel que tinha barras de cereais para levarmos)
  • No hotel, utilizar as toalhas mais do que uma vez
  • Dizer sempre “thanks, but no, thanks” quando nos entregarem uma bebida com palhinha, avisando sempre que não queremos palhinha
  • Usar shampoo/gel de banho sólido (em barra) e o mesmo para despdorizantes 
  • Escova de dentes de bamboo (eles podem ficar com a barba por fazer durante 4 dias, não?...)
  • Levar um saco reutilizável para as compras
  • Comer gelados em cone e evitar qualquer bebida em garrafas de plástico. 

Easy as a pie, certo? 

 

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Locais bonitos e saudáveis. Instagramáveis? Um olhar urbanista sobre esta tendência de fotografarmos comida bonita e uma selecção para comer ou trabalhar: 8 lugares nada secretos que recomendo pela comida, atendimento ou luminosidade, e 4 lugares menos saudáveis mas que nos deixam sempre água na boca...

BookCast: life changing books, ou as histórias dos livros que sabemos que nos vão mudar a vida.

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A expressão "life changing" aplica-se a quase tudo. Aos livros também, porque há leituras que fazemos que nos mudam para sempre. Assim é com algumas das escolhas que hoje trazemos ao BookCast, este pseudo podcast que nada mais é do que uma conversa de gajas, que gostam de ler, sobre os livros que andam a ler.