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As Velhas mais Bonitonas do pedaço estão de volta ao urbanista e mais novas do que nunca!

Numa semana de rescaldo do Dia da Mulher, e das discussões em torno do tanto que ainda falta fazer para atingirmos a igualdade em tantas áreas da nossa vida, pensei que este seria um corolário do empoderamento feminino que este projecto de pintura tão bem representa mas, entretanto, a televisão privada portuguesa decidiu estrear dois programas concorrentes - e igualmente deprimentes -, que colocam em causa tudo o que o dia 8 de Março representa.

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No episódio urbanista desta semana não falamos sobre isto mas abordamos questões tão importantes como a de nos sentirmos bem na nossa pele e de como isso pode mudar a nossa vida, ao mesmo tempo que a Maria Seruya, a artista que dá vida a estas Velhas, explica a importância de nos focarmos no que é mesmo importante para conseguirmos concretizar projectos (e com isso sermos remunerados pelo nosso tempo, trabalho e investimento).

Obrigada Maria e vivam as Velhas Bonitonas

 

Yoga: sobreviver ao caos urbano em 8 asanas fundamentais

Desejo: como seres humanos, temos todos o desejo de ser felizes, independentemente do que entendemos por felicidade

Realidade: a vida na cidade está a matar-nos aos poucos

Desejo: somos pessoas (muito) ocupadas, desejamos ter tempo  

Realidade: as nossas opções e estilo de vida não nos deixam tempo livre

Desejo: o que mais queremos  é estar bem

Realidade: má postura, muitas horas de trabalho, alimentação apressada, fumo e outros tóxicos, demasiada tecnologia dão cabo de nós  

Como sobreviver a isto ?

Eu diria “parar. sentir. respirar” o título do livro da Vera Simões que deu o mote à entrevista desta semana do urbanista na NiTfm. A verdade é que há muito nos esquecemos da importância que estes três simples passos têm na nossa vida: parar para percebermos o que estamos a fazer (e como estamos a fazer). Sentir, olhando para dentro de nós e ouvindo o que o nosso corpo tem a dizer, já que muitos dos problemas de saúde que temos são gritos de alerta do nosso organismos para nos fazer parar. Tendemos a insistir, resistindo, ignorando os pequenos sinais de alarme, que encobrimos com soluções rápidas e medicamentos que tratam o sintoma mas não resolvem o que lhe deu origem. Respirar porque entre a primeira e a última inspiração há uma vida que vivemos sem pensarmos na importância que a respiração tem na nossa vida. E o yoga pode resolver muitos dos nossos problemas.

Como evitamos pensar sobre tudo isto, também colocamos de parte a componente científica que sustenta estas afirmações, conotando este conhecimento milenar com uma espiritualidade hippie ou uma moda que teima em querer alinhar-nos os chakras e que depois fala em karma. Tudo misturado dá confusão…

A ciência comprova:

Estudos da Harvard Medical School provam que o stress, juntamente com outros factores emocionais podem deflagrar (ou piorar) problemas de pele [ler], nomeadamente o acne (e há cada vez mais adultos com acne, verdade?…), agravar as alergias [ler] e defendem que o yoga pode ser uma forma de tratar a ansiedade e depressão, bem como no tratamento da dor [ler].

A prática regular de yoga contribui para melhorar o estado físico e mental, diminuindo os níveis de stress e ansiedade. Através de posturas específicas também pode contribuir para melhorar o estado da pele. As posturas estão sempre associadas à respiração (asanas) que tem, também a capacidade de ajudar a desintoxicar o nosso organismo, por consequência, melhorar a digestão, ajudando o organismo a distribuir melhor os nutrientes dos alimentos melhorando, em última análise, o estado da nossa pele. O nosso estado, no geral.

Asanas para desintoxicar:

  • Pavanamuktasana 

  • Ardha Matsyendrasana

  • Parivrtta Trikonasana

  • Supta Matsyendrasana

Há outras asanas, igualmente simples e acessíveis à maior parte das pessoas que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia sem nos tornarmos yogis, vestirmos roupas justas ou muito largas todo o dia e sentarmos sempre de pernas cruzadas. Com base na minha experiência pessoal, de mais de 30 anos (credo!…) dedicados à ginástica, dança e fitness, não apenas como praticante mas recebendo formação em workshops e convenções que culminou com formação em pilates, consegui começar a praticar yoga sozinha para, rapidamente, perceber tratar-se de um admirável mundo novo sobre o qual nada sabia. Há um ano e meio que me dedico quase exclusivamente ao yoga, com incursões esporádicas na corrida e no surf. Posso dizer-vos que esta se trata de uma prática completa que activa todos os cantos e recantos do nosso corpo, por dentro e por fora, ao mesmo tempo que se estende a outros domínios da nossa vida. Se é certo que, por exemplo, com o pilates aprendemos a interiorizar uma postura mais correcta levando-a para o nosso dia-a-dia, com o yoga acontece uma transformação não só postural mas, principalmente, da forma como encaramos a vida, com reflexo na nossa postura física e mental. Aconselhar-vos a praticarem de forma autónoma seria um erro porque exige uma consciência corporal, noções de anatomia e fisiologia, bem como da respiração mas, independentemente da prática [oiçam aqui um podcast sobre as diferentes práticas de yoga] a introdução de algumas asanas é possível mesmo para quem nunca praticou.

Asanas simples que podem ser introduzidas no nosso dia-a-dia:

  • Vriksana

  • Bidalasana

  • Balasana

  • Savasana (a melhor de todas, garanto!…)

e , fundamental:

Pranayama (respiração): deitado de costas, para praticar a respiração completa (inspirar enchendo a parte inferior dos pulmões para depois os encher na totalidade; expirar deixando que os músculos respiratórios relaxem ao máximo, descendo esterno e as omoplatas, depois o arco das costelas e a barriga).

Pessoas normais praticam yoga e o livro da Vera Simões mostra isso mesmo, reproduzindo testemunhos de vários dos seus alunos, praticantes de Ashtanga Yoga: entre farmacêuticos, tradutores, veterinários, decoradores e designers, há também arquitectos, empresários e gestores, engenheiros e informáticos, pessoas que perceberam os benefícios desta prática e a abraçaram, introduzindo-a na sua vida, cada um ao seu ritmo e de formas diferentes. Só há um perigo na prática de yoga: a de nos apaixonarmos de tal forma que jamais deixaremos de praticar.

 

BookCast: life changing books, ou as histórias dos livros que sabemos que nos vão mudar a vida.

BookCast: life changing books, ou as histórias dos livros que sabemos que nos vão mudar a vida.

A expressão "life changing" aplica-se a quase tudo. Aos livros também, porque há leituras que fazemos que nos mudam para sempre. Assim é com algumas das escolhas que hoje trazemos ao BookCast, este pseudo podcast que nada mais é do que uma conversa de gajas, que gostam de ler, sobre os livros que andam a ler.

Apps de yoga, the magical, podcasts e o urbanista

Apps de yoga, the magical, podcasts e o urbanista

O yoga entrou há pouco tempo na minha vida. Mas, como um grande amor, foi arrebatador e chegou para ficar, com um poder transformador que me mudou para sempre. Por isso volto ao yoga, porque tenho sido abordada por muitas pessoas têm curiosidade e não sabem se o yoga é mesmo para elas, explorando algumas aplicações que ajudam a dar início à prática.

BookCast #9: uma espécie de BookFlix

BookCast #9: uma espécie de BookFlix

Duas mulheres com vida preenchidas e agendas cheias sentam-se, uma vez por mês para falar sobre os livros que leram, estão a ler ou planeiam ler. Regressam depois das férias para compilar ideias e apresentar novidades. Uma devora romances, outra vai pelo pragmatismo de uma espécie de auto-ajuda moderna à qual junta ensaios que lhe ensinam coisas sobre as quais pode, também sonhar. Românticas e sonhadoras, divertem-se no closet da Helena usando o microfone da Paula enquanto tiram fotografias desta aventura sonora para partilharem no Instagram. Querem ouvir?

Livros no cinema e o cinema nos livros: it's a match?

Esta semana estreia um filme cuja história se baseia na narrativa de um livro que, por sua vez, é, também ele, sobre livros: a sociedade literária da tarte de casca de batata (The Guernsey Literary & Potato Peel Pie Society) é sobre um clube de leitura no tempo da ocupação nazi no período da II Guerra Mundial. É um bom romance, com bons actores e uma história muito mais consistente e interessante do que o trailer deixa transparecer, com uma razão muito interessante para a designação, no mínimo, curiosa, sobre a sociedade literária da tarte de casca de batata... Faz parte da história do filme e não vou contar... Também por causa desta estreia e porque raramente as adaptações de livros ao cinema são boas surpresas, eu e a Helena decidimos fazer um episódio do #BookCast dedicado a histórias de livros adaptadas ao cinema.

Escolhi duas das minhas preferidas e que são, também, das melhores adaptações da história da relação entre livros e filmes: Gone with the Wind (e Tudo o Vento levou...) e Papillon, duas histórias muito diferentes que resultam em dois filmes muito longos. Talvez por isso sejam consideradas boas adaptações, porque respeitam o livro ao detalhe... Contudo, não sei se será essa a melhor razão para um filme ser uma boa adaptação ao cinema. São realidades diferentes, com uma estrutura narrativa muito própria... por vezes o livro serve apenas de inspiração e, por isso, também escolhemos algumas péssimas adaptações. Especialmente a minha primeira escolha, um filme ao estilo telefilme, de um romance assim-assim, que se relaciona com a minha vida de uma forma muito especial. Vão ter de usar este botão para descobrir que segredos esconde o Banquete do Amor...

Este dia é das mulheres. Não serão, todos os dias, dias das mulheres?

Este dia, esta semana, é das mulheres. Não serão, todos os dias, dias das mulheres?

Um pouco por todo o mundo celebra-se um dia que deveria ser todos os dias e, dessa forma, dispensaria um dia especial. Acredito que o empoderamento feminino tem de acontecer diariamente e que a discussão em torno do eterno feminino se deve fazer, também, todos os dias, com medidas e acções que, efectivamente, tenham consequências positivas para os direitos, liberdades e garantias da mulher sem, contudo, desprezar as do homem. Não faltam debates e discussões, mas ainda faltam soluções.

Espera-se que o 2018 seja um ano de mudança no que toca ao ativismo feminino. Espera-se que, depois de 2018, as mulheres deixem de sentir medo e que a igualdade, em termos de segurança, poder e remuneração salarial, se torne uma realidade.

É também esperado que este seja o ano em que se põe, finalmente, fim ao sexismo e ao assédio sexual. Não sei se já perceberam mas o capítulo sobre estas conquistas, resultado da união das mulheres em torno de uma causa maior, está a ser escrito e cabe-nos a nós - todas - ajudar a escrevê-lo. Contudo, não o podemos fazer sozinhas. Os homens podem - e devem - ser chamados à discussão. Mesmo os machistas, para perceberem que estão cada vez mais isolados na sua acção.

Boa parte da discussão pública sobre esta questão faz-se numa separação entre homens e mulheres quando, na verdade, me parece que o que precisamos é de maior união e reconhecimento das diferenças que podem - devem - ser complementares.

Juntos - juntas - seremos mais fortes e a integração do outro tem de começar exactamente por nós, mulheres, que tantas vezes fomos colocadas de parte em função disso mesmo: a diferença dos papéis de género. Não adianta discutir diferenças fisicas e biológicas porque, simplesmente, existem. Precedem, inclusivamente, toda esta discussão de carácter socio-cultural. Importa discutir os pequenos problemas que afectam todos os dias as mulheres, porque é nestes aspectos que reside parte da solução: ao ignorarmos onde se fundam as grandes questões não estamos, em nada, a contribuir para a sua solução porque se trata de uma maquilhagem do problema. Não vamos conseguir mudar o paradigma numa geração sem educar os nossos filhos e filhas para um mundo diferente, fundado numa lógica de aceitação e respeito pela diferença, de entre-ajuda e alteração da lógica inerente aos principais papeis sociais. Também estes precisam actualizados…

Podemos criar quotas na Assembleia da República ou obrigar as grandes empresas a integrar mais mulheres nos seus quadros de administração. Pouco mudará se não mudarmos a mentalidade que ainda baseia a estrutura social na mãe e mulher-que-é-também-profissional. Os nossos irmãos, maridos e amigos foram educados numa cultura machista e actuam, diariamente, em conformidade. Sem que disso se apercebam. Nós também, sempre que dizemos, deixa estar eu faço ou quando reproduzimos, em casa, o velho paradigma…

Quando duas pessoas decidem viver em comunhão, enquanto casal, estão a decidir partilhar a sua vida. Essa vida inclui almoços e jantares, roupa interior que deve ser lavada e pendurada no estendal, lixo carregado escadas abaixo, filhos com fraldas, outros que adormecem ao colo, TPC e reuniões de pais. Inclui também um plano alimentar definido e listas de compras no supermercado, bem como a planificação das tarefas de limpeza e arrumação da casa. Um frete, portanto, já que nem todas as mulheres de carreira podem suportar os custos de alguém que toma conta da casa.

É, normalmente, a mulher que assume a liderança da economia doméstica. Em 90% dos casos, a culpa também é sua, pelo tom paternalista que usar quando o acusa d não saber fazer as coisas. E, então, ele não faz. Perdemos todos porque continuamos desnecessariamente sobrecarregadas e o mundo não muda porque mantemos a ideia de que assim é que está bem. Não está. O tempo que ocupamos com acumulação de tarefas domésticas é tempo que eles ganham para progredirem nas carreiras.

Então e a nossa carreira?

Este texto inclui um podcast que podem ouvir aqui

 

 

Photo by Ahmed Carter on Unsplash

Bookcast: muito mais do que um podcast de livros, uma descoberta sobre o valor da amizade

Esta semana voltamos aos livros. Poderíamos ter escolhido o óbvio e apresentar as nossas autoras preferidas mas, na verdade, eu acredito que isto de empoderamento feminino tem de acontecer todos os dias e que a discussão em torno do eterno feminino se deve fazer todos os dias, com medidas e acções que, efectivamente, tenham consequências positivas para os direitos, liberdades e garantias da mulher sem, contudo, desprezar as do homem.

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Convidámos a Vera, que é mãe e momblogger (As Viagens dos V's), desafiámo-la a escolher livros para crianças e falámos sobre isso mesmo ao longo de várois minutos, partilhando experiências e ideias sobre os livros que escolhemos. Vocês não vão acreditar na excitação (minha e da Helena Magalhães!...) com a surpresa que a Vera nos trouxe: os livros da Anita (actual Martina...) e rir à gargalhada quando cantamos a "machadinha" (#priceless).

Quem mais adorava as histórias da Anita?!!

Para além da Anita incluímos, também, algumas escolhas pessoais na conversa e a Helena trouxe exemplos das suas recordações de infância. Este é mais do que um podcast de livros para crianças porque, depois disto, continuámos a conversar e a trocar ideias e, alguém que eu não conhecia, de quem nada sabia tem, afinal muito mais em comum comigo do que poderia imaginar. Esta é parte da magia dos podcasts: descobrir pessoas, criar relações e, sem querer, mudar um bocadinho o nosso mundo. Espero que ajude a mudar o vosso ♡

Os livros também falam de amor

Os livros contam histórias de amor e nestes episódios falamos do nosso amor pelos livros e as  histórias que os livros contam... Uma mistura que por vezes não sabemos exactamente onde começa ou acaba mas que se resume, de facto, à palavra amor. 

E é de amor que se fala esta semana no urbanista e no #BookCast, o podcast (muito divertido de fazer, por sinal) que partilho com a Helena Magalhães que é, também ela, escritora e autora de um romance que vos pode, muito bem, acompanhar no dia de hoje. É uma história sarcástica recheada de pequenas histórias que são assim-assim ficcionais e que relatam muito do que acontece nas nossas vidas amorosas...

Gravámos este episódio a pensar nos livros que contam histórias de amor e que, por alguma razão, nos apaixonam. Eu escolhi aqueles de que me lembro sempre que o tema são os livros da nossa vida. Falta aqui um autor, Eça de Queiróz, apenas porque já tínhamos falado sobre Os Maias e O Primo Basílio, os meus preferidos, num episódio anterior.

Podem recordar este episódio aqui.

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Escolhi livros que me marcaram ao longo do tempo e autores de que gosto muito, independentemente de tudo:

A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera, que li talvez demasiado cedo e que a gravação do podcast me fez ter vontade de  reler.

Pedro Paixão. Há por aí leitores de Pedro Paixão?

Lembro-me de ler os seus livros de uma assentada só, sublinhando, copiando frases para um caderno e sonhando com o que ficava por dizer. Sobretudo que ficava por dizer, na brevidade intensa das palavras de Pedro Paixão, esse autor tão complexo quanto singular, que continua a apetecer sempre reler.

 

 

BookCast: os livros da nossa adolescência

Dizem que são os melhores anos da nossa vida e, provavelmente, são. Vistos a esta distância são anos de inocência, ingenuidade e descoberta, muitas lágrimas de raiva e amor, a vida vivida numa intensidade que só a adolescência conhece. Tudo é muito e não há limites para o que sentimos, entre aquele fervor da infância - porque somos umas miúdas, na verdade - e a aparente sabedoria de quem nada sabe. São anos de aprendizagem dura porque ninguém ensina nada. Tudo o que nos dizem nos parece idiota e somos nós que sabemos. E os amigos que também sabem tudo. Naquela ânsia de nos sentirmos parte do grupo fazemos e dizemos os maiores disparates. Perante a ideia de que somos mais do que meros adolescentes fazemos escolhas que hoje nos parecem ridículas e sofremos por amor. Todos os dias. 

Não fui a adolescente popular mas também não era a croma lá da escola. Era assim uma mistura estranha entre alguém que tinha boas notas e respondia sempre com um ar blazé que não tinha estudado. Porque marrar não era nada cool e cada um safava-se como podia. Mas, depois, não andava com os mais fixes lá da escola. Era medianamente normal, excepto no 9º ano, em que fiquei numa turma com mais repetentes do que putos de 14 anos e fui a mascote daquele grupo de young rebels. Nos furos da aulas saíamos todos de mota para casa de um deles e ficávamos na garagem a ouvir música, a comer bolachas e a fazer cenas. Às vezes os casais desapareciam, até ao dia em que a mãe desse rapaz veio a casa a meio do dia e interrompeu a nossa rotina Hollywoodesca dos filmes de Domingo à tarde. Arranjámos, obviamente, outro poiso e, quando demos por isso, o grupo estava fragmentado entre os que queriam mesmo era beijar e os outros que queriam ser só amigos. Typical right?....

Não me lembro se lia mais do que ouvia música mas, em qualquer dos casos, passava muitas tardes a imaginar que a minha vida seria bem mais fixe se fosse uma daquelas miúdas que estava sempre rodeada de amigos à beira da piscina. Não sei onde estão, hoje, essas miúdas, mas sei que não me arrependo de tudo o que li ou ouvi e que partilho neste #bookcast com a Helena Magalhães.

 

Livros e mais livros. Para ler e para ouvir...

Conhecem a Lei do Eterno Retorno?

Acredito que tendemos a repetir as nossas vivências, como Nietzsche descreveu, num jogo de sentidos em que as diferentes faces da mesma realidade se alternam. A filosofia de Nietzsche é complexa. A minha ideia é bastante mais simples, porque acredito que repetimos, quase à exaustão, o que já conhecemos, fugindo deliberadamente da mudança, para nos queixarmos permanentemente, reclamando que nada muda. Mesmo quando muda. Sim, é confuso e esquisito mas, na verdade, o eterno retorno é apenas uma metáfora para outro comportamento muito mais simples, porque regressamos sempre onde fomos felizes.

Aprender a dizer “não” é uma arma potente que devemos usar para nos guiarmos em função do que é melhor para nós, o que nem sempre corresponde ao que os outros pensam. Quando conseguimos compreender isso, tudo se torna mais claro e, simultaneamente, a vida (o destino, as coincidências ou o universo a trabalhar a nosso favor… como preferirem...) encarrega-se de nos mostrar o caminho, oferecendo-nos mais do que nos interessa e menos do tal “supostamente ideal para nós”...

Tudo isto para dizer que no último ano e, especialmente nos últimos meses, coisas maravilhosas têm acontecido, têm entrado pessoas fantásticas na minha vida e regressado tantas outras que “a vida”, ou seja, trabalho e manias de incompatibilidades, foram afastando. Tanta conversa  para vos contar que estou muito feliz por ter voltado à rádio, para fazer companhia à Carla Rocha todas as Sextas-feiras, nas manhãs da Renascença, por estrear um novo podcast com a Helena Magalhães, ávida leitora e mulher de opinião, para falarmos exactamente sobre os livros que andamos a ler e, last but not least, por regressar à a uma equipa que sempre me fez feliz e junta a palavra rádio com a palavra rock. Se isto não é uma espécie de eterno retorno, não sei o que será!...

Como explicar o podcast que hoje estreamos as duas? Não se explica. Foi uma daquelas ideias à qual nem dei hipótese de amadurecer. Enviei-lhe uma mensagem. Ela aceitou. E gravámos. Na verdade não foi bem assim porque fiz uma piada parva com os resumos das Publicações Europa-América e ela pensou que eu estava a falar a sério... como assim eu não li Os Maias, Helena?... E poderia ter sido o fim de uma belíssima amizade. Mas não foi e já temos dois episódios de uma coisa nova à qual chamei bookcast, porque não me ocorreu um nome melhor para juntar livros e podcast e, nisto, a língua inglesa bate-nos aos pontos. Preparem-se, portanto, para coisas sobre as quais nunca tinha ouvido falar, como um lobisomem que afinal é bonito, não sem antes dar baile à Helena sobre a mãe do Harry Potter que agora assina Robert Galbraith. E não, não foi sobre a história do Cuco ou a fantasia de Hogwarts. Foi, obviamente, sobre coisas tão simples como a escolha deste pseudónimo, porque é essa a minha missão: o lado pragmático da vida. Enquanto a Helena vos enche de sonhos e histórias de amor, eu vou fazer-vos apaixonar por tudo aquilo que a vida tem para nos dar...

Fiquem por aí que o melhor ainda está para vir...