opinião

Pernas para que te quero

No Dia Mundial da Bicicleta começo por afirmar que, como em qualquer artigo de opinião, este texto dispensa objectividade. Tal acontece porque sou fã confessa de bicicletas. Durante muitos anos foi o meu principal meio de transporte. É um facto que morava a cinco minutos a pé do liceu. Também é um facto que morava a vinte cinco minutos a pé de qualquer outra coisa... Talvez por isso, a bicicleta se tenha transformado na minha melhor amiga durante a adolescência. Só comprei um automóvel quando comecei a trabalhar e os horários apertaram. Não só as distâncias eram incompatíveis com o pedal como precisei, muito cedo, de encurtar o tempo entre as distâncias. O carro passou, com um misto de alegria e desilusão, a ser o meu grande companheiro. 

No entanto, lembro-me de circular na Av. Marginal de bicicleta e, se me apetecesse, fazê-lo na estrada. Também me recordo de circular no centro da vila e de me deslocar ocupando o meu lugar na estrada sem me sentir a mais. Hoje, não é assim. Ou perdi um certo arrojo da adolescência ou as estradas se encheram de veículos, tornando-se mais perigosas. Do que vejo, oiço dizer e leio, há uma espécie de guerra aberta entre os (supostos) malucos das bicicletas e os outros, confortavelmente sentados no seu "Mercedes", que é sempre maior do que o dos outros. Há outra abordagem ao tema, a da comparação entre Lisboa e as cidades escandinavas, nas quais a bicicleta é rainha e senhora das estradas. 

Em qualquer dos casos, não creio que exista um fundo de razão. Lisboa não é Copenhaga ou Amesterdão. A diferença não é apenas geográfica mas, principalmente, cultural. Associamos a bicicleta a momentos de lazer ou a uma forma de circulação antiga, um pouco provinciana. Se é certo que é comum utilizar a bicicleta como actividade desportiva ou para passeios de fim de semana, também é verdade que, antigamente, muitas pessoas na aldeia se faziam transportar de bicicleta. Na cidade viviam os mais letrados e modernos. A Lisboa que Eça descreveu era um local pedante, cheio de traços de novo riquismo que a nossa entrada para a União Europeia e o dinheiro da Europa, no final do século XX, vieram replicar. Construíram-se estradas para os carros que já todos podíamos comprar. Os transportes públicos ficaram para quem não tinham outro meio e os poucos que entenderam a vantagem de os usar. Durante algum tempo,  as bicicletas foram vetadas a um certo ostracismo, até alguém se lembrar que, com os pneus certos, seriam óptimas para subir montes. É então que a sociedade começa a perceber as vantagens de se mexer, praticando exercício para compensar as horas sentadas no emprego, no sofá da sala ou nas deslocações feitas... de carro. Para muitos, os transportes não podiam ser solução. Da mesma forma que o crédito estimulou a compra de veículos, também nos venderam a ideia de que comprar casa seria o melhor do mundo. E surgiram prédios e bairros que fizeram alargar o conceito de subúrbio nas áreas metropolitanas das cidades de Lisboa e Porto. Para quem reside em Cascais, tal pode significar morar num apartamento na Aldeia de Juzo que fica a 5 quilómetros, 15 minutos de carro ou uma hora a pé da estação de comboios mais próxima. Ou chamarem-lhe Almada e ser algures num bairro longe de qualquer transporte. As estradas, essas que a Europa pagou, encheram-se de veículos que passaram a dominar a cidade, onde ainda estão as principais empresas ou universidades. Para quem consegue viver no centro, a cidade tornou-se caótica, sem espaço para peões. Menos ainda para bicicletas. 

No entretanto, as pequenas mudanças vão acontecendo. Perder duas horas sentado no carro é, para muitos, um inferno. Os transportes no centro da cidade são maus e as bicicletas voltaram a ganhar algum espaço. Dizem que Lisboa não é uma cidade ciclável mas isso não é verdade. Muitos condutores não aceitam que outros ocupem espaço na estrada. Isso sim, é verdade. Já tive oportunidade de me deslocar de bicicleta e, durante uns tempos, optei por andar de mota. Não fosse o seu poder de arranque nos semáforos, poucos eram os que aceitavam bem a minha presença. Como em tudo, do outro lado da moeda, também há muito a dizer sobre quem anda de mota mas, na verdade, tudo se resume a uma questão muito simples: quando vamos no passeio a caminhar não albarroamos uma pessoa porque esta se desloca mais devagar, pois não? Então porque raio alguns condutores acham que notas e bicicletas não podem ter o seu espaço na estrada?

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T I M E OFF

Hoje acordei estranha. Cansaço acumulado, pensei. Voltei-me para o outro lado e gozei mais uns minutos enrolada nos lençóis. Lá fora as rotinas habituais com os sons que as acompanham e eu, sem a pressa habitual, limitei-me a ficar. Abri os olhos. Espreitei o mundo lá fora, ignorando deliberadamente notícias, Twitter, Facebook, Instagram. 

Por vezes precisamos de ficar assim, à moda antiga, à espera que a notícias cheguem até nós, sem as procurarmos. Já não se usa e há muito que venho tentando regrar a minha ligação às redes que, pelas suas características, nos inundam e absorvem completamente. Por vezes apetece-me desligar, fazer que não estou, ligar-me à terra e viver sem filtros, sem a mecha de cabelo estrategicamente definida porque a fotografia vai ser publicada no instagram. Já ninguém acredita no instantâneo do instagram mas todos queremos este falso momento em que tudo parece perfeito. Dá-nos segurança, faz-nos sentir melhor e imaginar outras vidas.

A pressão para crescer é enorme, a não ser que façamos desta uma abordagem sem objectivos, muito orgânica e real, como é a vida quotidiana. Um dia comemos um gelado, no outro fotografamos as unhas dos pés com aquela cor que acabámos de descobrir. Não é assim, a vida real? 

Por vezes canso-me deste jogo do gato e do rato, este toca e foge entre o que é e o que parece ser, das perguntas sobre o que faço ou deixo de fazer numa conta que é minha mas que não é exactamente minha. É do urbanista e, embora a urbanista seja eu, eu não sou apenas o urbanista. A conta tem vindo a crescer porque o crescimento no instagram é mesmo assim: atrás de um vem outro e outro e mais outro até perdermos o controlo a quantos nos seguem. Porque gostam do que escolhemos publicar. Porque querem saber mais sobre a nossa vida. Obrigada por isso, por estarem lá, com a curiosidade natural de quem acompanha um projecto desta natureza. No entanto, talvez por isso mesmo seja tão importante deixar a vida em suspenso e, simplesmente, viver. Por muito que isso me custe gostos ou seguidores, experimentem viver sem espreitar, ou parar para publicar no instagram. Vão ver que a vida tem um sabor diferente, a vida vai fluir, a realidade vai expressar a sua energia e vão poder sentir o agora. Agora é já ♡

 

 

Do feminismo à irmandade feminina. O género ainda importa?

Obrigada ao Nilton, Filipa Galrão, Renato Duarte, Diogo Beja, Mafalda Anjos, Daniel Belo, Mariana Duarte Silva, Marta Bateira, Catarina Carvalho, Blaya e Mariana Barbosa

Obrigada ao Nilton, Filipa Galrão, Renato Duarte, Diogo Beja, Mafalda Anjos, Daniel Belo, Mariana Duarte Silva, Marta Bateira, Catarina Carvalho, Blaya e Mariana Barbosa

Não há um dia internacional da mulher mais especial do que outro mas, este ano, encontrei uma forma de o tornar diferente. Já escrevi e usei as mais diferentes abordagens para dizer sempre o mesmo: que não sou pela institucionalização de nada e que é uma pena que ainda tenhamos um dia para lembrar o papel e a importância da mulher na sociedade.

O dia da mulher é todos os dias.

Só que não é. Todos sabemos isso. Mesmo quando fingimos que não.

Convoquei homens e mulheres para várias entrevistas e terminei confirmando que é mais o que nos une do que o que nos separa. O verdadeiro lugar comum... Estamos cheios de ideias feitas sobre as mulheres (e os homens), dogmas em relação ao género, pressupostos sobre funções e papéis sociais. Nada mais errado. A sociedade está a mudar e as formas como as pessoas se organizam, as relações que estabelecem, os papéis que desempenham, também evoluíram. Há, contudo, muito a fazer em relação ao preconceito, a inveja pequenina, à maledicência que atinge a auto-estima. Mas, também, em relação à presença das mulheres nos cargos de topo e aos salários iguais para funções idênticas.


Que eles ajudam em casa já sabíamos. Que há muitos que se escusam, também. Eu não sabia era que existiam outras mulheres como eu, que se recusam a aceitar a palavra "ajudar" e esperam que a pessoa com quem partilham a casa - e a vida - assuma parte das tarefas mais chatas que existem e que se chamam tarefas domésticas. Descobri outras assim e mulheres, felizes como eu, que têm alguém que entende que, se está sol e tem disponibilidade, pode por a roupa a lavar e estendê-la sem que lhe caia um braço. A todas as outras que lutam contra o estigma, persistam na ideia de que a divisão de tarefas não é coisa de pessoas modernas. É o que é justo quando ambos trabalham.


Nestas entrevistas encontrei pessoas muito disponíveis para abraçar a mudança e um reflexo da forma como o novo normal já está a acontecer. Não apenas pelo facto deles trocarem a palavra ajudar pela palavra fazer mas sobretudo por uma consciência feminina do trabalho que ainda nos espera, bem como o que ainda nos falta alcançar. Percebi também que estamos o caminho certo, para melhorar as relações entre mulheres, tantas vezes competitivas, outras tantas mal compreendidas e raramente produtivas. Nos últimos dois anos senti o meu mundo mudar, especialmente no que respeita ao estabelecimento de relações pessoais e profissionais com mulheres. Descobri várias que compreendem perfeitamente este sentido de união, deitando por terra o estereótipo de que as mulheres não sabem ser amigas ou colaborar entre si. Embora ainda exista quem ache que o feminismo é uma palavra a evitar e quem insinue ser coisa de gajas que odeiam os homens, o caminho deste princípio vai no da irmandade, representando pessoas que têm um mesmo objectivo e que confiam umas nas outras para o alcançarem conjuntamente. 

Tive um percurso profissional bastante masculinizado, em contextos e cargos tipicamente masculinos. Fui muitas vezes uma mulher entre homens e orgulho-me de ter sido (quase) sempre tratada como um par e nunca como alguém que estava ali, mas que não pertencia ao contexto. A forma como os homens encaram as relações pessoais e profissionais foi muito importante para o meu crescimento pessoal e profissional. A sua objectividade, pragmatismo, sentido de união e desprendimento ajudou-me a ser uma mulher que consegue pensar no masculino, simplificando aquilo que tantas vezes se complica.

Nos últimos tempos encontrei mulheres dispostas a ajudar-me sem me conhecerem, ou serem minhas amigas porque, simplesmente, são mulheres. As que têm esse sentido do bem comum e estão dispostas a ajudar-se mutuamente para, juntas, crescermos. As mulheres. Sem as invejas que também nos caracterizam. Por isto, deixei de acreditar nestas categorias que encaixam os géneros e os seus comportamentos. Porque neste meu percurso também conheci homens com comportamentos muito conotados com os das mulheres: invejosos, demasiado curiosos, trapaceiros, de mal com a vida e prontos a dificultar a nossa. Creio serem más pessoas. Apenas isso. E isso, faz toda a diferença, independentemente do género. Sejamos pessoas. Boas pessoas. Profissionais. E mulheres.

Ohhhh maaaeee...

Sabem aqueles dias em que já temos tudo planeado e, de repente, a vida acontece? Quem trabalha na comunicação conhece a sensação de ter tudo programado para publicar, textos revistos, imagens perfeitas e, de repente, acontecem coisas. Nada daquilo faz sentido. E mudamos tudo.

Hoje é um desses dias porque me esqueci da riqueza deste espectáculo de publicidade e música com futebol americano no intervalo, o Super Bowl.

Obviamente que preparar qualquer coisa para publicar no dia seguinte a uma performance de Lady Gaga não só é estúpido, como absurdo, porque há sempre algo a relatar sobre a sua actuação. Feito. Podem ler aqui.

Como normalmente acontece, um dos melhores elementos do Super Bowl chama-se publicidade e, este ano, as marcas não se pouparam à criatividade, olhando para o sentido de oportunidade que o momento apresenta. Trump na mira das diferentes marcas que apelaram ao nosso sentido de humanidade e união, com os anúncios da BudweiserCoca-Cola e AirBnB a destacarem-se pela forma como mostram a importância dos emigrantes nos E.U.A., da diversidade e aceitação, da mesma forma que não abdicaram de chamar à atenção para a causa feminina através da igualdade de género. 

Pela manhã quase senti vontade de conduzir um Audi, tal foi a identificação que o anúncio provoca a quem, como estes criativos, sente que já muito se fez para a igualdade entre géneros, havendo, contudo, muito caminho a percorrer. Uma menina entre meninos, a jogar de acordo com as regras deles e a vencer, provando que, independentemente dessas regras e do mundo contrariado, há espaço para a sua vitória. É claramente uma mensagem actual, por uma empresa que se compromete com esta igualdade, no que respeita aos salários os quais, tantas vezes e em tantas indústrias, para a mesma função e responsabilidade, são diferentes entre homens e mulheres. Como a Audi, acredito no #DriveProgress para um futuro mais promissor para as nossas filhas.

Na vida de uma mãe - qualquer mãe - há sempre um antes e um depois. Na vida de um pai, também. Com as suas devidas e originais diferenças. Em comum a partilha das tarefas, dores de cabeça, o lado doméstico a dominar a relação.

Aparentemente - e só aparentemente - é mais fácil para eles. Não é, e todos sabemos isso. Mas elas têm essa sublime capacidade de reverter a situação para serem as mártires de quem todos dependem e sem as quais nada funciona. Chamam a si boa parte das responsabilidades porque, se não o fazem, são más mães, umas desleixadas que deixam ao marido esse trabalho tão feminino que é o de serem cuidadoras: dos filhos, da casa, do marido, da família e quem mais possa aparecer ou precisar. Por isso, quando se queixam, nem sempre têm razão. Quando têm, porque ele é daqueles que não faz mesmo nada, nem quando a casa está a desmoronar, também lhe cabe, a ela, tomar as medidas necessárias para que tal não aconteça. Em resumo, a culpa é sempre nossa, mesmo quando não é.

A Procter & Gamble criou uma fantasia em torno dos estereótipos, da mulher que limpa a casa e sonha com um homem perfeito, mostrando-nos o marido que, afinal, se dedica a essa tarefa conseguindo, com isso, uma relação mais saudável e, digamos, (mais) excitante... A música não engana... tem o que ela quer, o que ela precisa... e uma figura musculada dedica-se à limpeza. Na verdade, é ela que o vê assim, mesmo quando não vê. Diz o anúncio que temos de amar um homem que limpa a casa. Efectivamente, é da partilha que se faz uma relação. Para o bem e para o mal, incluíndo a limpeza e tudo aquilo que não apetece fazer... A um ou ao outro.

Não há certo ou errado nas relações entre casais porque cada um escolhe o modelo que é certo para si. Da mesma forma que a família mudou, com os teus, os meus e os nossos misturados, também os papeis de género levaram a figura masculina a assumir um papel diferente, que o afasta da sala de estar e o aproxima da cozinha. Em última análise, que o aproxima mais da família e do conceito que cada uma constrói para si. Por muito que queiramos insistir no estereótipo - que também existe - temos de admitir que o homem é hoje mais participativo na gestão doméstica e familiar, chocando os mais conservadores e fazendo aplaudir os liberais modernaços, esses que acham que devem dividir a licença de maternidade com a mulher. Porque não?

Ainda estamos longe do igualitarismo de outros países, mas temos de reconhecer o tanto que avançámos. Ainda que os países do Norte da Europa estejam na primeira liga em termos de igualdade de género, até os países mais conservadores mostram sinais de mudança. No Líbano, por exemplo, a lei que permitia aos violadores escaparem a qualquer tipo de punição, desde que casassem com a vítima, foi abolida. No Afeganistão, Kabul conheceu o primeiro grupo de mulheres que se dedicam ao freestyle em bicicletas. São adolescentes que não abdicam de treinar os seus truques, mesmo quando o país desaprova a actividade. Recentemente, as mulheres no Paquistão passaram a poder ser motoristas numa empresa de transporte de passageiros mais popular do que a Uber.

Por cá não há medidas novas dignas de destaque mas todos os dias a mudança acontece. Quando as crianças gritam ohhh maaaeeee nós podemos responder chama o pai.

Também disponível no Sapo24

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Espinhos da emigração: perder

By LoveC.

É de bravo não apagarmos a existência de uma pessoa e a importância que ela tem, por esta estar fisicamente ausente. É de bravo. Porque amar e cuidar à distância é mais difícil do que amar e cuidar de pertinho. E às vezes nem o amor que é tão verdadeiro sustenta a distância. Porque dá trabalho, porque é exigente, porque põe à prova. 

A minha família e os meus amigos são bravos. E eu sou só grata porque estou, não estando. 

É que emigrar é muito mais do que a dificuldade de enfiar a vida em duas malas e viajar durante muitas horas. Emigrar traz dúvidas e medos, mesmo aqueles que temos para nós que são ridículos. Acho que todos os que partem têm, de uma forma ou de outra, medo de perder. Medo de perder o cuidado da família, a atenção dos amigos. Medo de perder o amor em que sempre vivemos. Eu tenho medo, ou tinha, não sei bem. Porque todos os dias a minha família e os meus amigos me fazem questão de mostrar que estou perto, não estando.

Eles são bravos! E eu sou grata. 

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Eu empreendo, tu empreendes, eles empreendem!

Há pessoas a quem chamam estúpidas que acreditam nessa suposta verdade. A quem chamam burras e que desistem de aprender. Depois, há outras que reconhecem as suas capacidades e dificuldades, aprendem a viver com as segundas, e a melhorar as primeiras, para atingirem o sucesso. Estava a ler sobre a Connect to Success, uma rede para mulheres que procura ajudá-las a atingirem a liderança em cargos de topo, quando percebi que a sua criadora era Kim Sawyer, a embaixatriz dos EUA em Portugal. Kim sabe do que falo. Sofre de disgrafia, uma dificuldade de aprendizagem que poderia ter arruinado o seu percurso. Apenas a motivou a fazer mais e melhor. Acredita, por isso, que a auto-confiança é fundamental para ultrapassar os obstáculos, sendo o maior, aquela voz interior que nos diz que não somos capazes.

Vera. Georgina. Ana. O que têm em comum estas três mulheres? Pouco ou nada, com excepção da coragem de enfrentarem essa voz interior que as impedia de avançar.

Num mundo dominado por grandes corporações, empresas multinacionais que garantem a homogeneidade do consumo, surpreendem os pequenos negócios, as ideias simples iguais a tantas outras com a diferença de serem... únicas. Hoje, o que diferencia um negócio não é a promessa que se faz, mas a concretização, dia-dia, dessa promessa, tratando cada cliente com proximidade, dando-lhe importância e usando o segredo dos negócios que replicam mundialmente a sua fórmula: garantir a qualidade - sempre - e a cada momento que o cliente contacta com a marca. 

O que transforma pequenos negócios em grandes sucessos é a paixão de quem está na origem da ideia, a dedicação que um projecto pessoal exige e o prazer que cada novo empreendedor retira dessa mesma dedicação. Não conheço muitos empreendedores mas sei que, para além da ideia ou da motivação para fazer, há sempre a paixão por aquilo que se faz. 

São assim as pessoas que hoje vos apresento.

Não conheço a Ana há muitos anos mas sei há quantos se apaixonou por uma ideia - a sua - e o esforço que tem feito para a concretizar. Tudo começou numa Pós-Graduação em Marketing Musical, a paixão pela música e a noção de que o turismo musical existe e faz sentido. Há quem viaje pela música e a Ana decidiu que iria servir essas pessoas. Depois de um mestrado em que testou a ideia, o projecto ganhou forma. Enfrentou a burocracia, concorreu a apoios financeiros, envolveu-se e tornou-se empreendedora. A Go For Music é uma realidade e, se não conhecem, é porque estão cá dentro e não viajam para ouvir música. Quem quer conhecer Portugal já o pode fazer associando o prazer da visita ao da música, uma vez que a Ana constrói pacotes de viagens em associação com eventos e festivais de música. Já a Vera largou tudo o que não a fazia feliz para descobrir que tem essa capacidade - única - de dar de si aos outros, ajudando-os na sua recuperação. Vivia quase feliz na expectativa constante de dar o salto, de encontrar aquilo para que se tinha preparado. Formada em marketing e com uma experiência que cruza diferentes experiências, foi na massagem ayurvédica que se encontrou e que também encontrou quem perceba que a Vera tem A capacidade ( não apenas capacidade para) de lhes lavar a alma. Entrega a sua energia para relaxar e equilibrar a dos outros. Único. Foi então que percebeu estar no caminho certo, continuando a sua formação. Transformou a sua sala num espaço acolhedor para receber quem precisa de uma massagem ayurvédica, reflexologia ou shiatsu. Continua a sua formação, sempre disponível para receber e poder dar. Quando já tiver mais do que uma técnica que possa realizar, vai procurar espaços onde possa exercer de uma forma freelancer. Dona do seu tempo a cuidar do bem estar dos outros. Numa outra perspectiva, a Gi (que já aqui falei), na versão FotoGInica capta o melhor de cada um de nós, e do mundo que observa, com uma grande angular. Não nasceu fotógrafa mas fez-se fotógrafa à medida que as imagens iam ganhando relevância na sua vida. Não fechou uma porta para abrir a outra. Foi gradualmente mudando o seu perfil profissional. Não abdicou da segurança de um emprego e esperou que os filhos estivessem independentes para (re)tomar as rédeas da sua vida. Tem a sensibilidade necessária e aprendeu a dominar as ferramentas para que nada a impeça de registar exactamente aquilo que quer. Ou que pensamos estar a ver... Da mesma forma, o Caco decidiu mostrar-nos o outro lado do que está à vista: criou uma agência imobiliária que conta a história de cada casa e dos seus proprietários, enquanto desafia as regras do mercado: vídeo, comissões e tratamento personalizado, assim é a promessa da De Home uma nova imobiliária no mercado lisboeta que poderia ser apenas mais uma. Não será. Como não é o sushi da Sushi at Home, que equivale a dizer o sushi do Lourenço, Martim e João, três amigos que adoram sushi e que um dia decidiram partilhar essa paixão com o mundo. Em casa ou no trabalho, a sushi@home entrega-nos sushi maravilhoso minutos antes da hora combinada. Nunca falham e o sabor é sempre surpreendente, com menus que combinam sushi tradicional com sushi de fusão a preços tão bons quanto o sushi que nos entregam.

O que têm em comum estas histórias? 

A paixão. A vontade de fazer algo diferente. De servir as pessoas garantindo-lhes serviços de qualidade. Estão a começar - ainda que o sushi@home esteja em pleno crescimento - e espero que este artigo os lembre que é importante continuar!

 

Go for Music

Vera Sant'Ana

FotoGInica

De Home

Sushi at Home

Empreender

empreendedor | adj. s. m.

em·pre·en·de·dor |ô| 

adjectivo e substantivo masculino

Que ou aquele que empreende; que é animoso para empreender; trabalhador; amigo de ganhar a vida (traçando empresas novas).

 

Esta semana é dedicada ao empreendedor que há em nós. 

O empreendedor é aquele que empreende e empreender significa levar a efeito. Ou seja, fazer. 

Já empreendi muitas coisas, embora não seja a empreendedora no sentido que habitualmente damos à palavra. Não desenvolvi uma start up, não criei uma empresa ou um negócio de sucesso, donde, não sou empreendedora. Mas já criei e levei a efeito cursos e conferências, ideias que se transformaram em projectos que outros agarraram e continuaram, lancei sementes que nasceram, cresceram e floresceram ou, simplesmente, morreram. Lei da vida. Por isso, sei bem o que é empreender, embora nunca tenha perdido muito tempo a pensar no conceito ou no seu significado. Parece que entretanto tudo é empreededorismo, que todos precisam de criar uma start up, de encontrar um mentor e de se envolver numa incubadora por auto-afirmação. Não é. Um mentor ajuda. Uma incubadora talvez.  Acima de tudo, é necessária uma força interior que incubadora nenhuma pode dar para levar alguma coisa a efeito. Por isso (e por muito mais mas especialmente por isso), respeito muito quem decide mudar de vida e aventurar-se num novo estilo de vida ou, mais arrojadamente, decide empreender uma nova vida, dedicando-se à criação de um negócio. Assim o fizeram vários amigos sobre os quais vou falar esta semana, não sem antes mostrar alguns detalhes sobre empreendedorismo...

Sobre as contas, essa também pode ser uma questão que nos impede de avançar: para além do medo associado à mudança, o rendimento deixa de ser fixo e definido no tempo (talvez por isso tantos desempregados consigam uma energia extra para criarem o seu próprio negócio), pelo que manter o foco e deixar de lado tudo o que nos possa distrair do nosso objectivo será fundamental. E que objectivo?

É importante sabermos o que não queremos para nos concentrarmos no que vamos conseguir. Funciona para as relações pessoais e, mais ainda para este tipo de relação a longo prazo que estabelecemos connosco e o negócio que queremos desenvolver. Supondo que queremos ganhar dinheiro, convém que seja a fazer algo que não nos cansa, não nos desgasta e nos dá um prazer tal que nos faz sair da cama mesmo depois de não termos dormido a pensar nos detalhes de algo que ficou por resolver. E andar todo o dia cheios de energia, de sorriso no rosto, seguros de que estamos no caminho certo. Significa que nunca mais estaremos de trombas na fila do autocarro para ir trabalhar, mas também significa que temos de estar conscientes das dificuldades, de que não conseguiremos fazer tudo sozinhos - que não temos de o conseguir - acima de tudo, seremos capazes de superar os obstáculos - muitos - e manter o pensamento positivo.

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O que fazer, para empreender? Muito.

Ter vontade, perceber que essa vontade não resulta de factores circunstanciais e saber o que se quer. Para além disso, ser capaz de criar um valor acrescentado e vender a nossa ideia como se o mundo terminasse amanhã. Não termina, mas convém pensar que sim.

Há quem pense muitas vezes que agora é que vai ser, que vou largar tudo e montar o meu negócio. Nada mais errado. Todos temos vontade de evasão de quando em vez, de mandar tudo às urtigas e começar de novo. Contudo, importa pensar muito bem nas razões que nos levam a querer mudar. Se estão relacionadas com desânimo em relação à situação profissional actual ou se tal acontece porque nos apetece mais perseguir o chefe à paulada do que ir trabalhar, talvez a solução não seja uma mudança. Ou, pelo menos, uma mudança tão drástica. É preciso, antes de mais, relativizar as situações e revertê-las a nosso favor. Se não o conseguirmos fazer quando está alguém a pagar-nos, como o conseguiremos fazer estando sozinhos para garantir a nossa subsistência? A mudança só acontece quando estamos preparados para ela e, antes disso, há todo um caminho que o karma nos obriga a percorrer para garantir que há sustentabilidade na decisão que tomamos. Sim, por mais que o queiramos ignorar, nada acontece por acaso, cruzamo-nos com as pessoas certas no momento adequado e tudo o que acontece neste processo tem uma razão de ser. É preciso explorar. Não apenas o mundo e os potenciais negócios mas também a nossa individualidade. Ao contrário do que se pensa, o empreendedorismo pode ser muito solitário, obriga a auto-motivação porque ninguém nos pede contas e a liberdade para gerir o tempo pode ser ameaçadora.

No entretanto, porque empreender é coisa séria de gente grande, depois de sabermos exactamente o que vamos fazer, há uma ferramenta muito importante: modelo de negócio. É neste ponto que muito falham porque se concentram demasiado no que lhes diz o coração e pouco - ou  nada - nas leis do mercado. É determinante gostar, mas não chega estar apaixonado para uma relação resultar, correcto? Por isso, temos de ter um alvo em mente, a quem vamos servir através de uma promessa que lhe vamos fazer. Definimos, então, uma estratégia com objectivos e um plano de acção. É importante conhecermos a nossa audiência - aquelas pessoas que eventualmente irão comprar o que tivermos para vender - avaliando a dimensão desse alvo, bem como o grau de relevância da nossa oferta. É que se não for relevante para eles, não vão seguir-nos, amar-nos, comprar o que estamos a desenvolver. Temos de pensar numa lógica de missão e serviço, um compromisso que se estabelece com um conjunto de pessoas a quem temos algo para dar e que tudo farão para apoiar o nosso crescimento. São eles que nos vão partilhar as publicações e tornar a comunicação viral. O viral não acontece porque nós queremos, mas porque eles - o alvo - permite que aconteça. A seguir, fazemos a dança da chuva e esperamos que a magia aconteça.

Incubadoras de Lisboa

Incubadoras de Lisboa





 

Porrada nelas, pá

Hoje é o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Há tanto para dizer, mais ainda para fazer...

Quando decidi escrever sobre este tema debati-me com uma discussão interna sobre aquilo que nós - que não somos vítimas de violência  e independentemente das estatísticas - consideramos ser violência. Alarguei a discussão aos meus alunos no ISCSP e pedi-lhes um contributo que hoje partilho. Contributo esse que em muito superou as minhas expectativas, culminando numa amostra de 298 jovens, maioritariamente mulheres entre os 19 e os 24 anos, numa relação. O que também vai ao encontro das estatísticas, uma vez que as vítimas são maioritariamente do sexo feminino.

Portanto, de que falamos quando falamos de violência numa relação?  Falamos de tudo o que atente contra a integridade física e psicológica do outro. Da falta de respeito à humilhação, passando pelo controlo excessivo e obsessão, a manipulação e agressividade são formas de violentar o outro. No limite, a agressão física. Sobre a pior forma de agressão numa relação, destaco esta resposta:

Não considero, pois se há violência não pode haver relação

As bofetadas geram unanimidade. Para 99% das pessoas que responderam a estas perguntas, dar uma bofetada é um acto de agressão física que deve ser repudiado, o mesmo acontecendo com gritos quando há diferença de opiniões (78%) ou, pior, quando alguém nos agarra pelo braço para nos forçar a aceitar as suas opiniões e ideias. Para 99% destas pessoas, isso é violência.

A roupa também gera consenso, uma vez que, para quem participou nesta recolha de opinião, a frase "não saio contigo à rua se levares essa roupa vestida" é sinónimo de violência, como expressam os valores das respostas.

© Francisco Silva (estudante de media digitais, ISCSP)

© Francisco Silva (estudante de media digitais, ISCSP)

Da mesma forma, a intrusão na nossa privacidade também é considerada uma forma de violência. Perguntar "quem é" quando o telefone toca, vasculhar o correio electrónico, o telefone, perfis sociais ou o computador é visto como uma acto intrusivo e, por isso, violência, como indicam os números.

© Andreia Neves (estudante de media digitais, ISCSP)

© Andreia Neves (estudante de media digitais, ISCSP)

Estes jovens reiteram as minhas opiniões sobre a noção de violência entre duas pessoas, e que esta não é apenas física. Sobre a violência invisível, que também destacaram, reparem nesta afirmação:

É a que é invisível, que não deixa marcas físicas. É quando um dos membros submete qualquer tipo de vontade e caminho pré-definido na vida do seu parceiro. Este pára de viver uma vida “sua” para ser uma extensão da vontade da outra, e creio que isso seja uma forma de violência. Quando não se deixa a outra pessoa atingir as suas ambições, vontades e potencial

Não há violência melhor ou pior. Todas as formas de violência são consideradas negativas por estes jovens que estão bastante conscientes do que é, ou não, aceitável numa relação. Contudo, resta saber se, quando nos toca, sabemos como reagir, como limitar e terminar o processo que, como demonstram as estatísticas da APAV, tende a arrastar-se entre 2 e 6 anos.

Os números da APAV falam por si e ficamos quase sempre imóveis, deixando acontecer. Da mesma forma, raramente intervimos na relação daqueles que são vítimas, mesmo quando acontece em público. Foram várias as histórias partilhadas durante os dias em que recolhi informação, com jovens que contavam, escandalizados, já ter assistido a situações de violência entre namorados sem que ninguém interviesse. Houve quem, ao intervir, tivesse sido também ameaçada sem que mais ninguém tentasse ajudar...

Que sociedade é esta e em que pessoas nos tornámos quando consideramos que bater no outro, pressionar, manipular, desprezar ou diminuir são atitudes aceitáveis? Não só seria positivo que mais mulheres começassem a pensar como a super mulher, explicando, não por palavras mas também, por acções, que respeito é bom e nós gostamos.

Caracterização socio-demográfica

Idade

Género

Quem está numa relação

Se uma mulher incomoda muita gente...

Nos E.U.A a excitação relativa aos candidatos presidenciais turvou bastante a percepção real do contexto real e do que poderia acontecer. Que aconteceu. Muitas mulheres  ficaram decepcionadas com os resultados e outras tantas ainda mais decepcionadas quando perceberam que, afinal, mulheres votaram em Donald Trump. Quisemos acreditar nos finais felizes... 

A vitória de Hillary não teria sido uma vitória da candidata mas da igualdade de oportunidades e a representação da mudança social. Que afinal não muda, apesar da mudança evidente no percurso feminino, ao nível educacional e profissional, com consequências para o contexto social e político. Contudo, o mundo mudaria por termos uma mulher na presidência dos E.U.A.?

Não necessariamente. O simbolismo seria fundamental mas jamais determinaria o ainda longo caminho que há a percorrer ao nível das políticas públicas que garantem direitos iguais, remunerações equivalentes, acesso à educação e cuidados de saúde para todas as mulheres.

Um estudo recente da Independent Women's Forum revela que as mulheres valorizam aspectos que garantam um equilíbrio entre a vida profissional e a família, da mesma forma que esperam uma remuneração que corresponda à responsabilidade das suas funções.

Entre outros aspectos:

  • trabalho igual, salário igual
  • flexibilidade laboral (horários, por exemplo)
  • política da empresa relativamente à igualdade de género

Por outro lado, o estudo Women in the Workplace 2016 traça o perfil da mulher no mundo empresarial americano. Resultado de uma parceria entre a organização LeanIn.Org e a McKinsey & Company, procura fornecer informação para promover a liderança feminina e fomentar a igualdade de género no mercado de trabalho. Os resultados mais recentes demonstram que as mulheres têm menos oportunidades para ascender na carreira e são muitas vezes preteridas no processo de selecção para cargos de direcção, da mesma forma que também não são incluídas nas iniciativas que visam a promoção das suas carreiras. O que é o mesmo que dizer que nos lugares de topo das empresas há poucas mulheres. Portanto, mudou o mundo, há mais mulheres com graus académicos de nível superior, as mulheres passaram poder exercer profissões que antes lhes estavam vedadas mas chegar ao topo continua a ser difícil. Chama-se glass ceiling, aquele tecto invisível que ninguém quer ver mas que está lá. Been there... More than once...

Porque razão importa discutir e alertar para este tema? Porque, apesar da mudança, ainda anão há igualdade de género nas empresas, ao nível do emprego da remuneração, da liderança e cargos de direcção, entre outros aspectos, na articulação da vida profissional, pessoal e familiar. E se, por vezes me atrevo a pensar que o acesso à educação está garantido, são elas mais vezes as grandes prejudicadas, pelo que é um tema que deve continuar no topo das nossas preocupações.

Em Portugal há mais mulheres licenciadas do que homens mas a participação da mulheres nos órgãos de decisão continua inferior e a sua dedicação à família continua a ser superior, responsáveis por mais 232 minutos de trabalho doméstico em relação aos homens. Com isto, ainda tem de haver tempo para fazer tudo igual aos homens, mesmo com todas as estatísticas contra nós.

O relatório de 2016 da PwC (Mulheres em Portugal | Onde estamos e para onde queremos irrevela que 48% da população activa é do sexo feminino e que é nas empresas mais novas que há mais mulheres em cargos de direcção, verificando-se o inverso nas empresas mais antigas (com mais de 20 anos). Não somos um exemplo do nível do emprego a tempo parcial ou dos apoios à natalidade (e não faltam histórias de quem abdica da maternidade pela estabilidade ou possibilidade de progressão na carreira) e, no que respeita à igualdade salarial também não somos exemplo, com uma diferença de 15,7% entre a remuneração dos homens e das mulheres.

Se uma mulher na presidência de um país como os Estados Unidos iria mudar o panorama? Tenho algumas dúvidas. Mas seria, seguramente, um marco importante. Não sendo, é uma forma de nos fazer acreditar que ainda há muito para fazer e que cada vez mais as mulheres precisam unir-se nas suas diferenças para, juntas, alcançarem mais: liberdade, diversidade, igualdade e respeito.

LEAN IN = lean on?

Lean on me
When you’re not strong
And I’ll be your friend
I’ll help you carry on
For it won’t be long
Till I’m gonna need
Somebody to lean on
— Bill Withers

Quando oiço a expressão Lean In não consigo deixar de ouvir o refrão a ecoar... Lean on me... uma canção antiga da qual certamente muitos ainda se lembram...

E porque faço esta associação? Porque o motto o Girls Lean In é motivar as mulheres mais jovens a arriscar e assumir cargos de liderança. E se podemos lean on me, tal significa que podemos lean on each other, que é também o motto das Chicas Poderosas, as convidadas do encontro deste mês do meet up Girls Lean In.

Para quem não conhece, o Girls Lean In é um encontro mensal que junta, na última Quarta-feira de cada mês, mulheres empreendedoras para partilharem as suas histórias e motivar outras a avançar.

Sem medo(s).

Porque, ao contrário do que pensamos, o insucesso só nos faz aprender e melhorar. Se é certo que nos deita abaixo, dá vontade de chorar pelos cantos, nos faz pensar que somos verdadeiramente incompetentes, por outro lado, um conjunto de insucessos prepara o sucesso porque mais do que saber o que, ou como fazer, é importante saber o que não fazer.

Tudo começou com uma Ted Talk (Sheryl Sandberg, 2010) que motivou muitas pessoas a partilhar as suas histórias. Sheryl decidiu juntar as diferentes vozes num livro chamado Lean In: Women, Work and the Will to Lead.

Por isto, se querem inspirar-se sobre o que não fazer, se querem saber coisas que nos empurram para o sucesso, fazer networking e passar m fim de tarde entre mulheres (e homens) que pensam que a igualdade é o caminho a seguir no mercado de trabalho e lean on, apareçam amanhã às 19h30 na Fábrica de Startups (Rua Rod. da Fonseca, 11, Lisboa). Vou lá estar com a chica (super) poderosa Teresa Morais e a (ainda mais) inspiradora Filipa Larangeira. Vocês não vão querer perder isto.

E, se não puderem fazer mais nada, assistam ao vídeo no final deste artigo e inspirem-se...

Inscrevam-se (e apareçam!)

23 de Novembro | 19h30 | Fábrica de Startups

Rua Rodrigo da Fonseca nº11, Lisboa

 

 

 

Primeiro a Cristina. Quem é a senhora que se segue?

Comecei por pensar que este seria mais um tema de cordel, de exploração do tema Cristina Ferreira para gerar cliques. Contudo, esta crónica  publicada na revista Sábado fez-me procurar melhor e ir além dos cabeçalhos made in CM que se espalham como fogo num palheiro no Facebook. 

Cristina Ferreira publicou um livro.

Chama-se "Sentir". Até aqui, o habitual, num contexto de edição em que os livros se sucedem em catadupa. No livro, expõe. Expõe-se. Denuncia. Coloca o dedo numa ferida (sempre) aberta. De tal forma que a boçalidade não se cala acusando-a de tudo. Desde a tentativa de imitação, passando pela invenção, até à sua popularidade conquistada horizontalmente. Que homens o façam choca-me. Mas que mulheres acusem outra mulher disso mesmo não me choca, ou surpreende, porque muitas mulheres são assim mesmo: mais invejosas do que solidárias. Independentemente de nos identificarmos (ou não) com a Cristina Ferreira, de gostarmos do seu trabalho ou da forma como este tem sido ultimamente substancialmente promovido, que vantagem para nós, mulheres, em reforçar a ideia de que fez por merecer ou que sim, obviamente que teve de haver alguma conotação sexual na sua ascenção. 

Fui propositadamente a uma livraria folhear o livro. Ler as passagens que estão a fazer correr tinta. Solidariedade feminina, empatia e a certeza de que não será em vão, mesmo que possa ser o clique que fará vender livros. No entanto, sobre este assediozinho quase diário, dos sorrisos e insinuações, quem nunca? Sobre este comportamento paternalista que nos trata como se fossemos pequenos bibelots, quem nunca? Sobre os elogios e os olhares, sobre as sugestões e os convites só aparentemente inocentes, quem nunca? Sobre as frases directas que nos encostam imediatamente à box eliminando-nos a reacção e o tom pespineta que nos caracteriza, quem nunca? Sobre as sms, os tweets, os comentários aos posts, as mensagens de e-mail, os corações no instagram que sabemos não significarem "fixe pá, gostei da tua publicação", quem nunca? Sobre as pessoas a quem dizemos delicadamente thanks, but no thanks que continuam a insistir escondendo-se atrás do conceito de amizade, quem nunca? Sobre os comentários à roupa, como se estivéssemos nuas, quem nunca? Sobre as estratégias dissimuladas relativas ao trabalho, à promoção no emprego, à perspectiva de um novo emprego ou de mais um cliente, quem nunca? Sobre a pressão quando dependemos de algo que apenas aquela pessoa pode dar para continuarmos o nosso caminho ou terminar uma tarefa, quem nunca?

São mais os homens que fazem isto do que os outros que, mesmo sentido o corpo a ferver têm o respeito necessário pela mulher com quem estão a interagir evitando comportamentos e atitudes despropositadas. São mais os homens que acham que podem tudo do que os que aceitam que não podem nada. São mais os que não percebem que um sorriso é apenas delicadeza ou educação. São mais os que se consideram o sexo forte que pode tudo. Por isto, para aqueles que ainda nos olham como objectos, para os que se intimidam com mulheres inteligentes e as tratam como se fossem burras, para os que acham que a mulher tem a dízima a pagar para poder trabalhar, percebam uma coisa: na maior parte das vezes vamos dizendo que sim até ao limite do aceitável e do possível, porque sabemos o que acontece se dissermos que não, porque queremos concretizações sem discussões ou pressões. De qualquer tipo. Outras tantas estamos concentradas no trabalho que temos para fazer ignorando os vossos discretos avanços. No resto do tempo não estamos mesmo interessadas. E, no que sobra, não queremos mesmo nada com vocês, como a aliança que trazemos no dedo normalmente quer dizer. Percebem? Acabou o tempo da secretária para todo o serviço e da subalterna a quem podem apalpar o rabinho redondinho. Também acabou o tempo em que dizemos que sim porque temos medo de perder este jogo de poder. Temos o poder de dizer não.

No hard feelings, ok?

 

Teoria do caos

Não gosto de inércia. Menos ainda do cão que ladra e não morde. Aquela atitude de protesto sem consequência. Admiraram-me os americanos nas eleições sem, contudo, me sentir verdadeiramente surpreendida. Surpreendentemente sim, a reacção de quem, obrigado a aceitar a vitória, não se deixa derrotar. Ou pelo menos, de quem, no calor do momento, prefere planear a acção, arregaçar as mangas e manter-se à tona de água até o temporal passar. Muitos americanos saíram à rua em protesto, mesmo sabendo que esse protesto nada irá mudar. Hoje percebo que não se ficam por aqui. Pacificamente estão a tentar unir-se em torno de uma causa comum: a defesa de todos os que o actual presidente dos Estados Unidos da América ousou ameaçar, marginalizar, ostracizar e humilhar durante a sua campanha eleitoral. Não faltam apelos no Twitter para a reunião em torno de uma causa comum. Porque a vida é feita de causas. Temendo a perseguição planeiam gerir o medo, derrotando o ódio, através do amor. Porque continuamos a acreditar que o amor acaba sempre por vencer. É assim nas histórias de amor que nos contaram. Pode ser também assim na vida real. Basta deixarmos.

© Anders Held

© Anders Held

© Anders Held

© Anders Held

Na rua, nas redes, nas conversas, as pessoas indignadas e eu sem saber exactamente o que escrever. Sei o que pensar. Acima de tudo, sei que demasiadas vezes nos interessa a política alheia. O que se passa na terra dos outros. Será assim ou estarão hoje todas as terras e contextos interligados?  Neste caso, há curiosidade, interligação, com razão. Afinal, a Teoria do Caos é mesmo assim, pois quando uma borboleta bate as asas em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque. E Nova Iorque, com ou sem borboleta, está ao rubro.

Teoria do caos no seu melhor?

Esta é uma nação enorme, no que respeita à dimensão e população, para ser ignorada e pode, por isso, controlar directamente o que acontece em todo o mundo. Afinal, a borboleta não está em Tóquio...  Os E. U. A. são uma potência militar, política e, economicamente, controlam muito do que se passa aqui, deste lado do oceano. Juntamente com a borboleta de Tóquio, dominam a economia mundial. Se por um lado as pessoas não aceitam um Presidente com um all day bad hair day, por outro deitam lágrimas de crocodilo em relação a Mrs. Nasty e começam já a aplaudir a senhora que se segue, prevendo-se que passe de 1ª Dama a all mighty dama.

Não sei - não sabemos - o que acontecerá amanhã mas sei que os primeiros 100 dias de Trump serão, no mínimo, muito pouco consensuais. Também sei que Michael Moore, que tem por hábito colocar o dedo na ferida e rodar para ver o circo pegar fogo, mostrando os meandros do poder e da sociedade americana, já se manifestou. O que quer sempre dizer qualquer coisa...

Continuemos a vida e a viver, pensando que não nos deixaremos derrotar. Pelo menos, não assim. Hillary tornou-se aparentemente a candidata perfeita porque não se desbragou como o fez Trump. Sempre tive dúvidas sobre a sua auréola e basta olhar para a evolução da comunicação em torno desta candidata para perceber que estava longe de ser perfeita. Não que Trump o seja. Muito longe disso. Adjectivar os "ismos" deste candidato transformado em Presidente é desnecessário... Contudo, a sua vitória é, apesar de tudo, útil. Serve para nos recordar que o mundo muda, mas não muda assim tanto. Que se vai alterando, mas não tão depressa quanto gostaríamos. Se Hillary tivesse ganho, muitos aspectos relativos ao papel da mulher na sociedade poderiam mudar. Por imitação, as suas acções nos Estados Unidos seriam seguidas atentamente por outros países, provocando um lento efeito de osmose. Na verdade, o que temos agora é um retrocesso. Ou a ameaça desse retrocesso. Uma cabeleira alaranjada que atenta contra a de qualquer mulher. Mas pode ser, também, entendida como uma notificação para continuarmos, sermos cada vez mais unidas e fortes - coisa que não somos, estarmos atentas àquilo que se passa no mundo - que não estamos, para pressionarmos a evolução do mundo.

Se ganhou, alguém votou em Donald Trump. Já sabemos que muitas mulheres votaram no vencedor porque não se identificavam com Hillary, vista como a candidata do sistema e, por isso, longe de ser a candidata ideal. Era, para muitos, o menor dos nossos males, uma porta aberta (ou entre-aberta) para as questões da igualdade e diversidade. Mas não era garantia da mudança. Não estou a defender Trump. Nem os votos em Trump. Mas temos de entender que um reality show é um reality show, no qual ganha o concorrente mais controverso. Ganha sempre aquele sobre quem recaem as atenções, abafando, no caso, a política nacional, mantendo-nos afastados daquilo que mais directamente nos afecta. Também temos a nossa política de cordel, os nossos momentos altamente romanceados, transformados numa novela que optámos por ignorar ao longo das últimas semanas. Em relação às nossas, as séries americanas são mais populares por alguma razão...

Há um ano estava de viagem marcada quando atacaram Paris. Se os terroristas impediram uma reunião porque as fronteiras foram fechadas, não impediram, contudo, a realização do maior encontro mundial na área da rádio, meses depois. Se pensámos e repensámos a questão? Sim. Se decidimos manter a localização planeada e já anunciada? Sim. Mantivemos a nossa decisão e, apesar de tudo, tivemos casa cheia. Foi um dos maiores RadioDays Europe - talvez mesmo o maior - que esteve para ser cancelado por causa do que aconteceu em Paris. Não tem comparação mas, se agora, como antes, baixarmos os braços, assobiarmos para o lado ou nos rendermos, estamos a ceder ao medo. Trump não é um terrorista. Mas mete medo, razão pela qual muitos americanos já saíram à rua protestando contra a sua ideologia...

Tramp, though not TRUMP.

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Everything happens for a reason. I'm still wondering the reason why this happened. 

Podia limitar-me a escrever esta frase. Todos ou, pelo menos, uma grande parte, iriam entender. 

A manhã começou igual a tantas outras.  

Um som irreconhecível, ao longe, muito longe que subitamente se torna familiar... Uma mão que alcança um botão para o silenciar. O ritual de enroscar, mimar, virar e pensar que são apenas mais cinco minutos. Sentir o corpo a recusar-se, a deixar-se embalar no quente confortável... Mais cinco minutos e sabemos que não são apenas cinco. Uma coragem que nos chega não sabemos de onde. O corpo estica-se. Espreguiçar. Abrir os olhos. Sair da cama com os olhos semi cerrados. Lá fora amanhece. Céu cinzento. Estrada molhada. Movimentos que se repetem, acções voluntárias que conhecemos de cor. Depois, na mesa, as notícias. Na rádio as palavras que se sucedem sem dizerem o que queremos. Subitamente. A frase inquestionável. Continuamos como se nada fosse. Como se não nos afectasse. É impossível ignorar. Tentamos manter a normalidade e comentamos a vitória de Trump. Não estamos surpresos, embora queiramos pensar que sim. Estamos siderados embora queiramos reagir. Aconteceu o que sabíamos que provavelmente iria acontecer e que preferimos pensar que jamais poderia acontecer. 

He didn't beat the odds. He managed the odds. 

Como numa relação que está morta, tentamos ignorar os sinais, mesmo quando sabemos serem reais. Como a fast food da qual tantos querem fugir sem lhe conseguirem resistir. Como aquela shameless selfie que nos pode arriscar a vida mas que não desistirmos de conseguir.

A nossa atracção pelo abismo vem de uma necessidade humana de enfrentar os nossos medos mais profundos, de nos testarmos e avaliarmos. Como as crianças, de esticar a corda ao limite a ver se parte. Sabemos que irá acontecer mas teimamos em não acreditar que será assim.

Convencemo-nos de que seria uma mulher a ocupar a presidência dos Estados Unidos da América. Afinal, a evolução social e cultural da sociedade iria nesse caminho, não é? Depois do Obama, uma mulher. Depois de uma mulher, um homossexual. Depois? Não pensámos nisso. Como também nos esquecemos de observar  o mundo e ouvir as suas vozes, revolta e lamentos. Na Turquia, na Hungria, em toda a Europa... Radicalismo que nos ataca e se entranha como um atentado à democracia. Governos inesperados que se formam aqui e ali. Coligações e interacções nas quais jamais iríamos apostar.

Ninguém sabe o que virá a seguir. Não só pela imprevisibilidade que lhe está associada, como pela inexperiência em matérias políticas sérias. É rude, não tem filtro. Talvez por isso tenha cativado um machismo velado que ainda existe na nossa sociedade tão supostamente pró-feminista. Não é. Parece. O mesmo se aplica ao racismo. Aos imigrantes. Somos todos iguais até ao momento em que é mesmo preciso acreditar que somos. 

Para além de ser um bully, um rebelde fora do sistema, Trump é também espertalhão. Não fez mais do que aproveitar as fragilidades de cada um de nós, pavonear-se sem conteúdo ou substância enquanto debitava frases feitas que ecoam como aquelas musicas más que nos ficam no ouvido dias inteiros. Apelou e usou as brechas abertas pelo próprio sistema, cavalgando em cima das tendências, dos gritos de revolta. Não deu voz a ninguém nem será a voz dos oprimidos porque os ignora. Situou-se na zona de sombra que a maior parte dos políticos quer ignorar por ser a mais difícil. Apanhou-lhe o jeito e foi repetindo a receita até chegar à Casa Branca.

E não é que chegou? 

 

 

About misconceptions (mal entendidos)

The pressure to fit into an uncomfortable mound #BeingHuman #HeForShe @edgarramirez25

A video posted by #HeForShe (@heforshe) on

@heforshe The pressure to fit into an unconfortable mound #BeingHuman #HeForShe @edgarramirez25

@heforshe The pressure to fit into an unconfortable mound #BeingHuman #HeForShe @edgarramirez25

Para ver e ouvir até ao fim.

Gosto de homens (ponto, mas ainda mais dos) que conseguem perceber que esta coisa de ser feminista não se relaciona em nada com manias de gajas que acham que sabem mais do que os outros, que têm a mania, que odeiam os homens ou as outras mulheres. 

Quando falamos de feminismo, estamos principalmente a falar de direitos. Quando falamos de género, falamos de igualdade. Nenhum é exclusivo das mulheres, muito embora, na maior parte dos casos, respeite às mulheres. Porque, por exemplo, ganham menos trabalhando o mesmo número de horas, com as mesmas responsabilidades; se dedicam mais horas ao trabalho doméstico e a cuidar da família. Porque estão limitadas no acesso à educação. Porque estão sub-representadas na política, na economia, nos negócios. Não vale a pena ser exaustiva. O engano está em pensar que a questão da igualdade e dos direitos é exclusiva das mulheres. Pode haver maior pressão sob as mulheres e serem muitas mulheres a levantar a voz contra a desigualdade. Na verdade, acredito na igualdade a na defesa desses direitos. Para homens e mulheres. Dizem que é ser feminista. Pois que seja. Mas também levantaria a minha voz para defender a situação contrária, como alguns homens fazem, lembrando que a desigualdade não é uma questão de género.

Regras de ouro para chegar ao topo

@goian

Há várias regras mas, para mim, as mais importantes são, de facto, as mais simples:

liberdade

autonomia

raciocínio

dinamismo

Ter tempo livre e liberdade para pensar. Experimentar várias coisas tomar decisões, ao mesmo tempo que abandonamos o sedentarismo que nos persegue. Serve para as crianças e os adultos. Sem a pressão dos resultados, o excesso dos trabalhos de casa ou a agenda preenchida. A competitividade exacerbada ou a fraca educação cívica,  o pouco tempo para brincar e as limitações à individualidade. Géneros à parte, categorias e medidas para definir o que fazemos e como fazemos. Brincar cansa. Mas cansa muito mais não poder brincar. Por incrível que possa parecer, tudo começa na infância. Na escola...

Os Finlandeses sabem-no há muito tempo e Moore descobriu-o recentemente. Este é um documentário que dá vontade de mudar de país. Especialmente para quem está nos E.U.A.

Praise YouTube onde encontramos excertos de tudo o que precisamos. Mesmo o que preferimos ignorar!...

#dayofthegirl

O empoderamento da mulher tem de começar nas miúdas. É isto.

#dayofthegirl

Se, aqui, sentimos a necessidade de ganhar espaço e fazer valer os nossos direitos, o que preocupa as Nações Unidas ultrapassa largamente as nossas pequenas preocupações, concentrando esforços para evitar injustiça, violência ou iliteracia.

Independentemente da sua localização no mundo, nenhuma miúda - nenhuma pessoa - deve estar sujeita a qualquer tipo de violência (a propósito... Síria, ring a bell?) e deve poder fazer escolhas - na educação, no desporto, no trabalho, no seu modo de vida.

O empoderamento da mulher tem de começar nas miúdas. É isto.

UNICEF Event: What Counts for Girls: Global Goals and the Role of Data to Measure Progress

Há muito que deixei de acreditar...

... o que não quer dizer que deixemos de o fazer!. Spoiler allert: não enviem currículos...

Se é certo que há muito que enviar Cv's deixou de ser a forma certa para encontrar um emprego, também é verdade que tal não significa que deixemos de o utilizar, ou que estejamos autorizados a ter um mau Cv (podem ler aqui sobre o Cv). Na verdade, a ideia de Carolyn Magnani relembra o método mais antigo que existe para procurar emprego: a recomendação. Por essa razão, o tempo passado a mais no Facebook pode ser canalizado para o Linkedin, mantendo o perfil actualizado, interagindo e publicando, mostrando as nossas características e competências profissionais. O outro, que passamos a responder a anúncios enviando o Cv pode ser aproveitado em sites de redes sociais, como o Linkedin, procurando contactar as pessoas que trabalham nas empresas do nosso interesse, com um perfil semelhante ao nosso. Como também refere Carolyn, não esperem que o CEO vos responda, mas é provável que um dos membros da equipa o faça. 

Photo: @benchaccounting 

Photo: @benchaccounting 

A maioria das pessoas dedica 80% do seu tempo a procurar ofertas de trabalho e a enviar o seu currículo e os restantes 20% a fazer contactos”, disse ao El País. “O que funciona é exatamente o contrário.
— Carolyn Magnani, consultora de carreiras profissionais (Université de Lausanne) à VISÃO

Por esta razão, mas principalmente porque os tempos mudaram, as empresas e o recrutamento também e, acima de tudo, porque a forma como nos apresentamos ao mundo continua a influenciar a percepção que os outros têm de nós, devemos pensar a nossa presença na rede da mesma forma como se pensa uma marca. Dar a conhecer quem somos - sem considerar as fotos das férias ou da última festa em que estivemos - a nossa presença nos sites de redes sociais deve demonstrar os nossos valores e qualidades, mostrando aos outros quem somos, o que fazemos, o que nos diferencia e o que podem esperar de nós.

Os empregadores cada vez mais recorrem ao Facebook e ao Linkedin para contratar e, antes de o fazerem, observam. Por isso não nos esqueçamos de que, uma vez na rede, para sempre na rede...

Por outro lado, não basta estar. É preciso saber estar. Definir os nossos objectivos em função da nossas características e do que pretendemos para a nossa abordagem, que pode ser simplesmente pessoal, ou mais elaborada por se tratar de um perfil profissional. Sendo pessoal, pois que o seja, usando as definições de privacidade exactamente para o que servem: garantir (alguma) privacidade. Em qualquer caso, tem de existir coerência entre a nossa idade, individualidade e objectivos. No Linkedin, o perfil funciona como um cartão de visita e um sumário do nosso Cv ao qual qualquer empregador pode aceder ou qualquer contacto pode partilhar... Ter atenção ao pormenor pode fazer a diferença entre ser escolhido ou ficar na lista dos prováveis (que acabam sempre por ficar pelo caminho). A fotografia é importante, o URL personalizado, os contactos actualizados, sendo também selectivo na rede de contactos e preencher todos os campos (ou os campos possíveis, porque não adianta mentir). Da mesma forma que muitos de nós procuram brilhar no Instagram ou no Facebook, também é verdade que nos esquecemos, a maior parte do tempo, da importância que o Linkedin pode ter na nossa vida profissional...

Chicas? Girls. Mulheres. #ChicasPoderosas. Poderossímas ♡

https://www.facebook.com/chicaspoderosaspt/?fref=ts

https://www.facebook.com/chicaspoderosaspt/?fref=ts

Nunca como agora o papel da mulher assumiu tamanha relevância social. Nunca, como agora, assumimos, cada uma para si, que somos, podemos, queremos. Que não devemos, a não ser que o consideremos. Que podemos chegar onde sempre nos disseram ser impossível, fazer o que nos esteve vedado anos a fio, ser o que sonhamos. Sempre tivemos esse poder. Faltava reconhecermos que o detínhamos. Agora, não só o reconhecemos como o usamos cada vez mais. E melhor. Como? De muitas formas mas também através desta comunidade global de mulheres (e homens) ligados aos media que se chama Chicas Poderosas, que procura mudar o papel das mulheres em áreas como o jornalismo, design, comunicação, investigação ou tecnologias da informação, trabalhando contra estereótipos sociais e culturais. Onde é que eu já ouvi isto?... Isso. A sociedade afirma estar preparada para a mudança, mas tem enormes dificuldades em implementá-la, razão pela qual organizações como esta e iniciativas como a da próxima semana são tão importantes.

A próxima semana é nossa. Das Chicas Poderosas, uma ideia da portuguesa Mariana Santos que criou esta rede em 2013, na América Latina, e que já inspirou mulheres em todo o mundo. Chega agora a Lisboa para inspirar e contribuir para que as mulheres tenham um papel mais relevante nos media e indústrias relacionadas. Eu vou lá estar e dar um workshop sobre podcasting e voz.

E vocês? São poderosas e poderosos, ou não?

#ChicasPoderosasPT

#tupodesassimtuqueiras

#MiúdaAMiúda

#girlpower

 

 

 

Do biquíni perfeito à marca ideal...

Há tempos escrevi sobre a valente seca que dei aos lá de casa, procurando o biquíni, triquíni ou, preferencialmente, o fato de banho perfeito. A peça de banho perfeita não existe e todas(os) sabemos isso. Eu também mas, mesmo assim, tentei. Defini o modelo (ou tipo de) e um preço máximo. Não queria folhos, folhinhos, frizados, fitas ou complicações. O que queria, mesmo, era o bom e velho modelo de fato de banho simples, direito, com duas alças ou alças cruzadas. Parecia impossível mas encontrei um modelo muito feminino e simultaneamente bastante desportivo. O sporty posh triquíni como o defini, da Type.

Type of Grace V2 (www.type.pt) 

Type of Grace V2 (www.type.pt) 

Não sou de divulgar marcas, excepto quando me agradam ou merecem. E a Type merece. Sabem porquê? Algo tão simples quando isto: um pequeno defeito, reclamação, substituição. Sem perguntas, sem complicações. Com atenção às necessidades e expectativas do cliente. Porque não há nada que pague um cliente satisfeito e, acreditem, é assim que se constrói a reputação de uma marca.

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Sabem outra coisa?... O improvável é altamente provável. Dias depois de ter comprado o triquíni Type encontrei o fato de banho que tanto queria por um valor irrecusável. Ontem, depois da Type me entregar o novo triquíni, comprei um biquíni cujo modelo é, também, o que queria. Se gastei muito? Menos do que possam imaginar! Vivam os saldos  ツ

 

Este país Não é para novos (ou velhos)

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Não são jovens, porque os jovens acham sempre que precisam de muito dinheiro para uma vida sofisticada e cheia de coisas boas. Seja lá o que isso for. Com excepção das ideias geniais que permitem vidas muito desafogadas com tempo e dinheiro, muitos esfalfam-se a trabalhar para gozarem o que o dinheiro pode comprar durante meia dúzia de dias por ano.

Outros, desaprendem de viver a vida e apenas trabalham. Vivem em casas faustosas e conduzem carros de luxo, esquecendo-se do que motivou tal esforço.

Muito tempo e pouco dinheiro não satisfazem ninguém. Mas muito dinheiro e pouco tempo, também não.

Por vezes olho para algumas pessoas e invejo aquele tom de pele, de quem tem tempo para passar dias a fio na praia. Não invejo a cor. Jamais seria a minha. Invejo o tempo. Raramente os imagino ricos, muito ricos - porque esses não param aqui - mas imagino quarentões que, um dia, perceberam a diferença entre o valor do dinheiro o dos ideais. Aprenderam a valorizar aspectos importantes como o tempo ou a disponibilidade para apreciar a vida. Como dizia o anúncio, nada do que têm valor se compra. Andamos (quase) todos esquecidos disso. Temos sede de poder e o que este oferece, esquecendo os seus piores defeitos. Somos atraídos por coisas que nos roubam o que de melhor a vida tem para nos dar. E o melhor da vida não se paga. Vive-se.

Muitos não sabem, ainda, como a viver, preocupados em encontrar uma forma de o fazer. Talvez saibam o que querem da vida mas não sabem como lá chegar. São demasiadas portas fechadas e janelas entreabertas com pessoas lá dentro que não os deixam entrar. Do outro lado, queixam-se que tem janelas abertas e portas escancaradas sem entrarem as pessoas certas. E que quando arriscam sair para as procurar, também não encontram. Quer-se bom, bonito (de preferência) e barato. Com experiência, mas não demasiada, para não ter vícios e poder socializar-se neste contexto que é nosso, tão nosso que o consideramos único, embora seja, com pequeníssimas diferenças, igual a todos os outros. O eldorado das oportunidades existe e ninguém sabe onde está. Desdobram-se em contactos e estabelecimento de relações que depois resultam em muito pouco, entrevistas que raramente são o que esperam (de ambos os lados da barricada) e expectativas goradas todos os dias. É válido para os millennials e os outros, millennials em tudo menos na idade e que, por isso mesmo, porque são velhos - ou simplesmente, mais velhos - também não se encaixam. São experientes. Têm vícios. São caros. Foram chefes. Estão há demasiado tempo fora do mercado de trabalho e tantas outras afirmações que já ouvimos por aí... Para estes, oferecer um estágio é tão ridículo quanto as frases feitas sobre os seus perfis, mas que as empresas teimam em usar. 

O INE diz que foram 134 mil pessoas as que emigraram em 2014. Outras tantas terão ficado por cá, tentando ser empreendedoras com ideias que querem colocar em prática. E que nem sempre conseguem. Há uma nova geração que se mistura com uma velha geração que se recusa a envelhecer. Têm em comum o facto de se movimentaram de forma fluída e rápida, de pensarem pela sua própria cabeça, de serem flexíveis e de conhecerem os detalhes da crise, porque a têm sentido mais perto do que se possa imaginar. Mesmo que não tenham nascido com um dispositivo digital como acessório, aprenderam a usá-lo e integraram-no como elemento indispensável das suas vidas. Porque o mundo mudou e estas pessoas conseguiram mudar com ele, sentem-se desenquadradas quando lhes apontam o dedo por causa do factor idade. Se, para alguns casos ou profissões, a idade poderá ser relevante (profissões de desgaste rápido, por exemplo), a idade significa maturidade e experiência, que deve ser combinada com a vivacidade da inexperiência e a loucura da imaturidade, criando novos métodos, reinventando os espaços e métodos de trabalho, adaptando mais as empresas ao que é, de facto, a sociedade contemporânea.

Talvez uma (ou a única) vantagem do factor crise seja o facto de se ter constituído como um catalizador para a criatividade, energia e perseverança, empurrando para canto a inércia e os preconceitos relativamente ao modo de vida. Se alguém ainda acredita num emprego para a vida, convém esclarecer que até ao nível das profissões, já poucas nos servem a vida toda. Passámos a ser mais exigentes do que a geração (gerações, talvez) anterior e alterámos os principais conceitos relativos ao emprego e estabilidade profissional. Não só não a conseguimos como não a desejamos. Parar é morrer e a estabilidade (excepção feita para a financeira) limita as ideias. Imobilidade significa estagnar. Não se coaduna com a velocidade a que vivemos nem como aquilo em que a maior parte de nós se transformou.

Não faltam exemplos de sucesso e outros tantos de rotundos falhanços. Pessoas de valor com detalhes de personalidade ou de história de vida, empurradas para uma espécie de reduto onde se encontram os inadaptados a quem a sociedade temporariamente paga para estarem quietos, calados e sossegados. Para, no entretanto, serem criticados por isso mesmo sem que uma oportunidade lhes seja apresentada. No entretanto, os melhores vão gradualmente saindo sem ideia de regresso. O que andamos aqui a fazer? Há duas semanas partiu mais uma. Hoje, outro foi de malas feitas sem data para regressar. Estes millennials (de idade e mentalidade) podem demorar a sair mas, quando se vão, provavelmente não voltam.