worklife

urbanista 2017: trabalho

work less, love more

© LUZ s.l.r.

© LUZ s.l.r.

Estava o ano a terminar quando li que, no Japão, uma miúda de 24 anos suicidou-se por excesso de trabalho. Das 24 horas que tem cada dia, havia dias em que trabalhava cerca de 20 horas. Queixava-se mas fizeram orelhas moucas. Já anteriormente também um jovem de 24 anos morreu por razões semelhantes. No Twitter, Matsuri foi dando conta do stress e da pressão de que sentia. Karoshi (morte por excesso de trabalho). O facto fez com que o CEO da agência de publicidade na qual trabalhava se demitisse. Vale a pena?

Porque é que as coisas têm de ser tão difíceis? - Perguntou Matsuri, a jovem que morreu.

Karoshi? Not for me.

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Em final de 2016 fiz a apologia das cinco horas/dia, mesmo sabendo ser quase impossível respeitar tão reduzido horário de trabalho. Ainda assim, com um smartphone e as aplicações certas há muito que pode ser feito sem estarmos presos a uma secretária. Consta que a palavra de ordem é flexibilidade e este novo paradigma significa que podemos trabalhar a horas e em locais diferentes daquilo que sempre conhecemos. Resta a capacidade que cada um possa ter para se concentrar durante breves momentos, entre contextos, tarefas e actividades. Como tantos textos do urbanista, que são escritos nos mais diversos locais, usando uma aplicação para publicação, outra para tratar as imagens e ainda as aplicações para os conteúdos no Instagram ou Facebook. A gravação de conversas que se transformam num podcast, a edição desse podcast ou a sua publicação online. Tudo isto enquanto o mundo acontece ao meu lado e sem estar fechada numa sala. Mas também corrijo trabalhos dos meus alunos, contabilizo participações e notas, preparo aulas. Tudo neste pequeno aparelho que hoje faz com que as tais 5 horas sejam apenas isso mesmo ou, ao contrário, se estendam dia fora sem disso nos apercebermos...

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Hoje, depois de perceber que no Japão aumentaram os suicídios por excesso de trabalho reitero o plano das cinco horas transformando o dia e o trabalho em algo que se quer produtivo, divertido e gratificante.

O tempo individual, em família e para as coisas prosaicas do dia-a-dia tem de existir.

Admitem-se excepções porque um dia não são dias.

Admitem-se alterações porque a vida é feita disso mesmo.

Admitem-se muitas coisas desde que, no fim do dia, a conta reverta a nosso favor.

Pela satisfação, gratificação, sentimento de conquista ou o simples sorriso de um filho que nos acha a super-mulher.

Que esta seja também uma resolução de ano novo... 

Se uma mulher incomoda muita gente...

Nos E.U.A a excitação relativa aos candidatos presidenciais turvou bastante a percepção real do contexto real e do que poderia acontecer. Que aconteceu. Muitas mulheres  ficaram decepcionadas com os resultados e outras tantas ainda mais decepcionadas quando perceberam que, afinal, mulheres votaram em Donald Trump. Quisemos acreditar nos finais felizes... 

A vitória de Hillary não teria sido uma vitória da candidata mas da igualdade de oportunidades e a representação da mudança social. Que afinal não muda, apesar da mudança evidente no percurso feminino, ao nível educacional e profissional, com consequências para o contexto social e político. Contudo, o mundo mudaria por termos uma mulher na presidência dos E.U.A.?

Não necessariamente. O simbolismo seria fundamental mas jamais determinaria o ainda longo caminho que há a percorrer ao nível das políticas públicas que garantem direitos iguais, remunerações equivalentes, acesso à educação e cuidados de saúde para todas as mulheres.

Um estudo recente da Independent Women's Forum revela que as mulheres valorizam aspectos que garantam um equilíbrio entre a vida profissional e a família, da mesma forma que esperam uma remuneração que corresponda à responsabilidade das suas funções.

Entre outros aspectos:

  • trabalho igual, salário igual
  • flexibilidade laboral (horários, por exemplo)
  • política da empresa relativamente à igualdade de género

Por outro lado, o estudo Women in the Workplace 2016 traça o perfil da mulher no mundo empresarial americano. Resultado de uma parceria entre a organização LeanIn.Org e a McKinsey & Company, procura fornecer informação para promover a liderança feminina e fomentar a igualdade de género no mercado de trabalho. Os resultados mais recentes demonstram que as mulheres têm menos oportunidades para ascender na carreira e são muitas vezes preteridas no processo de selecção para cargos de direcção, da mesma forma que também não são incluídas nas iniciativas que visam a promoção das suas carreiras. O que é o mesmo que dizer que nos lugares de topo das empresas há poucas mulheres. Portanto, mudou o mundo, há mais mulheres com graus académicos de nível superior, as mulheres passaram poder exercer profissões que antes lhes estavam vedadas mas chegar ao topo continua a ser difícil. Chama-se glass ceiling, aquele tecto invisível que ninguém quer ver mas que está lá. Been there... More than once...

Porque razão importa discutir e alertar para este tema? Porque, apesar da mudança, ainda anão há igualdade de género nas empresas, ao nível do emprego da remuneração, da liderança e cargos de direcção, entre outros aspectos, na articulação da vida profissional, pessoal e familiar. E se, por vezes me atrevo a pensar que o acesso à educação está garantido, são elas mais vezes as grandes prejudicadas, pelo que é um tema que deve continuar no topo das nossas preocupações.

Em Portugal há mais mulheres licenciadas do que homens mas a participação da mulheres nos órgãos de decisão continua inferior e a sua dedicação à família continua a ser superior, responsáveis por mais 232 minutos de trabalho doméstico em relação aos homens. Com isto, ainda tem de haver tempo para fazer tudo igual aos homens, mesmo com todas as estatísticas contra nós.

O relatório de 2016 da PwC (Mulheres em Portugal | Onde estamos e para onde queremos irrevela que 48% da população activa é do sexo feminino e que é nas empresas mais novas que há mais mulheres em cargos de direcção, verificando-se o inverso nas empresas mais antigas (com mais de 20 anos). Não somos um exemplo do nível do emprego a tempo parcial ou dos apoios à natalidade (e não faltam histórias de quem abdica da maternidade pela estabilidade ou possibilidade de progressão na carreira) e, no que respeita à igualdade salarial também não somos exemplo, com uma diferença de 15,7% entre a remuneração dos homens e das mulheres.

Se uma mulher na presidência de um país como os Estados Unidos iria mudar o panorama? Tenho algumas dúvidas. Mas seria, seguramente, um marco importante. Não sendo, é uma forma de nos fazer acreditar que ainda há muito para fazer e que cada vez mais as mulheres precisam unir-se nas suas diferenças para, juntas, alcançarem mais: liberdade, diversidade, igualdade e respeito.

UNPLUG

Lembram-se do OFFLINE de sábado passado?

Para além da necessidade de ficarmos desligados, do inglês offline, há outra ideia que defendo e que, hoje, parece absurda: chama-se desligar o telefone, do inglês, unplug.

O iPhone tem uma funcionalidade maravilhosa chamada "do not disturb/não incomodar" que serve exactamente para que não nos incomodem. Para nos deixarem em paz. Apenas recebemos telefonemas dos números que estão na nossa lista de favoritos - vocês têm essa lista definida, não têm? - Todas as outras chamadas são silenciadas, bem como as mensagens. Tudo continua a funcionar, mas apenas os favoritos nos conseguem, de facto, contactar. E se está nos favoritos é porque tem direito a interromper a qualquer momento...

Defendo o direito a não sermos incomodados. A termos o telefone ligado para emergências ou (os favoritos) sem corrermos o risco de telefonemas profissionais interromperem o nosso final de dia (ou o fim de semana).

"Mas podemos perder alguma oportunidade, assim!..."

"Como fazemos se for algo realmente importante?..."

"Há coisas que não têm hora!..."

"Com a minha profissão/responsabilidade não posso..."

São questões que já me colocaram quando comentei a minha decisão de utilizar o do not disturb. Programei-o para se auto-activar diariamente a partir de uma determinada hora e, agora, nem me lembro que tal acontece... 

@imore

@imore

Para todas as questões colocadas a minha resposta é sempre... é uma opção. Porque se for verdadeiramente importante quem está do outro lado insiste. Envia uma sms ou um e-mail. Tenta novamente, no dia seguinte. Quem nos quer contactar não desiste porque às oito da noite não lhe atendemos o telefone. Se for realmente importante está nos favoritos e se não está, é porque não é, DE FACTO, importante, apenas profissionalmente relevante. Se não nos contactaram durante o horário laboral, então poderá (terá de) esperar. As coisas têm hora e cabe-nos a nós tomar essa decisão. Impedir que o trabalho invada a nossa vida privada tomando conta de tudo como se não houvesse ontem ou amanhã. Da mesma forma que o trabalho tem valor, não o podemos desvalorizar com a excessiva disponibilidade que hoje nos exigem, como se o telefone fosse uma janela sempre aberta para a nossa mesa de trabalho. Não é, mesmo que o número seja profissional (e pago por uma empresa). Não posso, argumentam alguns, ao que respondo sempre com um incisivo "porquê?". Não entendo a razão pela qual, subitamente, nos deitamos e acordamos olhando para o telefone, verificando mensagens ou o e-mail, como se às sete da manhã, ainda enrolados nos lençóis, se resolvesse alguma coisa...

Um dia decidi que o telefone ficaria fora do quarto. Acabaram-se as piscadelas de olho ao Instagram ou ao e-mail que nos retiram horas de sono e a atenção do que é importante. Contudo, voltei a trazer o telefone para a cabeceira. Uso uma aplicação que me regula o sono, indicando-me a hora exacta a que devo acordar. Regrei-me e, apesar do telefone estar à cabeceira, está em modo avião para não perturbar. É um despertador.

Na ubiquidade e excessiva presença da tecnologia precisamos traçar limites. Criar definições concretas do que fazemos e como fazemos, não deixando que aquele dia excepcional volte a tornar-se a regra. A interferência com a esfera pessoal e familiar pode arruinar cada um desses contextos e prejudicar seriamente o profissional.

@imore

@imore

Já fui assim. Já mantive o telefone sempre ligado. Já antendi telefonemas "importantes" a desoras, já aguardei o retorno de uma chamada a meio do jantar. Porque, do outro lado, estava alguém cuja agenda não lhe permitia ter aquilo a que chamamos "horário". Porque excepcionalmente precisei da sua resposta para dar seguimento ao meu trabalho. São excepções. Não defendo fundamentalismos. Um dia percebi que era demais. Que o que fazia sentido não era isto e que temos de começar por algum lado. Continuo a aceitar uma ou outra excepção. No geral, o trabalho tem horas, as urgências são no hospital, o que é importante manter-se-á importante na manhã seguinte e sim, as coisas têm hora e todos podemos - temos o direito - à nossa individualidade, espaço e privacidade.

 Por isso defendo o direito a desligar. Acima de tudo, o direito a não atender o telefone a partir de uma determinada hora. Primeiro regrei a utilização dos sites de redes sociais, especialmente no que respeita à resposta às mensagens. Depois o e-mail e, finalmente, o telefone. Está nas nossas mãos aceitar que a tecnologia nos domine, ou aprender a dominá-la...

5 horas (II)

Há uma semana escrevi um artigo sobre este drama que é trabalharmos mais do que deveríamos (devemos) apelando a uma tendência que aponta para uma jornada de 5 horas. Experimentei e resulta. Contudo...

Não é verdade que cheguem cinco horas para um dia de trabalho, pela simples razão que não inclui, nessas cinco horas, todo o trabalho não remunerado que está associado ao trabalho remunerado e o outro, aquele que também nós, ignoramos, e que não é dedicado a momentos de lazer.

As compras no supermercado, a fruta na frutaria, o pão na padaria, os chinelos para a natação que é preciso trocar, o documento que é preciso ir entregar, o pagamento das propinas, o gasóleo para o carro andar, a preparação de refeições e o tempo na cozinha, a roupa lavada e por lavar... Os detalhes da vida que nos ocupam tempo e que, na maior parte dos casos, sobram para quem, na família, tem mais tempo. Quem tem profissões liberais. Quem trabalha em casa. Quem, não tendo uma profissão liberal, pode fazer a gestão do seu tempo. Quem optou pela regra das cinco horas...

Se, contudo, excluirmos estes pequenos detalhes selvagens que nos interrompem dois aspectos importantes: o trabalho e o descanso, as cinco horas podem chegar, desde que sejam geridas de forma eficiente. Há contudo, muita injustiça neste processo, porque há quem trabalhe 8 + 5 horas e nem assim o trabalho chega a estar concluído. Imagino quem trabalhe por objectivos, por conta própria ou que tenha a seu cargo a gestão de clientes. Que os visite e se desdobre entre reuniões. Não há tecnologia que garanta que o trabalho de follow up se faça sozinho, que as encomendas e sua efectiva gestão se processe sem intervenção humana. Que ocupe o seu tempo depois das reuniões ou do tempo passado com clientes tratando... "do resto"... Lembrei-me também de profissionais ligados ao ensino e ao exercício físico os quais, depois de um par de horas (normalmente 5 ou mais) a dar aulas, ainda precisam de tempo para a sua rotina de treino (dar uma aula não equivale a fazer uma aula) e preparação de aulas. Ou correcção de trabalhos, acompanhamento de alunos, esclarecimento de dúvidas... Nestes casos as 5 horas são uma mera ilusão...

Também dizem que "quem corre por gosto não cansa" e isso também não é verdade. Cansa. Mas não desmotiva, o que é diferente. Orgulho-me de poder trabalhar onde quiser, facto que se vira frequentemente contra mim. Porque estou em casa e poderia (acrescentem o que quiserem porque começa sempre com "ter feito qualquer coisa que nada tem a ver com o meu trabalho") ou porque tive o privilégio de usar o computador portátil e trabalhar numa esplanada virada para o rio (esquecem-se de que tive de acelerar o ritmo porque a deslocação também conta para o total das 5 horas), ou porque posso fazer o que quiser e trabalhar quando me apetecer. 

Não é assim. Não ter horários, obrigações ou definições específicas obriga a uma capacidade de organização, resiliência, concentração, responsabilidade e auto-realização que nenhum procrastinador tem. Nada contra. Também já fui lavar tachos para evitar uma ou outra tarefa e coloquei a pesquisa sobre a melhor forma de limpar janelas à frente de algumas actividades realmente importantes, para as concretizar no último momento, com o relógio em contagem decrescente. Quem nunca?...

É substancialmente mais fácil ter um horário e local de trabalho definido do que a liberdade de escolher trabalhar no gabinete da faculdade, no da RTP ou em casa. Também facilita saber exactamente que tarefas nos estão adjudicadas para aquele dia, do que ver crescer a lista de afazeres sem aparente solução. Depois do que escrevi na passada Segunda-feira arrisco-me a ser tomada por uma grande mentirosa. Que não sou.  Porque as cinco horas são, de facto, contra tudo e contra todos, e para a maior parte das profissões, possíveis. Para a semana explico-vos como...

@nolanissac

@nolanissac

5 horas

As pessoas mais produtivas têm hábitos que as revistas, sites de notícias e plataformas motivacionais repetem à exaustão. Uma delas é começar cedo, a outra é eliminar o dispensável. E todos sabemos que essa é a parte mais difícil. Ou serão as partes?...

Tenho para mim que a procrastinação acontece porque passamos demasiadas horas no local de trabalho. Sim. Demasiadas horas.

Reparem: quando deixam andar e vão adiando uma tarefa não se esforçam para a executar e concluir antes do prazo? Não é nesses momentos que desligam notificações, colocam o telefone sem som e se concentram no que é, de facto, relevante (i.e., terminar a tarefa)?

A maior parte das pessoas afirma que trabalha melhor sob pressão e que, por essa razão, arrasta, até ao limite do aceitável, a execução de muitas tarefas. Contudo, também sabemos que sob pressão a concentração pode atingir picos mas a capacidade de análise diminui, bem como a eficácia de revisão e reflexão. Simplesmente porque deixa de haver tempo para isso e nos concentramos na conclusão da mesma. Inspirada por alguns relatos de empresas que diminuíram o número de horas do dia de trabalho, aumentando a produtividade, rentabilidade e satisfação dos empregados, decidi iniciar uma experiência: 5 horas.

Vocês sabem que sou uma espécie de freelancer - embora empregada por conta de outrem - que, na maior parte dos dias define o seu horário. O meu trabalho depende de concretizações (não necessariamente objectivos) os quais, com excepção de momentos presenciais definidos, podem realizar-se aqui ou quem qualquer parte do mundo. Por isso, auto-motivação, organização e responsabilidade definem boa parte dos requisitos para estas funções. Boa parte das quais também não tem horário definido para a sua realização. Porque sou eu a definir o que faço, quando e como faço, decidi fazer uma experiência e aplicar a regra das cinco horas. Faço 4 horas + 1 hora. E não é que resulta?

Em duas horas consigo, por vezes, fazer o mesmo que faria em quatro horas com interrupções, passagens pelos sites de redes sociais e muita conversa desnecessária. Eliminando o que não contribui para a realização da tarefa, espantem-se, a tarefa conclui-se mais depressa. Para quem está num open space é difícil ignorar os colegas que nos abordam, que desafiam para mais um café ou qualquer outra distracção. Não é impossível. O truque dos auscultadores e a palavra "não" (porque agora não posso interromper ou porque não me apetece) funciona e deve ser usado.

Alguns vão perguntar "para quê se tenho de cumprir as 8 horas que estão definidas?!"

Para aumentar a nossa satisfação pessoal e profissional, para nos sentirmos mais realizados e, consequentemente, mais felizes. Porque nas horas que sobram (3 horas) podemos fazer as compras lá para casa, pagar as contas, comprar roupa ou simplesmente ver as montras. Podemos estudar, passear qual voyeurs, ouvir música ou, porque não, criar um blog! 

5 horas. Para vivermos melhor!

Aprender a QUERER. Para PODER.

Querer é poder, sempre ouvi dizer. Na verdade, sabemos que entre querer e realmente poder há um número infindável de verbos que nem sempre se conjugam no futuro. O presente é duro, cruel, interpõe-se entre o que queremos e o que podemos. Derrota-nos. Derrotamo-nos?

Sim. Derrotamo-nos. Porque a capacidade para sonhar e concretizar depende apenas de nós. Com portas abertas ou fechadas, nãos à mistura, o sim que tanto desejamos, que teima em demorar.

Elas inspiram-me. Fazem-me acreditar. Porque é preciso acreditar para conseguir. Pensarmos que sim, que somos capazes, que todos os impedimentos em que acreditamos são, na realidade, estratégias inconscientes que nos impedem de ver largo e longe. Ao contrário de uma certa cultura individualista e competitiva, as #chicaspoderosas são pela partilha de conhecimento e competências, pela ajuda mútua, pelo estabelecimento de relações que vão fazer com que todas (todos porque é completamente inclusivo, ainda que pensado por mulheres e para mulheres) possam crescer. 

O tempo não é de ficar confortavelmente sentado no sofá (alguma vez foi?!). É de arriscar, abraçar o mundo porque este está, finalmente, aos nossos pés, mesmo que o queiramos ignorar.

Não ignorem. Apaixonem-se e vão atrás do que querem. Antes dos outros estamos nós. Antes de nós, nada. Aceitarmos o que somos para que os outros nos aceitem. Como?

(proibido começar a dizer baixinho "ah, sim, pois isso é muito bonito e tal...")

#1: saber o que queremos

Parece fácil mas não é. Implica aprender a dizer não mesmo antes de começarmos a ouvir não. Se soubermos o que não nos realiza, o que não nos motiva, o que não nos faz feliz, então sabemos - mesmo que pensemos o contrário - o que queremos. Muitas vezes o processo é complexo, demorado, difícil e, por isso, será objecto de um artigo exclusivo sobre o tema.

#2: ir atrás (do que queremos)

O primeiro passo é o mais difícil. Para conseguirmos dar esse passo, depois de sabermos o que queremos concretizar temos de verbalizar. Contar a alguém a nossa ideia, projecto ou objectivo. Explicar a quem nos pode ajudar, ou simplesmente, motivar, o nosso plano. Sem medo da cópia,  das imitações, sem o pânico de que nos roubem a ideia. Porque todas as ideias podem ser copiadas. O que não quer dizer que sejam iguais.

#3: não desistir

Estar sempre focado no objectivo final. Pode ser um novo emprego, uma mudança de rumo profissional maior do que a mudança de emprego, realizar algo ou, no foro pessoal, dar início a qualquer processo. Ou coisa. Não sei se será válido para encontrar um novo amor. Mas... tudo é possível. Vale chorar, gritar e arrancar cabelos quando a frustração nos invade. Por isso é tão importante ter um pacer (running buddy) que nos ajuda a não desmotivar. Ou nos passa os lenços de papel e diz que devemos evitar a comparação com os outros, ignorando igualmente o suposto sucesso que encontramos no Facebook. Tudo começa do nada, e nada depende apenas de nós, pelo que estabelecer e manter uma rede de relações pode ser a solução para muitos dos nossos aparentes problemas. Ajudar para ser ajudado. E garanto que o que damos, recebemos em dobro. Não é karma. É mesmo assim. Isso, e comemorar todas as pequenas vitórias. Por mais insignificantes que possam parecer, ajudam a concretizar aquela grande vitória que pretendemos alcançar. Keep going!

Há muito que deixei de acreditar...

... o que não quer dizer que deixemos de o fazer!. Spoiler allert: não enviem currículos...

Se é certo que há muito que enviar Cv's deixou de ser a forma certa para encontrar um emprego, também é verdade que tal não significa que deixemos de o utilizar, ou que estejamos autorizados a ter um mau Cv (podem ler aqui sobre o Cv). Na verdade, a ideia de Carolyn Magnani relembra o método mais antigo que existe para procurar emprego: a recomendação. Por essa razão, o tempo passado a mais no Facebook pode ser canalizado para o Linkedin, mantendo o perfil actualizado, interagindo e publicando, mostrando as nossas características e competências profissionais. O outro, que passamos a responder a anúncios enviando o Cv pode ser aproveitado em sites de redes sociais, como o Linkedin, procurando contactar as pessoas que trabalham nas empresas do nosso interesse, com um perfil semelhante ao nosso. Como também refere Carolyn, não esperem que o CEO vos responda, mas é provável que um dos membros da equipa o faça. 

Photo: @benchaccounting 

Photo: @benchaccounting 

A maioria das pessoas dedica 80% do seu tempo a procurar ofertas de trabalho e a enviar o seu currículo e os restantes 20% a fazer contactos”, disse ao El País. “O que funciona é exatamente o contrário.
— Carolyn Magnani, consultora de carreiras profissionais (Université de Lausanne) à VISÃO

Por esta razão, mas principalmente porque os tempos mudaram, as empresas e o recrutamento também e, acima de tudo, porque a forma como nos apresentamos ao mundo continua a influenciar a percepção que os outros têm de nós, devemos pensar a nossa presença na rede da mesma forma como se pensa uma marca. Dar a conhecer quem somos - sem considerar as fotos das férias ou da última festa em que estivemos - a nossa presença nos sites de redes sociais deve demonstrar os nossos valores e qualidades, mostrando aos outros quem somos, o que fazemos, o que nos diferencia e o que podem esperar de nós.

Os empregadores cada vez mais recorrem ao Facebook e ao Linkedin para contratar e, antes de o fazerem, observam. Por isso não nos esqueçamos de que, uma vez na rede, para sempre na rede...

Por outro lado, não basta estar. É preciso saber estar. Definir os nossos objectivos em função da nossas características e do que pretendemos para a nossa abordagem, que pode ser simplesmente pessoal, ou mais elaborada por se tratar de um perfil profissional. Sendo pessoal, pois que o seja, usando as definições de privacidade exactamente para o que servem: garantir (alguma) privacidade. Em qualquer caso, tem de existir coerência entre a nossa idade, individualidade e objectivos. No Linkedin, o perfil funciona como um cartão de visita e um sumário do nosso Cv ao qual qualquer empregador pode aceder ou qualquer contacto pode partilhar... Ter atenção ao pormenor pode fazer a diferença entre ser escolhido ou ficar na lista dos prováveis (que acabam sempre por ficar pelo caminho). A fotografia é importante, o URL personalizado, os contactos actualizados, sendo também selectivo na rede de contactos e preencher todos os campos (ou os campos possíveis, porque não adianta mentir). Da mesma forma que muitos de nós procuram brilhar no Instagram ou no Facebook, também é verdade que nos esquecemos, a maior parte do tempo, da importância que o Linkedin pode ter na nossa vida profissional...

Story of the week: amizade, acima de tudo

As histórias mais bonitas começam quase sempre cm "era uma vez"... As amizades e o amor não começam assim mas acabam por se explicar desta forma. Por isso, a propósito de ostras descobrimos que a amizade já lá estava sem, realmente a termos reconhecido. Amizade em potência, potenciada pelas ostras e o sabor do Tabasco...

Para ler, aqui 

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Os sonhos não servem só para sonhar

Muitas vezes deixamos-nos aprisionar por um sonho, sonhando-o vezes sem conta, a maior parte do tempo de olhos abertos, naquele estado semi-acordado. A palavra numbness resulta melhor para descrever sonhos que não se concretizam, mas não é desses que quero falar. 

Porque, muitas vezes, só precisamos de perceber que há uma pessoa - aquela pessoa em quem confiamos - que nos diz para ir, que nos dá a mão porque o caminho está à nossa espera.

Tenho a felicidade de ter várias pessoas assim na minha vida. Como santos da casa não fazem milagres, nem sempre é aquela com quem nos deitamos e acordamos, a que está ao nosso lado para tudo, que nos inspira mais confiança. Por vezes é preciso aparecer a pessoa que nos faz acreditar que os sonhos não servem apenas para serem sonhados e que merecem ser realizados.

Todos temos um sonho. Muitos realizam-no e vivem felizes para sempre; outros vivem a vida com um sonho em potência; outros abdicam dos seus sonhos. A maior parte de nós esquece-se do sonho que tinha, abraçando outros, os quais, não sendo sonhos, se transformam em (na) realidade. Dizem que para nos encontrarmos basta voltarmos lá atrás, ao tempo em que sonhávamos esperando que os senhos se tornassem realidade, para recuperar tudo o que nos faz(ia) felizes. É verdade. Eu tinha muitos sonhos, um dos quais prevalece. Também consegui recordar o que me fazia feliz, bem como as brincadeiras das quais mais gostava. É tão simples, não sei porque vamos abandonando tudo isto para nos concentrarmos no que é pouco importante, transformando-nos em algo que não somos verdadeiramente. Não gosto de sombras ou aproximações, de copos meio cheios, nem do vamos andando. Gosto de definições, mesmo quando estas são sonhos. Porque os sonhos existem para serem sonhados e realizados, não os deixemos ficar num limbo. Usemos a nossa força e conhecimento para os realizar.

Não deixemos os nossos créditos em mãos alheias. Já sonharam hoje?

Podemos mudar?

Um pacote de batatas fritas. O prazer e a culpa dissimulados no volume de trabalho que se acumulou. As mensagens no correio em catadupa e a folha branca de um novo documento por preencher. Os colegas que passam e perguntam se estamos melhores. Foram dois dias, mas pareceu uma semana, afirmou em surdina uma delas. O mundo visto da janela do quarto, o corpo enrolado nas almofadas do sofá da sala. Uma pequena maleita é tanto o pior quanto o melhor que nos pode acontecer, obrigando à interrupção quando menos esperamos. Podemos mudar?

Olham para mim. Para o pacote de batatas fritas. Pergunto “queres?”, convencida de que deveria partilhar. “Só comes porcarias, não admira que…” Esperei que acabasse a frase, mas foi subitamente interrompida por outra pessoa que me trazia um relatório. Quando olhei já estava sentada numa secretária asséptica e arrumada, organizando a sua prateleira de sumos detox e snacks intragáveis, abaixo das 150 calorias. Vou dizer-lhe que as batatas são biológicas. Podemos mudar?

Procurei concentrar-me. Olhei à volta e tive a sensação de que seriam todos mais produtivos, eficientes, eficazes, bonitos e magros do que eu. Esperei que fosse apenas a síndrome do patinho feio a atacar-me no regresso após dois dias na cama, sentindo-me ainda a recuperar das olheiras e do nariz vermelho com a pele a escamar. Podemos mudar?

O telefone tocou. Do outro lado, uma convocatória de última hora para uma reunião na direcção geral, no edifício do outro lado do jardim. Hoje? Pensei. Agora? Perguntei. Abri a última gaveta da secretária. Tinha os sapatos pretos. Os acessórios. Não. Eu não merecia. Tinha optado por me apresentar ao estilo “estou-a-recuperar-de-uma-valente-constipação” e usava skinny jeans com uma t-shirt oversized, aquelas que parecem ter sido inventadas para dias assim. Saí. Não há nada que uns sapatos de salto pretos e um colar não resolvam. Atravessar o jardim entre os edifícios é retemperador. Subi à direcção. Faltavam dois colegas. Um estava no elevador. A outra, vi-a a sair do WC. Saco da Zara numa mão, novo conjunto, sapatos e mala a condizer. Podemos mudar?

Na reunião, business as usual. Na passada semana, fizemos uma sessão de brainstorming para tomarmos decisões em relação a uma das marcas que gerimos e que, por circunstâncias várias, estagnou. Fiquei responsável por efectuar o levantamento das causas e numa acção proactiva, delineei ideias para uma estratégia. Voltei hoje e não deveria espantar-me por uma ideia minha estar a ser apresentada por outra pessoa, como se fosse sua. Podemos mudar? 

Pactuamos todos com este estado das coisas, do chefe que se apropria de ideias, do colega que faz assédio moral sem consequências. Convivemos com pessoas que insistem em deitar-nos abaixo porque esse bullying aparentemente inconsequente lhes dá um especial prazer. Não sabemos como escapar ao director que nos olha para o decote como se o puxasse para baixo com os olhos, enquanto se insinua. Talvez não saiba que há muito de especial no assédio sexual e que muitas vezes o escondemos não por vergonha, mas por inabilidade para lidar com as consequências de um grito alto ou um pontapé no sítio e momento certo. Depois, exigem-nos um pequeno esforço para sermos "bonitas" ou um "sorriso" que nos tornaria mais simpáticas. O paradoxo em cada instante, sermos atraentes e, portanto, disponíveis para podermos receber os tais “elogios", os quais, na maior parte do tempo, são quase perseguições. Subentende-se que, por não sermos desagradáveis, estamos a retribuir. Não estamos. Não queremos é passar parte do tempo a mandar-vos àquele sítio. Porque isso é deselegante. E cansa. 

Infelizmente, anossa vida não é um filme onde tudo acaba bem e os maus são punidos. 

Admiro as pessoas que se reinventam por força do desemprego ou porque simplesmente lhes apeteceu. Desde muito cedo que somos orientados para nos adequarmos. Na escola pedem-nos para falar baixo. Pedir licença e esperar a nossa vez. Também nos pedem para fazermos como os outros, para corresponder ao padrão. Mia Couto diz que "uns nasceram simplesmente para serem outros". Acredito que nos tornamos uma sociedade demasiado igual sem respeito pelo direito à diferença, mesmo aquela que se enquadra no padrão da normalidade. Mas que arrisca uma mecha de cabelo fora do sítio. Valorizam-se cargos enquanto se desvalorizam funções. 

Bem-vindos ao formato.

Bastam uns lábios vermelhos e uns All-Star nos pés para escapar a esse formato. Um batom vermelho pode ser um boost ao nosso dia-a-dia, mesmo quando não usamos maquilhagem. Aquele little black dress que adiciona cor e faz o mundo sorrir. Vivemos numa sociedade cheia de dogmas e preconceitos, alguns dos quais relacionados com a nossa aparência, sobretudo com o que é adequado para "a idade”. A aceitação social pode ser importante e valida-nos enquanto pessoas. Todos procuramos essa aceitação mas nunca se é demasiado magra. Subjugamo-nos às regras da indústria da moda, que criticamos enquanto encolhemos a barriga para fechar as calças. A Barbie nunca foi perfeita. Nunca foi, simplesmente, uma boneca. É apenas uma metáfora para as questões do corpo e do envelhecimento da mulher, do seu papel na sociedade e, principalmente, nas empresas.  

Ficámos reféns da nossa história de submissão e super poderes, admitindo um escrutínio constante do que somos e das nossas decisões. Não somos iguais mas teremos de o ser na tomada de decisão. Nunca seremos (demasiado) perfeitas. Não faltam mães que se desdobram entre a culpa de estar e a de não estar. Com excepção das mães que não entendem o significado dessa palavra e das que hiperbolizam o conceito, todas as outras estão a fazer o melhor que podem. O problema é uma sociedade patriarcal que aceitou a nossa emancipação e valoriza a igualdade desde que isso não se aplique ao dia-a-dia. O problema, portanto, é que a sociedade vai dizendo que sim para ficar bem na fotografia, obrigando-nos a lutar diariamente, nas coisas mais pequenas, por essa paridade. Temos agendas demasiado preenchidas com impacto excessivo nos nossos níveis de energia e resistência intelectual. Sentimo-nos culpadas e culpadas com o peso dessa mesma culpa. Não reflectimos sobre o impacto que esta pressa tem na nossa saúde e bem-estar. Trabalhamos para cumprir objectivos que outros nos impõem e com os quais não nos identificamos. O resultado é desmotivação e stress que acumulamos enquanto nos alimentamos mal. Porque estamos cansados evitamos fazer exercício. O vício instala-se. O corpo cede. Um círculo vicioso do qual dificilmente conseguimos sair e que se resume àquelas coisas que não podemos mudar e com as quais não sabemos viver. Podemos mudar?

Acima de tudo, radio is beautiful. Sabem a que me refiro?

We all know it. Mas insistimos...

... no ERRO.

Porquê?

Porque é mais fácil. Porque temos medo. Porque, muitas vezes, sabemos e agimos contrariamente. Porque nos cansa ter de provar, em cada candidatura, que somos o melhor candidato.

Enviar o mesmo Cv e uma carta de apresentação-tipo não resulta e todos sabemos. Porque o fazemos? Muitas vezes, disparamos em todas as direcções esperando acertar no alvo. Qualquer alvo. Procurar um emprego ou um estágio é, muitas vezes, desesperante porque abrem-se portas, criam-se expectativas e, depois, nada acontece. Nem uma simples mensagem informando que não fomos seleccionados. Pergunto-me muitas vezes se aquela pessoa que está a recrutar terá passado por isso...

Esta manhã cruzei-me com uma infografia que destaca os principais erros no Cv.

Nunca é demais lembrar:

1. Um endereço de correio electrónico esquisito e pouco profissional (muito comum entre os mais jovens)

Aqui está um exemplo que não me canso de repetir aos caloiros... coolcat1992@hotmail.com não é dos piores mas... belieber23@hotmail.com, superavenger45@gmail.com, moranguinha_rita1997@hotmail.com ou missshinoda85@hotmail.com são de evitar. Porquê? Podem dizer alguma coisa sobre quem são, como se percepcionam ou o que gostam mas não são profissionais. 

Já se imaginaram a receber uma mensagem de alguém que se apresenta como:

frambuexahlouka@hotmail.com 

munina_chicken@hotmail.com

kanuca08@hotmail.com

Não, pois não?

2. Clichés. Todos temos os nossos mas teremos mesmo de os colocar no Cv?

Alguém irá admitir que não tem espírito de equipa? Não. Por isso, evitemos o óbvio e apresentemos concretizações. Mostremos que temos, de facto, espírito de equipa porque conseguimos atingir algum objectivo com uma equipa. E, para os rookies, até pode ser a organização de um workshop na faculdade...

3. Competências

Há muitos anos escrevi algo no Cv que hoje me faz rir e que tem o seu equivalente actual. Inclui uma frase que indicava que sabia utilizar e pesquisar na web, e que conhecia diferentes serviços de e-mail. Giro, não é? Pois bem, na altura fazia sentido porque a Internet era um admirável mundo novo. Fará sentido incluir que estamos habituados a utilizar sites de redes sociais? Não. Pressupõe-se que sim. Limitemo-nos ao relevante, portanto.

4. Fotografias

No Cv são de evitar e a do Linkedin deve ser o mais profissional possível. Admite-se alguma descontracção no Facebook ou Instagram mas não abusemos. Corpos semi-nús, copos na mão, com os namorados, o rosto escondido... Caso para dizer, "menos, por favor".

5. Dimensão

Vergonhosamente, não consigo cumprir o critério das duas páginas para resumir a minha vida profissional mas consigo, numa página, explicar quem sou e o que já fiz. Difícil? Não. Difícil é escrever uma carta de amor.

6. Buracos no tempo

Os períodos sem trabalho não significam que tenhamos ficado no sofá. Se foi o caso, bad choice, porque voluntariado, viagens e outros exemplos de desenvolvimento pessoal podem ser elementos que valorizam um Cv.

7. Erros, gralhas e mau aspecto

Rever mil vezes o Cv. 

8. Grafismo

Chama-se keep it simple e é a melhor solução. Não adianta inventar muito ou escolher um tipo de letra genialmente criativo e impossível de ler. O objectivo é que o Cv seja claro e que convide à leitura. A não ser que sejam designers ou queiram trabalhar na área. Mesmo nestes casos, o Cv deve ter uma componente simples, de fácil leitura e, outra, mais criativa.

9. Organizar. Organizar. Organizar!

Organizar o Cv para facilitar a leitura e dividir áreas. Um Cv não é um romance, pode muito bem ser uma espécie de listagem sobre o vosso percurso.

Não consta da lista mas acrescento eu:

10. A verdade

Não adianta mentir. A verdade tem perna curta e facilmente se descobrem incongruências ou pequenos exageros no nosso Cv...

BOA SORTE!

Produtividade e cenas das quais os patrões gostam. So not cool...

Nem a propósito. E, confesso, é por estas pequenas coisas que acredito sinceramente que o urbanista é um projecto que vale a pena o meu tempo, que vale o vosso tempo e que, a seu tempo, será maior do que posso, agora, imaginar. Esta manhã, sentada num amazing coffee shop (para quem não lê inglês, é só um local espectacular onde servem principalmente café e derivados) no centro de Londres, entre relatórios e outras tarefas não menos boring (chatas é apelido e boring não soa tão mal) bebia mais um cappuccino, igual ao que publiquei ontem no instagram. Como eu, outras pessoas usavam o seu portátil para, suponho, trabalharem. Nenhuma perdia tempo a olhar em volta e pareciam verdadeiramente concentradas, simultaneamente embaladas pelos sons das outras pessoas, o ruído da água na máquina de café, a máquina espremedora de laranjas, o tlim do que saía da cozinha, da porta que abria e fechava, das conversas e da música em fundo, quase em surdina.

E porque é que acredito? Porque esta manhã escrevi sobre quem trabalha em coffee shops  e que, consta, são mais produtivos, concluindo sobre a forma muito pouco flexível que a maior parte das empresas encara o trabalho e os seus colaboradores (ler). Agora, que revejo o que aconteceu por aqui e por aí, cruzo-me com a entrevista do Observador ao fundador da Trivago, que disse que, ligar a produtividade ao tempo de trabalho é "um completo absurdo". Pois é.

Eu sei isso e muitos de nós também. A pergunta é: e eles, também sabem?

Provavelmente sim, mas continuam a pensar que não porque precisam de medidas objectivas para pagar salários. Não serão os objectivos cumpridos medida suficiente? Na economia criativa e digital em que nos encontramos a maior parte das tarefas perde em rotina para ganhar em criatividade. Não podemos ser criativos se estivermos alheados do mundo, fechados numa sala ou dependentes de um horário. Podemos? Não creio.

Há uns tempos li um artigo que provava isso mesmo: não só há cada vez mais pessoas a fazerem coisas diferentes na sua vida profissional como o fazem em coffee shops. Em Maio, o Tristan e o seu amigo Andrew, que trabalham habitualmente na mesma coffee shop, decidiram perguntar aos que estavam por ali, o que raio faziam. E as respostas são surpreendentes! (ler)

O mundo que Charlie Chaplin tão bem caracterizou acabou há algumas décadas para a maior parte das pessoas. Muitas organizações esforçaram-se por reter os seus maiores trunfos esquecendo-se que, quando tentamos prender alguém, maior a vontade essa pessoa em fugir. A liderança (boa) dá liberdade e respeita os colaboradores, ensinando-os a respeitar, defender e promover a organização, resultando numa relação de cooperação em que todos trabalham para o mesmo fim, independentemente da localização em que se encontram. A presença e partilha entre os diferentes profissionais da mesma organização é fundamental. Não tenho dúvidas. Contudo, também estou certa de que são cada vez mais as pessoas que se cansam desta rotina definida, que quer fazer de nós máquinas de produção, arriscando e arriscando-se, optando pela iniciativa individual que se desenvolve em espaços de coworking ou, como eu fiz hoje, em coffee shops...

 

 

Se o problema fossem os saltos... From heels to flats in style....

(...) If fictional women like Murphy Brown did not need high heels to reach through the glass ceiling, and real women didn't catwalk into the workplace wiggling in her stilettos, where did they come from, and why have they become married to the way we think of feminine power?

- Huffington Post

 

O problema não são os saltos altos ou bolhas nos calcanhares. O problema é sempre o mesmo, aplicando-se aos sapatos, aos vestidos e às calças justas, à despensa vazia, a quem cozinha o jantar ou outros predicados tipicamente femininos que apenas alguns homens conseguem assimilar. E adoptar. O problema também não são as compras ou quem as carrega mas aquela preocupação pequenina, que fica lá ao fundo, no nosso interior, a repetir-se, para que não nos esqueçamos de pormenores domésticos em função das outras preocupações que nos enchem o dia. Até podem ser eles a ir comprar mas somos (quase) sempre nos a verificar se ainda há leite no frigorífico. E o leite não é o problema. O problema é maior.

O problema é uma sociedade patriarcal que aceitou a nossa emancipação e valoriza a igualdade desde que isso não se aplique ao dia a dia. O problema, portanto, é que a sociedade vai dizendo que sim para ficar bem na fotografia, obrigando-nos a lutar diariamente, nas coisas mais pequenas, por essa paridade. Umas meias caídas no chão são um pormenor? São. Mas provam que ainda há quem pense que as podemos apanhar por si. Não custa nada. De facto, não custa. É simbólico.

Eu não abdico. 

 

O problema não são os saltos. Muito embora tenham sido os saltos a fazê-la saltar dali para fora.

O que fariam no seu lugar?

Aceitariam?

Muitas vezes aceitamos por falta de opção. Por medo e necessidade do pão em cima da mesa. E se, um dia, deixássemos todos de aceitar? Sim, todos. Porque se para nós o problema são os saltos, para eles outros problemas existirão. Porque um homem pode ser pai, mas e se dividir a licença de maternidade com a mãe? Ainda são os mariquinhas que ficam em casa. Um pai dificilmente pode argumentar em relação aos horários para ir buscar os filhos à escola. Afinal, numa sociedade machista (como ainda somos, e este artigo prova-o), o pai garante o sustento de uma família matriarcal, na qual a mãe cuida dos filhos... Entre as suas múltiplas tarefas diárias, porque já são mais as mães que se multiplicam do que as que optam pela maternidade a tempo inteiro. Correcção: são menos as mães que podem optar pela maternidade a tempo inteiro. 

E se, um dia, disséssemos todos NÃO ao preconceito?

Se respondêssemos NÃO aceito e lutássemos mais pelos nossos direitos sociais e laborais? Não seria tão bom?... 

When London-based Nicola Thorp was sent home from her temp job at financial company PwC for not wearing high heels, she started a petition online to bring attention to the ludicrous expectation that women be physically uncomfortable throughout the length of the workday.

- Huffington Post

I'm pro-sneakers, pro-flats, pro-ballerinas. Most of all, I'm pro-freedom to feel, do and wear what we want, according to the context we're in and good sense. Dress codes are a simple way to organize social and professional situations. I'm not against dress codes, but I'm against unreasoning demands. Like wearing heels at PwC. Like wearing heels anywhere, because I can't remember any professional situation that can't be handled in flats. Why the heels? They make us look taller, with more slender legs. It's about elegance. But it's also about seduction. Our bodies are forced to tilt, emphasising bottoms, waist and boobs. We look more elegant, confident and maybe more authoritative. Besides that, just knee stress, lower back pain, agonising feet.

Dear Nicola, you did good. Very good!

 

 

 

 

 

Red lips. Cool chucks.

Passamos a  vida a correr, entre compromissos com os quais não nos quisemos, à partida, comprometer para ganharmos exactamente o quê?

Muito, pouco ou nada?...

Na maior parte das vezes, pouco. Muitas outras, nada.

Temos agendas demasiado preenchidas com impacto excessivo nos nossos níveis de energia e resistência intelectual. Passamos parte do tempo (livre) cansados e a murmurar que precisamos de férias. É tempo de parar. E pensar. 

Não reflectimos sobre o impacto que esta pressa tem na nossa saúde e no bem estar. Na maior parte dos casos, esta dedicação não tem propriamente razão de ser. Trabalhamos para cumprir objectivos que outros nos impõem e com os quais não nos identificamos. O resultado é desmotivação e stress que acumulamos enquanto nos alimentamos mal - porque não temos tempo ou paciência. Porque estamos cansados evitamos fazer exercício. O vício instala-se. Um círculo vicioso. 

Há dias terminei o livro “The life-changing magic of not giving a f*ck". Aprendi com a Sarah Knight que a vida é feita de prioridades. E que as temos, na maior parte dos dias, totalmente trocadas. A Sarah diz que devemos escolher "joy over annoy" que é o mesmo que dizer que devemos escolher o que nos dá prazer. Quando não temos opção, há que aprender a dar menos importância aos tais f*cks que temos de aceitar.

Pois tenhamos mais alegria e prazer na vida. Usemos baton vermelho e All-Star. Fica a ideia.

A semana começou com muito para dizer e poucas ideias para escrever. Porque aquilo que me apetece dizer não posso contar e, o que posso contar, não devo ainda dizer. Faz sentido? Faz. Daí os All-Star e o vermelho. Porque o vermelho é a cor da paixão, do fogo, da emoção, dinamismo e poder. Leitores deste artigo mantenham-se aí. Não vou continuar a falar de maquilhagem. Nem de sapatos. Hoje escrevo sobre aquilo que nos preocupa a todos, ou seja, a força interior, motivação e todas as palavras que cabem na versão original: empowerment.

As segundas-feiras são o dia mais difícil da semana, especialmente para aqueles que sofrem da depressão de Domingo à noite e passam os dias a sonhar com o fim de semana. Especialmente numa semana que antecipa o Verão e na qual apetece mais deitar na areia quente da praia do que sentar em frente ao computador para trabalhar. 

A lista de afazeres parece ser interminável. Confesso que tenho quase sempre duas listas: a das obrigações e a outra, aquela que me faz sorrir. É a essa que me dedico enquanto escrevo. Os Buraka Som Sistema gritam alto nas colunas do computador porque são das bandas com mais energia que conheço, que me fazem abanar na cadeira enquanto me aumentam a concentração. A semana começou em bom: a aplicação Urbanista está pronta e disponível na App Store. Calma. Está na sua versão 0.0 e, assim que estiver exactamente como eu quero, irei pedir-vos para a instalarem. O logótipo do Urbanista também está quase, e parece que vai ser GIRO. Está no segredo dos Deuses e não posso esperar para ver o resultado final. Paralelamente, um novo projecto do Urbanista está a ganhar corpo e esta semana sai mais um podcast 20's.

Não preciso de mais nada para me motivar. Preciso? Talvez uns lábios vermelhos e uns All-Star nos pés. Baton vermelho? Uma forma muito simples de fazer um boost ao nosso dia-a-dia, mesmo quando não usamos maquilhagem. Uma afirmação da nossa feminilidade. 

São uma espécie de little black dress e, com um vestido preto, eu nunca me comprometo (lembram-se da Ivone Silva?). Por isso, se não há tempo para mais nada, experimentem sair com lábios vermelhos. Adicionamos cor e o mundo sorri. 

Nos pés, esses pobres que sofrem todos os dias com sapatos cheios de estilo que nos impedem de ser verdadeiramente felizes, uns All-Star. Ou outros. Entrámos na estação dos pés à mostra e nada melhor do que uns simples All-Star para enfrentar o mundo. A liberdade numa tendência de moda impossível de ignorar.

Eu sei que já perceberam que batons e All-Star são apenas metáforas para a liberdade que nos falta. Temos de trabalhar. A não ser que vos tenha saído o Euromilhões, esta é a dura realidade. Por isso, nada de depressão durante 5 dias. organizem-se e enfrentem a realidade.

Been there, done that...

Não sei o que raio nos ensinaram porque, desde pequenos que nos incutem ideias sobre o que deve ser o nosso futuro. Estudar para sermos alguém, ter um emprego seguro, comprar uma casa e um carro. Ter filhos. Eventualmente um cão. Vivermos felizes e contentes numa casa que dificilmente será nossa e acenar com a cabeça para dizer sim quando queremos gritar não.

Pois que seja. Com a motivação que cada um conseguir encontrar e definir, acreditando que somos capazes de ultrapassar todos os obstáculos que a vida teima em colocar-nos à frente. Para nos testar. Para se certificar de que conseguimos, de facto, atingir os esses objectivos. 

Por isso, para esta semana, libertem-se. Foquem-se em quem são e no que querem. Dêem o vosso melhor. Aprendam a gostar do trabalho que têm ou arranjem outro. E, quando tudo pode correr mal: red lips and chucks. Funciona quase sempre. Isso e bolo de chocolate. Sem dúvida vão garantir alguma satisfação. E hoje, ainda é Segunda-feira...

Truth is: I'm - we are - always tired, running out of time, rushing. 

Most of us have a non-stop schedule impacting on our energy levels and resistance. Fatigue is part of our daily conversations while we murmur "I need a vacation"...

We don't care but the stress of a hectic schedule does impact on our health and well-being. In addition, most of us are working our asses off for no good reason. Overworking for somebody else's sake will not bring us joy, yet it will bring us stress at work, while we load ourselves up on junk food and we also skip the gym. 

I finished reading Sarah Knight's “The life-changing magic of not giving a f*ck" and I've learned that life is all about prioritising. We should choose "joy over annoy.” When we can't make that choice, we have to learn to give less importance to the f*cks given. 

Rejoice. Wear red lips or cool chucks. That's my motto.

How to update a blog when you have nothing to say? Or rather, what you want to say can't be disclosed yet? Then, you write about red lips. And chucks. This is not a post about make-up. So, guys, keep on reading. Today's post is about empowerment, happiness and Monday's motivation (if there's any, of course). Sunny Lisbon is brighter than ever these last few days and all you feel is that excruciating need to lay down in the sun and do absolutely nothing.  But then, you wake up to reality and that endless to-do list... 

Currently I have two different to-do lists: the mandatory and the glee list. The mandatory has always something unfinished whereas the glee one is an absolute unfinished business that pleasures me everyday. 

Check it out: the week started with a major kick off. Urbanista APP is ready and available on the App Store - slow down, it is still 0.0 version! I'll let you know when the final version is ready for download... Urbanista's new logo is in the making and seems that it will come out very nice. Can't wait to see... A new Urbanista project is work-in-progress and this week we'll share another 20's podcast.

What more motivation do I need to start the week in a good mood? Red lips. And my chucks. 

Red lips are a mood charger and a simple way to change our everyday make-up. Regardless of wearing no make-up at all, red lips are the easy way to make yourself bold.

Red lips are like the little black dress of beauty and when we feel glamorous and feminine, the world can be on our feet. So pamper yourself for a few minutes tomorrow. Add some colour to your face and face the world. It feels amazing!

Besides the lips, add a touch of colour to your day and try sneakers. This is definitely the chucks season and I can tell how relaxed I feel with my red chucks and a blazer. It's the ultimate freedom that fashion trends have enabled us with. 

Of course that I am using the lips and the chucks metaphor for a lighter and brighter life. We have to work and that's, for some, the worst Sunday nightmare, wishing that Monday would never arrive and dreaming about the weekend all week long. I've got news peeps: unless you've won the lottery, you - we - have to work, so you better get your sh*t together and pump up your motivation. 

Since our childhood, we are told that we have to choose a job and stick with it. Be tenacious to succeed, buy a house, have a car and kids. Maybe even a dog. We have been told that we should stick to our mortgage, pay our debts, smile and say yes when all we want is to say is "hell no".

So do it. Get your mind right and work for a high level of personal motivation to win. Set yourself into the "unstoppable" mode to experience the inevitable obstacles in life in a different way to make yourself effective, positive and able to achieve your goals.

Motto for this week: release yourself, ignite your soul and do your best. Learn to love your job or find a new one. If nothing else works, try red lips. Or chucks. They will undoubtedly make your day. After all, it's still Monday...

LLH: life, love & happiness

Ser feliz? Não depende apenas de nós, mas depende muito de nós...

Ser feliz? Não depende apenas de nós, mas depende muito de nós...

Há um momento na vida em que tudo parece que deixa de fazer sentido e passamos a questionar. Questionamo-nos, questionamos a vida em si, os que nos rodeiam, a sociedade em que vivemos, o que fazemos e como fazemos.

Há pessoas a quem tal nunca acontece. Não sei se por serem felizes ou não terem a exacta noção do simulacro. Talvez o seu contexto seja orgânico e demasiado real para objecto de reflexão. Ou por incapacidade de se ausentarem de si e do contexto para esse exercício. Feliz ignorância aquela que nos permite viver sem colocar questões, sem objectivar as emoções ou emocionar os objectivos. Nunca fui assim. Sempre questionei demais, até ao momento em que as respostas se tornaram tão claras que era impossível ignorar o óbvio. Como aqueles executivos de topo que um dia decidiram abandonar tudo em prol de uma causa maior e se refugiam num domínio intelectualmente inacessível ou espiritualmente inatingível. Estranhos?

Já aqui falei da felicidade e dessa urgência - ou imposição - em sermos felizes, quando à nossa volta tudo nos parece o contrário desse conceito. Preciso (precisamos?) pouco para ser feliz. Contudo, há pedras nos sapatos que nos causam calos nos pés ao caminhar. São essas as pedras que devemos afastar para tornar o caminho mais simples. Qualquer caminho tem pedras e, com essas, aprendemos a lidar. Piores são aquelas pedras muito pequenas que se escondem nas curvas do calçado. Conhecem a gravilha? Já vos aconteceu estarem a caminhar e as pequenas pedrinhas saltarem para o sapato? Abanam o pé, afastam a pedrinha da gravilha e continuam a andar para, alguns passos depois, a pedrinha voltar a ficar exactamente naquela zona do pé que vos impede de caminhar tranquilamente? Essas são as verdadeiras pedras. Aquele emprego que nos paga as contas, para o qual nos arrastamos indefinidamente prometendo em surdina que aquela será a última vez? Aquela pessoa de quem não gostamos particularmente e que insiste em nos deitar abaixo pela sua mediocridade ou porque simplesmente esse bullying aparentemente inconsequente lhe dá um especial prazer? Aquela situação que procuramos evitar, que nos persegue como se dela não conseguíssemos escapar?

Isso. É disso que temos de fugir. Não chega o amor, o carinho da família ou o que o dinheiro possa comprar. Porque não há dinheiro que pague o momento em que nos sentamos na beira da estrada, abrimos os atacadores, tiramos o sapato para o sacudir e sentimos aquela coisa minúscula cair em direcção ao chão. Vocês sabem que é assim porque qualquer um de nós já caminhou com gravilha dentro do sapato. A questão é simples: quanto tempo aguentamos essa pedrinha a roçar? A rebolar entre os dedos do pé para se fixar algures, lá dentro, até nos habituarmos ao desconforto? Essa é a questão: desconforto, não.

Signs are everywhere. Open your eyes and look around...

Signs are everywhere. Open your eyes and look around...

How does happiness seem like? Doest it have a sleek and professional look? Feel like something different?

Most of the time you don't know how happiness looks like simply because you don't worry about it. Most probably, That's when you're happy. Even if you don't know that. Love and life happen to collide specially when, and if you do, for a living, what you love. That's what gurus say, passing around the word on social media. But has in matchmaking matrimony you might consider learning to enjoy your job, even if it only serves to pay your bills. Or not. It depends a great deal on the level of pain in the ass you can tolerate, on how much freaking your coworkers can be or an asshole your boss it is. Assuming most of them are freaking out assholes you might consider tolerance or just cutting them. Which is hard - very hard - as you spend roughly eight hours a day around those people. Some decide to do more of what genuinely makes them happy in their free time, while others keep moaning about their miserable life. Some don't even have spare time. or time to grump. In both cases, that's pitiful. That's the case here. And it's incorrect. Work life balance is essential for every human being and we can't afford to skip it. Or to keep up with crappy business affecting us and our personal lifetime.

It rained a lot, yesterday. The sidewalk was slippery and I drop. Nothing broken, nothing hurt, besides my feelings. We can go down and stand tall in the next second. Not hard even if irritating. Why can't we do the same with those small life details that we call work, and that affect us more than we would wish?

Suddenly, the signs are allover. They were forever there, but most of the times you don't really pay attention. I don't pay attention and when I do, I often do my best to disregard them. Until one day, when you cross the street towards an outdoor popping out for happiness. Getting at the mall and trying to skip all sorts of motivational messages. Hard, though not inconceivable. Because impossible is nothing, right? Then you stop, you look and listen, even if no one speaks: one poster in particular design and decoration store: happiness is not a destination, it is a way of life.

So why don't we live life, you ask yourself while running out the door. 

Motivational messages don't pay bills, normally people say. They really don't. It's up to us to get our inner happiness or a happy lifestyle and get paid in between what we do and what we love. Impossible is nothing. On the same day, a friend fell off the step. The floor wasn't wet, there was nothing to find fault. But unlike me, she's hurt and resting, while her life is abiding by. On the other hand, a good friend with cancer just discover that he'll get over it. This is real happiness. For all of us, really. But at the same time a close friend just found out about his own cancer. Some people slip, others fall, some get their lives disrupted. It's when something like this happens that you pack a few minutes: inhale, exhale. The deepest possible breath to think about what you have really been loosing. And you understand that you can't afford to miss life.

 

das imagens motivacionais e outras cenas do género...

Chamou-me a atenção esta imagem, num dia em que acordei rodeada de mensagens motivacionais, daquelas que nos fazem acreditar que é possível e que sim, devemos perseguir sonhos para fazermos o que gostamos.

Sai, cheia de energia para o compromisso já habitual, na rádio, onde gravo, semanalmente, o programa Em Nome do Ouvinte. É uma abordagem institucional à rádio que me dá tanto ou mais prazer do que qualquer programa de entretenimento pelo desafio que representa. Nem sempre conseguido, muitas vezes suado, para transformar aquilo que decorre da espuma dos dias em algo relevante para mim, os ouvintes e a rádio.

Influenciada por aquilo que li e escrevi ontem, decidi levar a diversidade e a discriminação à rádio. No mesmo dia, entre mensagens sub-reptícias (mas muito evidentes) que me diziam para fazer o que gosto e outras, menos óbvias, concluo pelo óbvio: quando gostamos do que fazemos, quando o fazemos com empenho e amor, mais cedo ou mais tarde somos reconhecidos.  

Na rádio falei sobre o papel dos media na sociedade e a sua importância para a diversidade que, por vezes, é tao pouco diversa. Descobri o #WednesdayWoman, da BBC no Instagram e duas mulheres, entre várias, que celebram as conquistas das mulheres pioneiras. Para além da Sharmeen Obaid Chinoy, fiquei a conhecer também a produtora e realizadora Sarah Moshman, que ganhou um Emmy pelo seu trabalho em prol das mulheres. O documentário que produziu, The Empowerment Project: Ordinary Women Doing Extraordinary Thingspromove mulheres normais que fazem coisas extraordinárias: mulheres que chegaram ao topo da carreira em diversas indústrias e têm estórias inspiradoras para contar. O ponto de partida é igual ao de cada um de nós...

What would you do if you weren't afraid to fail? 

Não faltam mulheres assim. Homens também mas todos sabemos que há detalhes sexistas e machistas que lhes facilitam a vida. Na verdade, como afirmei no programa que poderão ouvir esta semana, it is so important to celebrate and support diverse perspectives and voices in media, in front of, and behind, the camera. That's the way our society can be more equal; by having more opportunities for women and people of color to see themselves reflected on screen but also to be the ones creating the media behind the scenes as well. No mesmo dia, sem desculpas, cruzei-me também a curta metragem Excuse. Inspirei-me no que publicaram no Facebook para escrever este artigo. 

Sometimes when you go looking for what you want, you find exactly what you need

A curta metragem é dirigida por Diogo Morgado e conta com Daniela Ruah como protagonista. Diz o próprio Morgado que é uma história única, contada por uma equipa de apaixonados contadores de histórias. Não sei como é o filme, menos ainda a história. Mas sei que há aqui demasiados pontos de contacto para o tema escapar, especialmente porque a semana tem sido recheada de estórias de pessoas que não vivem - fazem que vivem -, de pessoas velhas - quando são novas - e de um país pequeno que poderia ser maior do que a geografia permite. Já foi. Não sei se quer voltar a ser. De um mundo cheio de preconceitos e ideias preconcebidas, de regras e imposições que nos limitam, que nos metem medo e tornam esta, uma sociedade mais redutora.

São as mulheres quem mais sente e sofre esta inevitável opressão que ataca todos os grupos mais frágeis - destaque para a homosexualidade que ainda querem trancar, a sete chaves, no armário - ou , simplesmente, os que são diferentes. A carta fora do baralho. A ovelha negra. Aquele. Ou aquela a quem não sabemos dar nome porque não é igual a nós. Saio à rua e vejo demasiada homogeneidade para poder acreditar que vivemos numa sociedade plural e diversa. Queremos ser essa sociedade mas ainda não somos. Não estou a defender os freaks ou aqueles que são tão diferentes que é impossível não reparar. Estou a falar de algo tão prosaico como aceitar que o diferente é o novo normal e que não temos todos, de agir, pensar ou fazer da mesma forma. Isso é absolutamente aborrecido, limitador e não contribui, nada, para nos desenvolvermos enquanto sociedade. Mina a criatividade e o empreendedorismo porque faz acreditar que o impossível é apenas isso: impossível. Não é.

O recado é simples: encontrem o que gostem e não o que podem, mantenham-se focados, não tenham medo e avancem. Somos todos extraordinários. Só querem que não acreditemos nisso.

Portugal dos Pequeninos

Ontem escrevi um artigo, aparentemente sem nexo ou razão. Pode ser sobre trabalho ou relações pessoais. E não aconteceu por acaso. Porque nada é fruto do acaso. Nesse artigo, em poucos parágrafos, falo de tudo o que nos acontece, porque já aconteceu a todos nós, mesmo que não saibamos dar nome ao facto ou atitude. Chama-se preconceito e má vontade. São tabus sociais. Estão em excesso nos mais variados contextos da nossa sociedade. Especialmente no local de trabalho. 

A notícia circulou de forma discreta. Esta manhã cruzei-me com o segredo para a equipa perfeita e percebi a razão pela qual a Google estava tão preocupada em descobrir o segredo da produtividade no local de trabalho. É simples e não é sobre produtividade, mas sim sobre a felicidade. Pessoas felizes trabalham mais e melhor. Mas isso, já sabíamos...

The Googlers looked hard to find a magic formula—the perfect mix of individuals necessary to form a stellar team—but it wasn’t that simple. “We were dead wrong,” the company said.

Afinal, basta que sejamos nice people. Sabem o que significa? Pessoas cordiais, educadas e disponíveis. Nice people, portanto. Ou seja, menos invejosas, menos preconceituosas, menos coscuvilheiras, menos faladoras, menos críticas. Menos. Porque menos é mais. 

O meu trabalho é altamente solitário. O que não significa que não faça parte de diferentes equipas. Já conheci - e conheço - grandes equipas de trabalho com as quais atingi, ajudei a atingir ou vi atingirem-se grandes resultados. O trabalho de equipa não é sobre o "eu", é sobre o "nós". Como numa relação, existe o eu, o outro e o nós. Se fizermos tudo pelo nós, este vai sobrepor-se ao indivíduo e chegar mais longe.

The best teams respect one another’s emotions and are mindful that all members should contribute to the conversation equally. It has less to do with who is in a team, and more with how a team’s members interact with one another.

É necessária alguma maturidade e desprendimento. Sermos capazes de abdicar um pouco de nós e voltar o foco para o que, conjuntamente produzimos, exige uma abnegação de que nem todos serão capazes. Por isso há, ainda, tantas equipas aparentemente perfeitas que fracassam. A Google identificou-as nesta busca de perfeição. E, mesmo que não existam equipas perfeitas, há umas mais perfeitas do que outras. Sabem porquê?

São feitas de nice people. Esses, os da abnegação.

Porque isto agora? Porquê isto hoje?

Ilustração de  @JordiLabanda3  disponível em  @UNAIDS  (twitter)

Ilustração de @JordiLabanda3 disponível em @UNAIDS (twitter)

Não discriminação. Zero Discrimination Day. Que poderia muito bem ser o dia zero para uma sociedade mais justa e igual.

Vivemos numa sociedade cheia de dogmas e preconceitos. Ideias cravadas na pedra que não conseguimos apagar. Mesquinhez, ignorância e inveja misturadas de tal forma que produzem pessoas amargas, incapazes de ver para além dos limites do seu muro. Que constroem muros onde deveriam existir prados, que se limitam ao pontão quando deveriam embarcar para descobrir o mundo.

A UNAIDS definiu o tema deste ano: STAND OUT. I do. Porque quero contribuir para destruir o preconceito em todas as suas formas. A discriminação que insiste e persiste. O género ou a idade, a nacionalidade ou a identidade étnica, a orientação sexual e a religião. As mais óbvias e reproduzidas. Mas também as subjectivas e subreptícias, os estigmas sociais que nos afectam sem que disso, nos consigamos dar conta. E ainda o sexismo, a inveja, os tabus sociais. Aquilo que fazemos todos os dias e que deveríamos calar. Ou tentar.

Façamos deste o dia zero para uma sociedade melhor. Vamos?

 

MAIS?...

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2016 Zero Discrimination Day

hoje

Av. da Liberdade

Av. da Liberdade

Às vezes é assim e, sem razão aparente, o dia parece não acabar. Interrompi-o a meio e sentei-me aqui, onde escrevi este texto. Por nenhuma razão especial. Porque me chamou à atenção o homem pacificamente sentado a observar o movimento na Av. da Liberdade, a mulher que carregava a mala e o executivo alheio a tudo o resto, concentrado na sua caminhada compassada. Limitei-me a pensar nas coisas e nas pessoas, que é algo que tem a mania de escrever por vezes faz. Fiquei com pena de algumas pessoas. Pela sua pequenez, a sua incapacidade de ver a vida, olhá-la, mesmo que ao longe e ganharem coragem para a viver. Como o homem sentado, limitam-se a observar, não sem, contudo, interferirem na vida dos outros. Pois quem é pequeno tem este especial prazer que é o de interferir. Não vive. Interfere.

Alguns nunca aprenderam a viver e, por isso, não vivem. Nem sabem viver através dos outros, olhando as suas vidas imaginando-as suas. Outros nasceram velhos e não se lembram de brincar ou terem sido jovens. Eram velhos enclausurados em corpos de gente nova sem terem percebido as vantagens do erro que só a juventude tem. Limitaram-se a esperar que a velhice lhes chegasse para se sentirem verdadeiramente confortáveis: corpo e mente em sintonia. Até lá fizeram que viviam porque não vive quem não aprende a viver. E aprender a viver é coisa para durar a vida toda.

Neste Portugal dos Pequeninos é cada vez mais difícil ser grande. Porque para se ser grande não basta o tamanho mas a grandiosidade das acções. Essas, ficam para quem as pratica. No trabalho e na vida, os relatos são, invariavelmente de gente que engana e ultrapassa pela direita sem respeito pelo código. Não o da estrada. O do bom senso. Das regras de civilidade. E da civilização. Perderam-se valores e sublima-se o preconceito e a crítica, sem que o reflexo atinja quem, um dia, se vendeu por um punhado de nada. Preconceituosos e convencidos, estamos cheios de nós mesmos, ignoramos o outro e contamos apenas com a nossa capacidade para ver. Esquecemo-nos de que também somos vistos e que, quem vê, por vezes tem os olhos mais abertos do que nós. 

Há um mundo inteiro para viver. Vivamos.