women

Ponto (.)

Até pode ser parto natural, mas com epidural. E bolos? Também contam aqueles aos quais adicionamos leite e ovos ou isso é batota?...

Já era tempo de sermos menos preconceituosos, críticos, conservadores...

Menos, com menos, dá mais. Ficamos a ganhar!


Coisas que fazem pensar II

Sobre o feminismo e a política:

Se isto que podemos ver no vídeo é verdadeiro, então é maravilhoso. Se são palavras numa folha de papel, então, o Primeiro Ministro sabe o que deve dizer. E quando o fazer.

Anyway, you know it Mr. Trudeau!

Trudeau Urges Men to Be Feminists

"We shouldn't be afraid of the word 'feminist,' men and women should use it to describe themselves anytime they want." – Canada PM Justin Trudeau

Posted by AJ+ on Friday, 22 January 2016

Porque é que o Mr. Trudeau afirmou é importante?  

Não é por ser primeiro ministro. Nem por sê-lo no Canadá. Também não é pelo acesso facilitado à comunicação social, ampliando-lhe a  voz.

É por ser homem. E por saber que mais do que defender a ideia do feminismo, tem de educar o filhos do sexo masculino a respeitarem as mulheres. É também por ser um dos outros, porque isto de se afirmar feminista continua a resultar em olhares de esguelha. Se, por um lado, é muito hype assumir-se feminista, por outro, as que o fazem ainda são vistas como as reguilas da turma. As refilonas que questionam. Que opinam. Que, no fundo, lutam pelos seus direitos e que são tomadas de ponta pelo professor. As que vão sempre a exame e não desarmam. As escrutinadas, questionadas, adoradas em segredo e odiadas publicamente.

Porque muitas mulheres continuam a preferir o status quo pacificado do que uma mecha de cabelo fora do sítio. Por isso é tão importante serem os outros - eles - a dar a cara e a falar sobre esta questão. Por isso é muito importante que os homens adultos compreendam que o feminismo não é uma cena de ressabiadas de esquerda com a mania, mas uma causa transversal à sociedade. Se ensinarem os filhos a perceber a questão, já estão a ajudar. Se respeitarem e apoiarem, melhor ainda. 

Da mesma forma, é importante serem os outros - não sei como lhes chamar, eventualmente, os normais? - a trazer para a ordem do dia o tema da diversidade. Porque há muitas pessoas na televisão, mas são todas iguais. 

A diversidade - a falta dela, na verdade - não afecta apenas as mulheres. A mais recente polémica em Hollywood (#OscarsSoWhite) é disso  um bom exemplo. Hoje o The Guardian evoca a questão com exemplos da televisão. E, se pensarmos, a televisão mostra um mundo a preto e branco, asséptico e perfeitinho. Já há raças diferentes nos noticiários, no jornalismo em geral, na apresentação de programas e na ficção, mas este número está muito distante da dimensão real de cada grupo sub-representado. E as mulheres, também ficam de lado. Naturalmente.

The fact that men outnumber women two to one on television, that women disappear almost completely after the age of 50, that there are hardly any disabled presenters on air of any age, or that black men are only listened to about the industry’s lack of diversity once they’ve become really famous in America; none of it is all that funny.
Jane Martinson (The Guardian)

Coisas que fazem pensar

... e não são os faqueiros. Ou as pensões vitalícias, embora seja uma renda vitalícia.

Vá.. quase vitalícia. 

E não são "aqueles dias do mês", não é "o chico", não são "dias chatos do mês" nem tem nada a ver com o "benfica jogar em casa". Chama-se menstruação feminina e acontece uma vez por mês. Ao que parece, há por aí quem pense que a higiene, para estes dias, é um luxo. Ora vejam., porque até Obama himself ficou surpreendido.

"President Obama had no idea that 40 U.S. states impose a tax on feminine hygiene products. Because, you know, they are 'luxury goods'.” Na revista Time, a citação está completa, pois Obama afirma que “I suspect it’s because men were making the laws when those taxes were passed.”

Aproveitou para levar a questão para o sistema de saúde nos Estados Unidos, afirmando que ‘The basic idea is that women should not be at a disadvantage in the health care system and this is just one more example of it, which I confess I was not aware of until you brought it to my attention.”

Quem serão os iluminados que decidem os impostos?

Em Portugal, tampões pagam IVA. A taxa mais baixa de 6%. Mas Barak Obama ser encostado à box por causa de tampões... É qualquer coisa! Ganha a casa que, neste domínio, está um passo à frente de vários países.

 

Womenhood

from Brother/Sisterhood, para acabar com as diferenças e pensarmos mais em nós, mulheres, como um todo com problemas e objectivos comuns...

Sactuary Spa (Covent Garden)

Sactuary Spa (Covent Garden)

Pode ser publicidade. Mas a mensagem prevalece em relação ao serviço anunciado. Sim, uma tarde no spa dá-nos a sensação de nos devolver anos de vida, mesmo que não devolva. E o resto? E tudo o que vai ficando por fazer ou dizer porque nos menosprezamos em relação ao mundo? Os mimos de que abdicamos por causa das regras que nos impomos ou dos horários que nos impõem? Dos dias que não estamos e dos outros que não compensamos porque nos esquecemos disso. Porque nos condicionam de tal forma que desaprendemos o que é verdadeiramente importante, numa sociedade cuja indústria é o tempo e a moeda de troca aquilo que fazemos dele.

F*** NO! Sure I'm not perfect and I'm not intending to be.

Sejamos egoístas. Aos olhos dos outros. Sejamos egoisticamente capazes de não abdicar de nós para nos darmos mais aos outros. Aqueles que pouco nos importam em detrimento dos que importam. Por incrível que possa parecer, se nos focarmos em nós e nas nossas necessidades seremos capazes de uma maior generosidade e disponibilidade. Não é um contra-senso porque quando estamos bem, também estamos melhor para o outro. Porque a nossa relação com o outro supõe tempo e paciência, que não temos quando nos consumimos entre actividades que não são nossas mas que dependem de nós. Mesmo que isso signifique menor rendimento, vai traduzir-se num aumento do rendimento, a outro nível: produtividade, fazendo mais e melhor em menos tempo e com menos recursos; espalhando simpatia e empatia pelo mundo, recebendo em dobro o tempo para ouvir o outro, num processo em que a generosidade e entre-ajuda têm um V de volta, regressando a quem dá, com maior impacto; recebendo o carinho que se distribui, alimentando-nos o ego e massajando cada centímetro do nosso íntimo que esbanja alegria. Que nos deram. Que contagia.

Ficámos reféns da nossa história de submissão e super poderes, admitindo um escrutínio constante do que somos e das nossas decisões. Uma dependência que não existe. Não somos iguais (nem temos de o ser) mas teremos de ser iguais na tomada de decisão, transformando a interferência dos outros e dos seus juízos de valor em pormenores que aprenderemos a (in)aceitar.

Estas senhoras são mais velhas e a idade trás uma sabedoria pela experiência. Um dia decidi adiantar-me ao tempo para perceber do que me poderia arrepender. Não soube responder à simples pergunta sobre o que diriam os outros sobre mim, no aniversário dos meus noventa anos. Não era incapacidade de abstracção, mas uma impossibilidade concreta de me rever naquela que era a minha realidade. Se tal vos acontecer é tempo de reverem este vídeo, sentarem-se e pensarem bem no que aqui andam a fazer. Até porque estamos em tempo de renovação e tomada de decisões. Bom ANO! 

Just saying...

 

 

 

Nasceste para isso. Não queiras mais...

As Sufragistas  

As Sufragistas  

 Tu és mãe. Minha mulher.

Foi para isso que nasceste.

E se eu não for apenas isso?

Nenhuma de nós é apenas isso. Nenhuma de nós nasceu para ser mulher de alguém e não pode ser (apenas) a maternidade a definir-nos.

Frases como estas poderão derrubar mulheres pouco inteligentes.

Mas não existem mulheres assim.

A história pode prová-lo. E, as que existem, acabam por seguir a maioria quando se torna incontornável que é essa a razão.

As Sufragistas

As Sufragistas

Quero crer que não as há. Submissas, acredito. Medrosas, ingénuas e com um certo grau de ignorância? Também. Incapazes de perceber que ainda somos humilhadas, desprezadas e mal tratadas? Impossível. O mundo tornou-se tão igual que também eles sofrem com a desigualdade. A diferença é que nós temos uma longa história de luta por direitos que deveriam, à partida, ser iguais e que, apesar de serem, ainda não são.

Não são porque a sociedade enferma com um dos seus maiores problemas e que é o de não pensar pelos seus próprios meios, considerando sempre o que pensam os outros para tomar as suas decisões. Para definir como será a sua vida.

Este juízo comum impede-nos, muitas vezes, de reflectir para opinar e tomar uma posição. Silencia-nos mesmo quando, no íntimo, concordamos - ou tendemos a concordar - com o pensamento da minoria.

Fui ao cinema. Não poderia perder as Sufragistas. 

As Sufragistas

As Sufragistas

Não sei o que dizem os críticos e, sinceramente, não me interessa. Não se se esteticamente o filme é uma obra prima, se a narrativa tem alguma debilidade, se as interpretações são boas ou se a história está bem contada. Um filme não tem de ser apenas o filme em si, mas aquilo que representa para cada um nós e o que a história, em si mesma, pode representar.

Esta, representa mais do que aquilo que nos mostram. Representa uma luta que ainda agora começou. E que, parece-me bem, está para durar.

 

Tropeçar não é o mesmo que cair

Se há uma coisa que não entendo, é a violência.

Se há uma coisa que não admito, é a violência.

Se há algo que não aceito, é a violência.

Mesmo numa lógica de "quem vai à guerra, dá e leva", não compreendo.

Nathan Walker

Nathan Walker

A violência não é só aquela que se vê e deixa marcas. Há outra, mais profunda, enraizada no medo e na submissão, que impede muitas pessoas de viver. A violência doméstica ocorre sobre homens e mulheres, é certo, mas as maiores vítimas são elas. A maioria também são elas. Porque são fisicamente mais frágeis, porque foram ensinadas a serem submissas, a sujeitarem-se à vida.

"É a vida... É assim".

Não é. Por muito que possam pensar que é, não é.

Porque ninguém tem o direito de violentar o outro, seja de que forma ou porque motivo for. A violência exerce-se de diferentes maneiras e a violência psicológica é, de todas as formas invisíveis de violentar alguém, a pior.

Todos os anos, o mundo acorda para o drama da violência, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Em 2015 e uma vez mais, o contexto de violência doméstica, a não-aceitação da separação, a atitude possessiva, os ciúmes e a compaixão pelo sofrimento da vítima representam 81% da motivação ou suposta justificação pela prática do crime.
— Observador (relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas )

Não concebo que a paixão inclua violência. Com excepção para o amor violento e sexual, aquele que sabemos que só faz bem, que nos estimula e leva aos limites, qualquer violência deve ser levada em consideração. Palmadinhas afectivas não entram em jogo, excepção feita se essas palmadinhas forem o requisito do prazer. Pode ser um indício de muitas outras coisas. Adiante... A violência, doméstica ou não - chamem-lhe como quiserem - violência é sempre violência... Tem de acabar. O amor não supõe qualquer forma de violência.

As mulheres - algumas mulheres - acreditam que para serem amadas têm de ser violentadas. Eu acredito que não. Como também penso que, para deveres iguais, direitos iguais. Como também sei que teria sido uma sufragista se tivesse nascido no final do século XIX, no momento em que as mulheres recusaram a humilhação e desconsideração que a história lhes reservou. Se foram capazes de mudar a história, não seremos nós, capazes de mudar esta história?

Também sei que há, ainda, muitas mulheres que morrem por prática de crimes contra a sua integridade física. Outras são perseguidas. Mensagens, flores e comentários ao estilo Alex Forrest (Glen Close em Atracção Fatal) ou o suposto assédio sexual de Meredith Johnson (Demi Moore) no filme Disclosure, perante um Michael Douglas que inocentemente entrou no jogo. Curiosamente, o cinema inverte os papéis com frequência, colocando-as como perseguidoras tresloucadas mas que, em boa verdade, não ultrapassam a obsessão, sem qualquer consequência física, mostrando o lado maquiavélico tantas vezes associado ao sexo feminino. Estereótipos de género que o cinema tende a enraizar. Na verdade, não faltam eles diabólicos, que as entendem enquanto propriedade, numa possessividade sem limites e ciúme do próprio espelho. São relações tóxicas das quais qualquer um deverá fugir, especialmente as mulheres. Que se encolhem com medo. Que se deixam ficar, por medo. Que se anulam, por medo. Depois, há as que andam sempre a cair, que escorregam e batem nas esquinas dos móveis, mulheres muito desastradas que inventam para esconder murros e outros pormenores da sua vida íntima. Na rua, elas são também violentadas porque as calças eram justas, a saia curta ou porque estavam mesmo a pedi-las quando não pediram nada mas, também porque, de boca tapada por uma mão surpreendentemente grande, não gritaram "não" de forma convincente.  Não faltam estórias destas. Perante os dados que as notícias dão a conhecer, continuamos, sem dúvida, a ser o sexo mais fraco. Até quando?