streetart

as paredes da cidade estão cada vez mais na moda

Saí para almoçar cheia de vontade. Local novo, tudo por descobrir. Gosto de experimentar restaurantes. Pela comida, mas também pela vibe do local. Tudo me desperta a atenção porque nem a melhor comida se salva com um mau serviço. Sobre o almoço, falarei outro dia. Podem espreitar no Instagram, para vos abrir o apetite. Saí, com a vontade possível às três da tarde e descobri um beco inimaginável em Santos... 

É verdade que tenho vindo a escrever muito sobre arte urbana. Não é por acaso. As coisas acontecem na nossa vida por uma razão e conheci a Urban Art, um projecto de arte urbana, na mesma altura em que comecei a escrever o urbanista. Uma amiga também o recomendou quando escrevi sobre a mudança, as casas e o impacto que mudar de casa pode ter nas nossas vidas.

Na verdade, percebi que a arte urbana - urban art; street art; graffiti ou o que lhe quiserem chamar - é muito mais do que aquilo que habitualmente conseguimos ver. Simultaneamente - e sem qualquer relação - um amigo mostrou-me como as paredes podem ser mais do que apenas isso. Com ele, aprendi a olhar para grafitti e descobrir uma certa semiótica urbana que abusivamente ignoramos. Depois, a Urban Art apresentou-se, e deu-me a conhecer as peças que faltavam, para compreender esta tendência que gigantes como a Ikea também abraçaram: arte que nos faz vibrar; que nos faz olhar e sentir. É assim a arte. Nas paredes da rua ou no museu.

Diz a Ikea que a casa é o reflexo de quem lá vive. Não tenho dúvidas que poderá reflectir melhor cada um de nós se abandonarmos rótulos e as convenções que determinam o que deve ser cada divisão. Da mesma forma, também podemos redefinir as nossas paredes. É esse o mote da Urban Art: trazer a arte da rua para dentro de casa. Parece-me genial e, pessoalmente, não me importava nada de ter uma parede assim na casa para onde vou morar...

#urbanart #fashion #trends

Decorar não é só pintar paredes. Menos ainda, pintá-las de branco...

O homem normal, o gajo, aquele que por quem nos perdemos de amores, normalmente não tem jeitinho nenhum para a decoração. Zero. Null. Não entende a importância de uma almofada  e é capaz de a amachucar, deixando-a de tal forma embrulhada, que precisamos de uma grande dose de auto-controlo para não gritar. Com ele. E pela saúde da almofada.

Velas. Também não as entendem. Especialmente as que têm aromas. Candeeiros. Servem para iluminar. Ponto. Por isso, não interessa muito se o seu local estratégico é aquele e não outro, porque a sua função é dar luz. Não apenas, mas também, digo eu. Por isso, tantas vezes o raio do candeeiro está deslocado. Fora do sítio. Ligado a outra ficha porque foi preciso carregar o telefone. Ou o computador. Impossível ter uma divisão arrumada. 

Objectos. Outro enigma. Assim como cortinados e outros pendentes. Cadeiras. cadeirões e pequenos sofás. Verdadeiros tabus para a mente masculina... 

Homens e mulheres vivem em casa de forma diferente. Independentemente da maior ou menor organização e arrumação, na verdade eles querem funcionalidade. Elas querem funcionalidade com beleza e inutilidade. As coisas têm de servir para alguma coisa. Não servem só para estar ali. Porque sim, porque elas acham que é giro. Mesmo que seja inútil.

Por isso, quando se encontra uma casa, começa todo um processo. Longo... De conversão das ideias dele na decoração que ela já idealizou. Sim, porque elas - na sua maioria - quando entram numa casa, sentem-na e sabem que aquela vai ser A casa. Eles entram, olham, tiram medidas e saem a dizer que um quarto é maior do que o outro quando, na realidade, as medidas são inversas. E criticam a casa ser toda virada a poente quando, efectivamente, só um dos quartos apanha sol... Generalizações valem o que valem. Também há homens que gostam de almofadas. E mulheres que têm três almofadas no sofá da sala só para as poderem amachucar de forma embrulhada.

No entanto, o processo tem sempre de existir, porque, com mais ou menos almofadas, velas e candeeiros, eles pensam que tomam decisões quando, na realidade, só vão ao encontro do que elas planearam... No caso, estamos de acordo em três coisas: simplicidade, almofadas para amachucar à vontade e paredes transformadas em arte, como propõe a Urban-Art, projecto que descobri recentemente nesta loucura de recolha de grafittis pela cidade de Lisboa, e que se propõe a trazer a arte da rua para dentro de casa, ou reinventar obras de arte nas paredes da nossa casa. Resta agora discutir qual vai ser a reprodução e a parede. Eu já vi algumas que me agradam, mas isto é coisa para mais um processo...

Ideias daqui e dali que podem acabar lá em casa...

as paredes, que não vão ser brancas

#urban-art #decoration #home

o acaso não é coincidência

Cada vez mais me convenço que nada acontece por acaso. Nem Madrid. Pouco a pouco, venho descobrindo a street art e o grafitti. Tenho um amigo que é uma espécie de recolector de grafitti e que me tem mostrado esta forma de arte. Com ele, vou aprendendo a olhar para muros e paredes de uma forma diferente. A minha percepção sobre o que é a arte também mudou. E este amigo, notem, não é um puto novo que anda por aí a grafitar paredes. É alguém, aparentemente conservador, que um dia começou a falar-me sobre arte urbana. Passei do tédio à admiração numa questão de minutos, seduzida pelo poder das palavras e das imagens que foi coleccionando ao longo do tempo. A sua extensa colecção resulta de muitas fotografias das ruas de Lisboa e outras cidades por onde passa…

Voltando aos acasos, eis que, ao passar - em passo de corrida - pela Casa das Vacas - que fica dentro do Parque El Retiro, me apercebo de algo que me obrigou a mudar o plano da viagem. Fiquei mais umas horas em Madrid para ver a exposição POP GRAFFITI, do artista Antonio de Felipe, um dos pop artists que cruza a cultura popular e a street art… 

Não consigo descrever em palavras, mas digo-vos apenas que a Holly Goligthly, ou seja, Audrey Hepburn, na cena mítica do filme Breakfast at Tiffanys não está a olhar para uma montra mas antes, com uma lata de spay na mão, para um graffiti que diz: diamonds are a girls best friend. É clara alusão à famosa versão de Marilyn Monroe no filme Gentlemen Prefer Blondes e numa óbvia incursão pelos ícones da cultura popular que se juntam àquele que foi, durante tanto tempo, um movimento de transgressão associado a gettos e gangues que, actualmente, é reconhecido como uma forma de cultura visual. A mim, este trabalho de Antonio de Felipe me mata - para usar uma expressão típica em Madrid - e matam-me também, os que vos mostrei há dias: os rostos que animam o muro do hospital Júlio de Matos, que usei como cenário para um jumpsuit branco e que são dignos de serem (re)vistos.

#streetart #urbanart #art

in between the blue and the dream

Há coisas que não sabemos. Não temos como saber.

Não podemos saber.

De tendências é fácil falar. O Verão e o azul, tão óbvio.

O branco etéreo perdido numas costas sem fim. Não é assim, o Verão?

E se o azul não fosse óbvio? Se fosse este, o azul que sempre procurámos e o branco que nunca imaginámos?

Não seria, este, o improvável que às vezes acontece?

A madeixa de cabelo que teima em ficar fora do sítio e que, certo dia se emancipa levando tudo atrás?... Os esteriótipos existem, mas não são exactamente como os descrevem.

O que é isto que se eterniza na parede de um quarto, no reflexo de um espelho, na rua, ao sol?

Uma mulher também se pode dar a pequenos luxos e prazeres, ou não?

#ootd #streetart #fashion

casa nova?...

Vivo (vivemos) num apartamento contemporâneo. Aqueles moderninhos, cheio de comodidades e pouca história. Sempre gostei de casas antigas. De as adaptar e modernizar. Vai ser agora. Não queria ou precisava de mudar. Mas aconteceu. Depois de muitos meses a visitar apartamento após apartamento, baiúcas velhas e casas feias oferecidas como uma oportunidade única, encontrei. Tem glamour. É charmosa, cheia de estilo e estórias. Esperam-me meses de renovações e discussões, porque uma obra está sempre inacabada. Incompleta. Imperfeita. Disseram-me uma vez que as obras deveriam começar quando acabam. E, por isso, comecei já a actualizar-me, a acumular ideias, a procurar as últimas tendências para fazer desta a casa mais gira que se possa imaginar: um apartamento antigo que se vai transformar num apartamento moderno sem perder o seu estilo. A primeira pesquisa já me fez mudar todas as ideias que tinha. Ou quase todas. Vagueava no Instagram quando encontrei o #ikeaartevent2015. Procurava ideias para apartamentos antigos quando encontrei o thisoldapt no Tumblr. A tendência é clara: transformar as paredes em arte e celebrar a street art. Aí está algo que nunca antes me tinha passado pela cabeça: retirar os quadros das paredes e transformar a parede numa obra de arte. Um must. E vou descobrir mais.

#home #streetart #urbanart