relationships

Não sou solteira. Mas, se fosse, também (não) gostava...

Na sexta-feira celebrou-se o Single's Day, ou dia do solteiros. E se há coisa que os solteiros, mais ainda as solteiras, conhecem é a pressão social para se casarem...

A pressão social incomoda-me. Há muito tempo era só um bocadinho. Agora incomoda muito. Pressão?... Para casar. Para ter filhos. Para ter um emprego estável. Para mudar de carro quando nasce um filho. Para encontrar "o tal". Para sermos aquilo que esperam de nós sem esperarem que sejamos exactamente o que somos. Como somos. 

Até um determinado momento espera-se que sejamos solteiras. Depois questionam-nos a opção, tentando descobrir-nos um namorado (que não temos), questionando, quando temos, a razão pela qual não o apresentamos à família. Questionam-se sobre a sua origem e características. Questionam-nos sobre as suas intenções - e as nossas - achando que por não ser sério, é questionável. Questionando a importância dessa relação quando, na maior parte das vezes, nem nós (ou eles), temos a exacta noção dessa importância. Que nem queremos ter, porque isso equivale à caricatura do primeiro encontro em que um deles fala sobre filhos e casamento. Nem sempre é um deixa andar ou um deixa ver. Por vezes é apenas o que é. No questions asked. No strings attached.

Se depois desse momento continuarmos solteiras, então é porque não conseguimos encontrar "o tal" ou porque não levamos as relações a sério. Somos isto e aquilo. Vamos ficar para tias. A palavra solteirona emerge no horizonte como uma nuvem muito cinzenta que se poderá abater sobre nós. So what?!... No caso deles, levantam-se as suspeitas. Se tem amigos próximos, ou muitas amigas sem se envolver com nenhuma delas, está o caldo entornado porque deve ser gay. Como se o mundo desabasse. Na família a dúvida persiste, mesmo que ele negue. São precisas provas para os acalmar. E quanto maior a família mais temos de os apaziguar. Os jantares e encontros com os primos, que são sempre um exemplo, ou uma desgraça pior do que a nossa, as festas de Natal com os tios que nos agarram a bochecha - mesmo quando já não temos idade para isso - perguntando sobre namoros e emprego, soltando suspiros e o eterno "no meu tempo..."

O tempo é o nosso, não deles, e não há familiar que verdadeiramente o entenda. A não ser aquela tia rebelde, a quem olham meio de lado considerando-a algo hippie ou esquisita, a tia modernaça que nos deu um cigarro às escondidas ou aparou outros golpes quando precisámos. A que nos fita à mesa suspirando sem suspirar, sabendo exactamente o que pensamos porque ainda agora, muito tempo depois dos seus vintes, continua a ouvir os comentários que não quer, respondendo - sempre - o que não querem ouvir. A irreverente, portanto. Um arrepio de gente. Solteirona, claro está.

Se optarmos por estar numa relação, começa a conversa do casamento, enquanto a mãe vai mentalmente preparando o enxoval que a proibimos de fazer, e o pai olha de alto abaixo aquele gajo que lhe vai roubar a filha. Não querem saber o que pensamos, preferem pensar que aquele é que é, mesmo sabendo que aquele não é, e nunca será. É apenas o que está, naquela altura. Em seguida contabilizam-nos as relações questionando se não será (já) demais porque vai sendo tempo de assentar. Sentamo-nos pela exaustão da pressão mas não desistimos de fazer o que queremos. E, também nós, pressionamos. No sentido contrário, claro está.

Até que, do nada, anunciamos que vamos casar. A família em êxtase até ao potencial rebuliço de um eventual divórcio ou a alegria do primeiro filho. Não sem antes pressionarem - uma vez mais - em relação à casa e sua decoração, organização de gavetas, móveis demasiado modernos e outros pormenores. Na gravidez, o que devemos ou não fazer. Comer. Comer. Comer. A criança nasce e todos sabem o que fazer, como se a maternidade não tivesse qualquer ponta de intuição. Quando engravidei, mais do que me perguntarem sobre a barriga, perguntaram-me se não ia mudar de carro. Na primeira vez não entendi, nem soube o que responder, porque me parecia óbvio que tal não seria necessário. Nos 30 segundos que medeiam a pergunta e a resposta percorri todos os elementos relevantes, relacionados com a idade, segurança e características do automóvel e continuei sem atingir. Foi então que apontaram para o veículo, afirmando que tinha 3 portas... Tenho uma amiga que criou 3 filhos num carro com 3 portas até ao limite do espaço. Trocou quando lhe foi possível. Especialmente, quando a segurança assim o exigiu e o espaço se tornou exíguo. Com ela, percebi que era desnecessário trocar de carro quando nasce uma criança. Estamos, aliás, mais protegidas do frio e da chuva porque entramos com a criança no carro para lhe apertar o cinto, passando para o lugar da frente directamente. Obriga a uma certa ginástica. Mas ginástica é o que todas as mães fazem a partir do momento em que nasce um filho. No harm done.

A pressão não acaba aqui. Depois do primeiro, a pressão para nascer o segundo. Porque precisa de um irmão. Porque... Porque...

Também não acaba a pressão relativa à nossa relação e o que fazemos dela. Sejamos casados ou solteiros, há sempre alguém, a quem não perguntámos nada, que acha que sabe o que é melhor para nós. Cada relação é o que é, com características únicas que cada um - dos dois - saberá gerir. Na verdade, sabemos sempre o que é melhor para nós. Mesmo que, aparentemente, não seja...

Louca na mesa. Lady na cama.

FotoGInica

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  FotoGInica

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Não é assim, mas eu adaptei. Preconceito à parte, a canção do Marco Paulo conta a história do maior desejo de todos os homens: a boa na cama que também é bem educada. Esqueceu-se de acrescentar ao pacote o efeito mãezinha: a louca na cama que é uma lady à mesa e engoma as camisas a preceito.

Porque, no fundo, é isso que procuram. É para isso que servimos. Ou foi para isso que nos educaram: a garantir o bem estar dos nossos meninos. E quem garante o nosso? Porque quando se habituam a isto, querem sempre mais até ao ponto em que desaparecemos ou nos fartarmos. 

Não somos todos iguais, mas somos muito parecidos. Eles e elas. Quando eles encontram a louca na cama esquecem o resto, até ao momento que precisam de uma canja. Mal da louca se não fizer uma boa canja. Deixa de ser a louca na cama e passa a ser apenas mais uma louca na cama. Em rigor não é assim. Eu sei e vocês também. Mas é um bocadinho assim. Porque nos educaram desta forma. Eles brincam às guerras e elas às casinhas. E, nas casinhas, o Ken é sempre sedutor e a Barbie sempre seduzida. Gosto de ser seduzida, não preciso que os papéis se invertam em absoluto. Até porque, ao longo do tempo foram aparecendo muitas mães como eu, que os educaram a ser independentes e a fazer a canja para elas. Que não precisam de ser loucas. Basta apenas que sejam ladies com uma pontinha de loucura. Gosto de um homem que hesita na escolha da camisa. Que tira uma para vestir e opta por outra. E que não deixa a primeira em cima da cama à espera que se arrume sozinha. Porque não arruma. Ou que não deixa traços e objectos espalhados pela casa, com meias aqui, sapatos ali para, depois, perguntar onde estão as chaves do carro. Ela não tem de saber. Ele que procure. Também.... Não te custava nada! - é a frase que invariavelmente ouvimos.

Não, de facto não custa nada. Custa apenas a diferença entre o momento em que cada um trata de si e o outro, em que um trata de todos. Dos que não sabem cuidar-se e dos que, sabendo, preferem ser cuidados por outrem.  Não resulta. Passa de prazo. Mais cedo, ou mais tarde, acontece uma de duas coisas: a louca na cama passa a ser a louca na mesa. Vira a mesa, deixa de ser uma lady e grita a plenos pulmões. Ou cede na loucura, despeja os copos e os pratos no lava-loiças para, furiosamente abrir a água, deixar escorrer, gastar mais detergente do que é necessário, deixar a loiça secar no escorredor e ficar com uma neura constante cuja origem deixou de ser capaz de identificar.

Quando - e se - me detenho a pensar na - serão nas - razão pela qual nós, mulheres, aceitamos partilhar a vida com vocês, homens, fico muitas vezes sem palavras. Porque não há palavras que o expliquem. Serão certamente decisões de miúdas novas, inexperientes, apaixonadas pela vida e a ideia de viver, sem a menor noção do peso e do significado de cada uma das palavras. Boy meets girl, they fall in love and stay together. É tão bonito, no cinema. Poderia ser, na vida real, não fossem eles - aqueles a quem num determinado momento da nossa vida decidimos incluir na nossa vida - dependentes mimados.

E nem sempre a culpa é das mãezinhas e da ideia maternal de protecção dos seus queridos meninos. É da sua natureza serem uns valentões que não vertem uma lágrima, mas que se portam como crianças numa relação, na partilha do espaço e da vida a dois. Apenas aí porque, no resto, pode ser perfeito. Haja amor.

Men's Roles in a Gender Equality Perspective (ICS)

Men's Roles in a Gender Equality Perspective (ICS)

Na dura realidade em que o dinheiro se conta, existe essa penosa tarefa a que chamamos, exactamente, tarefa. A qual - no caso, as quais - os queridos meninos, seja lá qual for a mãezinha, entendem que não lhes compete. Existem. Vivem aqui e connosco. É mais do que suficiente. A nós compete o resto, incluindo a canjinha quando estão com febre. Mas não. Isto de termos mais deveres e menos direitos tem de acabar.

Até porque isto nos impede de avançar. mesmo que tenhamos melhores resultados escolares e sejamos altamente qualificadas, não deixamos aliviar a pressão social em torno do papel da mulher. Nisto, boa parte da culpa é nossa.

"Se há que encontrar um culpado, é a própria sociedade. As mulheres sentem-se pressionadas, não só pelos companheiros, mas também pela sociedade e pelas empresas. É dado como certo que elas terão maior responsabilidade com os filhos e com a casa", garante Pamela Stone, professora de Sociologia na universidade de Hunter e uma das autoras do estudo ao "El País".

Parte da nossa insatisfação com a carreira resulta desta culpa e a culpa não é deles.  É nossa porque os deixamos colocar a carreira em primeiro lugar. Foi assim que nos ensinaram. Pode, mas não tem de ser assim. Ou pelo menos, sempre assim.

Não é esta a guerra dos sexos. A guerra dos sexos é mais divertida por reflectir o conflito global entre homens e mulheres.

A luta de poder da qual saímos, invariavelmente, a perder. Mas, da qual, não desistimos.

Marie-Sophie Tékian:  https://unsplash.com/mstekian

Marie-Sophie Tékian: https://unsplash.com/mstekian

FotoGInica

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#girlspower #gender #equality

Outras leituras:

Policy Brief: Homens, papéis masculinos e igualdade de género |LER|

What’s life like for women around the world in 2015? |LER|

 

Ponto (.)

Até pode ser parto natural, mas com epidural. E bolos? Também contam aqueles aos quais adicionamos leite e ovos ou isso é batota?...

Já era tempo de sermos menos preconceituosos, críticos, conservadores...

Menos, com menos, dá mais. Ficamos a ganhar!


Amor? Espaço.

Mais um exemplo de dois que decidiram "come clean" que é como quem diz, dizer a verdade. Amar não é fácil. Amar, com a rede a interferir, mais difícil. De malas aviadas e sempre em trânsito? Muito difícil.

O casal de bloggers Jarryd Salem e Alesha Bradford entraram numa espécie de burnout virtual. Cansados das fotografias perfeitas, cansaram-se, também, um do outro. Para além da questão principal - a aparente perfeição do que publicamos na rede - há outra, subjectiva: pode e deve um casal estar junto 24 horas?

Acho que não. Ou, pelo menos, não sempre. O espaço para o outro depende do nosso próprio espaço, da capacidade que temos de abdicar de nós pelo outro. Até onde abdicamos? 

Dias a fio, mala ao ombro, maquina fotografia na mão. A foto perfeita por encomenda. Ele e ela. Juntos nesta missão. Até quando? Seremos felizes nesta realidade que se ausenta dela própria? 

Travel troubles: Jarryd Salem e Alesha Bradford

Travel troubles: Jarryd Salem e Alesha Bradford

The many looks... of love

Um artigo inspirado no amor moderno, publicado no Briefing. Para ler aqui.

De apaixonados a escrutinados, num simples swipe. Só posso concluir que a paixão já não é o que era. Ou será ainda, o que sempre foi, com novas ferramentas para quem se quer apaixonar e outras tantas para os apaixonados? Opto pela segunda opção. Não creio que o amor tenha acabado.

Instagram. Us and them.

Comecei por sorrir. Depois, comecei a rir. A seguir soltei uma valente gargalhada quando me vi ao espelho. Já não me lembro do último cappuccino que bebi sem antes, o ter fotografado. Mea culpa. O melhor de tudo, quando um vídeo destes nos confronta com os nossos próprios vícios é conseguirmos sorrir quando ele - o Instagram husband que, na verdade, é só husband e não nos fotografa propositadamente para um artigo sobre o tema - nos diz que o cappuccino está lindo. E afirma, em seguida, num tom interrogativo, se não o vamos fotografar. Não íamos. Porque tínhamos fotos de cappuccinos que chegariam para alimentar a conta do Instagram durante um mês sem voltar a beber um cappuccino; porque controlamos razoavelmente as vezes que o impedimos de comer (ou beber) para fotografar; porque decidimos estar de folga; porque não nos estava a apetecer. Porque. E, perante a interrogação, exclamativa, puxamos do telefone para, habilmente, escolher o ângulo e fotografar mais um cappuccino. Esta é, para mim, a melhor cena do vídeo. Porque admito já ter feito a mesma figura, impedindo a outra pessoa de comer, para fotografar. Porque está bonito. Porque poderá ser útil. Porque sim, passou a ser mesmo assim. 

 De resto, a caricatura é mesmo isso, uma caricatura que procura levar-nos à razão, pelo absurdo das situações. Homens pendurados em escadas à procura do melhor ângulo? Fotografias em sequências infindáveis por causa de uma bandeira? Não. A fotografia do nada, a qual ele tem, obrigatoriamente, de amar? Menos ainda.

Dependendo da abordagem e do método, no Instagram ou em qualquer outro site desta natureza, devemos depender apenas de nós, com alegres colaborações. Sujeitar o nosso sucesso a quem nos fotografa é injusto e, por vezes, cruel.

A fotografia de hoje aconteceu. E, por isso, tem graça e valor. Fui apanhada a fotografar o cliché da estação do Oriente: os arcos em metal, com o reflexo da luz do sol. Uau... Que original.... No entanto para quem, como eu, viaja mais de avião do que de carro, e mais ainda do que de comboio, teria a sua graça. Por isso, escrevo sobre o tema.

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Os maridos do Instagram vieram substituir as viúvas do golf, as solitárias do surf ou qualquer outro tipo de categoria que associe um casal a um hobbie. O dele. Não só o Instagram contribui para inverter os papéis como, de certa forma, os posiciona como durante muito tempo nos pocisionaram a nós: um acessório de uma relação centrada neles. Esta inversão não estará correcta mas, efectivamente, quem boa cama faz, nela se deita. Pese embora uma relação dependa de respeito e equilíbrio, não lhes faz mal nenhum sentirem, de quando em vez, que são o nosso selfie stick pessoal, inimitável é insubstituível. Mesmo que seja, apenas, para as fotos do Instagram.

Escandalosamente escandaloso. O amor.

O escândalo que é amar.

Gosto (muito) de assistir aos episódios da série norte-americana Scandal, não só por ser escrita pela Shonda Rhimes e isso significar, quase sempre, uma história plena de romance, mascarada de qualquer outra coisa, mas porque o Scandal é, de certa forma, a história de amor que todos queremos viver. Não por ser um amor proibido mas, antes, por ser um amor capaz de derrubar preconceitos, ideias  e estigmas. Um amor intenso, inadiável, com tudo para correr mal e, no entanto, capaz de sobreviver a todos os ataques, ao tempo e a tudo aquilo que está contra a sua natureza. 

É assim o amor de Fitz e Olivia. Vai contra todos os estereótipos sociais e do próprio romance no grande ecrã: ela é negra, poderosa, jovem, bonita e com grande sucesso profissional. Ele também é mais jovem do que habitualmente acontece nestas estórias e isso provavelmente contribui para o sucesso da série. Há, aliás, um aparente pequeno pormenor que me deixa muito curiosa... Entre tantas e árduas tarefas, tamanhas preocupações e conspirações, como é que o Fitz tem tempo para manter aquela forma física invejável? Ela, sabemos, alimenta-se de pipocas e vinho tinto....

São apenas detalhes de uma estória recheada de inverosimilhanças que nos fazem sonhar. Quase acreditar que "yes, we can" e que, no amor, tudo é possível. São também esses pormenores que nos obrigam a ficar colados ao ecrã - seja lá ele qual for - em versão legal, pirata ou assim-assim.  Ou, há falta de melhor, quando nos deleitamos com os vídeos que vão sendo partilhados no Facebook e no YouTube.

Scandal conta-nos uma estória única, cheia de mentiras, traições, insanidades, amizades e inimizades, revelando o pior da natureza humana. Talvez seja por isso mesmo que a narrativa é tão boa. Revemo-nos em cada pormenor, a cada fracção de segundo daquelas estórias habilmente encaixadas umas nas outras, interligadas e interdependentes, com algo que nos faz identificar. Não somos gladiadores mas invejamo-los. Não faríamos um quinto do que muitos já fizeram ao longo das várias temporadas, mas não ficamos escandalizados. Porque tal quando Pope diz que alguém tem de ser "relatable" e "just like regular people", sabemos que nenhum deles é "regular people" porque nenhum de nós também o é. E é isso que nos predispõe, é isso que nos motiva e interessa numa estória que se designa, ela própria, por ser um escândalo.

Para quem (ainda) não conhece, está disponível em Portugal.

#love #scandal #tv

The devil's in the details

mesmo que muitas vezes digamos que o que interessa é o sentimento...sejamos sinceras, nada melhor do que ser surpreendida com uma prenda.

Nao. Não. Não.

Definitivamente, não é por aí. Embora também seja. O que eles não sabem é o quanto nos rimos, em surdina, com a repetição dos clichés que teimam em não abandonar e que afastam mais do que aproximam. Primeiro, nem todos os homens são de dar prendas. Segundo, são poucos os que conseguem um grau de atenção e detalhe capaz de ouvir, perceber e registar para, então, surpreender. Terceiro, também não há muitos com a generosidade de dar de si, materializando esse comportamento e atitude. Posto isto, o melhor é estarem quietos e deixarem-nos tratar do resto. Que é o que, invariavelmente, acontece. Mesmo quando exibimos, orgulhosamente, algo que namoramos, escolhemos, compramos e nos deixamos convencer que foi tudo obra dele. Não foi. Se têm um capaz de o fazer, conservem-no. Poderá não ser o melhor namorado mas será sempre alguém que gosta de nós. Isso, não tem preço. Porque as melhores prendas não se compram. Os melhores presentes são aqueles que nos dão aqueles que sabem tudo sobre nós mesmo quando nada dizemos. Os que nos adivinham as cores, formas e feitios, que terminam as nossas ideias, que não compram nada e nos dão mais do que aquilo que existe nas lojas.

Diz o artigo que há 12 prendas que uma mulher deseja receber pelo menos uma vez na vida. Talvez seja verdade. Antes de perceber o que é a vida. Depois, opta por se mimar e deixar de esperar que ele lhe ofereça o que quer que seja.

Uma jóia? Sim. Se for um anel de noivado, embrulhado sem os eternos bolos e restantes subterfúgios das comédias românticas, se for um acto de amor e não um apontamento no calendário, então sim, uma jóia como está poderá fazer derreter o mais duro dos corações.

A carta de amor foi substituída pelas sms com a palavra "amo-te", corações nas fotografias do Instagram e emojis apaixonados para terminar uma mensagem no Whatsapp. Já não conhecemos a caligrafia uns dos outros - e a caligrafia diz tanto sobre cada um de nós - por isso sim, uma carta pode fazer toda a diferença. Ou a eterna rejeição.  

 

As velas... As velas são uma manobra perigosa, equivalente a uma sala cheia de balões aos corações... É bonito, incendeia a alma e... Pode incendiar tudo o resto. Inspirem-se em coisas mais modernas, como a Samantha Jones cobertura de sushi.

 

Fim de semana romântico um presente? Não. Fins de semana, dias de semana ou semanas inteiras para namorar são noblesse oblige.  

 

Tarefas domésticas? Como um presente? Uma recompensa? Não. Mesmo. As tarefas dividem-se. Não se presenteia mulher nenhuma fazendo aquilo que supostamente é da sua responsabilidade. Porque não é. 

 

Um álbum de recordações. Giro. Mas altamente improvável. Vamos guardar Qr Codes, print screens das reservas de hotel ou dos talões de embarque adicionados à wallet do smartphone? Mandamos imprimir tudo o que comemos, visitamos, exploramos e que publicamos nos sites de redes sociais? Pois... 

 

Lingerie sexy. É giro. Mas todos sabemos que eles preferem sem. Lingerie. 

 

"O" concerto. Estamos, finalmente, no bom caminho. Já dizia o Rui Veloso... "Não se ama alguém que não ouve a mesma canção"... 

 

Pequeno Almoço na cama... Um clássico que fica sempre bem, especialmente se, depois, continuarem na cama. Se, mais tarde, ainda na cama, mandarem vir pizza para matar a fome e dormitar em conchinha, todo o dia, entre uma e outra coisa, televisão sem som a debitar notícias, música a tocar, som tão baixo quando o volume dos nossos pensamentos que se limitam a estar ali. No momento.

 

Uma noite no hotel. Sim! Juntamente com o tal fim de semana romântico? True must have. 

 

A mensagem no espelho da casa de banho? De preferência no hotel, depois daqueles banho prolongados e, digamos, apaixonados... 

 

Uma cena romântica. Sem cenas românticas não há namoro ou relação. Se ele cozinhar para nós... Isso é perfeito e prova que afinal, as prendas são todas as que eu disse: sem preço... 

O problema do amor? Amar.

São difíceis de encontrar, mas existem. Não sei onde estão, nem posso dar dicas ou disponibilizar um mapa, mas eles - esses que estão dispostos a conhecer-nos de quem a Helena fala - andam por aí, pensando o mesmo que nós - mulheres - pensamos, sofrendo, também, com o desencaixe do amor contemporâneo.

Felizmente já não vou a jogo, mas conheço-lhe as regras de cor. São fáceis de decorar. Não há regras. Mas, também, não vale tudo.

Não vale ser mal formado. Não vale ser indelicado. Não vale ser interesseiro. Não vale não ser cavalheiro. Não vale não ser.

As mulheres - algumas mulheres - ou, pelo menos, estas mulheres a quem a Helena se refere e se dirige, querem o mesmo que os homens. Porque com maior ou menor capacidade de expressão, no fim do dia, todos queremos uns braços que nos recebam e nos abracem. Um sorriso que encontre o nosso, mesmo quando o sorriso se esconde, uma mão que nos acaricie o cabelo, nos segure a cabeça e nos beije como se o mundo acabasse no instante seguinte. Não tem de ser amor, mas o amor também é muito isto. É a segurança do outro e a certeza que o mundo - o nosso mundo - o mundo daquele amor - não acaba no instante seguinte. 

Não faltam canalhas. Alguns, com requintes de malvadez. E ingénuas que se deixam ir na conversa do enamoramento e amor, aquele que acontece tão de repente que parece impossível. Nessa aparente impossibilidade apostam tudo convencidas de que agora, - daquela vez -, vai ser diferente. Mas não é. Raramente é. Porque o amor, aquele de que se fala, o tal do tabu, é raro. Não está disponível em todas as pessoas e em todos os momentos. Encontrá-lo é quase como acertar na lotaria. Não se acerta sempre e continuamos a jogar. Porque o problema do amor não é, e nunca será, o amor. São as pessoas. Essas, todas, que se recusam a perceber que, para serem amadas, têm primeiro, de amar.

#love #girlmeetsboy #theyfallinloveandstaytogether

Amor sem livro de instruções

Deitar cedo a um sábado por pura exaustão. E congestão (nasal). Saber que, ao chegar à cama, ele vai baixar o estore, correr as cortinas, desligar a luz e deitar-se sem mexer a cama. Acordar, mais cedo do que todos, e ficar na cozinha a ler.

Manual de instruções?!... Não existe para nada, a não ser electrodomésticos, menos ainda para o amor. 

O amor é lindo e outros clichés espalhados em 15 pontos. O amor realmente é lindo, mas não é exactamente assim. É quase assim. Não existe o homem dos nossos sonhos porque a vida não é um conto de fadas como (continuam) a querer fazer acreditar às meninas e às solteiras. Porque para ele ser "o dos nossos sonhos" nós temos de ser a "dos seus sonhos". Aí está o segredo do sucesso. Não existem relações unipessoais, menos ainda, unidireccionais por isso, com ou sem elogios, com mais ou menos beijinhos, com família misturada ou sem ela, cabe a cada mulher (e a cada homem) perceber o que funciona para si. O que aceita e até que ponto aceita, o que deseja e o que não deseja. Dizer. Ouvir. Esperar. Nunca atacar. Acima de tudo, saber que aquela pessoa é para sempre, sem checklist. Porque quando é para sempre, podem aqueles quinze pontos estar a falhar. Ontem, hoje, na certeza de que amanhã vão estar todos bem. Sem listas. Com intuição. Ou será antes, paixão?

Parece-me que falta amar mais e pensar menos...